Quem, quem a não ser o circo?

Foto_Monica Jurberg
                                                   Foto: Monica Jurberg

Luana, criança, brinca por ali, no jardim da Escola de Teatro da UFBA. Eu entrevisto seu pai, Anselmo, e sua mãe, Verônica, sobre a escola de circo criada por eles. Estamos em 1986 ou 1987. Nem me lembro se a pauta vingou.

Lembro que anos depois estava eu com Luísa no colo, ao lado de Soraya, assistindo a um espetáculo da Escola Picolino, em Pituaçu, me surpreendendo pela primeira vez. Desta segunda lembrança, lá se vão quase 20 anos.

Pelas arquibancadas da Picolino já passou foi gente.

Hillary Clinton, por exemplo, deixou sua imagem ali numa foto com a boca aberta, que correu mundo, diante das crianças da Picolino, naquela época, muitas do Projeto Axé.

Passou também muita gente que nunca havia ido a um circo. Outro dia encontrei no meu trabalho uma senhora que tinha viva na memória aquela primeira vez, quando criança, com a turma da escola.

Pelo picadeiro, pelas aulas, também passou gente que brilhou em grandes circos ou apenas seguiu sua vida com boas lembranças daquele lugar. De vez em quando eles aparecem nas redes do circo e registram a saudade.

Quem nesta cidade não tem na memória pelo menos um dia de Picolino?

Desde aquela primeira vez sempre estive envolvido com aquela lona, várias vezes trocada, várias vezes rasgada pelo vento forte da orla.  Às vezes mais distante, às vezes mais próximo. Às vezes trabalho, às vezes ajudo, às vezes sumo, apareço, sou sempre bem recebido.

E sempre me surpreendendo com seus espetáculos. Com a sua produção, com seus resultados.

A Picolino criou um circo com nossa marca, a Picolino tem uma arte com nossa cara, a Pìcolino é o circo baiano. E está espalhada por aí, Bahia, Brasil, mundo afora. E  Viva.

Em Pituaçu, o circo ainda está nu, mas no cirquinho, na barriga quente da lona do cirquinho, no último fim de semana brilharam os movimentos, os sons, os corpos, a alma da Escola Picolino. Era circo, música, teatro, manifesto,  no espetáculo de título sugestivo: Que tal o impossível? 

Luana no comando, com apoio e retaguarda da Escola Picolino, de Anselmo, de Clovis, de Bia, de Márcia, de Jailson, de Carol, de Lucas, de Millenade Apoena. No picadeiro,  15 alunos do Curso Livre de Circo da Bahia, reunidos há pouco menos de um ano, num espetáculo que levantou a plateia. Ali estava também, de algum modo, representada a história da Picolino. Gente diversa, das mais variadas fontes, reunida sob o comando de uma trilha sob medida, conduzida por Beto Portugal.

Circo atual, contemporâneo, música contemporânea, versos como estes de Mautner,  de outros dias, da década de 80, como a Picolino, mas  atuais e necessários para o mundo hoje:

“Quem, quem, quem a não ser o som / Poderia derrubar a muralha dos ódios /  Dos preconceitos, das intolerâncias / Das tiranias, das ditaduras / Dos totalitarismos, das patrulhas ideológicas / E do nazismo universal?”

Veja as fotos de  Mônica Jurberg e de Camila Ribeiro.

 

Uma mostra da trilha:

 

 

 

 

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