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A força da grana

Barão

Ao viajar por centenas de fotos do passado de Vitória da Conquista, contemplo o leite derramado e me ocorre uma pergunta. Como seria esta cidade caso seu crescimento respeitasse o passado, caso as novas construções buscassem outros espaços? Possivelmente nossa cidade teria se transformado num dos destinos turísticos mais interessantes do país.

O casario sertanejo, o frio, as pessoas, casas de cultura com a obra de Elomar, de Glauber,  bares, restaurantes, pousadas temáticas.

Outra pergunta. Por que cidades como Lençóis, para ficar num só exemplo, conservam sua cara, seu casario?

A resposta talvez esteja na grana.  Com o fim do dinheiro do diamante a cidade de Lençóis empobreceu completamente e como ninguém construía mais, também não destruíram.

No crescimento contínuo e desordenado, sem planejamento,  talvez esteja a explicação para  a destruição do passado sem dó nem piedade. Isso acontece também em Feira de Santana. As duas maiores cidades da Bahia ignoram a história e transformam seu passado arquitetônico em entulho. 

Um exemplo. Na década de 1970 Conquista recebeu incentivo para plantar café e a cidade sentiu o impacto da entrada do diheiro. E o efeito colateral  mais visível foi a demolição do antigo Hotel Conquista  para a construção de um caixote modernoso, nova sede do Banco do Brasil.

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Existem outras causas. Quais?

Foto 1: Rua Grande, hoje Praça Barão do Rio Branco.
http://www.blogdopaulonunes.com/v3/category/historia/page/6/
Local Hoje: http://bit.ly/ZPTleO

Foto2: http://on.fb.me/19KaNDi

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Vaga memória

montagem

Era uma vez um cemitério, uma  igreja, uma escola, fontes luminosas, cinemas, sobrados.
Não quero bancar o nostálgico, acho bonito o atual Jardim das Borboletas de árvores e palmeiras crescidas, mostrado pelo google maps. Mas nele colo minha fonte da infância, numa montagem grotesca, só para perguntar.
Custava o quê preservar a fonte, o parque infantil, a biblioteca?

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52 anos, muito para um velho e gordo corpo, nada para um cemitério.
Em outros lugares, cemitérios guardam séculos, milênios. Mas na cidade onde nasci desapareceu em 1949 e  virou hoje  ponto de chaveiros.
A casa onde vivi, o cinema das minhas tardes de domingo, 
a escola onde estudei, deles quase  nada foi guardado, afora imagens, quando há. 

SobradoBanco

Era uma vez este sobrado e no quintal ao lado dele havia galinhas d’angola, eu me  lembro.
Este sobrado nasceu em 1906 e morreu em 1973, aos 67 anos, uma criança no mundo dos sobrados.
Minha Vitória da Conquista, a cidade de nome redundante, é assim. Não gosta de pedra sobre pedra. 

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E não sobrou pedra do Colégio Barão de Macaúbas, onde frequentei catecismo e não entendia e até hoje tento entender por que Deus não pode ser visível, diante do desenho da invisibilidade de Deus feito pelo catequista.
Ali havia pés de manga e campos de futebol. Hoje há uma caixa com ar condicionado no lugar das amplas janelas.

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Era uma vez um Cine Glória, ô Glória.  Ali assisti a um show de Fagner e a duas, talvez três,  sessões contínuas de Amor Estranho Amor, com Xuxa.
Ao lado do cinema era uma vez um elefante no jardim.
E era uma vez, na casa ao lado do cinema, um elefante e anões de jardim, habitantes da memória de quem circulou com olhos de criança pela Rua Francisco Santos até outro dia e logo adiante passava por debaixo da marquise em curva da Tebasa.
Era uma vez Tebasa e sua marquise.

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Era uma vez um Colégio Batista Conquistense, escola de Bau, primo, de Fernando Eleodoro,  professor. E até meu, quando já fechado  abrigou o Complexo Escolar Polivalente de Vitória da Conquista.
Custava preservar as janelas agora cegas?

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Era uma vez outro cinema, foi Conquista, foi  Riviera mas virou point de eletrodomésticos em prestação.

Sem título

Era uma vez uma infância, uma cidade  com suas fachadas e seu passado hoje quase totalmente  escondidos sob placas.
Valei-me Santa Verônica, padroeira dos fotógrafos e por extensão da nossa vaga memória.
Porque a  única salvação está nas imagens.
Amém.

Fotos publicadas na página  https://www.facebook.com/pages/Fotos-antigas-de-Vit%C3%B3ria-da-Conquista/276638065774881

1 – Fonte Luminosa: http://bit.ly/13dTqHl
Jardim hoje: http://bit.ly/11Kh682

2- Sobrado: http://bit.ly/OhBFTC
Banco do Brasil: http://goo.gl/maps/P8nsu

3-  Cemitério: http://bit.ly/15toqTY
Chaveiros: http://bit.ly/1aMvKLG

4 – Colégio Barão de Macaúbas: http://bit.ly/12oAZD6
Forum: http://bit.ly/12VN1Pm

5 – Cine Glória:http://bit.ly/10EeBTm
Igreja Universal: http://bit.ly/19sJ61J

6 – Colégio Batista: http://bit.ly/12oB2Ps
Prédio hoje:  http://bit.ly/18ET9lA

7 – Cine Riviera: http://bit.ly/11g8O6f
Insinuante: http://bit.ly/Zyf0b9

8 –  Praça 9 de novembro: http://bit.ly/11xtHWa
Praça hoje: http://goo.gl/maps/t6oyz

 

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=4904824615206&set=a.1137311949744.2020128.1135737937&type=1

Luz na passarela

Googlei  “passarelas Lélé Salvador arquitetura Filgueiras” para web, imagens e notícias e resolvi tranformar parte do resultado numa página no facebook.

Ao contrário dos blogues, as páginas no facebook são auto sustentáveis. Elas têm vida própria e nem ligam para o abandono depois de uma rapidinha criação. E ainda mandam notícais quando recebem a atenção de alguém.

Criei outro dia uma página para Sagarana – https://www.facebook.com/pages/Sagarana/148842871839873 – depois de ler alguns contos do livro de Guimarães Rosa e vivo a receber a notificação de que alguém curtiu. Terminar de ler o livro ainda é um projeto.

Pois bem, acabei de criar a página Passarelas de Lelé no facebook – https://www.facebook.com/pages/Passarelas-de-Lel%C3%A9/499022436780119.

Vou colocar lá textos e fotos sobre Lelé, uma pessoa com quem conversei apenas duas vezes na vida mas ganhei muito com isso.

Aqui o resultado da última conversa.
https://licuri.wordpress.com/2009/05/15/socorro-lele/