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Há vida nas luas de Júpiter?

27/06/2016

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Vou na minha contramão e na de textos amigos para elogiar o facebook.

Na minha contramão porque rolar a tela muitas vezes é nauseante e repetitivo.

Na contramão de amigos por entender que assim como a verdade está no vinho, ela aparece aqui também com suas cores mais fortes, seus sentimentos mais intensos, suas falsidades mais reveladoras. Seus porres homéricos.

Complicado discutir a verdade. Mas os pedaços de verdades acessíveis aos olhos no rolar da tela matam a curiosidade sobre parte do mundo lá fora.

Pode não ser um bom alimento. Um hambúrguer, por exemplo. Mas se é o que temos para o momento, vamos de comida rápida. Com os olhos. Mas muitas, muitas vezes, aqui são servidos pratos elaborados por chefes de cozinha. E eu os como com os olhos e com a alma.

Poderia citar vários exemplos mas prefiro evitar a injustiça do esquecimento.

Aqui, para o bem e para o mal, a gente se alimenta da comida alheia, do fogo alheio, das cinzas alheias. Da verdade aparente do dia a dia do outro, como fita em série, como novela, como série Netflix. Com a vantagem da vida real. Ou quase.

Aqui seguimos os fragmentos das verdades alheias.  Sempre do lado de fora da tela, como num binóculo de ópera, num buraco da fechadura, numa objetiva de uma máquina fotográfica, num telescópio apontado para uma das luas de Júpiter. Ou para a janela do prédio vizinho.

Licuri orkut facebook zap Licuri

09/06/2015

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Também sou hipocondríaco na internet. E se eu pegar este vírus do facebook?

Estava buscando uma desculpa pra voltar de vez para este coco pequeno, encontrei duas. Aqui eu tenho memória e como fazer buscas. Aqui não tem vírus.

O problema do blog é o silêncio. Se você muda uma foto do perfil no facebook é como sair pelado na rua. Todo mundo nota e se sente na obrigação de se manifestar. Uma foto pelado aqui talvez não gere nem comentário.

Então a solução, já tentada em vão, é publicar aqui e levar pra lá. La vou eu de novo então.

Gosto muito deste pequeno coco. Foi aqui que comecei lá pelos idos de junho de 2006, no Uol Blog, numa lan house em Iaçu. Depois de testar uns textos com uns amigos, impulsionado pelo comentário desqualificador e elogioso de um deles “foi você mesmo que escreveu isso?”, criei coragem.

Apaguei o blog em agosto, num surto de vergonha,  mas no dia seguinte criei novamente. Isso aqui é sem retorno.

Foi aqui que fiz amizades online, muitas.

Depois veio o orkut, o facebook e mais recentemente o zapzap.

O zap é a universalização da rede. Por ele me comunico com a pessoa que trabalha conosco, com a família em Conquista, com a família em Iaçu, com o pessoal do  trabalho, das escolas dos meninos,  com o pessoal do prédio. O zap reúne tudo de bom e ruim de todas as redes. Falta apenas me acostumar com os muitos,  muitos bons-dias, as muitas carinhas, dedões, orações e kkkkkkkkkkkkas.

No zap todo mundo se revela mas é um desnudamento para parentes e pessoas próximas ou relativamente próximas. Aqui é o desnudamento para todos. E não raro me envergonho do que escrevi. Basta passar o tempo.

Mas tem o outro lado, o contato, a troca, a sensação boa da loucura, da indignação, da alegria e das descobertas compartilhadas.

Então, se alguém perguntar por mim, diz que eu tô por aqui. De novo.

Foto: com Soraya, no Bar do WhatsApp, em Iaçu, no último dia de 2014.

Caim matou Abel

04/12/2013

De volta a este coco pequeno nos últimos dias, vejo na estatística do blog que o texto “Cuidado ao postar sobre a sua felicidade. A inveja tem facebook, twitter, alerta no gmail e acesso aos arquivos do google” foi o campeão de visitas nos últimos 12 meses, com 4.215 interessados no assunto.

As principais frases de busca para chegar ao post: a inveja tem facebook (265), cuidado ao postar sua felicidade a inveja tem facebook (93), cuidado a inveja tem facebook (76).

Eis o campeão, publicado em agosto de 2011. https://licuri.wordpress.com/2011/08/19/nao-divulgue-sua-felicidade-a-inveja-tem-facebook/

https://www.facebook.com/gusmaomarcus/posts/10200978778608437

Um dia crio coragem

11/11/2013

O facebook seleciona quem vai ver o seu texto, meu casual ouvinte. Mas descobri por acaso algo mais desagradável. O facebook também seleciona o seu acesso ao seu seu próprio conteúdo.
Na minha cabeça otária e crédula, a linha do tempo do facebook reúne tudo o que o dono no perfil publica. E para rever, basta rolar a tela.
Só que não.
Como há alguns dias sumiu um post, resolvi, aos poucos, levar as coisas do facebook para este coco pequeno,  blog que eu mantenho desde 2006 e nunca me sacaneou.
Minha rotina é a seguinte: pego um post publicado no facebook e publico na mesma data aqui no Licuri. Faço então um link de um pro outro e e em seguida oculto o conteúdo do facebook.
Faço isso do presente para o passado.
Mais de uma vez, apareceu um post mais recente, não mostrado na última rolagem de tela. Ou seja, como matou a charada Soraya, o facebook reedita você.

Por que então mantenho meu perfil no facebook, já que não é de confiança e ainda me reedita?

Por carência, porque ainda sou dependente químico da opinião alheia ou apenas do sinal de que alguém viu e deu um sinal com o dedão pra cima.

Com as redes sociais, os blogs de anônimos viraram conteúdo da internet profunda, poucos aparecem ou se manifestam.

Mas um dia ainda crio coragem e fico só aqui no meu coco pequeno, nas profundezas.

https://www.facebook.com/gusmaomarcus/posts/10200848064380663

Em busca do que foi perdido de vista

29/10/2013

Foi a gota d´água. Está decidido mais uma vez, espero agora cumprir. Publico a partir de agora aqui neste coco pequeno  e só então coloco no facebook.  E vou trazer tudo de lá pra cá, por garantia. Este Licuri está abandonado, mas aqui sou respeitado. Nada é garantido neste mundo mas o wordpress nunca deletou nada, nunca censurou nada, ninguém mete o bedelho no que eu escrevo ou publico.

Assucedeu o seguinte:

Navegando por aí encontrei um  peniscópio semelhante a esse da imagem, pensei estar diante de um bom estímulo para caminhar antes de precisar do apetrecho e por isso compartilhei.

Muita gente achou também divertido,  comentou, curtiu, mais de 50 compartilharam. Na postagem original  já eram mais de 33 mil compartilhamentos em alguns dias.

Procuro hoje o tal  peniscópio e ele simplesmente desapareceu. Foi deletado pelo facebook.

Portanto, a partir de agora, sobretudo, meu endereço oficial é este coco pequeno, abandonado, mas fiel. Facebook será doravante uma não confiável  filial.

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https://www.facebook.com/gusmaomarcus/posts/10200759482446170

Imagem: http://www.phallic.org/peniscope/

Tem de um tudo

13/10/2013

A melhor qualidade e o pior defeito das tais redes sociais são os mesmíssimos de desde sempre na convivência social: tem de tudo.

Numa roda presencial de caruru de preceito nesta sesxta – exerça sua inveja que eu exerço meu exibicionismo – ouvi de um dos interlocutores uma boa definição disso aqui: é um 1984 voluntário. Ou seja, não é um grande irmão a nos fiscalizar, a nos espiar. Somos nós mesmos a compartilhar, a exibir, a provocar, a nos destrambelhar publicamente, consciente ou inconscientemente, tanto faz.

Como todo vício, paga-se um preço. Como todo vício, há ganhos.

Amanheci com a intenção de caminhar, ir à Feirinha da Estação Nova, aqui em Feira de Santana, comprar inhame com preço três vezes menor do que em Salvador, cortar o cabelo, dar atenção à minha renca, organizar os papéis, levantar finalmente todas as informações necessárias para ir à Justiça contra a PDG, enfim, essas coisas que tento fazer há meses mas  gasto o tempo tornando públicas em vez de fazer.

O que me motiva a escrever este post é demonstrar em poucas palavras os efeitos positivos de estar aqui enquanto a vida corre lá , o que é um falso dilema porque a vida trafega pelas telas também.

Um dos lados chatos da internet, e da vida também, é a intenção pedagógica. Os maiores chatos são aqueles que querem  com um post mudar o rumo da vida – alheia.

Vou dar uma de chato e compartilhar um pouco das minhas leituras hoje na internet, só para justificar pra mim mesmo que vale a pena continuar aqui. Vou ser também um pouco pedagógico.

Sua vida, como a minha, certamente não vai mudar depois desta pequena amostra de leituras desta manhã de domingo. Mas foram coisas que me fizeram bem. E falta muita gente boa. Como a vida, isso aqui também é um recorte.

Excluí o que  desagradou. Claro, você jamais tem tem mais de 200 amigos no Facebook impunemente, Aparece de tudo na sua tela e às vezes é preciso ter estômago para aguentar certas imagens, certos textos, certas exposições. As palavras mágicas são filtro e paciência.

Então, aos posts:

Ao acordar fui presenteado com este texto existencial. Como num pós-trago de boa marijuana, bateu. É a tal empatia, é o que sinto também muitas vezes.

Marcus curtiu um status. Alberto Heráclito Ferreira
Não se pode recuar: o vazio vem sempre, inexoravelmente. Ele pode procrastinar um pouco, mas nunca deixa de dormir em casa. Então eu me acalmo, tomo chá de folhas frescas de laranjeiras tentando estetizar o desagradável momento do encontro. Encontro não é bem a palavra adequada. Diluição talvez fosse mais próximo dessa sensação que eu chamo de vazio. Tudo perde o sentido, inclusive a inutilidade de viver.
É quando abandono o corpo e como um anatomista, disseco, amputo, secciono, retalho. É esta a mais pesada atividade do dia. Ela é um abismo mortal, mas todos os dias a morte nunca chega. É na morte que não se pode confiar. Deus me salva às vezes com um banho morno e um chá de laranjeira como agora. Noutras eu mesmo me salvo, tipo assim, lendo poemas de Mário de Andrade. “Quando eu morrer quero ficar,/ Não contem ao meus inimigos,/ Sepultado em minha cidade,/ Saudade”.

Mas é preciso rir também

 Piauí Herald: Leãozinho exige autorização de Caetano Veloso

Orientado por Paula Lavigne, Leãozinho proibiu Caetano Veloso de citar o seu nome. “Dados biográficos de foro íntimo foram expostos de forma vil. Agora todo mundo sabe que sou um filhote de leão raio da manhã”, disse, caminhando sob o sol.
Continuar a rir da nossa classe média:

Foto de Dôra Lopes.

 Wilson Gomes – Bolsa Família é um programa que simplesmente separa um bom número de brasileiros da miséria e da fome.Normal que a direita não goste de programas sociais, é assim em todo o mundo. Mas a direita costuma saber fazer contas em outros lugares. Será que os adversários do Programa sabem que os valores dos benefícios pagos pelo Bolsa Família variam entre muito pouco ( R$ 32) e quase nada ( R$ 306)? Que dividindo-se o custo federal do Programa ao ano (24 bi) pela nossa classe média, o Programa custa a cada indivíduo desta classe a fortuna de R$ 16,60 por mês? Realmente, estão tirando o couro da classe média para dar algumas refeições por mês aos miseráveis. Que coisa horrível!

Ou se encantar com uma belíssima ideia para quem gosta de Salvador e de boas ideias: 365 Motivos para Amar Salvador,

Saiba mais sobre o blog: http://atarde.uol.com.br/bahia/salvador/materias/1540555-blog-apresenta-uma-razao-por-dia-para-querer-bem-a-salvador

Ou ainda guardar uma lista muito útil mas que talvez você nunca use, mas… link 50 sites úteis que você precisa conhecer www.oficinadanet.com.br

Ou viajar numa foto
Foto de Tainá Moraes.
Que tal versos?
Katia Borges
Eu só
Me acompanho
Nesta nota
Que arranho
Eu sol…Ver mais
Ou boas lembranças?  foto

Mais do que especial. Bruna Kaniucki

Não hesito em disparar uma solicitação de amizade quando leio algo que me convence, que me faz rir, que me faz pensar. Ao me deparar com uma notícia li também um texto. Gostei e compartilhei. Preciso conviver aqui com a pessoas que pensam assim, que encaram a vida deste modo. Que bom que fui aceito: Marcus enviou uma solicitação de amizade para Denis Peres. Marcus começou uma amizade com Denis Peres.

A iternet serve também pra gente tentar se convencer a mudar. Desde a notícia do acidente, prometi a mim mesmo não falar mais nunca, nunca mesmo, ao celular enquanto dirijo. Também fiz promessas de  não beber antes de dirigir.

Marcus curtiu Não foi ACIDENTE  

Mas quem disse que é fácil mudar? 
No sábado, naquele caruru citado na abertura deste texto –  exerça sua inveja que eu exerço meu exibicionismo e também as minhas contradições, culpas, minhas tão grandes culpas – bebi. E voltei pra casa ao volante.

Enfim, vou ali na feira. Algum pedido?

 

https://www.facebook.com/gusmaomarcus/posts/10200660648495383

Modinha

10/10/2013

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Gosto do passado no papel. Eu não resisto a uma foto antiga.

Mas hesitei em entrar na onda das fotos de criança novamente este ano. Temia o ridículo da modinha.

Ao decidir, passei a curtir todas as fotos de criança que encontrei pela frente, mesmo de gente que eu pouco conheço, num gesto de apoio e estímulo àqueles que tiveram a coragem de embarcar na onda.

Começo a achar que isso vai um pouco além da modinha. É uma recuperação de memória, é como se todo mundo passasse a folhear álbuns de família numa grande roda afetiva de relembramento coletivo.

Climaco notou uma coisa interessante. Nestas fotos ele também consegue enxergar a mãe de cada um nas roupas, sapatos e cortes de cabelos das crianças.

Eu tento comparar as épocas, lembrar onde eu estava, como nessa imagem deSoraya com menos de um ano. Eu tinha nove.

https://www.facebook.com/gusmaomarcus/posts/10200649274731046

Fui ali dar uma volta na infância, antes da infância, e voltei com medo de morrer

03/06/2013

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A morte deve ser como este detalhe borrado de uma foto antiga. A morte é não existir mais como o cenário desfeito desta foto antiga.
Eu me peguei com medo da morte nestes dias, incutido com o o passado, incutido com fotos do passado. E incutido é pior do que doido, lembrou bem Soraya,

Mas doido é pior do que tudo. Pior até que a morte. Mas é outro assunto.

Voltando à vaca fria, resolvi ficar fora do facebook por 30 dias chateado com a censura à página da Dilma Bolada, ao bloqueio da página do Prefeito Netinho, duas das minhas preferidas. Ambas voltaram e eu fiquei com a  cara de tacho, auto- excluído da brincadeira.

Mentira minha.

Saí e não saí. Eu me refugiei na construção da  página de fotos antigas de Vitória da Conquista e de lá assistia a tudo, como naqueles filmes em que a pessoa morre e fica de fora acompanhando, Ghost é o nome do filme.

Pois bem. Na penúltima vez em que tentei sair do facebook só eu notei minha ausência. Como desta vez Kátia Borges notou e outras  pessoas se manifestaram, encontrei o motivo para voltar com a sofreguidão de amante que perdoa, de quem volta a fumar, a cheirar, a tomar coca-cola 600ml.

Voltei, portanto, de onde na verdade não tinha saído. E nestes dias sem me manifestar no perfil  foram muitos os posts imaginários.

Quanto a gente trabalha em jornal, tudo na rua é pauta. Quando a gente é viciado em facebook, tudo é post.

Vamos ao primeiro deles.

Luísa estuda para o vestibular estas  coisas inúteis de quem estuda para o vestibular. Mas da poltrona comenta comigo, envolvida com um assunto interessante misturado aos temas maçantes de vestibular.

Do ponto de vista da matéria, meu corpo e o seu tem a mesma idade, disse ela.

Pronto, deu um belo nó na minha cabeça. Não é maravilhoso isso, ter a mesma idade de filho, neto, pai e avô?

Portanto, temos todos a mesma idade desta foto de coisas que não existem mais mas estão por aí espalhadas com a mesma idade da gente.

Estas pessoas na rua da foto por onde passei muitas vezes, rua que já era outra, as lâmpadas destes postes, o calçamento hoje por debaixo do asfalto, as crianças no primeiro passo antes de atravessar a rua sem carros. Ruas sem carros. Repito pra você, rua sem carros. Tudo isso, ruas sem carro e engarrafamentos, tem a minha e a sua idade.

Temos todos a mesma idade da eternidade.
Mas continuo com medo da morte.

Foto: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=379780902127263&set=a.379777018794318.1073741838.276638065774881&type=1&theater

Feicebuque bloqueado

29/05/2013

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O Feicebuque censura e bloqueia, adquiriu tanta força e poder que agora diz o que a gente deve ler e ver.

Pois bem, resolvi também bloquear aquele negócio.

Assim como eles, serei gradativo. Primeiro, por 30 dias. Depois avalio.

Aquilo é um  negócio engenhoso. Lá  você só existe quando interage. Da última vez em que me afastei por uns dias apenas uma pessoa sentiu minha falta. Eu mesmo.

Mas mesmo assim farei meu protesto.

Não vou desativar a conta, ainda, mas por 30 dias não irei mais ao perfil.

Neste período continuarei cometendo meus textos aqui no coco pequeno e no twitter @MarcusGusmao . E testando o tumblr: marcusgusmaoba.tumblr.com

Bem-vindo.

Imagem: http://bit.ly/ZtK7Vq

 

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=4882396294512&set=a.1137311949744.2020128.1135737937&type=1

Amigos da onça

21/04/2013

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Outro dia comparei o facebook a um vilarejo.
Nestes dois blocos de quadrinhos há um resumo engraçado da tribo mala deste vilarejo.
Há ainda neste vilarejo os que escaldam os demais, patrulham, enchem o saco com comentários “nada a ver” como dizem as crianças daqui de casa. Mas mesmo assim ainda vale, e muito, a pena.

Clique nas imagens para ampliar.

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Imagens: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=568410963180299&set=a.558597987494930.1073741828.558341120853950&type=1

 

https://www.facebook.com/gusmaomarcus/posts/4714389494447

O que eu era e podia ter sido

07/04/2013

Trago para cá este poema de Nilson Galvão sobre o fardo existencial do passado imperfeito.

O que eu era e podia ter sido

Nílson Galvão

Tudo o que eu era e podia ter sido
eu deixei num banco de ônibus,
tempos atrás. Não houve jeito de
recuperar o que se perdeu, como
quando um primo deixou o walkman
na cadeira em que viajara. Achei
ingênuo o meu primo ligar pra
empresa de ônibus na esperança
de que alguém tivesse devolvido.
É um crente, pensei. Por isso não
voltei lá pra tentar recuperar tudo
que eu era e podia ter sido. Acontece
com muita gente esquecer coisas
assim, e raramente elas voltam
pros seus donos, por isso as pessoas
vão em frente sem aquilo que perderam.
Então nem cogitei voltar pra buscar
tudo o que eu era e podia ter sido.

Uma vez um sujeito perdeu dez mil
dólares em uma valise, e o dinheiro
voltou pra ele porque um homem honesto,
um homem pobre e decente segundo
os jornais, achou o dinheiro e não
teve dúvidas quanto a buscar o
verdadeiro dono de coisa tão
valiosa. Mas não achei que valesse
essa grana o que eu era e podia
ter sido, nenhum sujeito por mais
honesto acharia necessário procurar o
dono de algo do gênero.

Fico imaginando o que se passou com
o que eu era e podia ter sido. Quem
achou pode ter tirado de lá só o que
interessava, uns trocados, talvez, e
jogado o resto, eventuais documentos
gastos com fotos de outros tempos, em
alguma lixeira da rodoviária.

Ou alguém se abrigou do temporal com
o que eu era e podia ter sido até entrar
no cinema, ou numa lanchonete, e também
esquecer num canto o que eu era e podia
ter sido, que foi passando de mão em mão
até que ninguém mais achasse aproveitável
o que eu era e podia ter sido com todas
aquelas hastes quebradas como ocorre
a esses produtos baratos “Made in China”.

É possível ainda que as pessoas tenham
folheado displicentemente o que eu era e
podia ter sido. Até que alguém resolveu
entregar à biblioteca do bairro ou vender
ao sebo que pra variar pagou quase
nada, se muito. Até porque, avaliou o sovina
do proprietário, aquilo era item pra ir direto
à banca de “Qualquer título a R$ 5”.

O que eu era e podia ter sido pode ter ficado
ali sem que ninguém mexesse: quem se
interessaria por uma escova de dentes
usada, um estojinho de fio dental e uma
bisnaga de pasta de dentes pela metade e
ainda por cima com aquela sujeirinha
na tampa? Até que os funcionários
da companhia levaram o que eu era e podia
ter sido pra sala de achados e perdidos,
onde os objetos são mantidos por um período
de três meses, à espera de reclamação até
serem por fim destinados a sabe deus o que.

Quanto a mim, fiquei por um tempo apegado
ao que eu era e podia ter sido como a gente se
apega a qualquer coisa que se perde de nós.
Mas o tempo passou, você sabe, e esqueci o
que eu era e podia ter sido como a gente
finalmente deixa pra lá aquela bermuda azul
predileta que sumiu do varal pra nunca mais,
fazer o que?

(Veja original aqui: Sexta

_____________________

Resolvi trazer para cá as coisas que me são caras. Aqui elas são recuperáveis, ao contrário do Facebook, isso aqui tem uma busca, tem tags. Vai me ajudar um dia a pensar no que eu fui e no que podia ter sido.

E o Facebook não facilita mesmo as coisas. Fui buscar o link do post com o poema e descubro que textos sem foto não geram link.
Mas o diabo do Facebook gera mais interatividade. A solução é publicar aqui e colocar lá depois.
Enfim, aqui vai o poema completo e quando Nilson publicar no Blag, trago o link de lá.
P.S: descobri, depois de publicado, que a data de publicação, o Sexta acima, abaixo do poema, é o link para o post no facebook. Menos mal.

 

Vilarejo

27/03/2013

A programação era viajar para Iacu hoje à noite, mas está tarde, melhor amanhã cedo. Viajo então ao meu vilarejo de 1500 habitantes. Ali conheço quase todo mundo. Cotidianamente vou ao meu vilarejo, converso com as pessoas, digo alguma coisa, repasso o que me disseram ou que ouvi por acaso. E ouço, ouço muito.
Tem dias que a prosa me enjoa, é repetitiva, cansativa, óbvia. Mas a pluralidade dos habitantes e o mix total das cabeças trazem sempre surpresas agradáveis, boas lembranças e principalmente esperança, alguma esperança na humanidade.
Tem muita poesia, muita música, tem bom humor, coisas bobas e deliciosamente bobas e divertidas.
No vilarejo estão minha renca, parte da minha família dos interiores, parte significativa do meu passado, infância, adolescência e amores. Lá estão até ídolos meus, que me deram a honra de participar do vilarejo deles também.
Tem pessoa que nunca vi mais gorda, mas já ouvi a voz e acompanho a vida há anos. Tem outras que desconheço até a voz, mas sei o que anda pela alma delas.
Gosto especialmente do meu vilarejo nas madrugadas, quando encontro muitas almas gêmeas insones.
Não gosto de falar diretamente com pessoas do meu vilarejo, esta conversa me cansa. Gosto de falar por tabela, ao registrar meu gosto pelo que ela falou, ao receber o aceno positivo pelo que falei.
Não consigo me conceber daqui pra frente, na velhice até, sem estas 1500 almas, uma bela amostragem do mundo. Vasto mundo que habita meu vilarejo.

 

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=4615662386331&set=a.1137311949744.2020128.1135737937&type=1

Meu vilarejo

27/01/2013

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A programação era viajar para Iacu hoje à noite, mas está tarde, melhor amanhã cedo. Viajo então ao meu vilarejo de 1500 habitantes, chamado facebook. Aqui conheço quase todo mundo. Cotidianamente vou a este meu vilarejo, converso com as pessoas, digo alguma coisa, repasso o que me disseram ou que ouvi por acaso. E ouço, ouço muito.
Tem dias que a prosa me enjoa, é repetitiva, cansativa, óbvia. Mas a pluralidade dos habitantes e o mix total das cabeças me trazem sempre surpresas agradáveis, boas lembranças e principalmente esperança, alguma esperança na humanidade.
Tem muita poesia, muita música, tem bom humor, coisas bobas e deliciosamente bobas e divertidas.
No vilarejo estão minha renca, parte da minha família dos interiores, parte significativa do meu passado, infância, adolescência e amores. Aqui estão até ídolos meus, que me deram a honra de participar do vilarejo deles também.
Tem pessoa que nunca vi mais gorda, mas já ouvi a voz e acompanho a vida há anos. Tem outras que desconheço até a voz, mas sei o que anda pela alma delas.
Gosto especialmente deste meu vilarejo nas madrugadas, quando encontro muitas almas gêmeas insones.
Não gosto de falar diretamente com pessoas deste  meu vilarejo, esta conversa me cansa. Gosto de falar por tabela, ao registrar meu gosto pelo que ela falou, ao receber o aceno positivo pelo que falei.
Não consigo me conceber daqui pra frente, na velhice até, sem estas 1500 almas, uma bela amostragem do mundo. Vasto mundo que habita este meu vilarejo.

Imagem: http://bit.ly/11O1uAT

No facebook: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=4615662386331&set=a.1137311949744.2020128.1135737937&type=1&theater

Olha a tangerina!

05/08/2012

Hagamenon Brito postou no facebook sobre a matéria de capa da Veja SP, uma espécie de buraco da fechadura sobre o que vai nos consultórios de psicologia da nossa maior cidade. Ele chamou a atenção para um dos temas recorrentes nos consultórios, o baque e o sofrimento das pessoas quando colocam uma imagem  ou um texto na página azul mais vista hoje no mundo e ninguem dá a mínima. Nem um polegarzinho. Se quiser parar por aqui, leia o texto da veja: http://vejasp.abril.com.br/revista/edicao-2281/rejeicao-aflicoes-paulistanas

Mas se continuou, quero dizer que também sofro com isso. E entendo o sofrimento alheio. E explico.

Gosto muito de tangerinas. Só de lembrar o cheiro me dá água na boca. E gosto de todos os modelos de tangerina. Lembro bem do dia em que, sertanejo, fui apresentado há umas duas décadas na rodoviária de Campinas a uma rede de pokã, pra mim uma tangerina mágica, não oferece nenhuma resistência para tirar a roupa, são grandes e suculentas. Quem já cravou as unhas na guerra contra as cascas finas das pequenas tangerinas sabe do que eu estou falando. Mas também não abro mão das miudinhas.

Voltando à carência deste mundo, colocar alguma coisa no mural equivale a abrir um tabuleiro de tangerinas no meio de uma praça, por onde passam pessoas conhecidas e  dispor as tangerinas de forma bem sedutora. Você imagina que todos vão parar, comentar, pegar uma e cheirar, levar consigo e ainda oferecer a outras pessoas.

Sou um cara simpático, gosto de tangerinas e quero oferecer tangerinas suculentas na praça. Este é o meu ponto de vista. Resta saber se a praça onde estou passam muitas pessoas, se estas pessoas gostam de tangerinas ou mesmo achem que valha a pena parar para falar de outras coisas, sobre tamarindos, por exemplo.

Tem ainda uma coisa muito importante. Qual a minha intenção em apregoar tangerinas na praça? Essa expectativa dá o tamanho do meu sofrimento ou alegria com 1 ou 10 ou 100 compradores.

E é sobre esta pergunta sem resposta que me debruço atualmente. O que desejo ao apregoar tangerinas?

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=3561815320813&set=a.1137311949744.2020128.1135737937&type=1

A foto foi recolhida neste tabuleiro: http://silviarita.wordpress.com/2011/06/24/pai-comeca-o-comeco/

 

 

Todos nós

28/07/2012

Pisquei em 48 horas. Sou ruim de greve e bom de vícios. Como das outras vezes quando tentei em vão sair do facebook quem mais sentiu minha falta foi eu mesmo.

Tenho, fajutos ou não, três motivos e uma justificativa para o rápido retorno:

1 – O BBMP! reagiu, milagrosamente, mas reagiu. Pode ser fogo de palha mas reagiu.
2 – Reiniciei a terapia. Pode ser fogo de palha, mas é um recomeço.
3 – E a Bahia? Tá viva, apesar de todos nós. E isto não é nem trocadilho nem ironia. É todos nós de verdade, incluindo eu e você.

E como viver sem os olhos alheios sobre o que vai pelo mundo? Olhos e corações de gente que sente, vê e compartilha de forma semelhante os absurdos, dores e delícias desta vida breve. Tenho aqui nestas muitas almas tortas eficientes antídotos antiloucura e antimonotonia.

Como naquela canção brega, preciso, preciso de vocês aqui. E como bem disse Bernardo, BORANOISMINHAPORRA!
Foto: mosaico com amigos do facebook montado com o aplicativo http://frintr.com/

facebook: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=3535052371756&set=a.1137311949744.2020128.1135737937&type=1&theater

Facebook

27/02/2012

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4 dígitos de amigos reais (todos meus reis) e imaginários… 1000 amigos a ouvir pacientemente. Alguns curtem, outros compartilham, outros silenciam, outros balançam a cabeça, outros sentem vergonha alheia, outros orgulho, outros nem aí, outros sempre aqui. Muitos se lembram de histórias compartilhadas na vida real, são pessoas com quem convivi há 20, 30 anos e aqui reapareceram. Outros compartilham o presente e são pessoas que ainda nunca vi. Mas são próximas. Gosto muito de assistir a meus 1000 amigos. Cinema real. Clico na página inicial pra ver a banda passar, tocando coisas de amor, desamor, verdades, meias verdades, alegrias e tristezas. Às vezes interfiro, entro na cena alheia. Às vezes só assisto. Não sei por quanto tempo vai durar ainda este tal facebook mas quero continuar tecendo esta rede, embarcar no sucessor e envelhecer on line. O filme não pode parar.

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=2792391245692&set=a.1137311949744.2020128.1135737937&type=1

O mundo já é mau o bastante, não precisa esfregar na nossa cara

09/02/2012

Sou sensível à imagem, como a maioria. Uma bela foto me pega mesmo, me comove, muda meu humor, muitas vezes me devolve a confiança perdida na raça humana.

Infelizmente, por conta do mesmo modelo de fabricação ou formação, também sou sensível, e muito, a uma foto macabra. A imagem fica na minha cabeça por horas, às vezes dias. Talvez por isso não goste de filme de terror.

E não tem coisa que mais me incomode no facebook do que uma imagem macabra, principalmente porque, normalmente, é real. E, muitas vezes, postada com a intenção de ajudar ou mostrar aos demais como o mundo é mau. O mundo já é mau o bastante, não precisa esfregar na nossa cara.

Gosto de assistir facebook, coloco na página inicial e fico vendo a banda passar. Mais aí, de vez em quando, ela surge de repente, levo um tempo pra entender, e, bingo, adeus paz. O diabo é que macabro pra mim não é para outros e aí fica difícil.

Gosto de ter muitos “amigos” aqui, e estes amigos dão o tom do que vejo. Adiciono quem solicita e não hesito em solicitar a “amizade” de alguém quando vejo algo bacana postado por ou um comentário interessante, justamente para tornar melhor este meu filme.

Portanto, sem solução para o problema, fica só o apelo no ar: menas, por favor, menas…

https://www.facebook.com/gusmaomarcus/posts/366621010033961

Imagem daqui.

Se música fosse, seria um fado

20/10/2010

Mas é fotografia. E se eu pudesse e meu dinheiro desse, seria este o meu destino no próximo final de semana.

Ando incutido com o poder do Facebook. Vamos começar pelas coisas boas, como esta foto e as demais de Helder Reis, colega de faculdade que hoje vive em Portugal.

Helder mantém uma espécie de exposição permanente, com centenas de admiradores, eu incluído,  a curtir e comentar suas imagens cotidianamente.  Tem coisa melhor do que isso pra ele, artista, e prá nós, público?

Tá certo, nada substitui uma música ao vivo, um encontro ao vivo, uma exposição ao vivo,  como a de Thomas Farkas nas paredes do MAM, que me deixou emocionado dias atrás. Mas as doses quase diárias das imagens de Reis trazem esta novidade do nosso tempo, a possibilidade de ver e interagir. É banal e óbvio, mas me impressiona.

Também me impressionou o depoimento de Sheila Ribeiro. A moça viu o debate, foi para o teclado e em segundos trouxe para o presente e para o público um episódio que desnuda a hipocrisia do discurso político.  Isso é novo.

Tem o lado obscuro também. Mais uma notíciq divulgada esta semana comprova o que até os teclados da minha velha, muda, cega e surda máquina de escrever já sabia. Tudo o que a gente joga na rede é recolhido, tratado e vendido na forma de análise de tendência para o tali mercado, como dizia minha amiga Maria.

Falei esta semana com um velho amigo e ele se desculpou sem graça por não ter aceito meus reiterados convites de entrar na roda, ou na rede. O diabo é que não mandei convite nenhum, e ainda passei recibo de mala da internet.

Uma outra amiga, a quem indiquei uma promoção do Itaú, disse ter recuado assim que pediram o CPF dela. Tá certa.

Mas eu já relaxei com relação a informações e dados potencialmente “roubáveis” na rede. Seu CPF e o meu, que não é nenhum Omo total, pode ser encontrado em qualquer esquina, disponível num CD pirata.

Além do mais, até já usufrui desta facilidade universal de saber da vida alheia na internet. Quando roubaram minha lata velha  recebi em casa, no telefone fixo, uma ligação do desconhecido que havia encontrado o carro abandonado próximo a Feira de Santana.

Enfim, pra quem tava sem assunto neste inicio de madrugada de uma semana cheia…

Então, tá esperando o quê? Visite agora a exposição permanente de Helder Reis: http://www.facebook.com/heldersreis