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Cadeira

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Calção, camiseta, havaianas. Fui até o cinema da UFBA buscar Luísa no estacionamento mas por conta de um desencontro acabei na antessala do cinema. Com a roupa que costumava assistir aula ali do outro lado do vale. O dobro da idade e quase o dobro do peso não pesaram e eu não me senti deslocado com esta roupa inadequada, como não me sentia na época de estudante. No cinema acontecia um debate depois da projeção do filme Iara e da sala saiu um candidato a reitor, meu contemporâneo. Estou velho, um contemporâneo pode ser reitor. Mas eu ali de calção e havaianas me sentia um aluno convidado, me sentia bem, de bem com a atmosfera. A universidade está um pouco mais miscigenada mas continua predominantemente branca. Encontrei André Santana, encontrei o artista gráfico Marcos Costa, eu me senti em casa apesar dos muitos anos depois. Agora Luísa tem aula ali. Fui um cara privilegiado, tive aula no primário numa escola pública, num curso técnico público, e numa universidade pública. Foi bom ver a universidade viva, com alma, com viço e ainda acolhedora. Como esta cadeira da antessala do cinema.

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¡Viva Argentina!

Joguei Argentina na pesquisa aí do lado superior direito desta página e encontrei a última data em que fui ao cinema ver um filme adulto: 24 de julho do ano passado, uma história sobre a Argentina, Café de los Maestros. E eis que encontro novamente a Argentina no meu caminho hoje em A Janela, de Carlos Sorín, numa grata surpresa. Que filme belo,  me pegou de jeito em tudo o que me interessa nestes dias. O coração claudicante, o passado, a velhice, o pai, o rural em contraste com o urbano, o tempo.

O cara diz muito com apenas uma casa, oito atores, uns seis pontas e algumas mais umas poucas tomadas externas, num tempo que não alcança as 24 horas. Após o filme, um giro na internet decifra o sentimento de que eu estava diante de um conto, onde vale, e muito, os detalhes. O autor se inspirou em Tchecov.

De quebra conheci o novo cine Glauber Rocha, fiquei extasiado. Tudo do melhor, bom gosto na arquitetura, no visual, na decoração. Não perde nada para as melhores salas do pais. Qualidade da projeção impecável, tecnologia que enche os olhos.

Mas na platéia apenas 7 pessoas além de mim e Soraya. Tá certo, hoje é segunda, mas dá dó ver poltronas vazia, cena cada vez mais comum nesta cidade. E a questão não é o preço do ingresso.

Fomos  assistir eu Soraya e Luísa à estréia de A Gaviota, coincidentemente de Tchecov, com o Grupo Piolin, um dos melhores do Brasil, no Centro Cultural da Caixa, ali pertinho, no ano passado. Saltei do ônibus na entrada da Lapa e percorri uma verdadeira festa de largo de barracas, bebidas, churrasco de gato, mesas na calçada até chegar à Piedade. A galera se divertia e gastava. Mas no pequeno teatro de arena o público não era nem a metade da capacidade. Detalhe, o preço do ingresso era um kg de alimento, ou seja, algo em torno de R$ 2 ou 3.

Também assisti recentemente a um concerto de Antônio Menezes, um dos melhores violoncelistas do mundo, com ingressos a preços populares, nas quintas sinfônicas, os convites sobrando na entrada,  e a sala do TCA com público que não ocupava nem a metade da parte de baixo.

Portanto, os motivos da ausência de público nas salas de cinema, de teatro e de concertos  vão bem mais além do preço do ingresso. Pelo visto, gente como eu, que vou ao cinema uma vez por ano, está cada dia mais comum nesta cidade.

P.S: a efusividade do título deste post vale para  os territórios Argentino e Brasileiro  menos, menos mesmo,  para os estádios de futebol e transmissões futebolísticas.

Um minutinho só


Filme de Maurício Lídio Bezerra, estudante de comunicação da Ufba,  vencedor da categoria celular, do Grande Prêmio **** do Cinema Brasileiro. Os asteriscos são o nome de uma operadora de extorsões, como absolutamente todas as que operam enfiando a faca e prestam serviços porcos neste Brasil varonil.  Mas o filme é bacana. Em um minuto o cara construiu uma bela(?) história.

P.S: leia mais sobre Maurício e sobre a premiação no blog Cultura Digtal Bahia.