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De volta

Você nunca deve voltar ao lugar onde foi feliz, já avisaram. O lugar é outro, você é outro e são outras as circunstãncias. Mas voltamos ao Pratigi para uma curta permanência de três dias e não perdemos a viagem. Estavam lá o Chalé Sabiá e a hospitalidade de Orlando. E a praia, imensa, amigável com as crianças, morna e iluminada no final da tarde. Enfim a alma resiste em ser pequena e o Pratigi é imenso. De volta à rotina, fica a lembrança das águas, aguas do mar, águas da Pancada Grande. Viva Oxum, viva Iemanjá, salve o 2 de fevereiro que chega daqui a pouco.

 

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Em Moreré, gigolô de renca se dá bem

Sabe aqueles meninos engraçadinhos na sinaleira a desafiar o nosso racional? Às vezes a gente não resiste. Descobri na viagem que também  uso esta técnica, de seduzir pela graça das crianças.
Inicialmente era inconsciente, mas depois de constatar o sucesso da presença deles nas situações de necessidades como atolamento, negociação dos pacotes de refeições e diárias, comecei a manipular os cenários. Assim foi em Moreré.
Chegamos à noite e sem tempo nem energia para procurar um lugar. Seguimos então a indicação de Rubem, artesão que vive no Capão e conhece o lugar (é interessante este fluxo bicho-grilo Chapada/Moreré). Fomos  então para a Pousada Moreré, a mais antiga do lugar, cujos donos são nativos. Desconto conseguido, dormimos todos num quarto que daria bem para um casal, mas não para uma renca de cinco.
Fabiana, filha do dono, ao ver nosso desconforto, fez uma proposta decente. O cunhado dela tinha a solução no fundo do restaurante da pousada. Conversa vai, conversa vem e nos instalamos numa casa de dois quartos, mobiliada do cortinado ao pano de prato, incluindo também gás, sal, detergente, além de gatos e  mangas no quintal. Tudo isso por R$ 60 a diária, com direito também  a companhia de crianças para brincar com  meninos. O que se assucedeu nestes dias  você acompanha neste resumo fotográfico abaixo:


É bom chegar a lugares desconhecidos à noite. Ao amanhecer a gente se vê como numa peça de teatro, quando a luz se acende num ambiente absolutamente novo. Vi esta mudança de cenário a bordo de uma das canoas ancoradas na praia.

Maré vazante

Pousada Moreré

Já em companhia de Luísa, caminhamos em direção à direita e por este caminho da foto e chegamos a Bainema, lugar sonhado por Soraya e que valeu a insistência dela em conhecer.

Por todo canto os Guaiamuns. Pela manhã bem cedo, a gente se encontra com estas figuras assustadas e ariscas, a alegria dos meninos.

Chegamos fnalmente a Bainema

Novo amanhecer no cenário presente em 9 de 10 fotos de quem vai a Moreré.A performance deste estrangeiro entoando mantras provocava muitos risos e brincadeiras entre nativos e turistas. Era uma espécie de sino a saudar o nascer e o pôr-do-sol. Figura bonita e de paz. Doido manso, na visão dos nativos.A performance deste estrangeiro entoando mantras provocava muitos risos e brincadeiras entre nativos e turistas. Era uma espécie de sino a saudar o nascer e o pôr-do-sol. Figura bonita e de paz. Doido manso, na visão dos nativos.
Aportada no mangue, uma das caravelas exibe sua cauda fatal, protagonista de uma cena digna de filme iraniano. Gritos lancinantes, garoto sai da água desesperado e logo uma roda de crianças e adultos se forma ao seu redor. Gritos e mais gritos. Quem já foi queimado por caravela sabe o tamanho da dor, que não passa. Mas logo aparece o avô. Para acalentar? Que nada, chinelo na mão, aplica uma sova no coitado pela desobediência de ter ido ao mar mesmo com o alerta de vento e da presença da frota lilás. Detalhe: a avó, desavisada, havia autorizado o banho.

Só na tarde do segundo dia tomamos o rumo da esquerda, onde ficam as famosas piscinas naturais de Moreré.Só na tarde do segundo dia tomamos o rumo da esquerda, onde ficam as famosas piscinas naturais de Moreré.
No terceiro dia partimos num passeio para Cova da Onça, povoado secular da outra ponta da ilha e aí novamente a sedução dos meninos ajudou nas negociações. R$ 50 para cada casal de turistas. Com mais R$ 20, incluímos os nossos três passageiros extras e seguimos a bordo do Ilha de Moreré para nossa aventura de um dia. Inicialmente os meninos super animados na proa, com a cara nos respingos e o corpo pra cima e pra baixo no balanço do mar. O que aconteceu minutos depois você acompanha no próximo capítulo porque a fita em série que se preza tem que acabar no melhor pedaço.

Azul e branco

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Não comungo da concepção católica de Deus mas tenho uma grande simpatia por templos católicos. E os do Baixo Sul são especialmente bem localizados, na maioria das vezes no alto de colinas,  na maioria das vezes com grandes escadarias como este de Ituberá na foto acima. E também  na maioria das vezes  azul e branco como a maioria dos barcos que navegam por aqueles braços de mar e ilhas.

Porta da igreja matrizDetalhe da porta da igreja

Se eu fosse pintar um quadro do Baixo Sul eu também pintaria em azul e branco. Tudo ali é céu, mar e espuma . E ainda tem de quebra o verde da vegetação exuberante e variada. As matas invadem as cidades, os mangues invadem as águas.

Clique na imagem para ver e ouvir a cachoeira em movimentoClique na imagem para ouvir e ver a cachoeira em movimento.

Acordamos no segundo dia de viagem na intenção de Pancada Grande, a cachoeira. Estive também ali a trabalho há uma década e pra minha surpresa o entorno da cachoeira mudou para melhor. Na época só havia os escombros da casa de máquina da velha hidrelétrica e muito lixo deixado pelos visitantes.  Se não houvesse a intervenção que houve talvez estivesse coalhada de barzinhos , churrasqueiras e muito arrocha como a cachoeira dos Prazeres, no Rio Jequiriçá.

Mas a Michelin, aquela do boneco gorducho, e dona do pedaço, se penitenciou do fedorzão que joga nos ares da entrada de Ituberá com sua usina de borracha e criou uma pequena reserva no entorno da cachoeira. Os carros dos visitantes são barrados numa zona de contenção a cerca de quinhentos metros da queda d´água e os visitantes caminham por um corredor de mata. Perfeito.

No final da manhã chegaram mais alguns banhistas. São aqueles pontinhos sessenta metros abaixo.
Os pontinhos à esquerda são banhistas que chegram no final da manhã

Como chegamos cedo, num dia de semana, tivemos o privilégio de sermos os únicos banhistas naquele início de manhã. O tempo passou rápido e a gente teve que voltar às pressas para fechar a diária do hotel antes do meio dia e partir para Pratigi para arriscar camping, pousada ou o tal chalezinho sonhado por Soraya.

E não é que o tal chalezinho  rolou?  Quarto exclusivo para o casal, meninos amontoados em bicamas na sala, bar americano, geladeira grande, relógio, fogão, escorredor, suporte de  garrafão de água mineral,  kit cozinha, rede na varanda e chuveiro quente, quintal, lavanderia, chuveirão  e um mercadinho perto.  Tudo isso por R$ 50 o dia. Pra quem estava preparado para gastar quase isso num camping, o sentimento foi de ter encontrado um cinco estrelas.  Tudo isso acompanhado da simpatia de Dona Lenice e de sua irmã Emília. Telefones para reservas:   (73) 9988 1598/ (71) 3249 2839.

Chalé SabiáChalé Sabiá

Deu ainda tempo para  um mergulho. Voltamos já noite, curiosos com a sugestão de Dona Lenice de um passeio pela praia a Barra do Serinhaém. As duas últimas fotos foram feitas no dia seguinte, mas reproduzem bem os programas e a alegria deste segundo dia de viagem.

Maria no PratigiMaria no Pratigi