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Era pra ser de um jeito. Hera.

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Eu e minha boca de elástico folgado de calçola velha, como dizia minha amiga Marcinha.

Mas vou ter que contar aqui porque é uma história bonita, porque envolve pessoas belas, porque é semana do dia dos pais, porque está perto do aniversário de Luis, porque conheço Josias desde os 15 anos de idade, porque essa vida é foda. Meu amigo que me desculpe por publicar suas intimidades.

Ligo pra Josias pra conversar sobre o lançamento de Cuíca e ele cai no choro no meio da conversa. Havia acabado de levar Luis ao aeroporto. O menino voou, foi fazer mestrado no Rio de Janeiro, o menino que outro dia lambia a vela do bolo do aniversário de 2 ou 3 anos, aniversário que hoje coincide com o de 20 anos da minha história com Soraya, iniciada naqueles dias do aniversário de Luis em Feira de Santana.

O choro de Josias é um choro contraditório, choro de quem perde um filho pro mundo, pro filho ganhar o mundo, estas contradições desta vida fuleira, difícil de explicar.

Josias chora, Luis voa.

Luís, que hoje é físico e vai fazer mestrado numa área que mistura física e biologia, estava montado em meu cangote numa rua em Feira de Santana quando viu um muro coberto de hera.

– Eu sei por que esta planta se chama hera, disse o menino. É porque era pra nascer no chão mas nasceu na parede.

Foto da página de Luis.

PS importante: histórias verdadeiras. Uma correção na última, contada no último parágrafo: troquei as crianças quase na maternidade. Esta frase da hera foi dita por  Victor Freire, outro garoto muito especial, filho de outros amigos especiais Alberto Freire e Luiza Cardoso. Mas como bem explicou Odorico Paraguaçu a Dirceu Borboleta sobre uma frase atribuída por ele a Ruy Barbosa: “Se ele não disse, deveria ter dito”

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10200309647360574&set=a.1137311949744.2020128.1135737937&type=1

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Mas

Na terapia cognitiva tem uma palavrinha mágica, a conjunção adversativa mas. Ela é utilizada para contrapor certas crenças nucleares como o fracasso, por exemplo. Sou um fracasso mas tenho amigos. Sou um pai não provedor o suficiente mas dou boas escolas a meus filhos. E por aí vai.

Há alguns dias não vou à sessão de terapia mas ando utilizando esta palavrinha mágica. Nos últimos dias postei no facebook fotos do fundo do baú, como a dizer: minha vida está difícil mas tive um passado bacana, mas fiz entrevistas bacanas, mas tenho uma família linda.

E todo mundo ajuda nisso ao curtir, comentar e até compartilhar este sucesso derivado do mas.

E hoje, de surpresa e supetão, ganhei pela caixa dos peitos um senhor mas, que levarei pelo resto da vida.

Fui convidado com a renca para almoçar na casa de minha irmã com irmão e sobrinhos. Fizeram questão que fôssemos a renca toda. E lá, depois de um belo discurso, minha irmã Rita me entregou um pequenoo baú.

Houve muita gozação porque um ano em Morro de São Paulo demos de amigo secreto para minha irmã Rita uma caixa da Imaginarium. Era uma caixa de metal transada e cara, mas era uma caixa vazia. Ao abrir o presente ela virou a caixa para baixo e nada lá dentro. Foi a gozação de todos os anos, jamais esqueceram esta caixa vazia de presente.

Pois bem, tentei advinhar o presente. Talvez dinheiro já que graças a… deixa pra lá, estamos com o orçamento mais combalido nestes meses sem o salário de Soraya. Mas dentro tinha uma coisa que fazia barulho.

Sim, como você já deve ter desconfiado por conta da imagem,  era a chave de um carro zero, completo, ar, trava, vidro elétrico, som, tanque cheio, IPVA e seguro pagos. Sim, era o presente de uma família, irmãos e mãe, que não é rica.

E aí então entra o lado que me pega de cum força. Na brincadeira, fiquei falando uma frase feita para mãe e irmão ao telefone: ganhei na loteria. Mas não ganhei um carro na loteria, ganhei esta família na loteria.

E aí vem a memória dos tempos difíceis, quando esta família segurou minha onda. Segurou uma barra pesada mesmo.

E o carro aqui fica absolutamente secundário. Num pensamento mais amargo que porventura eu pudesse ter, poderia achar que nesta idade eu deveria era me envergonhar de não comprar as minhas coisas, ter que contar com a generosidade dos irmãos, quase todos mais novos que eu, e de uma mãe que vive de aposentadoria.

Mas não prevalece meu lado amargo. Vence, de sobra, meu lado espiritual. E neste aspecto eu me sinto um ser agraciado pela sorte. Não são muitos no mundo que têm o privilégio de ter ao seu redor, no seu sangue, pessoas que armam este tipo de alegria.

Enfim, só tenho mesmo é que agradecer de coração apertado de alegria a Edith, minha mãe, aos irmãos Rita, Dine, Stael, Márcio, Mônica, ao cunhado Marcelo e às sobrinhas Babelle, Marcela e Marina, que armaram a festa.

 

https://www.facebook.com/soraya.almeida.587/posts/433171793383726

É hoje

 

Mônica em geremiasClique na foto para ver o álbum.

Estréia de Mônica na peça Jeremias, na Sala do Coro do TCA.

Merda pra você, mana.

Vá entender, mas é desta forma estranha que o povo de teatro deseja sorte uns zon zotro.

A bela foto da procissão é de Haroldo Abrantes, furtada do portal A Tarde. Mônica é a última do lado direito, com o xale na cabeça. Faz o papel da mulher de Jeremias, o ator Antônio Fábio, ajoelhado ao seu lado.

P.S

Mundo Pequeno. Descubro agora o blog da autora do texto da peça, Adelice Souza.
Ela nasceu em Castro Alves, numa cidade e numa rua que fazem parte das cidades e das ruas da minha infância.