Arquivo da tag: Cortazar

96

Ómnibus  (Bestiario, em português)

Ler depressa, comer depressa, trepar depressa, viver depressa, nunca deu certo. E ao ler depressa este conto, perdi detalhe crucial, um dos fundamentais para viajar melhor neste ônibus tão estranho e tão igual aos que nos acostumamos a pegar em qualquer cidade, a qualquer tempo.

Se você pretende ler o conto, pare por aqui. E aproveita para ler ouvindo o texto original neste vídeo. Bom demais para o ritmo e o entendimento.

Se quiser saber sobre minha desatenção, não notei um detalhe: todos, todos os passageiros  carregavam flores. Só soube disso ao ler sobre o conto e ao reler com atenção. Tá lá dito com todas as letras, embora aos poucos, e neste trecho, explicitamente: “Es natural que los pasajeros miren al que recién asciende, está bien que la gente lleve ramos si va a Chacarita, y está casi bien que todos en el ómnibus tengan ramos.” 

Mas o que você tem a ver com minha pressa, o meu esquecimento, o que eu li?

Confesso que acho estupidez correr pra cá e escrever sobre cada um dos contos lidos.

Mas encaro como uma retribuição por  informações que me foram úteis ao me interessar por eles. É uma forma nova de ler, de compartilhar, de reunir e disponibilizar o que ajudou no entendimento. 

 

 

Falar em versão,  é impressionante a quantidade de releituras em vídeos do conto. Basta buscar por  “ómnibus cortázar” no youtube. Se fosse fazer um vídeo com releitura, trocaria as flores por smartphones.

Faltam 96: https://licuri.wordpress.com/2014/08/17/99-contos-argentinos-para-ler-antes-de-morrer/

Anúncios

97

3. Lejana (Bestiario, em português)

Lara/Diana, o duplo e o tal repertório.
Ler é prazer. E mais prazer depende de repertório? Se um texto se apresenta em camadas, são várias portas, avançar depende de sensibilidade e entendimento?

Em Lejana, ao contrário do dois anteriores, dependi de algumas chaves para ir um pouco mais além. Antes de ler, me avisaram que o assunto,  o tema central, é o duplo.

Já disseram também  que sensibilidade é informação concentrada. Desta maneira seria melhor  tocado pelo texto quem tivesse lido O Médico e o Monstro, de Stevenson; O Lobo da Estepe, de Hesse; O Monge Negro, de Tchekhov.

Mas minha principal referência de duplo é Irmãos Coragem, de Janete Clair.  Acompanhei as fantásticas mudanças de personalidade de Lara/Diana pela televizinha,  nos meus 11 anos de idade. Foi suficiente? Quem sabe?

O interessante é que estas referências são “descobertas” depois pelos leitores e críticos. Veja, nesta  entrevista, o que diz o próprio Cortázar:

-¿Por dónde empezamos?; ¿por el tema del doble? -aparece ya en un cuento tan temprano como “Lejana”, de Bestiario; la volvemos a encontrar en “Los pasos en las huellas”, deOctaedro.

-Sí, hay en mí una especie de obsesión del doble

¿Viene de la lectura temprana de Doctor Jekyll and Mister Hyde, de Stevenson, de “William Wilson”, de Edgar Allan Poe, o toda la literatura alemana que está habitada por el tema del doble?

No creo que se trate de una influencia literaria. Cuando yo escribí ese cuento que usted cita, “Lejana”, entre 1947 y 1950, estoy absolutamente seguro -y en ese sentido tengo buena memoria- esa noción de doble no era, en absoluto, una contaminación literaria. Era una vivencia.

El tema del doble aparece ya con toda su fuerza en ese cuento. Usted recordará que se trata de una “pituca” de Buenos Aires que por momentos tiene como una especie de visión de que ella no solamente está en Buenos Aires sino también en otro país muy lejano donde es todo lo contrario: una mujer pobre, una mendiga. Poco a poco se va trazando la idea de quién puede ser esa mujer y finalmente va a buscarla, la encuentra en un puente y se abrazan. Y es ahí que se produce el cambio en el interior del doble y la mendiga se va en el maravilloso cuerpo cubierto de pieles, mientras la “pituca” se queda en el puente como una mendiga harapienta.

Futuquei por aqui: http://clescudero.blogspot.com.br/2007/12/anlisis-de-lejana.html

Faltam 97: https://licuri.wordpress.com/2014/08/17/99-contos-argentinos-para-ler-antes-de-morrer/

 

 

 

 

 

 

 

 

Retardado, eu?

Cortázar não se compara a Borges, fazer isso seria como  colocar na mesma galáxia É O Tcham e Pixiguinha, informa ldeIber Avelar.

Confesso que estava todo pimpão por entender no original e gostar de um cara reconhecido, até onde iam meus conhecimentos ontem, como dos melhores da literatura. Mas veio esta informação nova: Cortázar não é um grande escritor.

Estou pouco me lixando, também não sou um grande leitor. Acabou ficando melhor, pelo menos o motivo de gostar será apenas a  obra e não a a fama entre doutores.

Ainda bem que sou cronópio.

Das minhas frustrações nesta vida está a de não ter tido acesso a muitos dos dos clássicos da literatura. Queria poder ter lido no original e, de quebra, ainda tocar um instrumento. Fica pra outra vida. Nessa, me viro com o pouco que posso e meu TDAH deixa. E de vez em quando tento ouvir uma musiquinha.

No mais, sigo com pouca memória e pouca cultura, mas contemplado pelo google. Em poucos cliques em alguns dias tive acesso  a uma obra de um cara que continuo achando fantástico e a chaves a entendimentos que me tornam um pouco menos ignorante. Ou pelo menos me sentindo.

Mas com licença. A vida é curta e a lista de contos argentinos me espera. Borges tá na fila.