Posts Tagged ‘Cinema’

Cadeira

27/03/2014

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Calção, camiseta, havaianas. Fui até o cinema da UFBA buscar Luísa no estacionamento mas por conta de um desencontro acabei na antessala do cinema. Com a roupa que costumava assistir aula ali do outro lado do vale. O dobro da idade e quase o dobro do peso não pesaram e eu não me senti deslocado com esta roupa inadequada, como não me sentia na época de estudante. No cinema acontecia um debate depois da projeção do filme Iara e da sala saiu um candidato a reitor, meu contemporâneo. Estou velho, um contemporâneo pode ser reitor. Mas eu ali de calção e havaianas me sentia um aluno convidado, me sentia bem, de bem com a atmosfera. A universidade está um pouco mais miscigenada mas continua predominantemente branca. Encontrei André Santana, encontrei o artista gráfico Marcos Costa, eu me senti em casa apesar dos muitos anos depois. Agora Luísa tem aula ali. Fui um cara privilegiado, tive aula no primário numa escola pública, num curso técnico público, e numa universidade pública. Foi bom ver a universidade viva, com alma, com viço e ainda acolhedora. Como esta cadeira da antessala do cinema.

¡Viva Argentina!

25/05/2009

Joguei Argentina na pesquisa aí do lado superior direito desta página e encontrei a última data em que fui ao cinema ver um filme adulto: 24 de julho do ano passado, uma história sobre a Argentina, Café de los Maestros. E eis que encontro novamente a Argentina no meu caminho hoje em A Janela, de Carlos Sorín, numa grata surpresa. Que filme belo,  me pegou de jeito em tudo o que me interessa nestes dias. O coração claudicante, o passado, a velhice, o pai, o rural em contraste com o urbano, o tempo.

O cara diz muito com apenas uma casa, oito atores, uns seis pontas e algumas mais umas poucas tomadas externas, num tempo que não alcança as 24 horas. Após o filme, um giro na internet decifra o sentimento de que eu estava diante de um conto, onde vale, e muito, os detalhes. O autor se inspirou em Tchecov.

De quebra conheci o novo cine Glauber Rocha, fiquei extasiado. Tudo do melhor, bom gosto na arquitetura, no visual, na decoração. Não perde nada para as melhores salas do pais. Qualidade da projeção impecável, tecnologia que enche os olhos.

Mas na platéia apenas 7 pessoas além de mim e Soraya. Tá certo, hoje é segunda, mas dá dó ver poltronas vazia, cena cada vez mais comum nesta cidade. E a questão não é o preço do ingresso.

Fomos  assistir eu Soraya e Luísa à estréia de A Gaviota, coincidentemente de Tchecov, com o Grupo Piolin, um dos melhores do Brasil, no Centro Cultural da Caixa, ali pertinho, no ano passado. Saltei do ônibus na entrada da Lapa e percorri uma verdadeira festa de largo de barracas, bebidas, churrasco de gato, mesas na calçada até chegar à Piedade. A galera se divertia e gastava. Mas no pequeno teatro de arena o público não era nem a metade da capacidade. Detalhe, o preço do ingresso era um kg de alimento, ou seja, algo em torno de R$ 2 ou 3.

Também assisti recentemente a um concerto de Antônio Menezes, um dos melhores violoncelistas do mundo, com ingressos a preços populares, nas quintas sinfônicas, os convites sobrando na entrada,  e a sala do TCA com público que não ocupava nem a metade da parte de baixo.

Portanto, os motivos da ausência de público nas salas de cinema, de teatro e de concertos  vão bem mais além do preço do ingresso. Pelo visto, gente como eu, que vou ao cinema uma vez por ano, está cada dia mais comum nesta cidade.

P.S: a efusividade do título deste post vale para  os territórios Argentino e Brasileiro  menos, menos mesmo,  para os estádios de futebol e transmissões futebolísticas.

Um minutinho só

18/04/2009


Filme de Maurício Lídio Bezerra, estudante de comunicação da Ufba,  vencedor da categoria celular, do Grande Prêmio **** do Cinema Brasileiro. Os asteriscos são o nome de uma operadora de extorsões, como absolutamente todas as que operam enfiando a faca e prestam serviços porcos neste Brasil varonil.  Mas o filme é bacana. Em um minuto o cara construiu uma bela(?) história.

P.S: leia mais sobre Maurício e sobre a premiação no blog Cultura Digtal Bahia.

Nunca aos domingos

02/03/2008

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Em dúvida se manteria ou não a periodicidade diária deste pequeno coco, lembrei este título de um filme famoso. E claro que o kinófilo analfabeto aqui  nunca assistiu. Como quase todo jornalista, que sabe nada sobre  tudo, encontro a salvação no oráculo g.
E foi lá que descobri esta bela imagem  aí em cima e a oportunidade de ler um texto muito bom sobre o filme.

confira aqui:

http://www.omelete.com.br/cine/100001307/Nunca_aos_domingos.aspx

Cinema Africano

12/05/2007

Entrei na sala Alexandre Robatto ontem e só havia uns gatos pingados. O filme, só pelas imagens, só pela ambientação, já merecia uma sala cheia. Uma aula transversal de cultura africana. Pra variar, senti culpa. Se eu trabalho como divulgador desta porra de espaço, sala vazia me diz respeito. Será que o release foi muito em cima da hora? Pode ser. Mas antes de me jogar do subsolo da biblioteca central, veio uma lembrança salvadora. A programação está ciculando na agenda cultural da Fundação Culural desde o início do mês. Se houvesse maior interesse haveria mais destaque. Enfim a culpa é de todos e não é de ninguém.
Vamos então à solução.
E ela veio na minha insônia de ontem. Resolvi mais uma vez partir para o marketing viral, que deu muito certo no espetáculo da Picolino no TCA.
Peguei a foto do primeiro filme e transformei num e-mail com link para os 3 principais endereços relacionados aos filmes e à programação. Criei três e-mails cinemafricano@ no gmail, no Yahoo e no hotmail e joguei no mundo.
Agora é esperar o resultado.

links relacionados:

Dimas , Cinefrance, cineinsite

Foto

Almodovar é um Chico Buarque de saias.

25/04/2007

Fernandinha e Fátima quase foram aos tapas no subsolo da Biblioteca Central dos Barris para decidir quem faria o release sobre o filme de Almodóvar que entra em cartaz nesta sexta na sala Walter da Silveira. Isto que é trabalhar com uma equipe motivada.
_Eu amo Almodóvar, disse a jovem estagiária.
_Eu também amo Almodóvar, retrucou no mesmo quilo e um tom acima a experiente jornalista. Ambas garantem ter visto tudo do cara. Tive que fazer uma escolha de Sofia, à moda salomônica, primeiro porque não perderia esta oportunidade de um trocadilho com o nome de nossa chefe dos três, segundo porque gosto de evitar tapas e unhas na ambiente de trabalho. Venceu a experiência de Fátima mas eu tive que dar como consolo para a juventude de Fernandinha o prêmio de fazer os textos do site.
Mas como eu cheguei à conclusão de que Almodóvar é um Chico Buarque de saias?Almodóvar é o cara mais viado que conheço. Ao ouvir esta minha afirmação peremptória, ignorante e machista, Fátima retrucou. _ E o cineasta que mais entende a mulher, ele é a própria alma feminina. Concordei e tive que recuar. Daí então a associação obvia com Chico. Também adoro os dois. E também já vi quase tudo de Almodóvar. Não vi “O que fiz para merecer isto”. Veremos.
crédito da figura