Nove verdades, uma mentira

12/04/2017

Eis o gabarito:

1 – Quebrei e abri a cabeça da boneca do presente da irmã no dia de Natal para entender como os olhos abriam e fechavam.
Natal de 1965,  talvez 66. Lembro da primeira etapa, a do convencimento. A pancada, a cabeça da boneca estraçalhada e o resultado decepcionante. Duas bolinhas sem graça, que em nada revelavam  a magia do abrir e fechar de olhos. O berreiro de Stael foi bem alto.

2 – Dormi andando na rua, bati a cabeça num poste e retornei caminhando no sentido oposto.
Madrugada. Voltava a pé, pela Avenida Paulo VI, exausto e meio bêbado, depois de um show da banda Faróis Acesos num bar da Orla, lá pelo começo dos anos 90. Perto de chegar ao destino, na altura do Superpão, ouvi a pancada, fiquei meio zonzo mas continuei. Alguns minutos depois me vi novamente na praça dos Correios, perto do ponto de partida.

3 – Integrei um bando de crianças no roubo a letras de bronze de jazigos à noite em um cemitério.
Castro Alves, 1973. A meninada subia em bando para o cemitério. Guardei umas letras de lembrança por um tempo. Até hoje gosto de cemitério. Mas não recomendo furtos.

4 – Quase morri afogado quatro vezes. Duas delas: ao tentar atravessar a nado o Rio Pardo e numa banheira de hotel.
Tinha eu 14 anos  e era o passeio de formatura do 1ºgrau. Minha exibição perdeu fôlego faltando uns 50 metros para a outra margem. Afundei. Por sorte, deu pé.
Estava a trabalho num congresso em Sauípe. Dispensei o jantar de abertura e fiquei só no vinho. Depois de concluída a tarefa, segui para o quarto. Só lembro de ter acordado na madrugada, com a banheira soltando água pelo ladrão e mãos e pés com aparência de 200 anos.
As outras duas: também ao tentar atravessar um rio, no interior, abrindo uma picada como topógrafo, e num vacilo ao andar sobre um rio congelado em Kiev. Contei esta história aqui.

5 – Ganhei um carro de presente.
Sim, com direito a bolas de soprar e fita. Contei aqui.

6 – Fiz uma ponta em um filme.
Mentira. Mas aberto a convites.

7 – Já andei em Salvador armado com uma pistola 765.
Até eu não acredito. Esqueceram a pistola no hotel de minha mãe em Conquista. Alguns anos depois, no final da década de 70, resolvi confiscar a arma para andar em Salvador e me sentir mais seguro, mesmo sem nunca ter dado um tiro.  Por sorte não fui assaltado nem revistado. Descasquei o pente na roça e fiquei sem munição. Ainda bem.

8 – Quase bati no carro de Gilberto Gil, ele ao volante.
Praça da Sé, ainda circulavam carros. Eu a bordo de um Chevette vermelho, freio bruscamente e no outro carro  reconheço Gil, ao volante.
– Você quase bateu na minha Ferrari, gritei, simulando irritação. Ele respondeu com uma risada: – Sua Ferrari ferrada.

9 – Dormi ao relento no batente da porta da igreja de Bom Jesus de Matozinhos, em Congonhas.
17 anos, de carona para conhecer Minas. Cheguei à noitinha e não tive como procurar um lugar para armar a barraca.

10 – Andei a pé num túnel de trem à noite.
Tinha chegado ao alojamento de estudantes à noite, perto de Sochi. Junto com um amigo, talvez Sacha Cavalcante,  resolvi explorar o entrono e fomos parar no meio do túnel, Ainda bem que o movimento era fraco. No dia seguinte, ao ver os trens circulando, me dei conta do tamanho do risco.

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