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Elomar

 

 

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Elomar e Guimarães

Tenho ouvido muito Elomar. Aí prestei mais atenção nos últimos versos da Chula no Terreiro,  no destino do vaqueiro Antenoro. E lembrei de Xangai, num depoimento ao programa Ensaio, na sua comparação da música de  Elomar è escrita de  Guimarães Rosa. E lembrei então do destino de quase todos os  vaqueiros  do conto O Burrinho Pedrês. A mesma tragédia das chuvas sertanejas, tratada por um e por outro.

“E era bem o regolfo da enchente, que tomava conta do plaino, até onde podia alcançar. Os cavalos pisavam, tacteantes. Pata e peito, passo e passo, contra maior altura davam, da correnteza, em que vogava um murmúrio. A inundação. Mil torneiras tinha a Fome, o riacho ralo de ontem, que da manhã à noite muita água ajuntara, subindo e se abrindo ao mais. Crescera, o dia inteiro, enquanto os vaqueiros passavam, levavam os bois, retornavam. E agora os homens e os cavalos nela entravam, outra vez, como cabeças se metendo, uma por uma, na volta de um laço. Eles estavam vindo. O rio ia.” http://ebookbrowse.com/o-burrinho-pedres-doc-d419429514

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Chula no terreiro
Elomar

(…)
E mais cadê aquele vaquêro Antenoro
E mais cadê aquele vaqCum seu burro trechêro e seu gibão de côro
Esse era um cantadô dos bem adeferente
Cantano sem viola alegrava a gente

No ano passado na derradêra inchente
O Gavião danado urrava valente ai sôdade
Chegô intão u’a boiada do Norte
O dono e os vaquêro arriscaro a sorte
O risultado dessa travissia
Foi um sucesso triste, Virge-Ave-Maria
O risultado da bramura foi
Qui o ri levô os vaquêro o dono os burro e os boi ai sôdade

Derna dintão Antenoro sumiu
Dos muito qui aqui passa jura qui já viu
Na Carantonha, na serra incantada
Pelas hora medonha vaga u’a boiada
O trem siguino um vaquêro canôro
A tuada e o rompante jura é de Antenoro

Ah, ah, ah, ah, ê boi
Ê ê boi lá ê boi lá ê boi lá