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Caim matou Abel

De volta a este coco pequeno nos últimos dias, vejo na estatística do blog que o texto “Cuidado ao postar sobre a sua felicidade. A inveja tem facebook, twitter, alerta no gmail e acesso aos arquivos do google” foi o campeão de visitas nos últimos 12 meses, com 4.215 interessados no assunto.

As principais frases de busca para chegar ao post: a inveja tem facebook (265), cuidado ao postar sua felicidade a inveja tem facebook (93), cuidado a inveja tem facebook (76).

Eis o campeão, publicado em agosto de 2011. https://licuri.wordpress.com/2011/08/19/nao-divulgue-sua-felicidade-a-inveja-tem-facebook/

https://www.facebook.com/gusmaomarcus/posts/10200978778608437

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Inveja

Admiração sempre me pareceu uma definição incompleta. Também não vale a  máscara atenuada pelo complemento boa. Inveja boa não existe. Às vezes, o sentimente vem como  um pouco mais que admiração. Tratei de ir mais fundo. E a sugestão veio de Soraya. Tem que ler.
Fui ao  texto de Renato Mezan, sobre a Inveja, publicado no velho e bom Os Sentidos da Paixão. E aí a leitura acaba trazendo conhecimento, esta praga que diminui nossas certezas.
O cara começa com um conto de Clarice, do livro A Legião Estrangeira, que narra o sentimento de inveja de uma menina ao descobrir um pintinho na casa da vizinha. Ela quer aquele pintinho. Mais. Não serve outro. Mais. Ela quer também tirar o bicho da outra. Mais: “não estivesse eu ali, ela roubava minha pobreza também”, diz a narradora. A inveja quer mais, sempre mais, quer tudo. Quer a nossa alegria.
Mas o melhor do texto até onde eu li é a revelação de que a palavra inveja traz na raiz o verbo ver. E esta raiz está presente também em outras línguas, como o russo, por exemplo em que os verbos ver e invejar têm “vid” na raiz. E inglês e francês têm também o v pelo meio. Do olhar invejoso talvez derive a expressão olho gordo, olho de seca pimenteira. Ou, o que os olhos não veem o coração não sente. Ou seja, o mesmo olhar, fonte também do desejo. Mas aí já é outro livro da mesma série.
Voltando ao Mezan, ele  me assustou com o destino dos invejosos em Dante, em cujo purgatório os invejosos
têm os olhos cosidos com fios de arame.
E ataca de Ovídio:  “A inveja habita no fundo de uma vale onde jamais se vê o sol… Ela ignora o sorriso, salvo aquele que é excitado pela visão da dor”.

Bom, não cheguei nem à metade do texto, mas já encontro uma certa dificuldade em admitir que sou este monstro. Não, definitivamente este tipo de inveja não sinto. Pé de pato, mangalô, três vezes. Sai pra lá olho gordo.

Tudo isso foi para falar que senti inveja da Revista da Metrópole, queria estar ali também. Toquei neste assunto no Blog de Juliana Cunha e o pau quebrou. Não pela minha inveja, mas pela minha defesa de Márcio Meirelles. Fui chamado de puxa-saco. Eu assumi então que sou um puxa-saco nato. Mas que sou um puxa-saco incompetente também, porque puxo o saco errado, da pessoa errada, na hora errada. Este é o meu luxo existencial. Só pedi a moça que me xingava para ela não me confundir com outros puxa-sacos natos, aqueles precisos e cirúrgicos em direção aos sacos certos, nas horas certas. Confira os socos e pontapés no post “Coronel Mostarda e Revista Metrópole”, de 28 de agosto, que até agora rendeu 63 comentários.

Crédito da Ilustração