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Calote

Este post não foi escrito para se lido.

Normalmente paro de ler coisas assim, no máximo,  na segunda linha.

Mas como confio no valor terapêutico da exposição, vamos lá então quem continuou a ler:  são oito horas e 53 minutos de uma quarta-feira,  dia em que já estive acordado na madrugada tentando colocar a vida em dia. Em vão.

Devo muito algum tipo de coisa a alguém: ao banco, aos patrões, aos parceiros, aos amigos, à mulher, aos filhos, ao corpo, à alma. Até tento dar calote. Mas o caloteiro competente deve  ser amoral e ainda não evolui a este patamar.

Então descubro o óbvio. Em vez de tentar alterar o resultado, sempre negativo,talvez a saída seja mudar alguns coeficientes da equação ou cláusulas contratuais.

Suspeito que assino contratos o tempo todo com todo mundo sem ler aquelas letrinhas miúdas embutidas e quase invisíveis  no papel ou no subtexto dos acertos verbais.

Devo alguma coisa a você?

https://www.facebook.com/gusmaomarcus/posts/162066990564823

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Vestígios de mim e da senhorita L.

DSC04514 - Cópia

Soraya e os menores em Feira, fiz o que há muitos, muitos anos,  não fazia. Bebi, fumei e ri com velhos colegas de faculdade.  E constatei que, de fato, nos vamos  poniendo viejos.  Quase todos barrigudinhos ou carecas, ou os dois. Mas o bom humor ainda é sobrevivente.

Caminhei até o Farol e vi o que há muito não via. O pôr-do-sol  de um lado e a pré-lua cheia nascente do outro.

Cheguei em casa  no começo da noite  com saudades dos meus. Silêncio. Na porta da geladeira, o recado com  letra adolescente e caprichada, as coordenadas do lugar aonde havia ido e com quem estava, conforme eu havia pedido antes de sair.

Na pia do banheiro uma  necessaire, lápis, pincéis e mais vestígios da passagem do tempo.