“Con los que te hacen reír quedate toda la vida.”

amigos

Início de 1976, um amontoado de adolescentes na faixa de 15 anos, sem pais por perto, se organizava em filas para a matrícula. Muitos éramos do interior, havíamos passado no teste da Escola Técnica e tudo ali era uma vida pela frente, hora de fazer novos amigos.

Sentado no canteiro do jardim interno da escola, com um vinil ainda embalado da loja na mão, o garoto atende a minha curiosidade e apresenta sua nova aquisição. Era um disco de Macalé e um pretexto para uma amizade estabelecida imediatamente naquele momento. Ontem a música nos aproximou novamente, num encontro marcado na plateia de Tom Zé, na Concha. Ângelo Sérgio Silva continua com a mesma voz grave, a gargalhada solta. Só mudou na  cor dos hoje poucos cabelos e na escolaridade. O garoto agora é professor doutor.

Alberto Freire Nascimento – mesmo os de memória fraca jamais esquecem o nome completo dos colegas de sala – outro de gargalhada fácil, também acumulou cabelos brancos e também virou professor doutor. Aprendo até hoje com os dois.

Numa das primeiras aulas de português, quase ninguém se conhecia, Betão atendeu o desafio da professora, levantou o braço e levou uns 10 minutos explicando as diferenças no estilo dos heterônimos de Fernando Pessoa. Eu, de queixo caído, mal sabia quem era o sujeito, e o cara já nadava de braçadas nas sutilezas dos muitos ali contidos em um. A admiração de décadas nasceu naquele dia.

Em 1985, fora de Salvador havia 2 anos, fui reencontrar Betão e conhecer sua Luíza, numa noite morna, no largo dos Aflitos, na porta do bar Toalha da Saudade. A conversa  rolou solta e longa ali fora mesmo,  lá dentro estava lotado. Outra de riso fácil, ironia de navalha na ponta da língua, e uma das pessoas mais rápidas no gatilho que conheço.

Ontem, eu e Soraya rimos muito, muito com os três até sermos expulsos gentilmente da única mesa ainda habitada, depois de todos sumirem em volta sem a gente nem notar.

E, sem saber, seguíamos ali o bom conselho de Juan Trasmonte, dado desde a Argentina, aqui nesta telinha, para ilustrar também uma mesa de bar com amigos:
“Con los que te hacen reír quedate toda la vida.”

Por supuesto.

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