Janelas abertas, a internet e o general

Sim, eu poderia falar do general com suas medalhas de papel, general sem guerra e mais o que fazer, desejoso de golpe militar.

Sim, eu poderia falar da internet, do quanto dependo dela para acessar memórias, pensar, estabelecer sinapses.

Mas vou falar de Janelas Abertas e Janelas Abertas 2. Uma de Tom, outra de Caetano. Uma na minha lembrança, outra descoberta ontem.

Sim, o general incomodou. Não basta passar vergonha como país desigual, injusto, corrupto. Tem que ainda conviver com almas sebosas, saudosas da ditadura. E passar vergonha novamente como república de bananas.

Mas além da fala nefasta do general, a música amanheceu na minha cabeça e atende por Janelas Abertas 2. Não lembrava do nome.

Sou apresentado agora à música original de Tom, motivadora do contraponto de Caetano, no exílio. E a ouço também pela primeira vez na voz de Áurea Martins.

“Sim, eu poderia ficar sempre assim, como uma casa vazia, uma casa sombria, sem luz, sem calor. Mas quero abrir as janelas para que o sol possa vir iluminar nosso amor.”

E ouço mais uma vez Janelas Abertas 2, pela primeira na voz de Ana Moura.

“Sim, eu poderia em cada quarto rever a mobília, em cada um matar um membro da família até que a plenitude e a morte coincidisse um dia, o que aconteceria de qualquer jeito. Mas eu prefiro abrir as janelas para que entrem todos os insetos”

Vade retro general.

 

 

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