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Fatos relacionados às famílias minha e de Soraya

Paparazzo

Da platéia do ensaio aberto de Jeremias, profeta da chuva, ontem,  na sala do Coro do TCA, saquei minha cyber-shot em meio aos cliques profissionais e registrei a mana Mônica em ação. Dona Edith, mãe coruja e sertaneja, estará na platéia da estréia, no próximo dia 6 de junho.

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“Com as palavras todo o cuidado é pouco, mudam de opinião…”

Se as palavras mudam de opinião, imagine eu e a medicina.

 

Hoje, ao folhear a Veja, fiquei boquiaberto com um artigo de André Petry, sobre  a possibilidade de exageros no diagnóstico precoce. Outra notícia, que vi pela primeira vez no blog do Celso Chorik, deu muito o que falar nesta semana: a dúvida sobre a famosa dedada.

 

Ambas tocam na minha hipocondria e provocam estragos ainda maiores no meu desconfiômetro, minha descrença, embora, como Nilson, às vezes tenho uns ataques, passageiros, de fé. Nos médicos, nos deuses e nos homens.

 

Gosto da crença de Maria Sampaio nos médicos e do seu permanente alto astral. Confiaria no bom senso de Bernardo – antes de médico os médicos são gente e por aí se tira muita coisa.  

 

Confio plenamente em Jocete, médica dos meninos. E em Irismar, meu primo, que zelou e poderá ter que zelar a qualquer hora pelo meu juízo. Mas invertendo aquela máxima de antigamente sobre os anarquistas, confio nos médicos. Não confio é na medicina.

 

Tudo isso é apenas um preâmbulo para republicar dois textos sobre medicina do velho Licuri no Uol, de dezembro de 2006. No final tem outro post, da mesma época, sobre as palavras. Segundo o hoje blogueiro Saramago, elas mudam de opinião.

 

Vamos aos posts.

 

22 de dezembro de 2006

maria-pe

 

Pé que nasce torto…  conserta sozinho

 

Quem disse que a medicina só me traz notícia ruim?

 

Antigamente ninguém saía de um ortopedista sem uma faca cravada

no bolso. Além de caros, os coturnos infantis eram um suplício

pra quem tinha que calçar e pra quem tinha que mandar calçar.

E assim como os primeiros carros da Ford, os pais podiam escolher

qualquer cor e modelo desde que fosse  preto e pesado.

 

Mas eis que um belo dia, depois de torturar milhões de pais e filhos,

os ortopedistas devem ter se reunido em congresso e chegado à

conclusão de que assim como plutão não é planeta, as botinhas

também não eram remédio. E de que pé que nasce torto… conserta sozinho.

Eles deviam era pagar indenização.

 

Luísa ainda teve sorte. Pegou a fase intermediária do simancol

ortomédico e só precisou calçar um tênis branco com palmilha,

que mesmo assim era um trambolho e muito caro.

 

André nasceu também com o tal pé equino varo congênito

(eta google bom) de Luísa mas só fez fisioterapia. Mas Maria

herdou do bisavô Rubem não só os olhos azuis. É a cara e a

cambota do velho. Doutora Jocete já havia nos tranqüilizado, mas

por precaução indicou o ortopedista que acabou confirmando

o diagnóstico de joelho genovaro (cambota mesmo) e que só

receitou um retorno com seis meses para acompanhamento.

 

Quem tem filho sabe o que é enfrentar no convívio social o batalhão

de especialistas, que adora dar conselhos às vezes sutis,

às vezes nem tanto. Agora, além do diagnóstico de doutor Guilhermo,

vou ter uma bela resposta para desconcertar enxeridos:

 

– Isso mesmo. Ela tem um problema seriíssimo e o médico passou um

remédio caro, raro, e eu não tenho como arranjar, não sei mais pra quem

apelar.

 

Deixo a pessoa sofrendo um pouco com o temor de eu pedir algum pra

só então  informar o nome do tal remédio:

 

– Tempo!

 

(na foto, o pé de Maria enfiado num sapato de Marcinha, aqui em casa. A lembrança de Marcinha me levou ao post de Kátia de hoje e a um comentário que fiz lá sobre lembranças).

 

20 de Dezembro de 2006

xixi

Trans o quê????

 

Já estava  preparado para uma dedada, mas não sabia que o negócio

seria bem mais duro.

– Acho que seu problema é outro. Mas para lhe tranqüilizar, vou passar

um exame que se houver alguma coisa, pega logo no início, disse o

médico com a mesma naturalidade de quem anota um exame de urina.

 

– PSA e toque quando descobrem alguma coisa já é na bagaceira.

Você vai fazer uma ultra-sonografia trans….. .

 

Pelo prefixo, você já deduziu que será necessário atravessar alguma coisa.

Sempre admirei o estoicismo feminino, que enfrenta bicos de patos,

espátulas, ultra-sonografias trans, raspagens, curetagens e outros rituais

de torturas sem chiar.

 

Mulher adora derrubar o mundo  por outros motivos bem mais banais.

 

E eu que sempre fui um insuportável representante  do raso e obsessivo humor masculino, agora vou provar do meu veneno. Nunca ouvi nenhuma mulher falar gracinhas do tipo – Doutor, você tem duas

horas para tirar este bico de pato daí. Mas quando o assunto é a tal dedada é impossível contar o drama sem ter que enfrentar os engraçadinhos.

 

Como aconselhou o sábio avô de Fernando Pacheco, do Filosofia de Privada:

 

– Meu filho, não dê a bunda. Nunca conheci um que dissesse “dei e não gostei”.

 

Enfim, dois anos depois, beirando os 48, ainda não decidi se faço o tal exame questionado pelo Inca.

 

 

 

Sexta-feira , 01 de Dezembro de 2006 
 
“Com as palavras todo o cuidado é pouco,
mudam de opinião como as pessoas.”
 
Estas palavras estão no último livro de Saramago. Elas foram lembradas por Ivan, que está a ler As Intermitências da Morte. Estão num contexto um pouco diferente mas caíram como  uma luva para o que eu queria dizer.
 
Seguinte: desisiti de republicar um dos posts do extinto Licuri ao descobrir que o texto havia mudado de opinião. 

 

Agora, em dezembro de 2008, voltei atrás e republico posts velhos, mesmo que eles tenham mudado de opinião junto comigo.