Potente

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Quando Josias Pires certo dia, há alguns anos, me falou que ia registrar em vídeo e denunciar o conflito entre a Marinha e uma comunidade quilombola vizinha da Vila Naval, conjunto residencial de suboficiais da Marinha, pensei novamente com meus botões: esse meu amigo viaja em guerras impossíveis.

Quais chances teriam moradores pobres da periferia na briga por uma uma área cedida à Marinha? Minha acomodada cabeça previa guerra perdida.

O vídeo de 10 minutos, feito em 2011, em parceria com Igor Caiê do Amaral, ajudou a mim e a meio mundo a entender melhor o que estava acontecendo. Contra todos os prognósticos pessimistas, aquelas pessoas ali eram vencedoras, não se dobraram e nem estão dispostas a se dobrar.

Ao terminar de assistir ao longa-metragem Quilombo do Rio dos Macacos, que  vai estrear nesta terça, na sessão de abertura do CachoeiraDoc, a primeira surpresa foi terem-se passado duas horas desde o início do filme. Não ter sentido o tempo é apenas um dos sinais de que ali não está registrado apenas um documentário sobre um conflito por um pedaço de terra.

Josias e sua equipe foram muito mais além. Comprimiram em duas horas uma amostra de Brasil, construíram uma prova cabal, arrancaram para a posteridade um pedaço do nosso DNA.

Dizem que os adjetivos enfraquecem o argumento. Mas para este filme preciso de mais um: potente.

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