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Leão pode ter sido criado no WhatsApp

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A Escola Picolino de Artes do Circo mata um leão por dia para manter viva a arte circense.  Em mais de três décadas,  Picolino é sinônimo de circo na Bahia. Talvez seja esta presença forte no imaginário, este top of mind quando se fala em circo,  o alimento para o boato de que seria do Circo Picolino o ”feroz e faminto” leão fugitivo de uma jaula numa estrada no interior. O leão seria o responsável pelas mortes –  verdadeiras – de mais de 30 pequenos animais de criatórios de pequenos agricultores.

Mesmo que o Picolino não seja um circo itinerante, mesmo que o Picolino não tenha caminhão e nem trabalhe com animais desde sua criação,  há até  um motorista do Picolino e um local onde o bichano teria escapado,  a estrada – BA-409, perto de Serrinha. Há até “testemunhos” de moradores que teriam visto o animal.

Basta googlar “leão, circo, Picolino” (http://bit.ly/2p6KjZe) para ver que a “notícia” foi replicada em dezenas de blogs e sites regionais e até nos sites dos  jornais de Salvador. O Correio* já apagou – ficou apenas o registro na busca do google – mas a Tribuna mantém ainda a história publicada até hoje, dia 2 de maio.

A boa nova chegou de um site do interior, o Notícias de Santa Luz, que talvez tenha matado a charada. O site revela que desde o aparecimento de dezenas de animais mortos começaram a circular pelo WhatsApp mensagens sobre o leão do Circo Picolino, que teria fugido na noite deste sábado, 29 de abril.  Circulou até áudio do suposto motorista do caminhão do circo relatando a fuga do bichano. Para ilustrar a notícia, sites e blogs capturaram uma foto de um leão em uma estrada de Santa Catarina, publicada em 2013, como se fosse o leão do Picolino.

O Notícias de Santa Luz teve o cuidado também de ouvir o Circo Picolino, ouvir um veterinário e ouvir um morador para chegar a uma hipótese, talvez a mais próxima da verdade: os animais teriam sido mortos por cães, fato que vem se repetindo na região há mais de um ano.

Foto: Valter Pontes/Agecom – Apresentação da Picolino em homenagem a Gregório de Mattos  no Festival da Cidade 2017,

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Trunfo

Cartaz Salvador BAweb (2).pngAs Fulanas me chamaram para um job, como dizem os mais moços, e eu estou aqui a madrugar, não para falar da minha vida, nem da sua, nem da dos outros, mas dos destinos revelados pelas cartas do tarô.

Portanto, agende aí sua consulta para o espetáculo Trunfo, neste sábado e domingo, no Circo Picolino, em Pituaçu, às 17h30, com entrada franca.

Como no livro O jogo de Amarelinha, o grupo Projeto Vertigem, do Belém do Pará, dá ao distinto público a possibilidade de definir o destino, ou a ordem do espetáculo, ao tirar os trunfos, ou cartas do tarô. Quem sabe você não será contemplado?

 

Mas as duas matinês sob a lona de Pituaçu ainda têm mais atrações. No sábado, a programação no Circo começa mais cedo, a partir das 15h30, com o Espetáculo de Encerramento do Curso de Férias da Escola Picolino de Artes do Circo, e prossegue com a participação da Banda SSA Fanfarra Moderna e Bar Fulanas. No Domingo, depois do espetáculo, tem DJ e Bar Fulanas.

As cartas estão lançadas.

Quem, quem a não ser o circo?

Foto_Monica Jurberg
                                                   Foto: Monica Jurberg

Luana, criança, brinca por ali, no jardim da Escola de Teatro da UFBA. Eu entrevisto seu pai, Anselmo, e sua mãe, Verônica, sobre a escola de circo criada por eles. Estamos em 1986 ou 1987. Nem me lembro se a pauta vingou.

Lembro que anos depois estava eu com Luísa no colo, ao lado de Soraya, assistindo a um espetáculo da Escola Picolino, em Pituaçu, me surpreendendo pela primeira vez. Desta segunda lembrança, lá se vão quase 20 anos.

Pelas arquibancadas da Picolino já passou foi gente.

Hillary Clinton, por exemplo, deixou sua imagem ali numa foto com a boca aberta, que correu mundo, diante das crianças da Picolino, naquela época, muitas do Projeto Axé.

Passou também muita gente que nunca havia ido a um circo. Outro dia encontrei no meu trabalho uma senhora que tinha viva na memória aquela primeira vez, quando criança, com a turma da escola.

Pelo picadeiro, pelas aulas, também passou gente que brilhou em grandes circos ou apenas seguiu sua vida com boas lembranças daquele lugar. De vez em quando eles aparecem nas redes do circo e registram a saudade.

Quem nesta cidade não tem na memória pelo menos um dia de Picolino?

Desde aquela primeira vez sempre estive envolvido com aquela lona, várias vezes trocada, várias vezes rasgada pelo vento forte da orla.  Às vezes mais distante, às vezes mais próximo. Às vezes trabalho, às vezes ajudo, às vezes sumo, apareço, sou sempre bem recebido.

E sempre me surpreendendo com seus espetáculos. Com a sua produção, com seus resultados.

A Picolino criou um circo com nossa marca, a Picolino tem uma arte com nossa cara, a Pìcolino é o circo baiano. E está espalhada por aí, Bahia, Brasil, mundo afora. E  Viva.

Em Pituaçu, o circo ainda está nu, mas no cirquinho, na barriga quente da lona do cirquinho, no último fim de semana brilharam os movimentos, os sons, os corpos, a alma da Escola Picolino. Era circo, música, teatro, manifesto,  no espetáculo de título sugestivo: Que tal o impossível? 

Luana no comando, com apoio e retaguarda da Escola Picolino, de Anselmo, de Clovis, de Bia, de Márcia, de Jailson, de Carol, de Lucas, de Millenade Apoena. No picadeiro,  15 alunos do Curso Livre de Circo da Bahia, reunidos há pouco menos de um ano, num espetáculo que levantou a plateia. Ali estava também, de algum modo, representada a história da Picolino. Gente diversa, das mais variadas fontes, reunida sob o comando de uma trilha sob medida, conduzida por Beto Portugal.

Circo atual, contemporâneo, música contemporânea, versos como estes de Mautner,  de outros dias, da década de 80, como a Picolino, mas  atuais e necessários para o mundo hoje:

“Quem, quem, quem a não ser o som / Poderia derrubar a muralha dos ódios /  Dos preconceitos, das intolerâncias / Das tiranias, das ditaduras / Dos totalitarismos, das patrulhas ideológicas / E do nazismo universal?”

Veja as fotos de  Mônica Jurberg e de Camila Ribeiro.

 

Uma mostra da trilha: