Posts Tagged ‘Campo Grande’

Eu vou

19/06/2013

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Não existem mais passantes destes caminhos. Mais outro tanto de tempo não existirão passantes da tarde de hoje. A vida passa. Eu vou.

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=4980178259000&set=a.1137311949744.2020128.1135737937&type=1&theater

Foto: http://urbanizacaoemsalvadorseculoxix.wordpress.com/2010/12/17/processo-de-urbanizacao-em-salvador-no-seculo-xix/

Boas novas

15/04/2013

site portuga

Sim, existe um site português dedicado exclusivamente a boas notícias:
Jovens devolvem 60 mil euros achados em comboio
Homem dá emprego a ladrão que lhe entrou em casa
Usar redes sociais no trabalho aumenta produtividade

Queria me mudar de Salvador e morar nestes últimos três dias neste site portuga. Porque por aqui as notícias são pancadas e nestes últimos três dias a pancada foi maior. Costumo me esquivar de tragédias, elas alteram meu humor, atrapalham meu trabalho, me consomem energia. E desde sexta só vejo más notícias embora o céu tenha sido sempre azul. Domingo, por exemplo, fomos à praia no final da tarde e Ipitanga parecia o paraíso. Mas desde sexta, abro os jornais e leio dor, dor de mãe, dor de pai, dor de famílias. Pra completar,  o resto do mundo também não ajuda. Contra minha vontade abro o vídeo e lá vejo corredores chegando numa linha de chegada, felizes, perto de cumprir o desafio e de repente uma bomba. Salvador e o mundo carecem de boas notícias. Vou para Portugal, pá.  

Campo Grande

15/04/2013

Mocinha veio do interior trabalhar em “casa de família” no Campo Grande e a “moça de família” da casa um dia perguntou o que ela fazia tanto e até tão tarde na praça, todo santo dia, em companhia das colegas e dos porteiros de edifício.

A moça de pronto enumerou as atividades sem alterar em nada a naturalidade da voz ao descrever as ações:

– Ah, nóis conversa, nóis namora, nóis dança, nóis fode, nóis chupa picolé…

Pois é, lembrei desta história contada por Nílson e desta matéria feita por mim em março de 1988 sobre o Campo Grande ao questionar uns amigos. Eles discordavam do caráter homofóbico, defendido por mim,  do crime que tirou a vida do estudante Itamar Ferreira. Sempre se namorou e fez tudo o que a moça descreveu acima, quase abertamente, no Campo Grande e escadarias adjacentes. Desconheço alguma morte relacionada a esta orgia cotidiana na praça até então. E então?

Nasce a lua a 2 de julho

03/07/2012

2 de julho

Veja as fotos aqui: https://www.facebook.com/gusmaomarcus/media_set?set=a.3435445441645.2130384.1135737937&type=1

Ao pé do caboclo

02/07/2012

 

Clique na imagem para ler.

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=3430991450298&set=a.1137311949744.2020128.1135737937&type=1

Música, maestro!

23/02/2009

campo-grande-19521

Campo Grande, 1952. Onde estaria Dalila, Dodô e Osmar a esta hora?
 
Tento ver as coisas da “perspectiva da eternidade”, mas isso é tarefa para Nilson Pedro e sua poesia.  Só vejo detalhe, só vejo os segundos e modifico minha opinião em função deles. Minha máquina fotográfica de enxergar o mundo emperrou no close. Quando tento fazer um zoom  ela desfoca e aí eu não entendo mais nada. Tudo fica embaralhado.

Mudei de universo nos últimos dois dias, passei a ver o Carnaval de um praticável do Campo Grande, de perto e de longe da festa. Os tios passam quase colados, a estrutura treme com a percussão. Mas ao contrário da Barra, o Campo Grande tem um entorno diferente, é uma espécie de centro Histórico do Carnaval, tem o cheiro dos antigos carnavais. Ali eu enxerguei a farra e a importãncia que o Carnaval tem para milhares de pessoas, vi a força dos blocos afros, vi a galera caindo no reggae, como desde antigamente.

Escapuli e tentei ir até a Praça Castro Alves ontem a tarde, encontrar o Gandhy, mas esbarrei  no espreme-gato  da casa D`Itália, o povo todo  buscando por Dalila –  uns dizem que Dalila é branca, outros dizem que é cor de mato – mas eu estava de água mineral.

 Sem Dalila na cabeça tentei voltar pelo relógio de São Pedro e me lasquei. Encontrei o Parangolé pelos peitos e ao som de piriri-pam-pam / piriri-pam-pam  estiquei o pescoço, a única coisa que eu conseguia mover com facilidade e fui navegando na maré contrária até escapar pela lateral do TCA. Aí o milagre aconteceu. Os cinco reais que havia esquecido no bolso da frente da bermuda ainda estavam lá.

Já de volta à minha bolha , alguém grita, lá vem o Fantasmão. Acabara de ver as imagens da pancadaria provocada pela passagem de Eddye pela Barra no dia anterior. Não conhecia o Fantasmão, só de ouvir falar e de um texto fantástico do maestro  Fred Dantas na Muito, em dezembro, em entrevista a Marcos Dias.

Meninos, eu vi. Ali estava a única novidade deste Carnaval. Novidade musical, novidade de performance , sangue novo na avenida. O garotão Edyye, com pinta de pop star, pegada hip hop,  rocker, kuduro, quebração, tudo junto, dialogava com a turba embaixo do trio, com intimidade, revolta e sinceridade.

Ao contrário dos comandos café-com-leite do prá esquerda, pra direita, todo mundo beijando, senta, levanta, deita, das estralas do axé, Eddye  falava com a turba com a intimidade de uma relaidade de exclusão, musical e social.

O maestro Fred Dantas nos explica melhor, quando fala da  “elaboração crítica e musical de um grupo Fantasmão”, que para ele tem reflexão social e contemporaneidade, “mais potencial de vitalidade” do que todo o resto da música hoje feita  na Bahia.

E dá uma explicação técnica, que não sei bem o que é mas entendo: “Se no axé isso não está acontecendo, no pagode está. Porque incorporaram o 6/8, os ritmos ternários do candomblé, em cima da base do samba. Aquilo ali representa mais o que o jovem baiano está pensando”.

Marcos Dias lembra então das músicas que reproduzem cantos do candomblé. Aí o cacete, digo a batuta, do maestro bate na cabeça do queridinho Brown:
“Mas há uma diferença entre uma letra como Balança Coqueiro, que fala do candomblé criticamente, de uma Maimbê Dandá, por exemplo, de Carlinhos Brown, que simplesmente é um refrão tomado do candomblé. Não há reflexão nenhuma nem deixa conseqüências nenhuma, a não ser aquela alegria de discoteca, com aquela expressão em iorubá, que vira uma expressão exótica para ser reproduzida, como Jorge Benjor faz em tetê tetêretê…. Você bota os gringos para ficar dizendo maimbê maimbê e não acontece nada, a não ser um desvirtuamento do sentido original.
E no pagode, não. Você faz uma citação e uma reflexão. As pessoas precisam escutar o que esses jovens pagodeiros estão dizendo. Vamos escutar o que Marcio Vitor tem a dizer. Vamos saber o que é o contra-egun que eles estão falando”.
 
Bravo, bravo!
Obrigado, Mestro!

PS – Duas cenas dignas de nota.  No sábado, mãe e filho pequeno cadeirante brincavam a valer na esquina do Campo Grande. A cadeira ia ao ritmo das gargalhadas e da felicidade do menino. Mesma cena ontem. Pai filho de Gandhy, menino idem, de turbante e colar, todo paramentado e feliz n ritmo do reggae, junto com outro irmão andante. Felizes da vida.

PS2 – Clique na imagem para ver mais fotos de antigos Carnavais e aqui para saber um pouco da história delas.
 
PS3 – Deixei os comentários sem resposta. Estou na correria pra pegar a estrada e de lá de Iaçu respondo. Levo a tiracolo Morte Abjeta, do vingativo Dr. Guimarães, Grão Vizir  das saúde do Baixo-Sul, que por aqui passou e não me deu o prazer da visita.

Quem tem renca não vai a Roma

03/08/2008

A diferença entre remédio e veneno está na dose. O ingresso, a R$ 1 e R$ 0,50. O teatro, o Castro Alves. O espetáculo,  internacional. No palco, a neta de Chaplin. Pra que diabos eu concordei que era necessário espalhar mais ainda a informação?
Quando me pediram pra dar uma força, talvez houvesse o temor de que o teatro não lotasse. Afinal são 1550 lugares, podia chover, o título do espetáculo em francês talvez não desse a dimensão da coisa, sei lá.

Só sei que o e-mail do post anterior correu meio mundo. Mandei uns 300, coloquei recados para os amigos no Orkut,  publiquei no blog e na lista dos  jornalistas. O Picolino replicou uns 1.500. Deixei este Licuri sem posts por três dias para  que minha meia dúzia de leitores não deixassem de ler.

Nilson recebeu o e-mail de três fontes e sacaneou perguntando se era pra  espalhar também lá em Brumado. Mariana, uns quatro, mas dormiu até tarde e ligou em cima da hora para receber a informação de que não adiantava mais sair de casa com Pedro, que caiu no berreiro porque isto significava também não encontrar os colegas da escolas, todos mobilizados por Kátia. Liz ligou e confirmou a origem antes de espalhar. Acácia me mandou um outro e-mail, todo turbinado com foto e mais infomações, enviado pela escola da filha para a lista dos pais dos alunos e funcionários.

Acordamos cedo, com planos de chegar às nove. Mas café, banho, cabelo e roupa na renca é um processo não muito simples, que envolve estresse conjugal (pai nunca ajuda) choro de menino e ranger de dentes num domingo pela manhã. Conseguimos chegar por volta de 9h40 na fila, que dobrava. Andamos uns vinte minutos de papo com Mary e o filho, que também se espantaram com o tamanho da fila. E eis que um funcionário do TCA aparece com a seguinte piada: – Pessoal, acabou mas as bilheterias estão abertas para hoje a noite, a R$60 e R$ 30.

Não sei quantos dos que entraram e da multidão que bateu o nariz no gradil do TCA estavam ali por conta do meu impulso divulgador. Dos que ficaram nos lugares que poderiam ser nossos posso contabilizar  minha irmã Stael, que foi com uma amiga, estranhou a minha ausência e disse que o espetáculo não foi bom, foi ma-ra-vi-lho-so. E Gabriela, que agradeceu a dica na lista de jornalistas e informou que a genialidade do espetáculo  valeu o  sufoco dela com a filha na fila.

Não vou dizer que perdi a viagem. Os sem-espetáculos com crianças frustradas foram pro Campo Grande, lugar onde além do pé do Caboclo para lamentar havia espaço, pula-pula, pombos para correr atrás, sorvete e pipoca e até uma biblioteca móvel da Fundação Pedro Calmon.
Marcelo, uma amiga e os filhos, Josias, Concinha e sua renca, Pierry, André, e mais uma galera gastamos o resto da manhã ali.

Enfim, quem tem boca vai a Roma e quem tem boca de calçola folgada, como os amigos injustamente me classificam, vai ao Campo Grande ver solo do israelense aprendiz de sax Ofir Uziel e um seu pombo pentelho.

 

P.S: interessante é que eu cometi um erro no e-mail, só notado depois que enviei, como sempre acontece. O espetáculo da noite foi de fato  60 vezes ou 6.000% mais caro. Mas eu havia dito que o espetáculo da manhã era 6.000% mais barato. Na verdade é a mesma coisa, mas  o limite para algo ser mais barato é 100%, quando é de graça. Portanto, nao ingresso da manhã  foi 98,33333 % mais barato do que o da noite. O que também é razoavel e reforça a graça da piada involuntária do funcionário do TCA.