Posts Tagged ‘Cortazar’

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21/08/2014

Ómnibus  (Bestiario, em português)

Ler depressa, comer depressa, trepar depressa, viver depressa, nunca deu certo. E ao ler depressa este conto, perdi detalhe crucial, um dos fundamentais para viajar melhor neste ônibus tão estranho e tão igual aos que nos acostumamos a pegar em qualquer cidade, a qualquer tempo.

Se você pretende ler o conto, pare por aqui. E aproveita para ler ouvindo o texto original neste vídeo. Bom demais para o ritmo e o entendimento.

Se quiser saber sobre minha desatenção, não notei um detalhe: todos, todos os passageiros  carregavam flores. Só soube disso ao ler sobre o conto e ao reler com atenção. Tá lá dito com todas as letras, embora aos poucos, e neste trecho, explicitamente: “Es natural que los pasajeros miren al que recién asciende, está bien que la gente lleve ramos si va a Chacarita, y está casi bien que todos en el ómnibus tengan ramos.” 

Mas o que você tem a ver com minha pressa, o meu esquecimento, o que eu li?

Confesso que acho estupidez correr pra cá e escrever sobre cada um dos contos lidos.

Mas encaro como uma retribuição por  informações que me foram úteis ao me interessar por eles. É uma forma nova de ler, de compartilhar, de reunir e disponibilizar o que ajudou no entendimento. 

 

 

Falar em versão,  é impressionante a quantidade de releituras em vídeos do conto. Basta buscar por  “ómnibus cortázar” no youtube. Se fosse fazer um vídeo com releitura, trocaria as flores por smartphones.

Faltam 96: https://licuri.wordpress.com/2014/08/17/99-contos-argentinos-para-ler-antes-de-morrer/

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20/08/2014

3. Lejana (Bestiario, em português)

Lara/Diana, o duplo e o tal repertório.
Ler é prazer. E mais prazer depende de repertório? Se um texto se apresenta em camadas, são várias portas, avançar depende de sensibilidade e entendimento?

Em Lejana, ao contrário do dois anteriores, dependi de algumas chaves para ir um pouco mais além. Antes de ler, me avisaram que o assunto,  o tema central, é o duplo.

Já disseram também  que sensibilidade é informação concentrada. Desta maneira seria melhor  tocado pelo texto quem tivesse lido O Médico e o Monstro, de Stevenson; O Lobo da Estepe, de Hesse; O Monge Negro, de Tchekhov.

Mas minha principal referência de duplo é Irmãos Coragem, de Janete Clair.  Acompanhei as fantásticas mudanças de personalidade de Lara/Diana pela televizinha,  nos meus 11 anos de idade. Foi suficiente? Quem sabe?

O interessante é que estas referências são “descobertas” depois pelos leitores e críticos. Veja, nesta  entrevista, o que diz o próprio Cortázar:

-¿Por dónde empezamos?; ¿por el tema del doble? -aparece ya en un cuento tan temprano como “Lejana”, de Bestiario; la volvemos a encontrar en “Los pasos en las huellas”, deOctaedro.

-Sí, hay en mí una especie de obsesión del doble

¿Viene de la lectura temprana de Doctor Jekyll and Mister Hyde, de Stevenson, de “William Wilson”, de Edgar Allan Poe, o toda la literatura alemana que está habitada por el tema del doble?

No creo que se trate de una influencia literaria. Cuando yo escribí ese cuento que usted cita, “Lejana”, entre 1947 y 1950, estoy absolutamente seguro -y en ese sentido tengo buena memoria- esa noción de doble no era, en absoluto, una contaminación literaria. Era una vivencia.

El tema del doble aparece ya con toda su fuerza en ese cuento. Usted recordará que se trata de una “pituca” de Buenos Aires que por momentos tiene como una especie de visión de que ella no solamente está en Buenos Aires sino también en otro país muy lejano donde es todo lo contrario: una mujer pobre, una mendiga. Poco a poco se va trazando la idea de quién puede ser esa mujer y finalmente va a buscarla, la encuentra en un puente y se abrazan. Y es ahí que se produce el cambio en el interior del doble y la mendiga se va en el maravilloso cuerpo cubierto de pieles, mientras la “pituca” se queda en el puente como una mendiga harapienta.

Futuquei por aqui: http://clescudero.blogspot.com.br/2007/12/anlisis-de-lejana.html

Faltam 97: https://licuri.wordpress.com/2014/08/17/99-contos-argentinos-para-ler-antes-de-morrer/

 

 

 

 

 

 

 

 

Retardado, eu?

18/08/2014

Cortázar não se compara a Borges, fazer isso seria como  colocar na mesma galáxia É O Tcham e Pixiguinha, informa ldeIber Avelar.

Confesso que estava todo pimpão por entender no original e gostar de um cara reconhecido, até onde iam meus conhecimentos ontem, como dos melhores da literatura. Mas veio esta informação nova: Cortázar não é um grande escritor.

Estou pouco me lixando, também não sou um grande leitor. Acabou ficando melhor, pelo menos o motivo de gostar será apenas a  obra e não a a fama entre doutores.

Ainda bem que sou cronópio.

Das minhas frustrações nesta vida está a de não ter tido acesso a muitos dos dos clássicos da literatura. Queria poder ter lido no original e, de quebra, ainda tocar um instrumento. Fica pra outra vida. Nessa, me viro com o pouco que posso e meu TDAH deixa. E de vez em quando tento ouvir uma musiquinha.

No mais, sigo com pouca memória e pouca cultura, mas contemplado pelo google. Em poucos cliques em alguns dias tive acesso  a uma obra de um cara que continuo achando fantástico e a chaves a entendimentos que me tornam um pouco menos ignorante. Ou pelo menos me sentindo.

Mas com licença. A vida é curta e a lista de contos argentinos me espera. Borges tá na fila.

 

 

 

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17/08/2014

2. Carta a una señorita en París (Português)

Bagunça, desorganização, insônia. Eu me vejo vomitando pequenos coelhos a vida inteira. E o conto trouxe à memória o dia trágico quando abri desconcertado a porta do apartamento que eu ocupava há quase um mês diante do dono que chegava de volta de um giro pela Europa. Atrás de mim, tudo  em frangalhos, como se 500 coelhos tivessem passado por ali.

Mas a história vai por muitos outros caminhos. Li pelo viés do humor. Mas nesta releitura em vídeo do conto, angustiante, uma das versões para o final que não me havia ocorrido na primeira leitura:

E aqui, um vídeo com a leitura do texto no original. Ouvi ao mesmo tempo em que lia a tradução e serviu para esclarecer algumas palavras não entendidas.

 

Faltam 98: https://licuri.wordpress.com/2014/08/17/99-contos-argentinos-para-ler-antes-de-morrer/

99 contos argentinos para ler antes de morrer

17/08/2014

CasaCortazar                 Casa na Rua das Pitangueiras, em Brotas, Salvador.

Casa Tomada, o primeiro da lista, via Saymon Nascimento, publicada neste site. Li o conto ontem durante uma assembleia de condomínio, local onde se fala  muito e se ocupa pouco a mente. O essencial entendi, mas reli traduzido e aí  incuti. Para quem viaja em casas antigas, o conto bate na veia. Depois fui ao google e vi que são muitos os vídeos, os estudos, as análises, enfim, muito se falou sobre Casa Tomada mas nada chegou perto do meu prazer em ler a história, seus detalhes, suas sutilezas. O texto me pegou logo na abertura:

“Gostávamos da casa porque, além de ser espaçosa e antiga (as casas antigas de hoje sucumbem às mais vantajosas liquidações dos seus materiais), guardava as lembranças de nossos bisavós, do avô paterno, de nossos pais e de toda a nossa infância.(…)

E em afirmações como como essa:

(…) Estávamos muito bem, e pouco a pouco começamos a não pensar. Pode-se viver sem pensar.(…)

Pouco do que li sobre o conto bateu com o que senti. Talves esteja aí o fantástico da literatura. E a intensidade com que um texto nos  impressiona  tem tudo a ver com o momento que se vive. Neste meu momento, o texto disse muito.

No encutimento, futuca daqui e dali, encontrei esta entrevista com Cortazar, feita em 1977 por um jornalista espanhol. Em 2 horas, fala da infância, do pai, da mãe, dos seus livros, de literatura, de política, enfim, um belíssimo documento.

 

Vamos então aos 99, transcritos deste post anterior:

100 Contos de Borges e Cortázar

Cuentos de Julio Cortázar

Bestiario (1951)

1. Casa tomada (Aqui em português)

***************************
2. Carta a una señorita en París
3. Lejana
4. Ómnibus
5. Cefalea
6. Circe
7. Las puertas del cielo
8. Bestiario

Final del juego (1956)

9. Continuidad de los parques
10. No se culpe a nadie
11. El río
12. Los venenos
13. La puerta condenada
14. Las ménades
15. El ídolo de las Cícladas
16. Una  flor amarilla
17. Sobremesa
18. La banda
19. Los amigos
20. El móvil
21. Torito
22. Relato con un fondo de agua
23. Después del almuerzo
24. Axolotl
25. La noche boca arriba
26. Final del juego

Las armas secretas (1959)

27. Cartas de mamá
28. Los buenos servicios
29. Las babas del diablo
30. El perseguidor
31. Las armas secretas

Todos los fuegos el fuego (1966)

32. La autopista del sur
33. La salud de los enfermos
34. Reunión
35. La señorita Cora
36. La isla al mediodía
37. Instrucciones para John Howell
38. Todos los fuegos el fuego
39. El otro cielo

Queremos tanto a Glenda (1980)
Cuentos de Jorge Luis Borges
Ficciones (1944)
El Aleph (1949)60. El inmortal
61. El muerto
62. Los teólogos
63. Historia del guerrero y la cautiva
64. Biografía de Tadeo Isidoro Cruz (1829-1874)
65. Emma Zunz
66. La casa de Asterión
67. La otra muerte
68. Deutsches Requiem
69. La busca de Averroes
70. El Zahir
71. La escritura del Dios
72. Abenjacán el Bojarí, muerto en su laberinto
73. Los dos reyes y los dos laberintos
74. La Espera
75. El hombre en el umbral
76. El AlephEl informe de Brodie (1970)77. La intrusa
78. El indigno
79. Historia de Rosendo Juárez
80. El encuentro
81. Juan Muraña
82. La señora mayor
83. El duelo
84. El otro duelo
85. Guayaquil
86. El evangelio según Marcos
87. El informe de BrodieEl libro de arena (1975)88. El otro
89. Ulrica
90. El Congreso
91. There are more things
92. La secta de los treinta
93. La noche de los dones
94. El espejo y la máscara
95. Undr
96. Utopía de un hombre que está cansado
97. El soborno
98. Avelino Arredondo
99. El disco
100. El libro de arena

 

 

Para ler, quem sabe

24/07/2014

Via Saymon Nascimento

do site:

Buenos Aires: Aquí me quedo

http://aquimequedo.com.br/2014/07/16/100-contos-de-borges-e-cortazar-para-ler-online/

 

100 Contos de Borges e Cortázar

 

Cuentos de Julio Cortázar

Bestiario (1951)

1. Casa tomada
2. Carta a una señorita en París
3. Lejana
4. Ómnibus
5. Cefalea
6. Circe
7. Las puertas del cielo
8. Bestiario

Final del juego (1956)

9. Continuidad de los parques
10. No se culpe a nadie
11. El río
12. Los venenos
13. La puerta condenada
14. Las ménades
15. El ídolo de las Cícladas
16. Una  flor amarilla
17. Sobremesa
18. La banda
19. Los amigos
20. El móvil
21. Torito
22. Relato con un fondo de agua
23. Después del almuerzo
24. Axolotl
25. La noche boca arriba
26. Final del juego

Las armas secretas (1959)

27. Cartas de mamá
28. Los buenos servicios
29. Las babas del diablo
30. El perseguidor
31. Las armas secretas

Todos los fuegos el fuego (1966)

32. La autopista del sur
33. La salud de los enfermos
34. Reunión
35. La señorita Cora
36. La isla al mediodía
37. Instrucciones para John Howell
38. Todos los fuegos el fuego
39. El otro cielo

 
Queremos tanto a Glenda (1980)
 
Cuentos de Jorge Luis Borges
 
Ficciones (1944)
 
El Aleph (1949)60. El inmortal
61. El muerto
62. Los teólogos
63. Historia del guerrero y la cautiva
64. Biografía de Tadeo Isidoro Cruz (1829-1874)
65. Emma Zunz
66. La casa de Asterión
67. La otra muerte
68. Deutsches Requiem
69. La busca de Averroes
70. El Zahir
71. La escritura del Dios
72. Abenjacán el Bojarí, muerto en su laberinto
73. Los dos reyes y los dos laberintos
74. La Espera
75. El hombre en el umbral
76. El AlephEl informe de Brodie (1970)77. La intrusa
78. El indigno
79. Historia de Rosendo Juárez
80. El encuentro
81. Juan Muraña
82. La señora mayor
83. El duelo
84. El otro duelo
85. Guayaquil
86. El evangelio según Marcos
87. El informe de BrodieEl libro de arena (1975)88. El otro
89. Ulrica
90. El Congreso
91. There are more things
92. La secta de los treinta
93. La noche de los dones
94. El espejo y la máscara
95. Undr
96. Utopía de un hombre que está cansado
97. El soborno
98. Avelino Arredondo
99. El disco
100. El libro de arena

Como gostaria de ser fama, e como não consigo

04/01/2014

Clímaco Dias escreveu sobre a inveja de quem lê livros à sua escolha. Invejo quem lê livros inteiros.

E não é que hoje terminei um? Do começo ao fim.

Férias favorecem o namoro dos casados e a leitura de livros inteiros.

“Histórias de cronópios e famas”, de Cortázar, deixou Nilson incutido há uns cinco anos. Trabalhávamos juntos e o cara durante dias a fio classificou todos, absolutamente todos, à volta como cronópio, fama ou esperança.

Na semana passada, Luísa veio me mostrar um texto “O jornal e suas metamorfoses” num exemplar que ela havia ganhado de presente. Sequestrei o livro.

Confesso que não entendi umas partes, são muitas referências de um mundo fantástico, mas outras são brincadeiras com palavras, diversão garantida.

O que fica de um livro? Ficam pequenos trechos.

Como esse, do final da história da tia que tinha medo de ficar de costas:
Como gostaria de ser igual a ela, e como não consigo“.

Ou esse sobre uma “secretária” no trato com as as palavras e adjetivos:

Se me vem à boca um adjetivo prescindível porque todos eles nascem fora da órbita de minha secretária -e de certa maneira de mim mesmo-, já está ela de lápis na mão agarrando-o e o matando sem lhe dar tempo de colocar-se ao restante da frase e sobreviver por descuido ou por hábito.

Ou esse sobre a abstração:

…Da mesma maneira, se gosto de uma mulher, posso abstrair-lhe a roupa mal ela entrando no meu campo de visão, e enquanto fala de como está fria a manhã eu fico longos minutos admirando-lhe o umbiguinho.  Às vezes é quase doentia essa facilidade que tenho.

Nunca serei fama nem esperança. Veja  quem é você:

Quando os famas saem em viagem, seus costumes ao pernoitarem numa cidade são os seguintes: um fama vai ao hotel e indaga cautelosamente os preços, a qualidade dos lençóis e a cor dos tapetes. O segundo se dirige à delegacia e lavra uma ata declarando os móveis e imóveis dos três, assim como o inventário do conteúdo de suas malas. O terceiro fama vai ao hospital e copia as listas dos médicos de plantão e suas especializações. […]

Quando os cronópios saem em viagem, encontram os hotéis cheios, os trens já partiram, chove a cântaros e os táxis não querem levá-los ou lhes cobram preços altíssimos. Os cronópios não desanimam porque acreditam piamente que estas coisas acontecem a todo mundo, e na hora de dormir dizem uns aos outros: ‘que bela cidade, que belíssima cidade’. E sonham a noite toda que na cidade há grandes festas e que eles foram convidados. E no dia seguinte levantam contentíssimos, e é assim que os cronópios viajam.

As esperanças, sedentárias, deixam-se viajar pelas coisas e pelos homens, e são como as estátuas, que é preciso vê-las, porque elas não vêm até nós”.