Crianças presidiárias

03/08/2016

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Nem sei se neste aglomerado, ao lado da Empresa Gráfica da Bahia, no Retiro, existem facções. O que chama a atenção na imagem é a ausência de áreas de convivência, em ruas praticamente porta com porta. Coloque então conflitos armados aí dentro, realidade de muitos locais semelhantes nesta cidade, e você terá uma vaga noção de como anda o cotidiano de milhares de famílias em Salvador.

Ontem foi a vez de Franklin Silva Santos, de 17 anos, mais uma baixa “civil” desta guerra. Morreu porque vivia em território inimigo. Morreu para que outro que também morreu sem saber o motivo, no domingo, fosse vingado.

Talvez você seja capaz de discorrer longamente sobre o Estado Islâmico, sobre o conflito na Síria. Mas seguramente, como eu, saiba muito pouco sobre Bonde do Maluco, Katiara, Caveira, Comando da Paz.

Provavelmente, assim como eu, saiba ainda menos sobre o medo de crianças e adolescentes que vivem como presidiários em suas casas, por conta do toque de recolher, realidade cotidiana destes lugares.

Reduzir todos estes exércitos à denominação simplista de “traficantes” talvez resolva apenas nossa dificuldade de entendimento desta realidade.

Mas o buraco, seguramente, é mais embaixo. E sangra todo dia.

 

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