Archive for the 'Carnaval' Category

Pré Carnaval é um perigo

21/02/2017

Saí ileso da bagaceira do Furdunço.
Mas nesta terça não escapei. Ao tentar passar sobre  um cabo de computador a 30 cm do chão me enrosquei, dei um pequeno salto de saci à frente e na tentativa de não levar tudo junto ergui o pé preso mais um pouco e perdi o equilíbrio. Levantei também a mão que segurava o celular e então me estabaquei de peito aberto no chão feito um saco de batatas. No baque, tive a sensação de ter quebrado 200 costelas e rompido tudo por dentro. Emergência, radiografia, nada quebrado mas ainda caminho pisando em ovos e estou impedido de rir.

Queda é um perigo para gente vivida.

Lembrei da deliciosa descrição da queda e morte do Dr. Juvenal Urbino, na tentativa de  capturar um louro em um pé de manga, em O Amor no Tempo do Cólera:

“(…) El doctor Urbino agarró el loro por el cuello con un suspiro de triunfo: qa y est. Pero lo soltó de inmediato, porque la escalera resbaló bajo sus pies y él se quedó un instante suspendido en el aire, y entonces alcanzó a darse cuenta de que se había muerto sin comunión, sin tiempo para arrepentirse de nada ni despedirse de nadie, a las cuatro y siete minutos de la tarde del domingo de Pentecostés..(…)”

Quase morri  também sem tempo de me arrepender de nada e nem me despedir de ninguém, às oito e vinte da terça de pré Carnaval.

 

Pré Carnaval?

20/02/2017

Nada mais enganador. O que houve ontem em Ondina foi um domigo de Carnaval, com direto a sensação de sobrevivente no final. E a todas as marcas de sujeira e pisadas do percurso feito duas vezes no contrafluxo, com Leo Santana no meio do caminho, para ter direito  a Armandinho DodÔ e Osmar e Baiana System no mesmo combo.

E quem já pulou nos encontros de trios na década de 70 e inventa entrar na muvuca da Baiana sabe que a única diferença no Déjà vu é a pressão e temperatura ampliada dez vezes, sem direito a ficar parado na hora do Playson, Playson.

Ou sobe ou sobe junto com a turba.

E no meio do calor, da agonia feliz, encontramos quem? A filha.
O CarnAval tem tambÉm a qualidade de misturar o tempo.

Perdeu, nostalgia.

08/02/2016

Sempre defendi que o melhor Carnaval é qualquer Carnaval com os hormônios dos 20 anos. A BaianaSystem me mudou de ideia ontem, na Castro Alves. Aliás, comecei a mudar sexta, ao encontrar Riachão subindo a ladeira do Pelô serelepe, a bordo de quase 95. Reformulo a ideia, o melhor Carnaval é quando o som bate junto com o coração e faz você pular, faz você cantar, faz você dançar, faz você amar. Hoje.
Playsom, playsom. Já ouviu é déjà vu.
E tive um déjà vu ontem ao descer a Castro Alves no mesmo local onde lá no começo dos 80 ouvi pela primeira vez os tambores do Olodum, onde amanhecia com Armandinho. A Baiana colocou tudo isso numa panela, juntou todos os ritmos e serviu no presente, e juntou gente, e chamou gente, e misturou todo mundo, fez renascer a praça. Balançou o chão da praça, da Carlos Gomes.  Ano passado desci com eles e me senti intruso, no meio daquela meninada. Ontem não, estava misturado ao bolo, que só aumenta.

Até sexta não tinha pretensão de ir pra rua. Mas aí Paulinho da Viola chamou, fomos. Aí o Ilê chamou, fomos. E emendamos com a Rumpilezz, com o Gandhy, com a Baiana. A rua tá muito boa, a Praça tá muito boa. Hoje.
Perdeu, nostalgia.

PS. O melhor é que ficou registrado. A partir de -0:28.

Baiana

 

De dentro

16/02/2015

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Depois de mais de 20 anos entrei novamente no Carnaval. Soltei o corpo, dancei. Do Campo Grande à Castro Alves, encharcado, com a alma leve, no embalo da BaianaSystem na sexta à noite.

Nos últimos anos vi a festa de fora, pela TV ou a trabalho. É bem diferente,  mesmo estando ali perto, observando de um praticável ou até andando na rua.

Desta vez entrei, de cabeça, corpo e copo com Soraya, num liquidificador de gente e som. Um mix de gente bonita, diversa. De gente de vinte e poucos anos. De um pouco mais do que eu só vi Marcio Meirelles, trocamos um abraço encharcado.

Este reencontro com o Carnaval foi meio por acaso. De repente avistamos lá no final do Campo Grande a concentração e ao nos aproximar, ouvimos o coro “Afasta a dor nefasta”. Gostei da frase, gostei da palavra de ordem, veio a calhar, embora hoje aprendi que na verdade Russo Passapusso cantava “Afasta onda nefasta”.

Afastei e entramos na onda sonora, até à Praça Castro Alves.

Na passagem pela passarela do Campo Grande,  uma saudação às mães do Cabula quebra o silêncio da cidade. Ficou o  registro aqui neste vídeo, órfão de texto,  do G1.

Na volta vi o Carnaval vivinho da silva, as pessoas quebrando, dançando, se esbaldando como sempre. Mas no sábado pela manhã outro Carnaval, louro e angelical,  estava estampado na capa dos jornais, quase sem novidades.

Jornal adora o passado. Como bem diz meu amigo Josias Pires, quando sai no jornal é porque todo o mundo já sabe.

 

Lepo lepo

01/03/2014

Lepo lepo é o que mesmo? pergunta Cidinha Do Ó, ou Bel do Ó.

Respondo que tenho apenas pistas. Vamos a elas:

A letra me parece uma versão mais explícita de Beleza Pura, de Caetano, que por sua vez é uma versão de o Violeiro, de Elomar. Ou seja, Amor, nunca dinheiro; Dinheiro não, mas os mistérios; e Se ficar comigo é pelo meu lepo lepo. 

A coreografia sugere preliminares, um carinho lateral e viril da direita para a esquerda com retorno acompanhado de uma mexida. Digamos, duas lapadinhas, ou só uns tapinhas…

Elomar:
Apois pro cantador e violero
Só há três coisas neste mundo váo
Amor, furria, viola, nunca dinheiro
Viola, furria, amor, dinheiro não

Caetano:
Não me amarra dinheiro não!
Mas formosura
Dinheiro não!
A pele escura
Dinheiro não!
A carne dura
Dinheiro não!…

Psirico(Magno SantAnna / Felipe Escandurras):
Eu não tenho carro, não tenho teto
E se ficar comigo é porque gosta
Do meu ranranranranranranran lepo lepo
É tão gostoso quando eu ranranranranranranran o lepo lepo

 

Facebook 

Nildão, Claude Santos e Carybé

27/02/2014

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Encontros

E por falar em década de 80 andava eu pelo Campo Grande hoje pela manhã em busca de turistas chegantes para entrevistar e eis que vejo alguém em minha direção com um olhar de quem exercita pensamento, mirando todas as direções. Era Nildão. Estendi minha mão na cara de pau: – Seu amigo de facebook.

Para minha surpresa ele me reconheceu. Lembrei de uma entrevista que fiz na década de 80 sobre sua poesia escrita nas ciclovias. É muito bacana quando a gente encontra na rua gente que a gente vê todo dia no facebook. Sim, elas existem.

Sempre fui admirador da arte de Nildão e recebi hoje assim do nada em plena manhã um elogio de quem admiro, disse ele que eu escrevo bem. Disse a ele que até bem pouco não acreditava nisso, muito pelo contrário, ainda tenho dúvida, mas aceitei feliz o elogio.

Conversa vai e vem e Nildão comentou o desenho da minha camisa-farda do Carnaval, viu ali traços de Carybé. E apontou para a obra de Carybé nas pilastras e em um painel do edifício em nossa frente. Mesmo mergulhado na cidade, o olhar de Nildão consegue ser estrangeiro, olhar de quem nota o que já se tornou invisível para a maioria.

Nildão se vai depois de comentar sobre a possibilidade de ter algo de errado com uma sociedade que resolve se divertir em apenas uma semana do ano.

Mal recomeço a andar depois de fazer a foto deste post, que saiu meio esquisita, e esbarro com Claude Santos, este sim fotógrafo, e de quebra conhecedor de Canudos. Claude é um dos grandes artistas desta terra, homem também do audiovisual. Mas Claude a gente só encontra ao vivo, em cores e em preto e branco. O cara é meio arredio a internet.

Alegria pelos encontros. Carnaval é assim, mesmo quinta feira, mesmo 11 da manhã.

Sigo então em busca dos meus turistas, satisfeito com os encontro casuais com os artistas desta cidade.

PS

Resolvo revisar o texto há pouco, melhor não acreditar no elogio de Nildão. Tudo confuso, mais de 300 erros. Tento consertar. Melhor excluir e publicar de novo. A desculpa é que eu estava meio bêbado. E a vantagem da internet é a possibilidade da revisão constante.