Licuri, ouricuri, nicuri…

Licuri é infância, é sertão, é memória afetiva.
Coquinho quebrado a pedradas no passeio da porta da casa ou no quintal. Ou amêndoa arrancada a dente do cordão comprado na feira.
Rememorar, refletir, compartilhar.
Coco e pedra. Problema e solução.
O maior desafio é encontrar a medida certa da pancada.
Se for forte demais o coco esfarela junto com a amêndoa. Aí não tem graça. Se for de menos, o coco fica lá, apenas arranhado, indiferente ao seu fracasso, depois de um estalo seco e infrutífero.
A pancada (pode ser até duas ou três) tem que chegar à intensidade exata. Crash.
O resultado ideal é a casca partida pronta para ser aberta em duas, com a amêndoa inteirinha, de preferência ainda levemente deslocada para fora, pronta para ser capturada inteira pelos lábios. Ê delícia!
O maior desafio aqui neste e-coco é encontrar a medida certa dos textos. Nisto estou eternamente aprendiz.

 

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10 ideias sobre “Licuri, ouricuri, nicuri…

  1. Kikelia

    Que choro bom!Você me levou ao tempo mais feliz de minha vida.Dos 6 aos 11 anos de idade acompanhei diariamente a minha Mãe (caçadeira de Licuri)no Sertão da Bahia a adentrar numa densa mata de hostil capoeira um trabalho de duras etapas, da captura, secagem à quebra.A venda se dava a um intermediário da indústria de óleos que pagava valores irrisórios os quais minha Mãe os transformava em gestos de amor e de ternura na compra de tecidos para fazer as roupas dos filhos e de livros onde em casa mesmo ela nos ensinava.Valeu!!!Geraldo, você me emocionou com suas palavras. Memória. Memória, Memória. Memória de infância,por mais dura que seja, é um presente para toda a vida. Muito bem-vindo a este coco pequeno, nosso baú de lembranças, digo nosso, porque creio piamente que a memória também é coletiva. Grande abraço sertanejo.
    +1

  2. Diogo Santos

    Memoria…
    O que seriamos? O que seriamos se acaso não buscasse-mos em nossa infância, o nosso cerne? O que seriamos se acaso nós, históriadores não trouxesse a tono a infância da Historia para assim, ao deleitar-mos-nos em nosso passado, por meio de simples afagos na memoria e assim… … completar-mos conhecer-mos-nos e assim criar nossa identidade.
    Parabéns pelo resgate, sutil porém de uma relevância consideravel.

  3. Stela Figueyredo

    Marcus, Muito legal essa lembrança! Já esmaguei muito os meus dedinhos, depois de tantas pancadas aprendi que colocando o licuri sempre no mesmo lugar ali ia se formando um buraquinho que logo dispensava a minha mão esquerda. Já com os colares, eu me sentia a própria indiazinha do sertão bahiano.
    Indiazinha com os dedos esmagados! Rsrsrs…
    Beijo,
    Stela.

  4. Tânia Contreiras

    Oi, Mrquinhos, o licuri veio trazendo lembranças gostosas da minha infância. Para mim, a cordinha de licuri que eu pendurava no pescoço e comia, um a um, com prazer, era uma versão comível de um rosário… Cheiro, textura e aquela oquidão dos coquinhos semi-roídos que na minha imaginação infantil era algo a ser preenchido. O quê???? Não sabia…Crianças não dão nomes a tudo, apenas sonham!

    Abraço,
    Tãnia

  5. M.

    Marcus, obrigada por me linkar. Eu também te linkei lá no estranhamentos. Pode até ser que eu conheça esses seus colegas de Escola Técnica, porque Lagarto não é muito grande e a maioria das pessoas por lá são meio parentes, mas só sabendo nome e sobrenome pra eu poder consultar o meu arquivo genealógico. Abraço grande.

  6. M.

    Caro Marcus,

    Sou amiga da Aeronauta e foi ela quem me apresentou ao seu blog. Vez ou outra eu passo por aqui, silenciosamente, e me delicio com as suas memórias e histórias. Sou de Lagarto, Sergipe, e o licuri também fez parte da minha infância, mas na minha terra ele é conhecido como dicuri. Que beleza tudo por aqui.
    Abraço.

    Sou e-amigo da Aeronauta e ela tem me apresentado muita gente boa. A rede está se ampliando e você já está aí na minha lista de amigos e-amigos aqui deste coco pequeno. Fui lá no M. e gostei muito do que li também. Seja bem-vinda.

    P.S – Na Escola Técnica, isso faz uns 30 anos, eu conheci no movimento estudantil um casal de irmãos de Lagarto. Sei que ele virou engenheiro eletricista mas nunca mais tive notícias de nenhum deles. Será que você os conhece também?

  7. Pedro Enrique

    Olá Marcus, parabéns pelo seu blog, sempre que me lembro acesso, nós do balanagulha, ficamos um tempo meio fora do ar, pois estávamos discutindo nossos reais interesses com relação ao blog, chegamos à algumas conclusões e estamos de volta, percebi que você tirou nosso link do seu blog, claro o mesmo estava praticamente inativo, mas se fosse possível gostaria de ter o prazer de ser linkado por você novamente tudo bem? Um abraço e aproveita que ta lendo da uma passada lá blz? T+!!!

    Valeu, Pedro. Que bom que vocês voltaram. É sempre bacana ter notícias das margens do Sobradinho, uma das mais belas e agradáveis regiões desta nossa Bahia. Mandem bala!

  8. GERALDO VIANNA

    Que choro bom!
    Você me levou ao tempo mais feliz de minha vida.
    Dos 6 aos 11 anos de idade acompanhei diariamente a minha Mãe (caçadeira de Licuri)no Sertão da Bahia a adentrar numa densa mata de hostil capoeira um trabalho de duras etapas, da captura, secagem à quebra.
    A venda se dava a um intermediário da indústria de óleos que pagava valores irrisórios os quais minha Mãe os transformava em gestos de amor e de ternura na compra de tecidos para fazer as roupas dos filhos e de livros onde em casa mesmo ela nos ensinava.
    Valeu!!!
    Geraldo, você me emocionou com suas palavras. Memória. Memória, Memória. Memória de infância,por mais dura que seja, é um presente para toda a vida. Muito bem-vindo a este coco pequeno, nosso baú de lembranças, digo nosso, porque creio piamente que a memória também é coletiva. Grande abraço sertanejo.

  9. Eduardo Pedreira Fra

    Meu Caro,

    Como diz Ubaldo Ribeiro, refazer a infância é notavel. Aliás a sua se prolonga até a juventude e para quem pratica a quebra do licuri, vai até a morte. Sou de Salvador, mas quando ia nas férias para Santo Estevão, me divertia.
    Conhecer deu BLOG, foi um acaso, pois eu e mais 2 colegas velhos Engº estamos estudando a possibilidade de dar um uso Industrial para o coquinho gostoso de se comer. Vale qualquer forma.
    Se você tiver material técnico-científico sobre o assunto, envie-me ou indique, assim como R.H., versados.

    Abraço forte e sucesso no seu BLOG.

    EDUARDO PEDREIRA FRANCO.

    Caro Eduardo,
    Como disse, minha viagem aqui é mais de memória afetiva mesmo. Mas futucando no google achei uma cartilha do Ministério da Educação que descreve as pesquisas desenvolvida por professores do Instituto de Química da Ufba associados ao Cefet. Penso que é o que há de mais adiantado hoje na Bahia. Se você ainda não conhece, veja aqui: http://portal.mec.gov.br/setec/arquivos/pdf/cartilha_licuri.pdf

    Grande abraço e volte sempre.

    P.S: Quando eu tiver mais tempo vou dar uma resumida na cartilha e juntar com outras informações para compor uma página aqui com mais informações sobre nosso coquinho.

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