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Elomar

10/08/2013

 

 

Elomar e Guimarães

14/05/2013

Tenho ouvido muito Elomar. Aí prestei mais atenção nos últimos versos da Chula no Terreiro,  no destino do vaqueiro Antenoro. E lembrei de Xangai, num depoimento ao programa Ensaio, na sua comparação da música de  Elomar è escrita de  Guimarães Rosa. E lembrei então do destino de quase todos os  vaqueiros  do conto O Burrinho Pedrês. A mesma tragédia das chuvas sertanejas, tratada por um e por outro.

“E era bem o regolfo da enchente, que tomava conta do plaino, até onde podia alcançar. Os cavalos pisavam, tacteantes. Pata e peito, passo e passo, contra maior altura davam, da correnteza, em que vogava um murmúrio. A inundação. Mil torneiras tinha a Fome, o riacho ralo de ontem, que da manhã à noite muita água ajuntara, subindo e se abrindo ao mais. Crescera, o dia inteiro, enquanto os vaqueiros passavam, levavam os bois, retornavam. E agora os homens e os cavalos nela entravam, outra vez, como cabeças se metendo, uma por uma, na volta de um laço. Eles estavam vindo. O rio ia.” http://ebookbrowse.com/o-burrinho-pedres-doc-d419429514

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Chula no terreiro
Elomar

(…)
E mais cadê aquele vaquêro Antenoro
E mais cadê aquele vaqCum seu burro trechêro e seu gibão de côro
Esse era um cantadô dos bem adeferente
Cantano sem viola alegrava a gente

No ano passado na derradêra inchente
O Gavião danado urrava valente ai sôdade
Chegô intão u’a boiada do Norte
O dono e os vaquêro arriscaro a sorte
O risultado dessa travissia
Foi um sucesso triste, Virge-Ave-Maria
O risultado da bramura foi
Qui o ri levô os vaquêro o dono os burro e os boi ai sôdade

Derna dintão Antenoro sumiu
Dos muito qui aqui passa jura qui já viu
Na Carantonha, na serra incantada
Pelas hora medonha vaga u’a boiada
O trem siguino um vaquêro canôro
A tuada e o rompante jura é de Antenoro

Ah, ah, ah, ah, ê boi
Ê ê boi lá ê boi lá ê boi lá

Elomar, por ele mesmo.

11/05/2013

Mais Elomar: https://licuri.wordpress.com/tag/elomar/

Tudo primo

22/08/2012

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De parentesco em algum grau com Elomar eu já tirava onda. E ele mesmo já conversou sobre a família com meu pai convalescente de um AVC. E o meu velho se emocionava ao lembrar de cada um dos tios e primos.

Mas descubro hoje também ascendência em comum com Glauber.
Agora fiquei insuportável.
Somos todos descendentes de Plácido da Silva Gusmão, o pai de Tertuliano, cuja uma das filhas era Laudicéia Gusmão, mãe de Quinca de Dodô, pai de Gedeão Gusmão de Oliveira ou Dedé, meu pai.
Aqui está a nossa “árvore genealógica”:

Estou me sentindo como aqueles tetratratratranetos de D.Pedro que se consideram a realeza brasileira.

E ao futucar fotos e história da cidade descubro também que no Planalto de Conquista estão as origens daquele que considero o melhor jornalista em ação hoje no país, Bob Fernandes. E como Gusmão, Fernandes e Oliveira eram tudo misturado, olha eu importante de novo.

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Foto de Glauber criança

Caíro na lapa do mundo

27/04/2012

Sobrou para a donzela, ou não.

19/12/2008

“Venho d’um reino distante, errante e menestrel
Inda esta noite e eu tenho esta donzela”
(O rapto da Senhora do Tarugo – Elomar)

Sobrou para a donzela de A Tarde. Li e reli a matéria de Cláudia Lessa e não vi nada que justificasse o pito do patrício e filho da Tia Maricota do meu pai Gedeão deu na moça ontem no TCA.
Falo assim com essa intimidade de parente, e de quem já viu shows do bardo no Clube Social Conquista e num Rinha de galo, no século passado, quando João Omar ainda era um dos três filhos pequenos que tocavam flauta com o pai, pra dizer que os justos pagam pelos pecadores. Elomar é a mais perfeita tradução do que a gente chama no interior de pessoa sistemática.

A matéria da donzela é quase uma matéria de fã. Talvez a palavra enaltece, no trecho […enaltece sua produção orquestral se colocando como um dos compositores que “o Brasil deveria conhecer se, para tanto, Brasília fosse uma senhora de pudor”] tenha sido o estopim da ira. Elomar fez um longo discurso contra a imprensa (nisso ele tem razão, não aguento mais tanto lixo nas chamadas páginas de cultura).
Deu a entender que a jornalista teria escrito que ele buscava a fama em outros países. Não vi também isso em nenhum lugar das matérias.
Enfim, pra quem ouviu foi divertido, mas não queria estar na pele de Cláudia (não consigo ligar o nome à pessoa). Minha solidariedade então à donzela, assim chamada pelo menestrel.
No mais, o show, como diz o chavão, foi antológico. Elomar tem o seu lugar na história da nossa música. Com a palavra o Ingresia e o Blag, que lá estavam também e entendem mais de Elomar do que eu e você.

P.S – postei este texto hoje cedo  no Falando na Lata, o blogue dos jornalistas, e Nilson, como prova de que não foi preso ontem nem pela PM nem pela  CET, já respondeu. E colocou também um vídeo do You Tube, seguramente à revelia de Elomar. Aproveito a dica e coloco outro,  nesta farra elomariana.

Lá na Casa dos Carneiros

03/05/2008

Encontrei,  por motivo profissional, João Omar, o filho de Elomar. Neste encontro, vi um vídeo sobre o concerto de junho, lá na Casa dos Carneiros, e acabei lembrando a João Omar que o Bode, como ele chama o pai, é filho neto da  Tia Maricota do meu pai Gedeão.

 

Lembro bem que seu Gedeão, ou seu Dedé, ainda convalescente de um AVC recebeu Elomar lá em casa, na Praça da Bandeira,  e ao ouvir as referências sobre os parentes vivos e mortos, começou a chorar. É um hábito de todo Giboeiro falar e falar e falar dos parentes. Gosto dos  nomes dos meus parentes. Meu avô, por exemplo, é Quinca de Dodô. Não é um simples Joaquim, é Quinca, e é de Dodô, e que é irmão do Tio Maneca, ou Maneca de Dodô.

Soube que na Casa dos Carneiros tem um telescópio de espelho de 20cm de diâmentro, três vezes mais potente do que meu velho russo,  enferrujado e fora de combate  Alkor. E  que de lá da Casa dos Carneiros se mira o céu da minha infância, onde a via láctea era estonteante. E que Vinícius de Moraes falou deste céu na apresentação do disco “Das Barrancas do Rio Gavião”. Veja o que disse ele: 

“A mim parece um disparate que exista mar em seu nome, porque um nada tem a ver com o outro…

…compondo ao violão suas lindas baladas mirando sua plantação particular de estrelas que, no ar enxuto e rigoroso, vão se desdobrando à medida que o olhar se acomoda ao céu, até penetrar novas fazendas celestes além, sempre além, no infinito latifúndio… 

É… Quem sabe não vai ser lá, no barato das galáxias e da música de Elomar, que eu vou acabar amarrando um bode definitivo e ficar curtindo uma de pastor de estrelas…

Veja íntegra do texto aqui.

Vida longa ao Bode e a sua sertaneja Casa dos Carneiros.