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O belo edifício sente o peso dos anos

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Morreu ela ou morri eu?

Acabo de chegar da rua, são quase quatro da manhã deste sábado e a cabeça ainda meio zunindo. Resisto em falar mal do Carnaval, hábito dos que morreram para a festa. Mas ao contrário do que diz a canção, a folia que na quarta-feira também morria hoje  é natimorta. 

Meninos, não vi, não vi um, sequer um casal se agarrando. Tirando o corredor iluminado onde é obrigatória a alegria, nas ruas transversais e na saídas dos blocos, vi os olhos compridos e cansados de centenas de trapos humanos pelas calçadas, esperando a vez de se transformar em gradil e sair puxando e empurrando  cordas, ou meninos e velhos catando lata, ou famílias inteiras vendendo de um tudo.  

Pats e mauricinhos (ainda é essa a denominação?) passam elas com seus shorts colados, coxas grossas, sapatos plataforma e eles de camisetas com músculos á mostra, parecidos todos ex-BBBs,  em direção aos camarotes. Mas nas caras levam uma certa tristeza ou apreensão.

Nos camarotes, privado e público, comida e bebida à vontade, mas aquele clima de festa social, de exibição,  poderia ser em qualquer época, qualquer festa, qualquer lugar. Fiz uma pesquisa para o jornal da escola dos meninos e fui encontrar a origem da festa nas farras dionisíacas, nos bacanais romanos,  tudo a ver com a esbórnia, nada do que eu vi hoje.

Vi muita, muita gente trabalhando, como eu, para tirar um troco, na estrutura da festa. São milhares de barnabés do Estado e da prefeitura, o bloco dos crachás, também muito do sem graça.

Se você viu o Carnaval pela televisão, não vale discordar de mim. Aquilo  é acionado automaticamente no momento em que as pessoas se veem diante da câmera. Apagou a câmera, fogo apaga  junto.

Pra não dizer que não vi nada de bom, felizmente fui escalado para acompanhar música de qualidade e o que vi você pode conferir aqui. Nos mais de 500 metros de território livre de cordas e com boa música, a guitarra baiana e o samba do Recôncavo reuniram um colorido raro, diversificado, de gente. Mas era como se fosse um show comum, bacana mas comum. Pra Carnaval se espera mais.

E também pra não dizer que não considerei nada, lembro de pelo menos umas 20 pessoas se divertindo a valer, a moda de Vadinho, de Dona Flor.

Dois travestis, que se acabavam em cima de salto 15, short a exibir a popa da bunda e a dividir a rola, um grupo de gringos pra lá de bagdá, interagindo na base dos abraços e sorrisos e brincadeiras de duplo sentido com um grupo que carregava  bastões de ar vermelhos com a marca do Bradesco,  um outro travestido macho que requebrava sem parar e um grupo de adolescentes beleza pura, quebrando pra valer numa autêntica roda de samba. Mais, não vi.

Morri eu?

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