Arquivo da categoria: A que será que se destina?

Tenho chorado pra cachorro

Voltei a Belchior por meio de Luísa. Ela era criança quando Belchior se picou. Mas chegou outro dia de fevereiro nos intimando a ir ver o show de JosyAra e Giovani Cidreira.

Fomos. E choramos muito. Eu, Soraya e o pequeno teatro Gamboa lotado quase inteiro. O que acontecia ali? Belchior nos avisava que dera tudo errado?

Hoje pela manhã levei Luísa ao Centro Histórico e fui parar na Barroquinha. Ao contornar, avistei o velho edifício na descida, em frente ao antigo restaurante Lótus. Foi ali que ouvi pela primeira vez Belchior, disse a ela, numa festinha daquelas bem a cara da segunda metade da década de 70.

E ao abrir o computador vejo desfilar agora há pouco aqui na TL quase todo mundo confirmando que o sonho acabou mais uma vez.

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Pré Carnaval é um perigo

Saí ileso da bagaceira do Furdunço.
Mas nesta terça não escapei. Ao tentar passar sobre  um cabo de computador a 30 cm do chão me enrosquei, dei um pequeno salto de saci à frente e na tentativa de não levar tudo junto ergui o pé preso mais um pouco e perdi o equilíbrio. Levantei também a mão que segurava o celular e então me estabaquei de peito aberto no chão feito um saco de batatas. No baque, tive a sensação de ter quebrado 200 costelas e rompido tudo por dentro. Emergência, radiografia, nada quebrado mas ainda caminho pisando em ovos e estou impedido de rir.

Queda é um perigo para gente vivida.

Lembrei da deliciosa descrição da queda e morte do Dr. Juvenal Urbino, na tentativa de  capturar um louro em um pé de manga, em O Amor no Tempo do Cólera:

“(…) El doctor Urbino agarró el loro por el cuello con un suspiro de triunfo: qa y est. Pero lo soltó de inmediato, porque la escalera resbaló bajo sus pies y él se quedó un instante suspendido en el aire, y entonces alcanzó a darse cuenta de que se había muerto sin comunión, sin tiempo para arrepentirse de nada ni despedirse de nadie, a las cuatro y siete minutos de la tarde del domingo de Pentecostés..(…)”

Quase morri  também sem tempo de me arrepender de nada e nem me despedir de ninguém, às oito e vinte da terça de pré Carnaval.

 

Viúvos

Quem morreu primeiro foi minha avó materna. Nem a conheci. Lembro do meu avô Antônio, da sua solidão, cuidado pelas filhas, na casa de tia Dalva. Quem morreu primeiro foi tia Dalva, os dias estão bem difíceis pra meu tio Adauto. Quem morreu primeiro foi tio Ruguinha. Lembro dos dois sempre juntos na casa de Tanhaçu, que ficou ainda maior sem tia Quezinha. Quem morreu primeiro foi dona Ludu. Seu Rubem cortou um dobrado por quase 12 anos.
As mulheres são mais fortes, cuidam mais, vivem mais. Mas de vez em quando aprontam. Por isso me tocou muito a foto do abraço de consolo entre os viúvos Fernando e Luís.