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Socorro, Lelé

15/05/2009

Lelé

Estive duas vezes com João Filgueiras de Lima, o Lelé. A  primeira vez foi na década de oitenta, para uma matéria sobre propostas de Gil para o Centro Histórico e para Salvador, quando o futuro ex-ministro era presidente da Fundação Gregório de Mattos, publicada em 13 de Abril de 1987. Na matéria tem uma foto de uma maquete para o antigo Aeroclube, uma estrutura leve, suspensa por cabos, criada por Lelé.  A idéia dele era bacana, aproveitava a brisa e o sol, dialogava com a orla.

Como todos sabem, a aeroclube virou o que virou: um caixote esquisito  e um ponto de encontro para sexo  remunerado, nada contra, desde que não fosse só isso.

Mas voltando ao que interessa, estive com Lelé pela segunda vez em junho do ano passado e passei com ele quase uma tarde inteira no Sarah, encontro que me marcou e me deixou mais animado com a vida, com a humanidade, com as possibilidades coletivas, embora o prórpio Lelé transmitisse um certo desencanto.

Pois bem, lembrei de Lelé ao ler ontem a entrevista com o secretário de Desenvolvimento Urbano, Habitação  e Meio Ambiente  de Salvador, um tal Eduardo Abreu. Não sabia se ria ou chorava ao ler as propostas do sujeito, em entrevista a Mary Weinstein. Ria ou chore aqui.

De volta novamente ao que interessa, coloco aqui, como registro e contraponto, o  resultado daquele encontro com Lelé, publicado na Revista da Unifacs. Como a matéria não está disponível na rede, trancrevo o e-mail enviado por mim com a matéria original,  publicada em outubro do ano passado:

O arquiteto português Eduardo Souto de Moura, estrela internacional do Arquimemória 3, encontro que reuniu  na Bahia especialistas em arquitetura e memória, em junho passado, fez questão de duas visitas na sua curta estadia em Salvador: ao Centro Histórico e ao arquiteto João Filgueiras Lima, o Lelé. Foi embora decepcionado com um e encantado com o outro.

A visita de Moura repetiu uma rotina freqüente no dia a dia de Lelé. Receber arquitetos, professores e estudantes de todas as partes do mundo no seu quartel general, o Centro de Tecnologia da Rede Sarah. O Centro funciona na mesma área do  Hospital Sarah Salvador, edificação que sintetiza sua obra, e que lhe valeu o grande prêmio da Bienal Ibero-Americana de Arquitetura e Engenharia de 1988, em  Madri.

Num giro pelo hospital, instalado numa colina rodeada de vegetação remanescente da Mata Atlântica, Lelé  mostra as aplicações práticas das suas idéias, inventos e soluções inovadoras na concepção de um hospital. Conquista o interlocutor com doses altas de ceticismo, temperado com um humor ácido, às vezes auto-depreciativo, muita  simpatia  e humildade.

Lelé trabalha numa saleta austera mas agradável, de não mais que 10 m², paredes de argamassa armada e pé direito alto para dar passagem ao ar e à luz natural, dois elementos fundamentais nos seus projetos. A sala fica no Centro de Tecnologia da Rede Sarah, onde são projetadas e construídas estruturas inusuais, em argamassa aramada, ferro, aço, plástico e fibra de vidro, além de móveis e equipamentos hospitalares, que saem de sua prancheta e das de sua equipe diretamente para os hospitais da Rede Sarah,  que se integrarão aos nove existentes hoje no país, e para prédios públicos construídos com a mesma tecnologia.

Chega a ser meio desengonçado, 1,83 metros de altura, esguio, mãos compridas. Poderia ter seguido a profissão de atleta ou de pianista. O apelido veio da semelhança física com jogador Lelé, atacante do Vasco da década de 40. Queria seguir os passos do pai, que era músico tocava piano em sessões de cinema mudo.  Casualmente, como gosta de repetir, virou arquiteto. Casualmente conheceu Niemayer e participou da construção de Brasília.

Casualmente, um acidente automobilístico com a mulher, em 1963, o levou a um internamento no  hospital de Base de Brasília e  fez cruzar o seu destino com o do cirurgião  Aloysio Campo da Paz. Médico e arquiteto conceberam um novo conceito para  arquitetura hospitalar, que resultou nas inovações da Rede Sarah de Hospitais do Aparelho Locomotor, uma de ilha de excelência no atendimento público de saúde no país.

Casualmente o destino também lhe trouxe a Salvador e não casualmente a cidade convive hoje com a marca de sua inventividade. Reconhecido internacionalmente, representou o Brasil em sala especial na Bienal de Veneza de 2000. Recebeu o grande Prêmio Latino-Americano de Arquitetura da 9ª Bienal Internacional de Arquitetura de Buenos Aires, em 2001. É professor emérito da Universidade de Brasília e Doutor Honoris Causa pela  Universidade Federal da Bahia.

Ainda não sabe, mas um grupo de arquitetos brasileiros articula sua indicação para o prêmio Pritzker, uma espécie de Nobel da Arquitetura. Mas se você lhe pedir um balanço de vida, diz com tranquilidade. “Extremamente fracassado”. Sonhou alto. É da geração do pós-guerra, empenhada em construir utopias. E seu grande sonho, uma arquitetura a serviço do coletivo, está hoje na contramão. “Sonhamos,  criamos muitas utopias. Utopias construídas em cima de um avanço social. Todas elas fracassaram”

Mesmo cético, Lelé ainda vê a possibilidade de saídas para a enrascada ambiental  que a humanidade se meteu e esta saída está nas idéias dos jovens. Não é chegado a badalações mas fica feliz com a admiração dos jovens pelo seu trabalho. “Fico muito feliz quando eu vou a uma universidade para discutir  minhas experiências. Para mim,  o que me dá uma certa vontade de viver e de continuar é o convívio com as pessoas jovens, principalmente com  aqueles grupos que estão ávidos para  procurar soluções, discutir, mesmo que não aprovem o que fiz. Isto me agrada muito.”

Para Lelé e para todos os que enfrentam o caos urbano,  a cidade do Salvador está inviável, como a maioria das metrópoles desprovidas de transporte público eficiente. O foco nas soluções individuais gerou o colapso vivido diariamente pelos soteropolitanos enjaulados nos engarrafamentos cotidianos.

Dentre seus sonhos para Salvador estava  o “Veículo Leve Sobre Trilhos”, ou VLT, uma espécie de bonde que trafegaria sobre os canteiros centrais das avenidas de vale. O projeto, do final da década de oitenta,  foi atropelado pela descontinuidade administrativa e ressuscitou como Metrô de superfície, que não é nem uma coisa nem outra. Não gosta e não quer falar sobre o assunto, mas classifica a obra como aberração, que não vai resolver a questão do transporte público. Construção  tardia, o metrô de Salvador nasce sem ter para onde crescer. “Os metrôs que funcionam hoje no mundo cresceram junto com as cidades, sob as cidades. Como você vai expandir na superfície, furando montanhas e derrubando casas?”

Soluções  para a melhor  circulação das pessoas nas cidades é um assunto que também interessa a Lelé, que desenvolveu um bondinho para diminuir a distância percorrida por pacientes cadeirantes e seus acompanhantes  do alto do hospital até o ponto de ônibus.  Em vez do carro, eles descem pelo bondinho e percorrem um trecho entre as árvores, numa espécie de passeio numa trilha entre árvores nativas da mata atlântica. A solução poderia diminuir distâncias e facilitar o acesso de  comunidades urbanas de Salvador, em áreas com topografia semelhante.

Curiosamente, uma das soluções criadas para as conexões do  VLT sobreviveu e é hoje o seu xodó. Uma idéia simples acolhida  pela cidade, presente em todas as grandes avenidas: as passarelas para pedestres, coloridas, cobertas, com estruturas leves em ferro e argamassa armada. A idéia inicial era ainda mais completa, com alternativas de conexões em seus cogumelos de sustentações,  que poderiam ser escadas ou elevadores para cadeirantes.

Normalmente a voz de Lelé, baixa e pausada, sobe um tom quando o assunto é passarela. Em sua mesa estão os croquis de mais um conjunto delas, que se integrarão ao projeto viário do Estádio de Pituaçu para atender a grande demanda de público em dias de jogos em direção à avenida Paralela.

É impossível conceber hoje a ligação entre o Iguatemi, a estação de transbordo, também de sua autoria, sem as passarelas. Há inclusive um projeto para um novo conjunto para aquela área, que ficou ainda mais sobrecarregada com a inauguração do templo da Igreja Universal. A implantação depende da iniciativa da prefeitura.

Os projetos de Lelé exigem uma certa cumplicidade de quem usa. São mais econômicos, gastam menos energia elétrica, principalmente com a diminuição do uso de ar condicionado, que num hospital pode representar um custo 10 vezes menor  no consumo de energia e gerar um conforto ambiental maior. Mas há resistências. Com o argumento de que trabalham com processos, e que o vento espalha as folhas, os funcionários do Tribunal de Contas da União mandaram vedar as saídas de ar e colocaram ar condicionado em todas as salas. O mesmo aconteceu com o prédio da prefeitura, projetado com um sistema central sobre o teto, mas que com o primeiro defeito, foi substituído por aparelhos individuais.

O discurso ecológico não se dispõe a pagar a cota individual quando o assunto é mudança de hábitos. “O problema é cultural, as pessoas de um modo geral querem individualizar suas tarefas. O problema das cidades, por exemplo, é agravado porque em cada veículo  cabem cinco pessoas, mas a maioria usa  o veiculo individualmente”. Sua presença no Sarah faz com que as coisas funcionem como projetadas. Lá a circulação de ar funciona perfeitamente. Os amplos espaços de convivência, transformam o ambiente num lugar que nem de longe lembra os corredores apertados e o cheiro característico de um hospital convencional.

Lelé argumenta que a luz natural é mais benéfica e confortável. “Não há uma iluminação artifical que seja superior a esta luz difusa que estamos usando aqui, diz em sua sala. Ela é muito mais agradável, sob todos os pontos de vista ela é muito mais humana. A luz artifical tem uma vibração incomoda, mas a gente se adapta e acaba desprezando uma coisa que e melhor por uma outra pior.

O ar, capturado do ambiente externo por galerias na base do prédio do hospital circula por saídas reguláveis em todos os ambientes e sai pela parte superior, em estruturas aerodinâmicas. A sensação térmica é de quem está sob a brisa da sombra de árvores.

Para Lelé  a saída ainda possível está na educação e na aplicação de princípios ecológicos. “Eu vejo o risco enorme que a humanidade está correndo, de   destruição do próprio planeta. Na escala que estamos consumindo os recursos naturais vai durar muito pouco”. Entende a arquitetura como uma atividade coletiva. Lembra que só em algumas tribos esquimós a construção da moradia é uma atividade individual. E lembra que as soluções coletivas existem em todas as culturas, como a dos  índios xavantes, que encontram soluções engenhosas de conforto ambiental em suas construções,  na escala correta, com um conforto ambiental adequado.

Vê hoje duas vertentes na arquitetura. A espetacular, do grande discurso, da grandiloqüência como símbolo do desenvolvimento.  E uma outra, que busca ser útil à comunidade como um todo, atuar em programas mais econômicos, com sentido coletivo. A primeira, mesmo que não busque resposta para as cidades tem imperado.

Lelé nasceu no Rio em 1932. Dois anos depois de formado pela Faculdade de Arquitetura, da Escola Nacional de Belas Artes, seguiu para trabalhar na construção de Brasília, sob a coordenação de Oscar Niemayer. Seus primeiros trabalhos em Salvador são a igreja, a balança e as plataformas do Centro Administrativo da Bahia, no início da década de 1970. Além do Hospital Sarah, também é de sua autoria o prédio da prefeitura, a Estação da Lapa, o complexo de delegacia dos Barris, a Estação de Transbordo do Iguatemi e a sede do Tribunal de Contas da União.

Como trabalhava para prefeituras e governos, o final de cada mandato significava a interrupção e o abandono de projetos, pelo hábito dos políticos de apagarem marcas do antecessor. Foi assim no final da década de 80, depois do fracasso dos Cieps no Rio, quando Moreira Franco não quis dar continuidade ao projeto de Brizola. A história se repetiu em Salvador, quando Fernando José não quis dar continuidade ao projeto da Fábrica de Equipamentos Comunitários, a FAEC, iniciado na gestão de Mário Kértesz.

O fim da FAEC custou o sonho de uma fábrica de cidades com todos os equipamentos estruturais como escolas, creches, passarelas e infra-estrutura, o emprego de centenas de operários e a dor no coração de Lelé, traduzida por um infarto que resultou na  implantação de quatro pontes de safena e uma mamaria. Mas só foi sair do hospital para enfrentar novo desafio. Convidado pelo amigo Darcy Ribeiro partiu para o novo sonho dos Ciacs, novo tombo. Só encontrou um porto seguro contra  interrupções e distorções da sua obra com os projetos da Rede Sarah.

A decepção do arquiteto português com o centro histórico, citada no início deste texto, foi  revelada com um certo pudor educado em entrevista ao jornal A Tarde. Moura afirmou que o Pelourinho lhe  parecia falso, como uma espécie de cenário para turista,  “um bocadinho embalsamado”. A idéia é compartilhada por Lelé. Junto com Lina Bo Bardi planejou interferências em que se respeitava a arquitetura original, mas com intervenções no interior dos imóveis que possibilitassem moradia e vida social. E lembra que a pintura original sobre argamassa e base de cal não tem nada a ver com os tons berrantes, aplicadas nas fachadas pela reforma recente. E faz uma comparação semelhante à do colega  português: “O pelourinho é uma ave empalhada, com olho de vidro, sem vida”.

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=3557481212463&set=a.1137311949744.2020128.1135737937&type=1

Não emborco mais

11/05/2009

alguidares 2Não emborcarei mais nenhum dos alguidares muitos que porventura encontre pelas calçadas, encruzilhadas e praias desta nossa cidade. Só foi emborcar um às 7 horas  e apareceram para mim muitos outros antes mesmo  das 9 desta manhã de sol de hoje, em frente ao Parque Costa Azul, próximo ao Jardim de Aláh.  E fartos. Portanto, Bernardo, Maria e Martha: eu não creio em quase nada, mas respeito todos os sinais. Não emborco mais. alguidares

alguidares 3

 Atualizado por conta do comentário de Martha: a única coisa que posso fazer é mudar o ângulo da foto.

104

07/05/2009

Salvador chove todo ano há quase meio milênio. E a cidade ainda encara a chuva como uma grande novidade. Mas daqui a alguns dias o sol, o grande culpado, volta a brilhar e todos esqueceremos.

Ano que vem a surpresa: Oh! Chuva. Novamente lamentar a tragédia, contar as vítimas. E elas voltaram a ser contadas ultimamente depois de mais ou menos uma década de trégua, por conta de algumas obras de contenção de encostas.

A chuva cai sbre todos, embora mate os pobres. No Itaigara, com IDH superior ao de  países nórdicos, carros submergem. Nas encostas e pirambeiras, gente é soterrada ou carregada pelas águas de maio.

E a cidade segue crescendo desordenadamente, sem controle algum, tanto nos bairros pobres como nos ricos (não à toa que uma das fotos de alagamento mostra o novo caixote -shopping da cidade, na Paralela).

E  Como as chuvas se repetem com regularidade, meus textos e vídeos sobre elas também.

Acima, o terceiro vídeo da série “O mar quando quebra na praia”, gravado ontem e hoje. E abaixo, alguns textos meus sobre a mesma  chuva de sempre:  2006 e 2008.

E aqui vou colecionar outros sobre o mesmo assunto.

Atualizado em 07/05

Franciel  ( o texto apareceu, achado pelo próprio. Valeu!)
Bernardo
Maria

Aeronauta

Atualizado em 7 e 8 ; 05

E aqui a trilha sonora da chuva… porque a chuva continua

P.S importante. Esta não é  uma lista das  minhas músicas preferidas. Ou não era. Porque conhecer, conhecer mesmo, de gostar e de  poder cantar [alguns (poucos)  trechos] só  Águas de Março e Chove Chuva.  E já ouvi algumas vezes I’m singing in the rain, sempre na tela. Outras posso ter ouvido uma vez na vida, mas não me lembrava. A maioria nunca ouvi mais gorda. O bacana do google e do youtube é isso: desde hoje gosto de todas. Ou como disse mais ou menos o outro, a cultura é indispensável  à ignorância.











Chove lá fora

21/04/2009

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Clique na imagem e veja  o mar quando quebra na praia.

Choveu mais fotos

15/04/2009

Continua chovendo fotos do passeio pelo subúrbio ferroviario. Clique nas imagens e nos links para viajar mais uma vez.

caze-jpgWladimir Cazé, no Silva Horrida – Guia de Cidades.

marceloMarcelo de Trói, no Gregos & Baianos,  no Flickr e no Orkut.

Já registradas  nos posts anteriores: 

Haroldo Abrantes, no blog Maria Muadiê

Giuseppe Fiorentino, no Flickr

Shirley Stolze, no Flickr

Fátima Caires, no Orkut

Mariana Carneiro, no Picasa

Talita Nunes, no Picasa

Gilberto Lyrio, no Orkut e no Flickr

E vem aí o passeio de catanica… Aqui.

Choveu fotos

08/04/2009

Continuam chegando as fotos.

talita-flickr2

Que trem é esse? Clique para ver a viagem de Talita Nunes

gilberto-lyrio

Clique para ver a viagem de Gilberto Lyrio

Veja as demais fotos desta chuva:

Haroldo Abrantes, no blog Maria Muadiê

Giuseppe Fiorentino, no Flickr

Shirley Stolze, no Flickr

Fátima Caires, no Orkut

Mariana Carneiro, no Picasa

vem aí ainda as viagens  de Trói, Dalize, Luísa, Marcus…

Choveu gente

06/04/2009

Acima, os 360º de Haroldo Abrantes

E gente das mais preciosas fontes. Cinquenta almas, contadas em casa por mim e Soraya, na lembrança de cada uma delas. Vivi um dia de pinto no lixo. Feliz com minha renca, com uma renca de gente bonita, astral, divertida. Enfim, sem palavras, começo a receber as imagens. As primeiras vieram de Haroldo/Martha. Depois as de Giuseppe Fiorentino (Pepe), Gilberto, Shirley, Fátima, Mariana…
O post continua em construção, com a adição as fotos que chegam. Última atualização, 06/04 às 22:48.

haroldo

A viagem, por Haroldo Abrantes. Clique na imagem para ver as demais fotos.

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A viagem, por Giuseppe Fiorentino (Pepe). Clique.

trem-ponte1

A viagem, por Shirley Stolze. Clique.

A viagem, por Fátima Caires

A viagem, por Fátima Caires. Clique.

A viagem, por Mariana Carneiro. Clique.

A viagem, por Mariana Carneiro. Clique.

O pó Royal, o circo Tihany e o infinito

31/03/2009

po-royal 

Alegria imensa hoje ao ver no cá c´os meus botões, de Chistiana Fausto uma foto de uma lata de pó Royal e um post sobre como ela viu ali o infinito quando criança. Alegria por uma espécie de reencontro no passado. Ela, menina em Caetité. Eu, menino em Conquista. Ambos diante de uma lata de pó Royal, diante do infinito.  

Ao ver o post lembrei de um comentário que fiz no Blog de Ari no ano passado, sobre este  espanto infantil. Fui ao Google e… encontrei. Veja aqui.  

Lembrei também da sensação de infinito que me passou o picadeiro, e repito aqui um post de 27 de março de 2007, quando falo das cortinas do circo Tihany, outra pista  do infinito. Eis o post: 

  

Tinha mais ou menos a idade de André, meu filho de cinco anos. Era mais ou menos uma noite de 1966. Dormíamos todos embolados, todos os três irmãos de então, em camas ajuntadas num grande quarto no hotel Maringá, em Vitória da Conquista.  

Todos, menos eu. Foi minha primeira insônia. Revirava na cama e na cabeça piscavam as luzes do circo Tihany, roncava o som das motocicletas do globo da morte, cintilavam as roupas dos artistas, soava a bateria que fazia o repicar das cenas de suspense. E ainda tinha mulheres e homens alados, a dar cambalhotas no ar e a fazer encontrar mão com mão, numa precisão que dispensava as redes. 

  

O circo trouxe a minha primeira lembrança de infinito: aquelas cortinas desnudavam as moças de coxas brancas cintilantes e não acabavam nunca. Nem as coxas, nem as cortinas. 

O circo foi meu primeiro espetáculo, onde eu fui pela primeira vez platéia. Chegou na minha vida antes da televisão, antes do cinema, muito antes do teatro. Chegou na minha vida pra dizer que existe um lugar onde é possível sonhar acordado. E este lugar é a cabeça de uma criança insone. Este lugar é o picadeiro. 

Viva o circo! Viva o circo Picolino! 

 

Buenos Aires e Caculé

31/03/2009
buenos-aires1

Buenos Aires, por Gijó.

Duas cidades centro do universo ganham mais três correspondentes aí na minha lista de e-amigos ao lado. Recém-nascido, o Comocoxico, sob a direção do boa prosa Vespasiano Neto, versa sobre Caculé e caculeenses e já veio ao mundo falando dos doidos e dos culhudeiros, que junto com as putas são os três pilares essenciais da memória afetiva das nossas pequenas cidades.

E ao lembrar de Gijó, ou Gilson Jorge, ao tentar entrar em contato para enviar o convite para o trem do fuxico, eis que Liz Nunes me informa: o cidadão agora vive na capital das Américas, capital do mundo. Buenos Aires, já acompanhada por mim nos textos elegantes e prenhes de informação de Juan Trasmonte, cujo link aproveito para colocar aí do lado também.

Caculé carecia de um correspondente. Na falta, era representada por suas cidades satélites Caetité, por Christiana Fausto, Ibiassucê, por Luar, e Brumado, por Nilson Pedro. Portanto, se não quiser ficar isolado do mundo, de agora em diante não deixe de visitar regularmente o Comocoxico, o NEMVEM QUENAOTEM e o Buenos Aires em bom Português.

P.S: mais sobre Caculé, Caetité, Waldick, pequi … aqui.

cacule

Caculé, por Neto.

Caco de vidro na garganta

30/03/2009

Volto ao assunto guerra urbana por conta da manchete do jornal A Tarde de hoje. Quatrocentos e vinte e cinco assassinatos em Salvador e RMS em 85 dias de feliz ano novo.

Por conta também deste texto visceral de Josias Pires, Filmefobia, fobia social e crimes de bagatelas, publicado ontem no blog Mídia Baiana, sobre muito mais do que o assaltado sofrido por ele próximo ao Mosteiro de São Bento, depois de um debate em nome do aniversariante do mês, Glauber Rocha. Próximo à Praça Castro Alves, outro aniversariante destas águas turvas de março, repletas de poesia, cinema e violência. 

Volto ao assunto por conta de um assalto na Piedade, sofrido por  outro amigo, Marcelo de Trói, por conta de mais outro assalto na Carlos Gomes, desta vez na pele de Wladimir Casé,  há cerca de duas semanas, por conta de um a cena testemunhada por mim, de um casal jogado ao chão, revirado e roubado depois de assistir a um espetáculo de Thecov, na Caixa Cultural, há cerca de dois ou três meses. Enfim, gastaria telas e telas nestes relatos cotidianos do nosso Centro Antigo, da nossa periferia recente e depauperada.

425 baixas em 85 dias não é pra qualquer guerrinha não. Um assalto a cada esquina também é um forte sinal de que as águas andam turvas, mesmo. Fique, portanto, com o testemunho  de Josias, uma reflexão sobre a violência, nesta guerra nossa de cada dia.

Texto publicado também no blog  Falando na Lata e no site Notícia Capital.

Um trem de fuxico

29/03/2009

O trem

MariaSampaio_Miro_Edu_ShirleySolze_
ShirleyPinheiro_Pepe_
_Marcus_Soraya_
Luísa_André_MariaGusmão_Eliene_
Eliomar_
_Nilson_Emília_Caio__Marcelo
_Cazé_Bárbara_Dalise_Lucas_Vida_

Fátima_Iuri_Sami__Taiane_Mariana_
Fernando_Guilherme_Sérgio_Franciel_
_Gilberto_Regina_Glória__Nana_
Danilo_Liz_Flávio_Talita_Lívia_Davi_
Neto_
_Neuza_Rodrigo_AnaLívia_Izabel_
Thiago_YuriAlmeida_Berna_
_Márcia_
MarcosSenghor_Aspri_Umbelina_Val_Zezão_Diego_
Mônica_Luiza_
Martha_Beatriz
_Haroldo
_Anselmo_Jana

O fuxico

@Blag@
@MonólogosnaMadrugada
@
@Etc.etal..
@
@ContinhosparaCãoDormir@
@FórmulaCarango@

@Pequenópolis,criançasàsolta…@
@BU
@
@Gregos&Baianos
@
@Comocoxico@
@
HerdeirodoCaos@
@
UMBEMCOMUM@
@
SilvahorridaGuiadecidades
@
@IndagaçõesPerenes@
@Licuri@
@BEABA@
@Ingresia@
@MariaMuadiê@
@Olhares@

 

Atualizado em 03/04  às 9 horas

Resolvemos fazer neste domingo uma prévia do passeio. Afinal depois de convidar tanta gente era preciso ter uma idéia de como seria.

Tudo mais simples do que eu pensava.

E não teve preço ouvir de Soraya todo o tempo: que domingo maravilhoso. Frase raríssima, porque assim como a Aeronauta e a metade do mundo, Soraya odeia os domingos. Que lugar maravilhoso, repetia também outro mantra, ouvido pela última vez em Barra do Serinhaém.

Concordo. Lugar e dia maravilhosos. As crianças também viajaram. Fizemos fotos, da estação, do cotidiano domingueiro na margem da ferrovia, da ponte, do mar, mas não teria a menor graça me antecipar aqui.

A partir da experiência de hoje sugiro o seguinte roteiro, flexível e aberto, para o próximo domingo.

Embarque na estação da Calçada: 10h20. Quem perder esse, pega o trem às 11. Novo horário: aqui.

Aos domingos são gratuitos e partem em intervalos de 40 minutos a partir das 7 horas. Seria interessante ter o registro em foto dos grupos no embarque.

O Boca de Galinha fica na terceira estação, a Almeida Brandão. Quem for almoçar ali pode ir até a estação final e voltar no mesmo trem. O importante é chegar antes das 12 horas, porque domingo é o dia mais lotado. Quem pegar o trem das 11 deve descer logo na ida.

O preço é bastante em conta e a comida boa. Uma moqueca de camarão (R$45) ou de peixe (R$28) dá pra três, a cerveja é tamanho normal, o refrigerante de litro e a sobremesa R$ 2,00. Pagamento em dinheiro ou cheque.

Sugiro um novo reencontro no embarque para a Ribeira por volta das 14 horas, no cais que fica ao lado da estação Almeida Brandão. Há barcos em pequenos intervalos e a travessia dura cerca de oito minutos. A estação de desembarque fica em frente à Sorveteria da Ribeira.

A partir daí o programa pode prosseguir em função do pique de cada um e das crianças. Para quem deixou o carro na Estação da Calçada há ônibus à vontade e vazios para o retorno.

Se você desembarcou agora por aqui, leia então os posts anteriores Vê, ói que céu e No clima.

No clima

28/03/2009

 

Vê, ói que céu

27/03/2009


Se a gente vai de trem e traz fotos de balaio, a culpa só pode ser de  Maria Sampaio. Ela, que fez recentemente a mesma viagem,  me passou pessoalmente a missão, ontem, após o  show de Jussara. Escrever um post organizativo para o passeio fotográfico Calçada-Plataforma-Ribeira, com possível pit stop no Boca de Galinha, no dia 05 de abril, um domingo, com partida da estação da Calçada prevista para entre 8:30 e 9:00 horas, a depender do horário do trem. De corpo presente, já confirmaram Maria, Miro, Edu e Shirley Stolze. Havia comentado no meu trabalho sobre a idéia e Marcelo e Cazé toparam na hora. A partir de agora este post vai listar os interessados. Deixe um comentário confirmando presença ou mande e-mail para gusmaomarcus@gmail.com

Roteiro incompleto e provisório:

Domingo (não é esse, é o próximo, viu Maria?), dia 05 de abril:
Estação da Calçada – 8:30 veja novo roteiro e horários aqui.
Estação Almeida Brandão – Boca de Galinha (a confirmar)
estação Plataforma
Travessia de barco até a Ribeira
Sorveteria da Ribeira

Presenças confirmadas:

  1. André (de Soraya e Marcus)
  2. Bárbara Maia 
  3. Caio Valente – Fórmula Carango (de Emília e Nilson)
  4. Dalise Figueirêdo
  5. Edu O. – Monólogos na Madrugada
  6. Emília Valente
  7. Fátima Caires
  8. Fernando
  9. Franciel – Ingresia
  10. George Sami – UMBEMCOMUM
  11. Guilherme (de Mariana e Fernando)
  12. Lucas Barbosa
  13. Luísa – BU (de Soraya e Marcus)
  14. Marcus – Licuri
  15. Maria – Continhos para Cão Dormir (a culpada)
  16. Maria (de Soraya e Marcus)
  17. Mariana – Pequenópolis, crianças à solta na Soterópolis
  18. Miro Paternostro – BE-A-BA
  19. Nilson Galvão – Blag
  20. Pepe
  21. Sérgio Berbert
  22. Shirley Stolze
  23. Soraya Gusmão
  24. Taiane – Indagações Perenes
  25. Tró – Gregos & Baianos
  26. Vida (de Lucas)
  27. Wladimir Cazé – Silva horrida – Guia de cidades

Aguardo confirmações e sugestões. Atualizado em 27/03, às 19:58.  Última confirmação: Pepe.

Voyer de cotidiano

20/03/2009

Nelson Maca tem toda razão. Salvador resiste em funcionar a partir do Campo Grande, fronteira de duas cidades bem distintas. Mas ninguém mais do que ele sabe que funciona de uma outra maneira. Tem outra lógica, tem outras histórias.

 

 

Aliança; Orla de Salvador, sentido Litoral Norte. Ontem pela manhã.

Aliança. Orla de Salvador, sentido Litoral Norte. Ontem pela manhã.

 
Anéis. Orla de Salvador, sentido centro. Microônibus.

Anéis. Orla de Salvador, sentido centro. Microônibus.

 
 
Ondina

Ondina

 
Praça da Sé

Praça da Sé

 
Vendedoras. Avenida 7.

Vendedoras. Avenida Sete.

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Praça Municipal

 

Tuirstas e artesã na Misericórdia

Tuirstas e artesã na Misericórdia

Encontro casual com Mônica Gedione, minha irmã atriz escondida nos seus grandes óculos e feliz da vida por estar entre os 10 selecionados para "Jeremias, o Profeta da Chuva", próxima peça do Núcleo de Teatro do TCA.

Encontro casual com Mônica Gedione, minha irmã atriz escondida nos seus grandes óculos e feliz da vida por estar entre os escolhidos para "Jeremias, o Profeta da Chuva".

Catedral Basílica

Catedral Basílica

Terreiro de Jesus, dos orixás, e agora também um pouco meu.

Terreiro de Jesus, dos orixás, e agora também um pouco meu.

Porta de entrada da minha repartição, quase em frente à Ordem Terceira do São Francisco. Vai num picolé?

Eis, finalmente, a repartição.

Com a mudança, perdi o elevador. Piso agora em séculos.

Com a mudança, perdi o elevador. Piso agora em séculos.

 

Praça da Sé.

Retorno. Tuistas e crianças na noite da Praça da Sé.

Feiras de Santana

16/03/2009
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Centro de Abastecimento, março de 2007.

Feira é um lugar de economia livre, informal. De cores, cheiros e sons.  
E Feira de Santana não tem esse nome em vão.  É a cidade das feiras, onde não existe pecado de nenhuma natureza e onde só há nove mandamentos. O  sétimo  desapareceu e há suspeitas de que foi  desmontado e vendido a preços módicos  nas cercanias da Rua da Aurora, a maior feira mundial de peças usadas e baratinhas.
Tem também uma feira internacional, o Feiraguai, onde o Mercosul deu certo. O mesmíssimo  jogo de carrinhos em miniatura  que vi numa vitrine do Itaigara por R$ 28,00, comprei por R$ 7. Seria a diferença da tal carga tributária?
É possível também comprar roupas, em balaios de lojas de verdade, estabelecidas, com CNPJ e tudo, onde já adquiri cinco camisetas por R$ 5. Isso mesmo, a metade de R$ 1,99.
Tem também a feira feira, onde se encontram frutas a preços honestos bem camaradas. O freqüentador do Wal-Mart Bom?preço não deve ir à feirinha da Estação, sob pena sentir um grande otário. Outro dia comprei seis jenipapos em excelente estado por R$ 1 real. Na segunda-feira, vi dos mesmíssimos, empacotados em bandejas de isopor a R$ 5,80 três unidades. Ou seja, pelo Bom? preço de um você compra 12.
Pelas feiras conjugadas, a da Estação e a do Rato, circula Cícero do Cafezinho, de quem já falei aqui. Um dia ainda faço um filme de verdade com ele.
A mais divertida é a feira do rato. Há dois anos comprei por lá um monte de disco de vinil  mais baratos que jenipapo e dei de presente a Anselmo, do Picolino; a Joana, do Crear; e a Maria, do Botequim Maripim. Todos eles tem o estranho vicio em chiados e não  abrem mão de uma agulha sobre o vinil. Mais fotos aqui.

PS. A Feira da Estação e Cicero do cafezinho renderam um dos posts mais visitados deste Licuri, não se se lido, mas sempre achado nas buscas por conta do título: Roberto, Quxabeira, Schopenhauer, Contardo…

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Feira da Estação, aos domingos.

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Feira do Rato, 2007. Clique na imagem para ver filmete recente.

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(2) Daniele Still. Em holandês?

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(3) Sex and Fair

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Rei do Baião, obra completa do rei rei e Raul Seixas. Tem jogo.

Haletos de ouro

01/03/2009
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1928. Foto mais antiga que se tem registro em Iaçu e uma das 889 reunidas no perfil do Orkut do projeto Iaçu Cultural. É da famíla do retratista Aurelino Costa, que emprestou seu acervo ao projeto.
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Aurelino Costa em seu laboratório. Pelas suas lentes passaram praticamente todos os habitantes de Iaçu nas últimas décadas.

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Avós de Déborah Dias, a biológa e professora que teve a ideia de garimpar e compartilhar a memória fotográfica da cidade

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Este pai é um dos quatro meninos da imagem anterior. Aqui, com mulher e cinco filhos (o quinto está na barriga da mãe, segundo um dos sete comentários da foto no álbum coletivo no Orkut)

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Rubem Reis, bisavô da minha renca, enviou esta foto a parentes enquanto estava aquartelado em Feira. A guerra acabou antes do embarque. A foto foi recuperada na pesquisa de Déborah.

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Dispensado no dia 9 de maio de 1945, o soldado casou com dona Ludu, voltou para Iaçu e se tornou um dos crques da cidade. Foto do histórico 4x4 contra o Independente, de Itaberaba, na casa do adversário, no dia 18 de setembro de 1949. Rubem reis. o quinto em pé, não se lembrava da exstência desta foto, também trazida à luz com a pesquisa.

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Aniversário na casa de amigas. A tia Conceição dos meninos é a maior maior da frente. Mônica, mãe de Soraya, está logo atrás, à direitaa.

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Álbum´"Último dia".

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Buraco doce, uma das casas da rua do Crefe, o brega da cidade.

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Ponte sobre o Paraguaçu.

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Uma vez Flamengo...

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Soraya com quase um ano, no São João de 1970. Foto: Aurelino Costa.

Este coco estava meio travadão, de recaída. O  efeito paralisante do elogio voltou, agravado pelo traço de   TOC,  bem retratado naquele filme com Jack Nicholson, na cena em que ele só pisa nas partes pretas da calçada.

Pra completar veio o incutimento.

Repito aqui mais uma vez a máxima sertaneja: incutido é pior do que doido. Aqui em casa, em toda a Iaçu e em todas as minhas conversas, o assunto da hora são as fotos antigas colocadas no Orkut por Déborah Dias. Já expliquei a história aqui e  numa variação sobre o mesmo tema no 416 destinos .

Como cinco dos seis leitores deste coco são adultos e não têm o Orkut, resolvi trazer algumas das imagens para cá .

O incutimento é um dos responsáveis para o engarrafamento de posts na minha cabeça. Só penso nas fotos de Iaçu e não sobra tempo sequer para o texto sobre o trágico fim  de Marilene, uma das retratadas.

A viagem, que aqui ia pelo do meio do caminho, parou antes de chegar a Moreré,  Bainema, Cova da Onça.

Quem passava pela praça em Iaçu na terça de Carnaval, sem Carnaval, pensava ver um doido pipocando de rir com um livro na mão. Rindo e angustiado a se perguntar por que rir de uma cabeça humana detonada por bombas juninas. Não conseguia parar de rir e a culpa era do sádico Dr. Bernardo e da sua cúmplice Maria Judith. As primeiras páginas de Morte Abjeta seriam também retratadas aqui.

Duas mortes abjetas acontecidas este fim de semana em Iaçu – eta cidadezinha trágica – também ficaram na fila.

Uma geral na produção carnavalesca dos meus e-vizinhos aí do lado também mas deixo isto pra Nilson Pedro, que viu o carnaval passar pelas teclas alheias.

A cova violada de Cova da Onça, que deu nome ao vilarejo de Boipeba, e as imangens de gesso da Igreja de João Amaro, provas do saque geral de imagens sacras das igrejas baianas nas décadas de sessenta e setenta também estão na fila.

Falta mostrar também as fachadas em azul e branco das igrejas do baixo-sul.

Faço aqui a promessa vã de transformar em palavras e imagens todas estes projetos de post relatados acima. Por enquanto fiquem com as fotos do Iaçu Cultural.

Vamos então ao elogio. Goli Guerreiro disse que minha leitura do filme Os Negativos é brilhante. Lenhou. Não consegui responder. Fiquei travadão e não adiantou nada a alta da terapia  de aceitação irrestrita do elogio.

Vou rever o filme e fica aqui mais uma promessa de novo texto. O curioso é que o post estava ali zerado, sem nenhum comentário há muito tempo, no rol daqueles  suspeitos de interessar a ninguém . E com a polêmica sobre Verger, fiquei em dúvida se estava certo. Cheguei a pedir a Maria para para ela conseguir uma cópia do documentário. Está na mão dela há um tempão e já fui informado disso. Vou alimentar os meninos bem alimentados qualquer hora dessa e partir para uma visita a Maria em busca da cópia.

Aqui entra o  filme de Nicholson e o TOC aplicado aos comentários. Como gosto que respondam os meus mas fico dias, meses sem responder os alheios, resolvi tomar a decisão de responder a todos, como no combinado de só pisar nas pedras pretas.

O problema é quando fica um sem responder, como foi o caso do elogio. O resto não sai. E ainda tem o agravante de que certos comentários dispensam respostas, eles se encerra ali mesmo, mas como o combinado é só pisar nas pretas…

Termino este breve relato do que deveria fazer com a promessa de ano novo – sim o ano começa nesta segunda-feira – de responder a todos os comentários.

Conseguirei caso não haja recidiva de TOC e não apareça outro assunto bom de se incutir.

P.S. O título seria haletos de prata. Mas achei pouco.

João Amaro, quarta de cinzas

27/02/2009

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Não sei o motivo, só sei que cometi um ato falho fotográfico. Nãoregistrei a fachada da Igreja. Mas ela está lá no projeto Iaçu Cultural, em foto de Deborah Dias (?). Veja:

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Morreu ela ou morri eu?

21/02/2009

Acabo de chegar da rua, são quase quatro da manhã deste sábado e a cabeça ainda meio zunindo. Resisto em falar mal do Carnaval, hábito dos que morreram para a festa. Mas ao contrário do que diz a canção, a folia que na quarta-feira também morria hoje  é natimorta. 

Meninos, não vi, não vi um, sequer um casal se agarrando. Tirando o corredor iluminado onde é obrigatória a alegria, nas ruas transversais e na saídas dos blocos, vi os olhos compridos e cansados de centenas de trapos humanos pelas calçadas, esperando a vez de se transformar em gradil e sair puxando e empurrando  cordas, ou meninos e velhos catando lata, ou famílias inteiras vendendo de um tudo.  

Pats e mauricinhos (ainda é essa a denominação?) passam elas com seus shorts colados, coxas grossas, sapatos plataforma e eles de camisetas com músculos á mostra, parecidos todos ex-BBBs,  em direção aos camarotes. Mas nas caras levam uma certa tristeza ou apreensão.

Nos camarotes, privado e público, comida e bebida à vontade, mas aquele clima de festa social, de exibição,  poderia ser em qualquer época, qualquer festa, qualquer lugar. Fiz uma pesquisa para o jornal da escola dos meninos e fui encontrar a origem da festa nas farras dionisíacas, nos bacanais romanos,  tudo a ver com a esbórnia, nada do que eu vi hoje.

Vi muita, muita gente trabalhando, como eu, para tirar um troco, na estrutura da festa. São milhares de barnabés do Estado e da prefeitura, o bloco dos crachás, também muito do sem graça.

Se você viu o Carnaval pela televisão, não vale discordar de mim. Aquilo  é acionado automaticamente no momento em que as pessoas se veem diante da câmera. Apagou a câmera, fogo apaga  junto.

Pra não dizer que não vi nada de bom, felizmente fui escalado para acompanhar música de qualidade e o que vi você pode conferir aqui. Nos mais de 500 metros de território livre de cordas e com boa música, a guitarra baiana e o samba do Recôncavo reuniram um colorido raro, diversificado, de gente. Mas era como se fosse um show comum, bacana mas comum. Pra Carnaval se espera mais.

E também pra não dizer que não considerei nada, lembro de pelo menos umas 20 pessoas se divertindo a valer, a moda de Vadinho, de Dona Flor.

Dois travestis, que se acabavam em cima de salto 15, short a exibir a popa da bunda e a dividir a rola, um grupo de gringos pra lá de bagdá, interagindo na base dos abraços e sorrisos e brincadeiras de duplo sentido com um grupo que carregava  bastões de ar vermelhos com a marca do Bradesco,  um outro travestido macho que requebrava sem parar e um grupo de adolescentes beleza pura, quebrando pra valer numa autêntica roda de samba. Mais, não vi.

Morri eu?

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Álbum de famílias

11/02/2009

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atgaaad8uuv6znluvetmhmgotkjyyv_bqonzr9x_nv7nx_nkzqth62i6qd0zfsij3n9e2pyuwjldxqbrftnwgr1parv2ajtu9vc3w-wsxu58s4y0wn1bnbqu2gng8a1Marilene, miss Iaçu.atgaaadehvmgfttxq8vbhfikvnrxofkcqa6sa9x8cutyi0esscw0rkpz1-c_6dxfkgkbzjofj-0bo5uwavpd0bsckvqiajtu9van-hbjtztfp8s5qvxovd38t_lfzq1123 de dezembro de 1983. O acidente que gerou a não ponte:  mais aqui.

A bióloga Deborah Dias, professora de ciências e artes do ensino fundamental em Iaçu,  está envolvendo a cidade num trabalho  de memória coletivo. E usa apenas como ferramenta um perfil no Orkut. Enquanto  tenta viabilizar o projeto de um livro sobre a  história da cidade,   recolhe e publica imagens de álbuns particulares. O resultado impressiona.

Deborah já reuniu  461  fotos  e  623 “amigos” no perfil Iaçu Cultural. O mais interessante é que quase todas as imagens  provocam comentários, seja pela emoção de rever e se rever num outro tempo, pela alegria do reencontro com velhos amigos ou simplesmente para se divertir. É como se todo mundo fosse junto para a praça da cidade compartilhar a memória.

 A maioria das fotos ainda está sem data, sem crédito e sem a identificação integral dos personagens. Mas no ritmo que a coisa vai, não demora muito para que estas informações apareçam.

O mar quando quebra na praia

23/07/2008

Para ouvir também o barulhinho das ondas e do vento clique na foto

Águas Claras, Mata Escura,  Mata dos Oitis, Barra, Boca da Mata, Rio Vermelho, Boca do Rio. Nomes de bairros de Salvador inspirados na natureza, como o Costa Azul, na margem esquerda até a foz do Rio Camurugipe (foto).
Mas como nos avisou o velho Heráclito e os cabelos já brancos de Nelson Motta, tudo muda o tempo todo no mundo, como uma onda no mar, como o rio que corre para o mar.
A costa tem hoje um azul tingido de marrom e o Camurugipe já não é mais nem rio. Basta uma chuvinha para o lixo avançar pelo canal, descer às toneladas para o mar e ficar mais visível na praia, numa manifestação  intensa e  malcheirosa  do que acontece cotidianamente de forma mais imperceptível.
Resta apenas o otimismo do meu seis anos André ao ver outro dia um garoto catando lixo, como na foto acima.
– Ele tá reciclando, né pai?

Por Zeus! Por Júpiter! Por Nhanderuvuçu!

15/07/2008

500 AC. Paternon, Atenas.

490 AC. Templo de Saturno, Roma.

2008 DC. Portal de Iaçu.

 

 

 

Atualizado em 19/07/2007

Disseram que eu fui sutil demais. Serei  explícito então: bizarro este portal!

 

E este licuri bem que podia se chamar Blog de Iaçu. Os posts mais lidos falam da cidade, as fotos das pontes são as mais acessadas. Por isso, o coco pequeno se alia aos que querem ver a ponte Severino Vieira novinha em folha como este negócio bizarro daí de cima. Você pode notar na segunda foto que o  motorista nem suspeita do risco que corre seu valioso automóvel. Clique na primeira foto para ver o emocionante momento em que  sobrevivemos à travessia e na segunda para ver a situação da parte de baixo da ponte. Veja mais informações no tópico A ponte cai-não-cai do fórum desta comunidade de Iaçu no orkut.

 

A ponte é de 1904. Clique para ver o vídeo da travessia

Rachaduras num dos pilares. Clique para ver mais.

As pontes para Iaçu

14/05/2008

 

Desde 1993, quando conheci Soraya, vou a Iaçu pelo menos duas vezes por ano. Lá encontrei um pouco de minha infância, conheço  suas ruas e suas margens do Paraguaçu.

***** 

A foto que ilustra (já ilustrou) este Licuri é desta segunda não-ponte vista aí de cima pelo googlemap. Posts  1, 2, 3 , 4 que citam a cidade atraem muitas das visitas ao blog resultantes  de busca no google. O curioso é que ao digitar Iaçu Bahia no googlemap você vai parar em um ponto distante, a sudoeste, entre as cidades de Camacã e Itororó. 

 

(Comentários no post original)

 

Quase todos os dias leio o seu Blog !! conteúdos bastantes interessante, mais interessante quando você coloca fotos e mensagens de minha cidade Iaçu … Conheço seu Rubens e alguns netos dele. O Flávio principalmente, pois quando ele comandou a companhia dos portos na cidada de Juazeiro da Bahia. Por várias vezes fui almoçar na residência da capitania com ele, João, Erotildes e deliciar o tempero e a Maniçoba que Conceição prepara com muito sabor. O João ainda continua aqui estudando na Uneb no curso de direito, sempre encontro ele, mas com mais frequencia em Iaçu … Moro em Petrolina, vizinha a Juazeiro. Grande abraço. Luciano Araujo Costa –  24 de Outubro de  2007 – luciannocosta@bol.com.br

 

Tenho interesse em informações sobre IAÇU. Acho que minha mãe nasceu nesta cidade (de onde saiu com 9 anos), e ainda não voltou lá. TenhoEla me fala que nasceu em Sítio Novo Paraguaçu, uma Cidade as margens do Rio Paraguaçu há 80 anos atrás. Será que é esta Iaçu?Por favor me manda alguma informação ou fonte de consulta sobre esta cidade. Elias – 25 de Dezembro de, 2007

 

Assim como Luciano estou adorando futucar esse blog. Interessante demais!!! Tu consegue captar uma energia de Iaçu que nós aqui muitas vezes não conseguimos. Parabéns!!!!! Deborah  – 4 de abril de  2008

 

Sou filho da cidade maravilhosa Iaçu, sempre morei nessa cidade faço tudo que for para tornar essa terra conhecida. Trabalho na rádio comunitária da cidade e estou a disposição para informações sobre minha amada Iaçu…Ronaldo Ramos –  29 de abril de 2008