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Costume e recado

A fila se arrasta da porta da Caixa Cultural até a Rua do Cabeça, coisa de 200 metros de gente.

Bilheteria ainda fechada, todos aguardam por ordem de chegada dois ingressos para o disputado monólogo Processo de Conscerto do Desejo, com Matheus Nachtergaele.

– Epa, esses dois não estavam aí!, diz uma mulher ao funcionário que acaba de entregar as senhas a um casal. Ele até tentou pegar de volta as senhas, sem sucesso.

– Eu marquei o lugar para eles, diz o senhor de óculos e barbicha.
Marcou por telefone.
No bate-boca, prevalece o argumento do fura-fila:
– Ele marcou o lugar pra mim. Isso não é errado, é costume.

Coloquei a situação em debate no carro na ida para escola e o cara foi reprovado no ato por André e Maria.

– É tão errado quanto levar a carteira da filha para comprar meia na Fonte Nova, disse a menina.

O recado é para mim, o indignado da fila.

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