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Paparazzo

27/05/2009

Da platéia do ensaio aberto de Jeremias, profeta da chuva, ontem,  na sala do Coro do TCA, saquei minha cyber-shot em meio aos cliques profissionais e registrei a mana Mônica em ação. Dona Edith, mãe coruja e sertaneja, estará na platéia da estréia, no próximo dia 6 de junho.

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Quatro anos

15/02/2009

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“Com as palavras todo o cuidado é pouco, mudam de opinião…”

01/12/2008

Se as palavras mudam de opinião, imagine eu e a medicina.

 

Hoje, ao folhear a Veja, fiquei boquiaberto com um artigo de André Petry, sobre  a possibilidade de exageros no diagnóstico precoce. Outra notícia, que vi pela primeira vez no blog do Celso Chorik, deu muito o que falar nesta semana: a dúvida sobre a famosa dedada.

 

Ambas tocam na minha hipocondria e provocam estragos ainda maiores no meu desconfiômetro, minha descrença, embora, como Nilson, às vezes tenho uns ataques, passageiros, de fé. Nos médicos, nos deuses e nos homens.

 

Gosto da crença de Maria Sampaio nos médicos e do seu permanente alto astral. Confiaria no bom senso de Bernardo – antes de médico os médicos são gente e por aí se tira muita coisa.  

 

Confio plenamente em Jocete, médica dos meninos. E em Irismar, meu primo, que zelou e poderá ter que zelar a qualquer hora pelo meu juízo. Mas invertendo aquela máxima de antigamente sobre os anarquistas, confio nos médicos. Não confio é na medicina.

 

Tudo isso é apenas um preâmbulo para republicar dois textos sobre medicina do velho Licuri no Uol, de dezembro de 2006. No final tem outro post, da mesma época, sobre as palavras. Segundo o hoje blogueiro Saramago, elas mudam de opinião.

 

Vamos aos posts.

 

22 de dezembro de 2006

maria-pe

 

Pé que nasce torto…  conserta sozinho

 

Quem disse que a medicina só me traz notícia ruim?

 

Antigamente ninguém saía de um ortopedista sem uma faca cravada

no bolso. Além de caros, os coturnos infantis eram um suplício

pra quem tinha que calçar e pra quem tinha que mandar calçar.

E assim como os primeiros carros da Ford, os pais podiam escolher

qualquer cor e modelo desde que fosse  preto e pesado.

 

Mas eis que um belo dia, depois de torturar milhões de pais e filhos,

os ortopedistas devem ter se reunido em congresso e chegado à

conclusão de que assim como plutão não é planeta, as botinhas

também não eram remédio. E de que pé que nasce torto… conserta sozinho.

Eles deviam era pagar indenização.

 

Luísa ainda teve sorte. Pegou a fase intermediária do simancol

ortomédico e só precisou calçar um tênis branco com palmilha,

que mesmo assim era um trambolho e muito caro.

 

André nasceu também com o tal pé equino varo congênito

(eta google bom) de Luísa mas só fez fisioterapia. Mas Maria

herdou do bisavô Rubem não só os olhos azuis. É a cara e a

cambota do velho. Doutora Jocete já havia nos tranqüilizado, mas

por precaução indicou o ortopedista que acabou confirmando

o diagnóstico de joelho genovaro (cambota mesmo) e que só

receitou um retorno com seis meses para acompanhamento.

 

Quem tem filho sabe o que é enfrentar no convívio social o batalhão

de especialistas, que adora dar conselhos às vezes sutis,

às vezes nem tanto. Agora, além do diagnóstico de doutor Guilhermo,

vou ter uma bela resposta para desconcertar enxeridos:

 

– Isso mesmo. Ela tem um problema seriíssimo e o médico passou um

remédio caro, raro, e eu não tenho como arranjar, não sei mais pra quem

apelar.

 

Deixo a pessoa sofrendo um pouco com o temor de eu pedir algum pra

só então  informar o nome do tal remédio:

 

– Tempo!

 

(na foto, o pé de Maria enfiado num sapato de Marcinha, aqui em casa. A lembrança de Marcinha me levou ao post de Kátia de hoje e a um comentário que fiz lá sobre lembranças).

 

20 de Dezembro de 2006

xixi

Trans o quê????

 

Já estava  preparado para uma dedada, mas não sabia que o negócio

seria bem mais duro.

– Acho que seu problema é outro. Mas para lhe tranqüilizar, vou passar

um exame que se houver alguma coisa, pega logo no início, disse o

médico com a mesma naturalidade de quem anota um exame de urina.

 

– PSA e toque quando descobrem alguma coisa já é na bagaceira.

Você vai fazer uma ultra-sonografia trans….. .

 

Pelo prefixo, você já deduziu que será necessário atravessar alguma coisa.

Sempre admirei o estoicismo feminino, que enfrenta bicos de patos,

espátulas, ultra-sonografias trans, raspagens, curetagens e outros rituais

de torturas sem chiar.

 

Mulher adora derrubar o mundo  por outros motivos bem mais banais.

 

E eu que sempre fui um insuportável representante  do raso e obsessivo humor masculino, agora vou provar do meu veneno. Nunca ouvi nenhuma mulher falar gracinhas do tipo – Doutor, você tem duas

horas para tirar este bico de pato daí. Mas quando o assunto é a tal dedada é impossível contar o drama sem ter que enfrentar os engraçadinhos.

 

Como aconselhou o sábio avô de Fernando Pacheco, do Filosofia de Privada:

 

– Meu filho, não dê a bunda. Nunca conheci um que dissesse “dei e não gostei”.

 

Enfim, dois anos depois, beirando os 48, ainda não decidi se faço o tal exame questionado pelo Inca.

 

 

 

Sexta-feira , 01 de Dezembro de 2006 
 
“Com as palavras todo o cuidado é pouco,
mudam de opinião como as pessoas.”
 
Estas palavras estão no último livro de Saramago. Elas foram lembradas por Ivan, que está a ler As Intermitências da Morte. Estão num contexto um pouco diferente mas caíram como  uma luva para o que eu queria dizer.
 
Seguinte: desisiti de republicar um dos posts do extinto Licuri ao descobrir que o texto havia mudado de opinião. 

 

Agora, em dezembro de 2008, voltei atrás e republico posts velhos, mesmo que eles tenham mudado de opinião junto comigo. 

Férias pra que te quero

01/12/2008

Entrevistei recentemente um médico e sua mulher. Eles viajaram o mundo todo. Todos os destinos básicos e exóticos. Todos mesmo. Sempre com muito conforto. Mas na última aventura, e ele já passa dos 80, foram acampar numa tenda mongol, sem direito a banheiro privativo.

Era o que eu precisava para me animar. Em vez de ficar esperando tempo bom, resolvemos cair na estrada de barraca mesmo, aqui na Bahia mesmo. Destino: Baixo Sul, continente e ilha, Pratigi e Moreré.


Maria e André já ganharam até mochila com saco de dormir, tranqueiras do Sam’s Club, onde há dois anos compramos uma barraca tamanho família subutilizada. Não largaram as mochilalas o dia inteiro. É o tipo de novidade que enche os olhos das crianças, já que além do saco de dormir,  vem com lanterna e garrafinha de água.

A renca está animada com o planejamento. O desafio é carregar o minimo, para não pesar na hora de encarar barco e deixar carro pra trás. Outro desafio,  com prûmio, é gastar menos para ficar um pouco mais do que os dez dias previstos.

Já estamos na virtual viagem.

Mamãe Noel, deferente, pediculus humanus e seu Cari

25/11/2008

natal

O UOL não permite importar arquivos e por isso de vez em quando vou lá no antigo  Licuri  e trago uns posts. Desta vez resolvi passar a peneira em novembro de 2006.

O deferente continua intacto, Maria tem mais dentes, os pediculos nunca mais deram o ar da graça e a  Eletrolux anda meio barulhenta mas continua firme. Seu Cari ainda atende no mesmo número. A charge acima foi enviada por Marcinha e será sempre atual porque são as mulheres que resolvem a porra toda mesmo (clique para ampliar).

Recordar é viver. Vamos lá:

Meu deferente condenado à forca (27/11/ 2006)

deferente

Levarei meu deferente ao cadafalso. A ilustração mostra o tal tubinho por onde a metade de você passou um dia. Medicina tem uns nomes estranhos. Outro dia descobri (na teoria) que existe útero bicorno. Na prática descobri também, mas isso faz muito, muito tempo.

Não conhecia o tal deferente até que ele surgiu  numa roda de pais, onde o assunto era proles exageradas como a minha. O Dr. Niltinho, cirurgião com apelido e cara de menino, mas com mais de 800 deferentes estrangulados no currículo, deu a sentença: isso a gente resolve em minutos. Ainda estou criando coragem para o quando, mas a decisão está tomada. Em breve serei um cara menos deferente.

Cadê o bicho, Maria? (17/11/2006)

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O bicho não teve a menor chance na cabeça de Maria. Bastou uma  blitz relâmpago da tia-avó para o único estalar entre unhas. Bicho exterminado, ficou a graça de Maria. É só perguntar por eles e ela junta logo as duas mãos no alto da cabeça, coça e ri.

Vá entender, mas eu tenho uma memória afetiva positiva do bicho. Como lá em casa ninguém recebeu muito colo – éramos seis, a labuta grande e minha mãe não muito chegada a um chamego – lembro com felicidade da cabeça sobre uma toalha no colo dela  e da massagem das pontas das unhas e dos dedos abrindo espaço entre os fios de cabelo da minha cabeça.

Mas o bicho é tabu e segredo de família. As crianças é que entregam numa boa. Uma amiga estava no shopping com a filha e encontrou aquela vizinha chata, metida e fofoqueira. Vinha na direção, não teve como evitar e ficou ali naquela conversa mole, doida pra encerrar o papo. Na falta do que falar, a amiga danou a elogiar a farta cabeleira da menina.

_ Paulinha, seu cabelo está lindo!

Paulinha levantou no ato as duas mãos, fez o movimento de juntar  e afastar os dedos enquanto dizia com o nariz franzido: Tá assim de piolho!

Seu Cari (7/11/2006)

A máquina de lavar quebrou. A palavra mais próxima para o que aconteceu depois é… caos.

Pior é chamar alguém para consertar. Toda negociação com consertadores  me transforma num ser mais estúpido, mais incoerente, mais inseguro. E mais uma trouxa de adjetivos desqualificadores que me habitam normalmente em percentuais menores, mas que nestas horas chegam a 10000% e formam um rol maior do que o da roupa acumulada.

A saída seria a oficina autorizada. Mas autorizada só serve para a garantia. E como fora da garantia é extorsão certa, a gente parte então para a loteria dos autônomos. Alto risco.

Da última vez que a máquina emperrou a portinhola, um sujeito identificou um ruído estranho que, com certeza, seria o rolamento estragado. Consertaria por R$ 400, quase a metade do preço da máquina nova. Resolvi consertar apenas a portinhola e esperar o tal rolamento pifar de vez para comprar uma nova.

E parecia que desta vez a hora do rolamento da velha Eletrolux havia chegado. Ela que tinha quase os cinco anos de André e que nunca recusou o serviço diário passou a devolver a água em vômitos ensaboados que inundavam a área de serviço. Ela que chegou toda bela e imponente para substituir o velho tanquinho que acompanhou Luísa, não resistiu ao tranco com a chegada de Maria.

Eu já estava a contabilizar mais vermelho no orçamento.

Eis que surge seu Cari, indicado por Leila e Zé Luís, para estabelecer a normalidade na casa por … R$ 25 de mão-de-obra, mais os R$ 33 da eletrobomba e dos novos pés da máquina. Tudo comprado diretamente por mim na Paraná Refrigeração, na Vasco da Gama.

E a ex-quase defunta já está ali novamente fazendo seu inninninninninninninninnin num vai-e-vem delicioso.

E o tal rolamento, segundo novo diagnóstico, está e sempre esteve em perfeito estado.

Telefone do seu Cari: 3240 7676.

7 anos

31/10/2008

Nosso  guerreiro Jedi em dia de parabéns.

You Know I’m No Good

30/09/2008

A foto

 

A pedidos, da Aeronauta e de M., negociei a foto, feita domingo no passeio de aniversário.

 

O poema

 

Fui lá no Bu! e roubei…

 

(…) Seria o saber mera ilusão ?
e se soubéssemos tudo errado ?
a chance de saber certo pode ser
uma em um milhão.

 

O presente

 

 

 

Passei ontem parte da tarde ouvindo com os vizinhos  a música que dá título a este post e que veio no presente. Só conhecia a moça da má fama.

Confesso que temo pelo  primeiro piercing, pela primeira tatuagem, pelo primeiro gole.

Mas quem há de negar o talento desta criatura? 

O vídeo vale tembém pelo pai gordinho e simpático, motorista de taxi. Uma figura.

13

28/09/2008

Sorte grande. 13 anos.
Parabéns, Luísa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Auta Maria

16/09/2008

 

O passar do tempo é também contar ausências nas fotos. Nesta acima, de exatos 25 anos, na porta da igreja do casamento de Stael e Marcelo, já são duas. No centro, de vestido azul,  está Auta Maria, que herdou o nome das nossas avó e  bisavó. A mesma Auta da segunda foto, parecida com a  minha Maria, de mão dada com meu tio e padrinho João, ao lado de minha irmã visitante Rita, num destes sertões onde eles moraram.

 

Na primeira foto Stael fala alguma coisa a ela, que se foi no final de 1993, 10 anos depois. Na extremidade direita  está Álvaro Vasconcelos, atrás de Josias, de braços cruzados. Alvinho também já não está entre nós. Era natureba radical e preferiu não enfrentar o tratamento de um câncer só descoberto já na metástase e se foi em menos de dois meses. Alvinho era uma figura, um dos mais sabidos da turma da Escola Técnica. Deixou duas filhinhas lindas.

 

Dizer que Auta se foi é amenizar uma tragédia. Ela estava numa fase de retomada da vida, feliz, em Porto Seguro, com um salão de beleza. Defendeu e deu guarida a uma funcionária que estava sendo assediada pelo padrasto e acabou morta com um tiro pelas costas, dentro de casa.

 

Lembrei de Auta ao desarrumar uma grande caixa em busca das fotos do casamento de Stael. Auta é filha de minha tia e madrinha Alzira. Quando criança, nossas famílias dividiram a mesma casa em Conquista antes deles irem para São Paulo e a gente para Castro Alves. Passei muitas férias na casa de tia Alzira em Jequié ou nos diversos sertões por onde eles andaram.

 

Auta foi velada na capela do Hospital onde nasci, o São Vicente. Ela tinha os olhos azuis do nosso avô. Lembro que saí pelas ruas próximas a buscar um tecido de tule para cobrir seu rosto.

Marcelo e Stael

14/09/2008

Assim se passaram 25 anos. Bernardo ontem listou coisas que nos sinalizam o tempo. Ir a bodas de prata de irmã mais nova é uma delas. Acima, Marcelo e Stael  na Igreja em Conquista. Fui testemunha e leitor de salmos bíblicos neste dia. Abaixo, ontem os dois rodeados da bela renca, Caio, Marcela  e Marina. Os sobrinhos André, Júlia e Mateus ajudam na trilha sonora.  Continuo testmunha de que foi um belo encontro. Parabéns aos dois.

Ckique na imagem para ver o vídeo de ontem

Sol de Primavera

07/09/2008

Anoitecer de hoje visto de onde se via o muro do Clube Português

Límpido, tépido, calmo, belo. Há muito eu não via um dia tão bonito. Desconfio que até quem destesta domingo, como minha e-amiga Aeronauta,  tenha gostado. Soraya, que também não gosta, se rendeu à luz de hoje. Começou pela  manhã. O programa com a renca era Parque da Cidade para pedalar e ver Armandinho com a OSBA. Aí olhei pela janela e pressenti o dia. Bastou convocar um rápido plebiscito e praia ganhou por unanimidade, louvor e gritos de Maria: praia, praia, praia. Milagrosamente saímos todos antes de se completarem 3 horas da decisão. Rumamos para Patamares porque adiante há perigo de blitz e eu não quero dar um centavo para Forrest John. Pretendo só entregar os meus  IPVAs 2005, 2006, 2007, 2008 e 2009 para o próximo prefeito, que não vai ser nenhuma coca-cola mas qualquer coisa fora este energúmeno que aí está será excelência em administração. É por isso que eu quero Hiiiiiiiiilton cinqueeeenta na capital da resisténcia só pelo prazer de ver Forrest num merecido quinto lugar. Jahhhh.

Mas vamos voltar ao belo dia em que a renca reencontrou a praia. Pareciam mineiros diante do mar. Saltavam, corriam, tomavam caldo satisfeitos no reencontro com as águas abandonadas desde março, quando começaram as chuvas. Para completar a felicidade e harmonia no lar, teve alforria de fogão. Depois que descobrimos um genérico do Bella Napoli ali no Stiep, mesmo os domingos chuvosos ficaram mais felizes. De quebra André ainda ganhou um cinema com Soraya, Maria bodiou e eu voltei pra casa encantado com o céu púrpura do fim de tarde. E comprovei que Forrest John foi bom prefeito quando nada fez, como nesta área do demolido Clube Português, que tomava a vista da praia e agora nos dá esta aí da foto. Ainda bem que nosso Forrest estava tão concentrado em pintar meio-fio que não teve tempo de colocar algum monstrengo na frente da paisagem.

Caculé

Mas veja só na foto abaixo o que eu encontrei também neste domingo na Orla. Uma informação que Neto me sonegou.  Segundo o paulista Paulo Emílio, o revendedor dos cofres caculeenses, são 15 fábricas que fornecem para todo o Brasil e fazem de Caculé – cidade que fica na Bahia, segundo informa a faixa – o principal produtor nacional. O fenômeno, até onde eu sei, ainda não foi descoberto pelas editorias de economia de nossos jornais. Então quer dizer que Caetité tem  urânio, ferro, ametista e manganês e quem bota a grana no cofre é Caculé? .

Pachuluca azuleja o dia

03/09/2008

O mar de Camamu num apiário sertanejo. Esta é a versão lá de casa para a “espiga de milho no meio do cafezal”, atribuída a Euclides de Anna, o mais famoso do país antes de Eduardo de Marta.

Vixe Maria, de quem são estes olhos? Não são do pai, não são da mãe, não são cor de mel como os de André e de Luísa, não são dos tios… A pergunta indiscreta seguida dos não indícios não quer calar desde que Pachuluca abriu os que lindos olhos, que lindos olhos que ela tem. Alguns ainda não se emendam: este cabelo é pintado?

Já fotografei em Iaçu, mas ainda não copiei para botar na carteira (culpa destas malditas máquinas digitais), os quatro olhos próximos e absolutamente iguais da Pachuluca e do biso Rubem. Pena que os outros absolutamente iguais do biso Antônio só existam na foto P&B.

Mas vou dar meu troco. Se a coisa conseguir ficar ainda mais apertada, alugo Pachuluca para modelo e folgo. Não estes modelos de publicidade que as agências exploram via vaidade dos pais e pagam uma merreca. Vou alugar a menina por uma fortuna é para uma futura grande pesquisa genética/étnica, como modelo da síntese perfeita da alegria desta mistura que chamamos Bahia. Esta garota, além da felicidade 24 horas (só perde o humor quando chegam os dentes) traz no corpo o mapa perfeito da combinação Oropa/África/Sertão.

E se daqui a uns quize anos ainda não inventarem uma coisa menos polêmica do que esta tal cota ela vai empinar o nariz e o bumbum, sorrir e exigir: eu também quero!

Pachuluca, que também atende por Maricota ou Nicota Farofa, é boa de briga. E arteira. A mãe já notou que ela encontrou um meio de não levar pancada de Budegão nas horas em que surrupia algum dos seus pedaços preferidos de brinquedo. Antes de a porrada descer ela já corre, apóia uma mão na outra em cima do sofá, abaixa a cabeça sobre as mãos e abre o falso berreiro. Pronto, antes da descoberta da farsa pai, mãe e Luísa já deram bons berros em coro: Andrééééééé´!

E é teimosa. Basta o outro dar as costas, e ela ter a certeza de que ele não está por perto, para a cambotinha partir picada em direção ao baú de tranqueiras e se refastelar. Até que ele retorne. E então…

Dei dois grandes vacilos  mas não perco esta terceira chance. Pachuluca já está sendo treinada desde agora para me chamar como devem ser chamados os pais aqui nesta terra. Luluthica tem me ajudado nesta insistente e estafante alfabaianização:

_ Pa-in-nho, vai Maria, Pa-in-ho.

Ela fica séria e tenta: 

_ Piau.

_ Pa-in-nho.

_ Papio

_ Pa-in-nho.

_ Piiio.

Já tá de bom tamanho!

 

PS: A frase de Euclides citada lá no começo foi lembrada neste fim de semana pelo tio marinheiro Popay Flávio, num dos intervalos do festival gastronômico do aniversário da Vó Conceição, em Feira, quando em menos de 24 horas a família colocou a fofoca em dia e caiu de boca no famoso  caruru/vatapá pega marido da Ceiça, numa mariscada com ingredientes da rampa do Mercado levados pelo quase capitão-de-corveta e sua comandante e numa feijoada/carneada baiana da Vó Mônica (os meninos têm duas vós maternas) que deixam no chulé qualquer destes restaurantes ranqueados no melhor de Veja.

 

(encerro aqui a trilogia  escrita há dois anos sobre os miúdos. Este post é de 31 de agosto de 2006. Mas o repeteco  continua enquanto eu não trouxer todo o pouco que falta do Licuri do Uol para cá. O PS acima revela a repetição do encontro familiar deste final de semana comentada no post sobre André,o que comprova que a vida não vem em ondas, vem em círculos).

Lulúthica que um dia foi Lego-lego

02/09/2008

(ai, ai caramba, dois anos não são dois dias, principalmente na vida de uma adolescente. Este post foi publicado no dia 29 de agosto de dois anos passados e sua releitura  e reedição revista só comprova que de fato elas envelhecem numa velocidade assustadora. Hoje Lulu já é uma adolescente típica e eu sou o ridículo que a expõe ao mico de ficar fazendo post sobre… esqueci que estou proibido)

Até outro dia era Lego-lego do papai. Hoje já usa Mall-Estar cor-de-rosa, prenúncio do vermelho dos primeiros raios de mulher. Luluthca vive atracada com um tal de Artemis Fowl, que descobriu sozinha. Nem a mãe sabe tudo, a indicadora oficial de livros, sabia quem era o tal. Entrou na fase de mãe que não faz a menor idéia.

Ela era tão bonitinha devorando todos de Pipi Meia Longa, todas as Crônicas de Nárnia, o Lobatão em edição completa comprado no sebo…

O google me conta que este tal Artemis é um garoto de 12 anos, dois a mais do que ela, e que tem o maior QI da Europa. [ Xiiiiiii, e se ela se encanta, se pica com ele e deixa o papai aqui a ver blogs, como fizeram com seus papais a Maria, o Cido e a Pururuca aí do lado?]

O jeito é ir se acostumando e ficar com Rubem Alves, que altera Gibran: “Ser pai é alegrar-se com o vôo do pássaro, livre, para longe, numa direção não sonhada”. Minha Luluthica ainda continua aqui no ninho. Não cabe mais no meu colo, já se incomoda com os hábitos toscos do pai (melhor não descrever aqui): ôôô meu pai… protesta. Mas continua carinhosa e doce. E procupada com meu peso. Virou fiscal de balança. Com sucesso.

Mas Lu ainda é capaz de passar o dia inteiro lá embaixo brincando de boneca com a meninada. Ganhamos uma prorrogação. E ainda conta (alguns) segredos. Normalmente depois de algum longo silêncio no trânsito, quando se queixa de algum menino chato [graças a Deus eles ainda são chatos]. E ela vai crescendo, crescendo – já é maior que a avó. E segredando cada vez menos. Não somos amigos, somos pais. É assim e está certo.  Saudades do tempo em que ela chegou pra mãe com toda a confiança do mundo e propôs:

_ Mãe, vou lhe contar um segredo tão segredo, mas tão segredo, que você não pode contar pra ninguém, nem pra mim.

fite o acaso, e me conte quantas fitas encontrou.

27/08/2008

(não, não virei poeta. ganhei uma)
http://sustologias.blogspot.com/

Crueldade com os pequenos animais

10/08/2008

Não é só nos velhos circos que se cometem atrocidades com os bichos bebês para que eles aprendam. Para comemorar este dia dos pais, resgato um vídeo de 2005 que mostra técnicas cruéis para ensinar filhotes de humanos a engatinhar.

Quem tem renca não vai a Roma

03/08/2008

A diferença entre remédio e veneno está na dose. O ingresso, a R$ 1 e R$ 0,50. O teatro, o Castro Alves. O espetáculo,  internacional. No palco, a neta de Chaplin. Pra que diabos eu concordei que era necessário espalhar mais ainda a informação?
Quando me pediram pra dar uma força, talvez houvesse o temor de que o teatro não lotasse. Afinal são 1550 lugares, podia chover, o título do espetáculo em francês talvez não desse a dimensão da coisa, sei lá.

Só sei que o e-mail do post anterior correu meio mundo. Mandei uns 300, coloquei recados para os amigos no Orkut,  publiquei no blog e na lista dos  jornalistas. O Picolino replicou uns 1.500. Deixei este Licuri sem posts por três dias para  que minha meia dúzia de leitores não deixassem de ler.

Nilson recebeu o e-mail de três fontes e sacaneou perguntando se era pra  espalhar também lá em Brumado. Mariana, uns quatro, mas dormiu até tarde e ligou em cima da hora para receber a informação de que não adiantava mais sair de casa com Pedro, que caiu no berreiro porque isto significava também não encontrar os colegas da escolas, todos mobilizados por Kátia. Liz ligou e confirmou a origem antes de espalhar. Acácia me mandou um outro e-mail, todo turbinado com foto e mais infomações, enviado pela escola da filha para a lista dos pais dos alunos e funcionários.

Acordamos cedo, com planos de chegar às nove. Mas café, banho, cabelo e roupa na renca é um processo não muito simples, que envolve estresse conjugal (pai nunca ajuda) choro de menino e ranger de dentes num domingo pela manhã. Conseguimos chegar por volta de 9h40 na fila, que dobrava. Andamos uns vinte minutos de papo com Mary e o filho, que também se espantaram com o tamanho da fila. E eis que um funcionário do TCA aparece com a seguinte piada: – Pessoal, acabou mas as bilheterias estão abertas para hoje a noite, a R$60 e R$ 30.

Não sei quantos dos que entraram e da multidão que bateu o nariz no gradil do TCA estavam ali por conta do meu impulso divulgador. Dos que ficaram nos lugares que poderiam ser nossos posso contabilizar  minha irmã Stael, que foi com uma amiga, estranhou a minha ausência e disse que o espetáculo não foi bom, foi ma-ra-vi-lho-so. E Gabriela, que agradeceu a dica na lista de jornalistas e informou que a genialidade do espetáculo  valeu o  sufoco dela com a filha na fila.

Não vou dizer que perdi a viagem. Os sem-espetáculos com crianças frustradas foram pro Campo Grande, lugar onde além do pé do Caboclo para lamentar havia espaço, pula-pula, pombos para correr atrás, sorvete e pipoca e até uma biblioteca móvel da Fundação Pedro Calmon.
Marcelo, uma amiga e os filhos, Josias, Concinha e sua renca, Pierry, André, e mais uma galera gastamos o resto da manhã ali.

Enfim, quem tem boca vai a Roma e quem tem boca de calçola folgada, como os amigos injustamente me classificam, vai ao Campo Grande ver solo do israelense aprendiz de sax Ofir Uziel e um seu pombo pentelho.

 

P.S: interessante é que eu cometi um erro no e-mail, só notado depois que enviei, como sempre acontece. O espetáculo da noite foi de fato  60 vezes ou 6.000% mais caro. Mas eu havia dito que o espetáculo da manhã era 6.000% mais barato. Na verdade é a mesma coisa, mas  o limite para algo ser mais barato é 100%, quando é de graça. Portanto, nao ingresso da manhã  foi 98,33333 % mais barato do que o da noite. O que também é razoavel e reforça a graça da piada involuntária do funcionário do TCA.

Minuto de paz

07/07/2008

Fim de férias das crianças, renca novamente reunida e recolhida em Iaçu. Na viagem de volta, uma pausa rara na guerra contínua de tapas, cotoveladas, socos, cusparadas, gritos, puxões de cabelos.
Pááááára André, páááááara Mária, foi ele que começou, ela me bateu na cara,  ai meu olho, foi ela que começou, ela está me pirraçando, ele está empurrando minha cadeirinha, ajuda aí Luísa, Marcus tome uma providência. Vou parar o carro…

Mas, como visto acima, há também pequenos intervalos de harmonia, papos non sense e gargalhadas, devidamente registrados por Lulu.

São João sabor uva ou menta?

06/07/2008

Tudo que precisa de resgate me lembra aquele padre dos balões, que não quis esperar o terceiro dia para subir aos céus. Ou seja, já foi, Banda Mel. Não me chame para resgatar nada que eu não vou. Se você observar os patrocínios no palco acima e o super trio elétrico Mega Love estacionado ao fundo vai ver que este negócio de Forró Pé de Serra também precisa de resgate. Pior para ele.

Ano de eleição, este foi o cenário que se viu Bahia adentro, Bahia afora. É só clicar duas vezes no vídeo e ver os similares lá no Tubo. Eu não sou saudosista, se tem que ser assim, que seja.

E as crianças, que não estão nem aí,  gostaram e pelo menos se divertiram  ao som dos Bárbaros do Morro, bloco afro de Iaçu. Maria, a menorzinha, mandou ver devidamente incentivada pela prima Lívia, que tem  talento. E André também caiu no reggae. Mas os três foram devidamente recolhidas ao pé da fogueira antes dos  subcovers das calcinhas pretas e dos cavalos  não sei das quantas  se revezassem noite adentro com seus cantos de amores em falsetes esganiçados: Eu vou fazer um leilão…

São João não passou por aqui

04/07/2008

Desta vez descemos com a renca desfalcada para o São João. Faltou Lu, que levou a máquina. Faltou o post também. Mas Maria, André e os primos Davi e Lívia se divertiram com os fogos, sob o olhar atento e gripado de (bis) vovô Rubem. Voltei às pressas de Iaçu, e só neste final de semana retorno pra lá e vou recuperar as imagens dos miúdos a dançar na praça ao som do São João afro de Iaçu.
Mas basta um passeio pelos meus vizinhos aqui para ver que Maria Sampaio, a autora da foto aí de um São João em Santo Amaro, Paulo Galo, Madame K e Aeronauta mandaram bem sobre o tema. Além deles, vai aqui uma amostra grátis do início do texto de dá gosto de Paulo Bono:

“Numa Sala de Reboco
Foi numa cidadezinha do interior da Bahia. Fazia frio. Muito frio. Mas fazia frio lá fora. Porque naquela garagem onde improvisaram um salão o forró pegava fogo. E de repente a sanfona puxou Numa Sala de Reboco. Minha favorita. Sou gordo e tímido, não costumo chamar ninguém para dançar. Mas o Rei do Baião e algumas doses de licor de jenipapo fazem milagres. Ataquei a moreninha de vestido florido que assistia ao forró quietinha…”

Veja o resto aqui, no ótimo Espalitando dente.

Que bom você voltou…

02/07/2008

…Bem-vinda a Salvador. A faixa compunha uma algazarra de apitos, camisetas com a foto de Ariana, spray de espuma, colares havaianos cor-de-rosa, óculos gigantes de plástico cor-de-rosa, grandes pentes cor-de-rosa, apitos, maracas de brinquedo. Enquanto Ariana não chegava, a turba gastava a tarde de ontem sacaneando qualquer um dos que surgiam no corredor do salão de desembarque com gritos e festa, ampliada pelos berimbaus do receptivo turístico. Quem será Ariana? Passou um cara com a camiseta,  arrisquei a pergunta mas fiquei na mesma: – É minha irmã.
George Gurgel, militante do PPS, esperava alguém no mesmo vôo. Não era Ariana. Sem graça pra fazer nova abordagem, quando a gente está trabalhando é mais fácil, encostei novamente em outro membro uniformizado e mudei a pergunta: de onde vem Ariana? – Do México, estava no intercâmbio. Compartilhei a suada informação com o casal  de amigos que esperavam também a filha.

Finalmente a charanga aumentou o volume e todos cercaram Ariana, que chegou contida,  meio envergonhada, empurrando um carrinho com sua  mala cor-de-rosa e muitos pacotes cobertos por dois imensos chapéus mexicanos.

No meio da confusão e abraços passa  batido Juca Ferreira, o quase sempre ministro interino da Cultura, que  se esquivou para não levar um empurrão no meio da algazarra de fotos e gritos. Em seguida vem o ex-eterno-presidenciável  Roberto Freire, também anônimo, seguido de  Daniela Mercury, empurrando seu carrinho, absolutamente livre de assédio, enquanto a turba se afasta aos apitos e gritos atrás de Ariana.
Finalmente apontou minha Lulúthica, acompanhada das duas amigas e a mãe de uma delas. Lu, alforriada de mais um ano de férias de junho em Iaçu, conheceu São Paulo graças a um convite da amiga  e uma promoção de 300 contos da Gol. Recebi um abraço de minha filhota de 12 anos,  numa recepção  menos barulhenta,  mas  com o coração tão feliz quanto o dos pais de Ariana.

Tigres, violões e bailarina

12/06/2008

Tinha muitos meninos e muitas meninas. Tinha um tigre e uma bailarina. E muitos violões. Assim Maria contou pra mãe o que viu no TCA ontem. Maria viu tudo o que não vi. Que bom. O espetáculo é concebido para ela,  para formação de platéia, e o mais importante é o que ela vê.

E aqui vai uma digressão. É sobre a passagem do tempo na fala das crianças. Elas de repente abandonam determinada palavra ou expressão e babau, nunca mais.  Até sábado, Maria falava tem três barcos para dizer que havia muitos barcos na baía. Ontem já incorporou o muitos, numa overdose de muitos. É como se agora tivesse prazer em usar o que aprendeu. Até outro dia trocava as letras no nome dos colegas, que chamava de Antonio Peleila, Frô e Sala. Sinto uma certa nostalgia quando eles mudam. Adorava ouvir Luísa falar galatixa em vez de lagartixa. André falava digantesco. Maria ainda fala Vom  Preço e Bela Vomecida.

Voltando ao concerto, não havia muitas crianças nem muitos pais. Apenas a parte de baixo ocupada com menos da metade. Pilhas de programas, impressos com qualidade, foram pro lixo. Um cenário bem cuidado, com folhas secas sobre o palco para simular o ambiente da floresta. Duas árvores cenográficas penduradas e com um belo efeito de iluminação sobre elas, chuva de bolas de soprar no final, figurino que incluía asas de passarinho para a flautista, roupas de época para a apresentadora sem falar no belo texto concebido especialmente para o espetáculo. Tudo combinaria com o teatro lotado. Mas como lotar mil quinhentos e cinquenta e quatro lugares numa tarde de quarta-feira? Quem levaria estas crianças ao teatro? Quem seriam estas crianças? As ricas têm mais o que fazer, as de classe média estão com as agendas entupidas e pais ocupados. As pobres não têm quem levar. Talvez a saída fosse o domingo pela manhã. Ou levar as escolas. 

Onde havia leão Maria viu tigre, no lugar de violoncelos, violinos e violas, viu violões. Nos movimentos da apresentadora, viu a bailarina. Tudo a  ver. André não viajou muito e gostou mais da parte do programa em que a gente deu uma parada no Porto da Barra para a colocar na água do mar os barcos de papel feitos por ele durante o concerto. Fizeram uma farra na areia num fim de tarde chuvoso de quase inverno.

Bem, e eu?

Não gostei do solo do violoncelo, o cisne.  Não bateu. A impressão era de que a violoncelista queria se livrar do serviço logo e deixou de visitar aquela ultima sonoridade, aquela última vibração arrancada do instrumento no limite de cada seqüência de notas. Não tenho ouvido musical, não sei quando alguém desafinou, não noto erros. Mas antes de postar aquele garoto fazendo o cisne, ouvi outras versões. Será que eu esperava ao vivo o que havia ouvido pelo som digital a toda altura do fone de ouvido? Será que já estou preferindo o som eletrônico ao acústico?

Mas esta falta de tesão já havia sentido na OSBA, em comparação com a vontade dos meninos do Neojibá. E havia poucos deles ontem no concerto. Talvez  o clarinetista, que faz o cuco. Coincidentemente, uma das partes bacanas do concerto para mim. E ele fazia apenas cu-co. Duas notas. Mas duas notas com vontade, com garra, com prazer.

Tia Dete

11/05/2008

 

 

 

 

Peço licença à minha mãe e à mãe dos meus filhos para hoje falar de Tia Dete. Largamos Luísa ontem  na aula de circo e ao perambular pela Orla em busca de figurinhas de Ben 10 para André e das princesas para Maria, bateu uma vontade  forte de ver Tia Dete.

E eu pude fazer isso. Dei meia volta e fui em direção a Placa Ford, sem telefonar antes, com a intimidade dos meus cinco ou seis anos, quando ia à casa dela de Conquista para Rubim, depois de passar por muitos mata-burros a bordo do Jipão de tio Descartes.

Marejei ao chamar André, que tem a idade que eu tinha na época,  para apresentá-lo a Tia Dete deitada na cama, aos 88 anos com os joelhos destroçados pela artrose, acolhida pelo filho, nora, neta e bisneto. Aguarda com esperança uma cirurgia para voltar andando novamente para seu cantinho em Minas.

A voz rouca e o sotaque mineiro são os mesmos (dezzz, trezzzz, uai, mooooço). Antes de sairmos, chamou André, e, já na cadeira de rodas, tirou não sei de onde cinco reais e ofereceu, lembrando que era pra dividir com Maria.

Guarda o velho hábito mineiro de presentear as visitas. Quando meus pais e meus irmãos foram me buscar depois de uma das férias, os anfitriões ofereceram a cada uma das crianças um bezerro, tradição daquelas bandas. Lembro que anos depois estes presentinhos (que se transformaram em algumas cabeças) nos foram confiscados e quebraram o maior galho num momento crítico do combalido orçamento lá de casa.

Tiaa Dete tem o olhar triste. Teme o fim e assume sem o menor rodeio.

 “Dizem que tem vida depois da morte. Mas eu nunca vi nenhum voltar de lá”, diz com um sorriso maroto.

Concordo tia.

Parabéns  pelo aniversário desta semana, pelo seu dia de mãe de hoje. E obrigado por tudo.

 

Atualizado em 14 de julho: Tia Dete já não está mais entre nós. Fui ontem com minha mãe na casa de Inamar fazer uma visita surpresa a ela só então soubemos que todos estavam em Minas, desde o seu falecimento, em 28 de junho. Saudades, tia.

Bom conselho, tarefa difícil

09/05/2008

Fui convencido pelo Duda do blog da importância de ir junto com a renca comprar o presente da mãe.

Saí com os três em direção ao shopping  no final da tarde e nas imediações do Caminho das Árvores pressenti que a parada ia ser dura. Todo o engarrafamento ia em às compras, em vários braços e transbordamento de um caudaloso rio de aço, como disse Drummond, no tempo que os carros não eram de plástico.

Menos de um km e muitos minutos depois conseguimos estacionar bem longe, fazer uma corda de caranguejo, passar por muitos carros impacientes pra  finalmente… desistir.

André sentou no chão do primeiro corredor porque queria um mac antes, Maria e seus 20 kg esperneava por colo. Rios agora de gente num shopping entupido. Eu perdi a paciência e dei meia volta. Luísa, que seria a guia na compra dos presentes aceitou complacente.

Mais meia hora de engarrafamento, e na longa volta combinamos tentar novamente amanhã, às 9 em ponto, sem transtornos (será?) só eu e minha guia. Espero ter mais sorte com os conselhos de mkt político do Duda.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Lá na Casa dos Carneiros

03/05/2008

Encontrei,  por motivo profissional, João Omar, o filho de Elomar. Neste encontro, vi um vídeo sobre o concerto de junho, lá na Casa dos Carneiros, e acabei lembrando a João Omar que o Bode, como ele chama o pai, é filho neto da  Tia Maricota do meu pai Gedeão.

 

Lembro bem que seu Gedeão, ou seu Dedé, ainda convalescente de um AVC recebeu Elomar lá em casa, na Praça da Bandeira,  e ao ouvir as referências sobre os parentes vivos e mortos, começou a chorar. É um hábito de todo Giboeiro falar e falar e falar dos parentes. Gosto dos  nomes dos meus parentes. Meu avô, por exemplo, é Quinca de Dodô. Não é um simples Joaquim, é Quinca, e é de Dodô, e que é irmão do Tio Maneca, ou Maneca de Dodô.

Soube que na Casa dos Carneiros tem um telescópio de espelho de 20cm de diâmentro, três vezes mais potente do que meu velho russo,  enferrujado e fora de combate  Alkor. E  que de lá da Casa dos Carneiros se mira o céu da minha infância, onde a via láctea era estonteante. E que Vinícius de Moraes falou deste céu na apresentação do disco “Das Barrancas do Rio Gavião”. Veja o que disse ele: 

“A mim parece um disparate que exista mar em seu nome, porque um nada tem a ver com o outro…

…compondo ao violão suas lindas baladas mirando sua plantação particular de estrelas que, no ar enxuto e rigoroso, vão se desdobrando à medida que o olhar se acomoda ao céu, até penetrar novas fazendas celestes além, sempre além, no infinito latifúndio… 

É… Quem sabe não vai ser lá, no barato das galáxias e da música de Elomar, que eu vou acabar amarrando um bode definitivo e ficar curtindo uma de pastor de estrelas…

Veja íntegra do texto aqui.

Vida longa ao Bode e a sua sertaneja Casa dos Carneiros.

O roubo, Capricho, Piaf e a dúvida

10/03/2008

Tinha um  mal-encarado deitado no passeio. Ao entrar no prédio encontro Lulu de saída e ela me convida para ir até à esquina comprar uma Capricho. Tive preguiça. Mas, ao lembrar do sujeito, resolvi dar meia volta para depois não ter que amargar culpa. Ir a banca para quem tem uma renquinha em casa não é um programa de uma compra só. Voltamos também com pôsteres do Ben 10 e da Moranguinho e uma revistinha da turma da Mônica.
Na volta, esbarro na sombra de Piaf, espalhada em várias cópias de DVDs pelo chão da calçada. Penso em fazer um post sobre este encontro. Não fiz, e Lulu já comentou estes dois assuntos – Revista e DVD.
Mas o post que eu queria fazer é sobre este crime que não me dá nenhuma dor moral, já que aqui em casa há uma piratoteca bastante variada, principalmente de DVDs infantis. Mas se não provoca remorsos, ao menos força a reflexão sobre o crime de ser receptador de um furto.Na verdade, ao comprar um DVD pirata, compramos, e caro, uma mídia de DVD, uma capa de plástico e uma xerox vagabundas. Tudo isso não deve sair ao primeiro ladrão da cadeia por mais que 90 centavos. Portanto adquiri um porta-roubo pela fábula de R$ 5 reais, ágio de mais de 500%. Só falta ver o filme para, pelo menos, justificar o crime e poder repetir  como Lulu: “Não me arrependo de nada que fiz”. E por falar em Lulu, fiquei na dúvida se esta minha criança não está muito tirada a adulta vendo filme que seria dos pais, que sequer assistiram, e ainda sair repetindo que não se arrrepende nada …aos 12 anos. Se arrepender do quê, cara-palida com espinhas e aparelho? De ter dado um cascudo em Maria ou André? De ter respondido à mãe? De ter conversado na sala? Li  um post de Reinaldo Azevedo, que, de forma oposta acabou por me fazer refletir sobre isso. Ao comentar o desagrado com um adulto infantilizado, fez a seguinte citação de uma frase de Antero de Quental ao poeta Castilho: 

“A futilidade num velho desgosta-me tanto como a gravidade numa criança”.

Mas será que Lulu ainda é uma criança?     

Suado, fedendo e… completamente babão.

08/03/2008

Ele chegou! 
Sempre foi assim. Desde bem pequenininha. Nós morávamos no primeiro andar, e meu pai sempre estacionava o carro na parte de trás do prédio, logo embaixo da nossa janela. E todos os dias a noite, entre oito e nove horas eu ouvia esses sons: o barulho da porta batendo (sempre muito mais forte do que o dos outros carros), o barulho dele subindo a escada, na maioria das vezes assobiando, e o som inconfundível do seu interminável molho de chaves girando na fechadura. Sempre, sempre, sempre. E eu sempre,sempre,sempre, já sabia quem era. Meu pai. Inconfundível o som de sua chegada. E era sempre assim: eu ouvia o som da porta batendo lá embaixo e corria para a janela, para ver se era mesmo ele; e aí eu ia pra sala, pra esperar. Sempre foi uma alegria. Adorava ver meu pai chegar de noite! E ficava na porta, esperando, só pra poder dar um abraço nele (mesmo suado e fedendo,como ele sempre chegava) antes de dormir. Às vezes, eu queria alguma coisa, ou então só o abraço, só ver ele chegando já era a maior felicidade. Com o tempo, parei de fazer isso. E fui substituída por meu irmão, que sempre foi todo contente abraçar meu pai quando ele chega. Ano retrasado a gente se mudou. Agora moramos no segundo andar. E como o chão da garagem é coberto de pedrinhas daquelas que eu chamo de ‘brita’ todos os carros fazem barulhos enjoados e ensurdecedores. Mas o barulho da chave enquanto ele abre a porta e as canções assobiadas durante o percusso na escada continuam, e quem vai saudar meu pai toda feliz junto com meu irmão, é minha irmã,Maria, de apenas três anos, que parece ter criado, como eu e André esse mesmo hábito…

(Ganhei este post de presente ontem no BU!, o blog da Lulu) 

 

 

 

 

 

Aniversários das garotas

01/03/2008

E hoje o cardápio da renca vai ser bolo, bolo e bolo!

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Parabéns, Stael! 

 

E eu descubro que este já é o terceiro parabéns neste Licuri para minha mana aí da foto recente. E então repito post do ano passado. Hoje temos a mesma idade. Por isso os parabénsvão também para Edith, mãe nossa, que deu à luzduas vezes enquanto a terra sequer havia completadouma volta em torno do sol. Repito também o de Marcelinha, que fez 16 dia 18 e comemora hoje com a mãe.

 
 

 

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Parabéns Marcelinha! 

 

Que Deus continue a lhe dar o que nunca lhe negou: muita saúde e paz, inteligência, alegria, beleza, juízo e o que mais você precisar ou desejar. Parabéns Stael e Mô Celo pela caçulinha de de três que até outro dia era uma criança linda e num piscar de olho está a se transformar numa linda mulher. Poucos verões atrás,  Marcelinha encostou em Soraya, que estava com um livro em Morro de S. Paulo, e perguntou:

– Que é icho?– Um livro Marcelinha.– E tem figuia?– Não, não tem.– O meu tem figuia!  Estas crianças envelhecem rápido demais…

 

 

Parabéns Livinha! 

…que comemora também 5 anos hoje. A foto e o texto vêm depois porque tenho que buscar tia Reia  na Rodoviária para o aniversário.  Cheguei da rodoviária e busquei lá no Licuri no Uol o texto do ano passado:  Mais um aniversário de família. É um acontecimento importante para mim, para minha renca, para seu Rubem Reis, bisavô dos meus e de Lívia, a aniversariante. E para os pais dela, naturalmente. O único fato de interesse ou de curiosidade pública é que Lívia é filha da capitão-tenente,  fisioterapeuta,  jornalista,  fotógrafa e amiga de Paquito,  Lis Nunes Almeida. O pai é o publicitário marinheiro Popeye ou  capitão-tenente Flávio Francisco Barbosa Almeida, um cara bom de papo e bom de texto.  A foto fica pra depois do aniversário, ou dos aniversários.

 

 

 

 

Não tenho saído nem pra ver eclipse; pai, são seis e meia!!!

21/02/2008

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O cúmulo de não mais sair, é não sair nem na porta da rua para ver eclipse. Vida de corno essa minha. E como o Licuri agora é diário, receba na caixa dos peitos – obrigado Ingresia –  este desabafo, este lamento borincano.  – ¿qué será de mis hijos Y de mi hogar?.
Saí tarde do trabalho, para variar, olhei para o céu e tava ela lá brilhante, claríssima. Porra, o UOL não me disse que começaria às 9 e 15. Já eram 10 e tanta, o Vitória, pra meu desgosto, já dava de 5 no Itabuna, e o Bahia, a duras penas e para meu desgosto ao quadrado, apenas empatava com o Fluminense de Feira.
E eu, que tiro onda com meus parcos conhecimentos de  céu, que adoro me exibir mostrando escorpião, as plêiades e os planetas, não lembrava que primeiro a lua entra na penumbra, só mais ou menos uma hora depois é que vem o eclipse parcial, quando a sobra do sol de fato começa a morder um naco da lua. Portanto, ver o primeiro eclipse de 2008 significaria avançar mais de uma hora no meu cansaço.
Acabei vendo um eclipse de pálpebra, no sofá da sala. Acordei às duas para ir pra cama e pela fresta da área de serviço lá tava ela brilhante de novo. Eclipse é como a vida, vacilou passa.
E pela manhã, o desejo de mais cama foi interrompido pelo sino, pelo mantra diário da pobre Luísa que prevê atraso: 
– Pai, seis e meia.
E assim lá nave vai, das seis e meia às 10, 11 da noite. Soraya tem razão. Não adianta comprar Vida Simples com aquelas matérias cheias de fórmulas simples e impossíveis para desacelerar, mudar de vida. Planejo viver uma vida menos corrida, planejo caminhar pela manhã, planejo emagrecer. Planejo sair do vermelho. (consegui apenas por uns 10 dias esta façanha).
Tudo fica no desejo, na imensa distancia que separa intenção e gesto. E naquela frase batida de Lenon, de que a vida é tudo que lhe acontece enquanto você faz planos. 

 

 

Achei a imagem aqui. 

Mônica Gedione

17/02/2008

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Teatro Castro Alves lotado hoje para mais um Domingo no TCA. No palco a história de Luiz Gonzaga. E na platéia Dona Edith, minha senhora mãe, para assistir com Marcelo e Stael, a filha caçula no papel de Mãe de Gonzagão em  O Vôo da Asa Branca.Minha irmã Mônica Gedione,  atriz, é chegada a interpretar uma mãe. Foi também mãe de Raul Seixas, mãe do protagonista Roberto Zucco e avó de Portinari num espetáculo montado por Luiz Carlos Vasconcelos em São Paulo. Só lembro dela ter feito a filha em A Casa de Bernarda Alba, na década de 80, dirigida por Fernando Guerreiro numa montagem na Capela do Solar do Unhão. Mônica é esta da direita na foto, numa cena do Vôo, quando interpreta uma cantora de Rádio.

Maria

14/02/2008

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Minha Pachuluca completa hoje, 15 de fevereiro,  tlês anos. (escrevi este post quase uma da manhã mas o relógio do blog ainda estava no ontem).
E antes de dizer quantos,  junta os três dedinhos gordos com a ajuda da outra mão e mostra.
Toda linda, não sei se pelos belos olhos, não sei se pela simpatia, não passa na rua sem que todos a chamem pelo nome.
Em Salvador ou em Iaçu, é a garota mais popular que eu já conheci.
De personalidade forte, reúne três personagens de Maurício de Souza nela só. Come como a Magali, fala como o Cebolinha e é foltona, baixinha e golducha como a Mônica.
Voltou bilíngüe de Iaçu. É preda pra cá, vrido pra lá e saudade de Frô, sua colega de escola.
Pediu e vai ganhar daqui a pouco a bicicreta rosa que tem desejado, enviada por tia Reia e Tio Rubinho, transportada pela vó Mônica, que trouxe também um imenso bolo branco no colo, enfeitado por três princesas.
Mandona, outro dia gritou da sala. – Liene, venha cá! Eliene vai e recebe de chofre: – Liene, eu te amo.
Bate muito e apanha, apanha muito de André. Completamente apaixonada pelo irmão, mal sai dos tapas e abraça e beija seu algoz ou vítima sem a menor cerimônia.
É a mais apegada a Soraya, a quem se declara também assim do nada e em quem  vive se enroscando em busca de um chamego.
Obedece a Luísa como a uma mãe de quem recebe cuidados e proteção. Foi Luísa a autora da  foto deste post, quando Maria tomava seu banho de espuma no quintal, em Iaçu.
Parabéns minha filhota.
E eu, por que  vou reclamar da vida diante de uma coisa como essa?

 

P.S: E hoje também é o aniversário de minha querida amiga Márcia, uma das figuras mais incríveis que conheço. E pra completar, resolveu nascer no dia de Maria.
É uma maleta, mas é maravilhosa também. Parabéns Marcinha.