Archive for the 'facebook' Category

Me achando, na fila do acarajé.

10/03/2017

Quem é você na fila do pão? já tentei responder esta questão social-filosófico-existencialista, muito em voga nestas redes antissociais e de tretas homéricas, e me apertei.

Não é fácil definir nosso lugar. Não é pra qualquer um se sentir bem colocado também entre os orixás do dique, no jogo do bicho ou na fila do SUS.

Mas no meu aniversário eu poderia dizer que fiquei importante e encontrei meu lugar. E me achei na minha fila, vamos chamar de fila do acarajé, só para variar ainda mais e abaianar. Devo este meu dia de localização em grande parte ao robô do facebook, encarregado de lembrar a data.

Depois do café da manhã da renca, dos telefonemas da família e amigos e os abraços dos colegas de trabalho, a  fila cresceu aqui na telinha azul.  Amigos antigos, amigos  recentes, próximos, distantes, amigos apenas de facebook, fizeram um  belo coro de feliz aniversário.

Então eu fiquei todo pimpão. E até agora estou me achando o bem amado na fila do acarajé.

…e eu me sinto melhor colorido

29/06/2015

Sem título

Eita ignorância e falta de memória. Talvez por isso goste tanto da internet, onde diminuo a ignorância e a lembrança é sempre estimulada pelas checadas quase a minuto no google, prótese de memória, HD perdido.

Quando ouço alegria é a prova dos nove, minha cabeça repete musicalmente e a tristeza seu porto seguro.

Até hoje pela manhã, quando li a coluna de Xico Sá sobre o fiasco da seleção na Copa América para ser informado e lembrado que a frase é do Manifesto Antropófago, de Oswald de Andrade.

É a segunda vez que o manifesto me pega.

Ao me deparar com a frase Só não interessa o que não é meu numa colagem de um tapume do metrô de São Paulo fiquei incutido, fotografei. Também descobri depois  que a fonte era o  manifesto. Santa Ignorância.

sampa2

Fiquei em dúvida quando vi na sexta-feira a campanha deflagrada pelo facebook para mascarar as fotos dos perfis com o arco-íris. Entro ou não entro na brincadeira? Fiz o que muita gente deve ter feito, chequei quem entrou. Gostei de quem vi, vesti meu arco-íris e segui a parada.

Passei então a acompanhar a pipoca na panela. A TL foi praticamente tomada pelas alterações das fotos de perfil. E pra todo mundo que passava eu dava um alô com polegar e era retribuído. Foram 208 acenos de volta. Isso me deixou feliz e me lembrou aquele momento da missa onde o padre ordena e todo mundo se abraça, em clima era de confraternização. Ou os encontros de Carnaval.

Começaram a surgir também as brincadeiras de bom e de mau gosto. E os argumentos mais ou menos  elaborados. Modinha, comportamento de manada, inocentes úteis do marketing do facebook, melhor seria combater a fome no mundo e por aí vai. Não vou chover no molhado. Tá tudo muito bem rebatido duas vezes pelo professor  Wilson Gomes aqui e aqui  e por Rafael Sampaio aqui.

Difícil saber o tamanho do impacto desta campanha. Pra mim pelo menos serviu para reler o manifesto e ouvir novamente Geléia Geral. Toca Torquato:

Joinha$

15/06/2015

god-likes-this

Você passa muito tempo na internet porque está infeliz ou está infeliz porque vive na internet?  Nem uma coisa nem outra, penso eu. Como bem ensina o professor Antonio Nery, o problema não são as drogas mas as pessoas.

Já está bem claro que o X da questão  não está  na coca nem na coca-cola, nem no cigarro ou no baseado, no álcool ou no rivotril, tampouco no Bono ou na Nutella.  São todos inertes e inocentes.

O problema, como sempre, está em nós.

Fui a uma reunião de escola com pais, destas que costumam comparecer alguns gatos pingados, estava entupida, nunca vi tanta gente. O assunto era internet. Estamos todos perdidos, pais, filhos, professores. Quem souber a saída, por favor aponte.

A droga do facebook é um pouco mais pesada, complexa, nem tão inerte, nem tão inocente. É uma droga social.
A matéria de capa da Superinteressante deste mês,  assinada por Alexandre de Santi, dá uma pequena noção da força deste “doce” tecnológico. Somos 59 milhões de brasileiros conectados ao f azul e branco todos os dias, numa rede de 1,4 bilhão de almas em todo o mundo. Uma droga que rende muito dinheiro.

Muito interessante também o box do editor Bruno Garatonni, que criou uma página nonsense, com o título Sdftyu459868 e sem nada publicado mas conseguiu  184 likes ao pagar R$70 ao Facebook.

Na matéria, relatos de experiências que demonstram a infelicidade aguçada pela exposição da felicidade alheia, já que, em tese, as pessoas tendem a mostrar ali seus melhores momentos. Por que não eu? seria a pergunta desencadeadora do amargo na boca diante da foto e relato da viagem, do sucesso, da alegria alheia.

Talvez não por acaso, o post mais acessado neste Licuri seja sobre a inveja. Talvez seja este um dos sentimentos mais destrutivos e autodestrutivos também. O veneno e o ódio destilados nos comentários na rede são testemunhas desta sombria manifestação humana.

Mas enfim, tem coisas boas por aqui também. Como alguém já disse, a diferença entre o veneno e o remédio está na dose.
Qual a sua dose?

Imagem 

Janela

24/05/2013

Depois do facebook nunca mais perdi uma lua cheia.
No facebook.

https://www.facebook.com/gusmaomarcus/posts/4858641380654

Facebook

27/02/2012

419815_2792391245692_1215501240_n

4 dígitos de amigos reais (todos meus reis) e imaginários… 1000 amigos a ouvir pacientemente. Alguns curtem, outros compartilham, outros silenciam, outros balançam a cabeça, outros sentem vergonha alheia, outros orgulho, outros nem aí, outros sempre aqui. Muitos se lembram de histórias compartilhadas na vida real, são pessoas com quem convivi há 20, 30 anos e aqui reapareceram. Outros compartilham o presente e são pessoas que ainda nunca vi. Mas são próximas. Gosto muito de assistir a meus 1000 amigos. Cinema real. Clico na página inicial pra ver a banda passar, tocando coisas de amor, desamor, verdades, meias verdades, alegrias e tristezas. Às vezes interfiro, entro na cena alheia. Às vezes só assisto. Não sei por quanto tempo vai durar ainda este tal facebook mas quero continuar tecendo esta rede, embarcar no sucessor e envelhecer on line. O filme não pode parar.

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=2792391245692&set=a.1137311949744.2020128.1135737937&type=1