Posts Tagged ‘filhos’

João-de-barro

26/01/2016

– Ele dá quanto para ajudar a criar o menino?
– Duzentos reais. Mas eu não ligo porque ele tá construindo a casa.
– Epa, o amor está no ar.
– Que nada, eu quero é sair do aluguel.

(Leitura feminina: – Mentira, ela ainda é a finzona dele.)

 

Bônus

24/10/2013

Reclamo, reclamo muito do sobe e desce como motorista escolar. Agora na reta final do 3º ano piorou. Levo dois às 7, a menor às 7h30, pego dois 12h30, devolvo uma 13h30, pego a outra já liberada desde 13h20 às segundas e quartas, pego novamente a maior 7 da noite.
Reclamo, reclamo muito mas vai bater saudade. Deixei a maior pela última vez na escola do segundo grau hoje, parei e acompanhei com os olhos o andar da moça, quase(?) adulta, sandália rasteira, saia balançante, blusa de alça, classificador apoiado no braço direito e na cintura, desfilando toda lindinha em direção às escadas, de bebê bochechuda a moça esguia num piscar de olhos, até que um carro me assusta com sua buzina estridente e longa, onde já se viu este idiota parado no meio da pista lambendo a cria com os olhos. Ligo para a mãe marejado, conto tudo e recebo a boa notícia. Ainda tem amanhã, hoje é quinta e não sexta como acordei convencido.

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Era pra ser de um jeito. Hera.

09/08/2013

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Eu e minha boca de elástico folgado de calçola velha, como dizia minha amiga Marcinha.

Mas vou ter que contar aqui porque é uma história bonita, porque envolve pessoas belas, porque é semana do dia dos pais, porque está perto do aniversário de Luis, porque conheço Josias desde os 15 anos de idade, porque essa vida é foda. Meu amigo que me desculpe por publicar suas intimidades.

Ligo pra Josias pra conversar sobre o lançamento de Cuíca e ele cai no choro no meio da conversa. Havia acabado de levar Luis ao aeroporto. O menino voou, foi fazer mestrado no Rio de Janeiro, o menino que outro dia lambia a vela do bolo do aniversário de 2 ou 3 anos, aniversário que hoje coincide com o de 20 anos da minha história com Soraya, iniciada naqueles dias do aniversário de Luis em Feira de Santana.

O choro de Josias é um choro contraditório, choro de quem perde um filho pro mundo, pro filho ganhar o mundo, estas contradições desta vida fuleira, difícil de explicar.

Josias chora, Luis voa.

Luís, que hoje é físico e vai fazer mestrado numa área que mistura física e biologia, estava montado em meu cangote numa rua em Feira de Santana quando viu um muro coberto de hera.

– Eu sei por que esta planta se chama hera, disse o menino. É porque era pra nascer no chão mas nasceu na parede.

Foto da página de Luis.

PS importante: histórias verdadeiras. Uma correção na última, contada no último parágrafo: troquei as crianças quase na maternidade. Esta frase da hera foi dita por  Victor Freire, outro garoto muito especial, filho de outros amigos especiais Alberto Freire e Luiza Cardoso. Mas como bem explicou Odorico Paraguaçu a Dirceu Borboleta sobre uma frase atribuída por ele a Ruy Barbosa: “Se ele não disse, deveria ter dito”

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Quem há de atirar a primeira pedra?

24/04/2013

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Em Moreré, gigolô de renca se dá bem

04/03/2009

Sabe aqueles meninos engraçadinhos na sinaleira a desafiar o nosso racional? Às vezes a gente não resiste. Descobri na viagem que também  uso esta técnica, de seduzir pela graça das crianças.
Inicialmente era inconsciente, mas depois de constatar o sucesso da presença deles nas situações de necessidades como atolamento, negociação dos pacotes de refeições e diárias, comecei a manipular os cenários. Assim foi em Moreré.
Chegamos à noite e sem tempo nem energia para procurar um lugar. Seguimos então a indicação de Rubem, artesão que vive no Capão e conhece o lugar (é interessante este fluxo bicho-grilo Chapada/Moreré). Fomos  então para a Pousada Moreré, a mais antiga do lugar, cujos donos são nativos. Desconto conseguido, dormimos todos num quarto que daria bem para um casal, mas não para uma renca de cinco.
Fabiana, filha do dono, ao ver nosso desconforto, fez uma proposta decente. O cunhado dela tinha a solução no fundo do restaurante da pousada. Conversa vai, conversa vem e nos instalamos numa casa de dois quartos, mobiliada do cortinado ao pano de prato, incluindo também gás, sal, detergente, além de gatos e  mangas no quintal. Tudo isso por R$ 60 a diária, com direito também  a companhia de crianças para brincar com  meninos. O que se assucedeu nestes dias  você acompanha neste resumo fotográfico abaixo:


É bom chegar a lugares desconhecidos à noite. Ao amanhecer a gente se vê como numa peça de teatro, quando a luz se acende num ambiente absolutamente novo. Vi esta mudança de cenário a bordo de uma das canoas ancoradas na praia.

Maré vazante

Pousada Moreré

Já em companhia de Luísa, caminhamos em direção à direita e por este caminho da foto e chegamos a Bainema, lugar sonhado por Soraya e que valeu a insistência dela em conhecer.

Por todo canto os Guaiamuns. Pela manhã bem cedo, a gente se encontra com estas figuras assustadas e ariscas, a alegria dos meninos.

Chegamos fnalmente a Bainema

Novo amanhecer no cenário presente em 9 de 10 fotos de quem vai a Moreré.A performance deste estrangeiro entoando mantras provocava muitos risos e brincadeiras entre nativos e turistas. Era uma espécie de sino a saudar o nascer e o pôr-do-sol. Figura bonita e de paz. Doido manso, na visão dos nativos.A performance deste estrangeiro entoando mantras provocava muitos risos e brincadeiras entre nativos e turistas. Era uma espécie de sino a saudar o nascer e o pôr-do-sol. Figura bonita e de paz. Doido manso, na visão dos nativos.
Aportada no mangue, uma das caravelas exibe sua cauda fatal, protagonista de uma cena digna de filme iraniano. Gritos lancinantes, garoto sai da água desesperado e logo uma roda de crianças e adultos se forma ao seu redor. Gritos e mais gritos. Quem já foi queimado por caravela sabe o tamanho da dor, que não passa. Mas logo aparece o avô. Para acalentar? Que nada, chinelo na mão, aplica uma sova no coitado pela desobediência de ter ido ao mar mesmo com o alerta de vento e da presença da frota lilás. Detalhe: a avó, desavisada, havia autorizado o banho.

Só na tarde do segundo dia tomamos o rumo da esquerda, onde ficam as famosas piscinas naturais de Moreré.Só na tarde do segundo dia tomamos o rumo da esquerda, onde ficam as famosas piscinas naturais de Moreré.
No terceiro dia partimos num passeio para Cova da Onça, povoado secular da outra ponta da ilha e aí novamente a sedução dos meninos ajudou nas negociações. R$ 50 para cada casal de turistas. Com mais R$ 20, incluímos os nossos três passageiros extras e seguimos a bordo do Ilha de Moreré para nossa aventura de um dia. Inicialmente os meninos super animados na proa, com a cara nos respingos e o corpo pra cima e pra baixo no balanço do mar. O que aconteceu minutos depois você acompanha no próximo capítulo porque a fita em série que se preza tem que acabar no melhor pedaço.

Pachuluca azuleja o dia

03/09/2008

O mar de Camamu num apiário sertanejo. Esta é a versão lá de casa para a “espiga de milho no meio do cafezal”, atribuída a Euclides de Anna, o mais famoso do país antes de Eduardo de Marta.

Vixe Maria, de quem são estes olhos? Não são do pai, não são da mãe, não são cor de mel como os de André e de Luísa, não são dos tios… A pergunta indiscreta seguida dos não indícios não quer calar desde que Pachuluca abriu os que lindos olhos, que lindos olhos que ela tem. Alguns ainda não se emendam: este cabelo é pintado?

Já fotografei em Iaçu, mas ainda não copiei para botar na carteira (culpa destas malditas máquinas digitais), os quatro olhos próximos e absolutamente iguais da Pachuluca e do biso Rubem. Pena que os outros absolutamente iguais do biso Antônio só existam na foto P&B.

Mas vou dar meu troco. Se a coisa conseguir ficar ainda mais apertada, alugo Pachuluca para modelo e folgo. Não estes modelos de publicidade que as agências exploram via vaidade dos pais e pagam uma merreca. Vou alugar a menina por uma fortuna é para uma futura grande pesquisa genética/étnica, como modelo da síntese perfeita da alegria desta mistura que chamamos Bahia. Esta garota, além da felicidade 24 horas (só perde o humor quando chegam os dentes) traz no corpo o mapa perfeito da combinação Oropa/África/Sertão.

E se daqui a uns quize anos ainda não inventarem uma coisa menos polêmica do que esta tal cota ela vai empinar o nariz e o bumbum, sorrir e exigir: eu também quero!

Pachuluca, que também atende por Maricota ou Nicota Farofa, é boa de briga. E arteira. A mãe já notou que ela encontrou um meio de não levar pancada de Budegão nas horas em que surrupia algum dos seus pedaços preferidos de brinquedo. Antes de a porrada descer ela já corre, apóia uma mão na outra em cima do sofá, abaixa a cabeça sobre as mãos e abre o falso berreiro. Pronto, antes da descoberta da farsa pai, mãe e Luísa já deram bons berros em coro: Andrééééééé´!

E é teimosa. Basta o outro dar as costas, e ela ter a certeza de que ele não está por perto, para a cambotinha partir picada em direção ao baú de tranqueiras e se refastelar. Até que ele retorne. E então…

Dei dois grandes vacilos  mas não perco esta terceira chance. Pachuluca já está sendo treinada desde agora para me chamar como devem ser chamados os pais aqui nesta terra. Luluthica tem me ajudado nesta insistente e estafante alfabaianização:

_ Pa-in-nho, vai Maria, Pa-in-ho.

Ela fica séria e tenta: 

_ Piau.

_ Pa-in-nho.

_ Papio

_ Pa-in-nho.

_ Piiio.

Já tá de bom tamanho!

 

PS: A frase de Euclides citada lá no começo foi lembrada neste fim de semana pelo tio marinheiro Popay Flávio, num dos intervalos do festival gastronômico do aniversário da Vó Conceição, em Feira, quando em menos de 24 horas a família colocou a fofoca em dia e caiu de boca no famoso  caruru/vatapá pega marido da Ceiça, numa mariscada com ingredientes da rampa do Mercado levados pelo quase capitão-de-corveta e sua comandante e numa feijoada/carneada baiana da Vó Mônica (os meninos têm duas vós maternas) que deixam no chulé qualquer destes restaurantes ranqueados no melhor de Veja.

 

(encerro aqui a trilogia  escrita há dois anos sobre os miúdos. Este post é de 31 de agosto de 2006. Mas o repeteco  continua enquanto eu não trouxer todo o pouco que falta do Licuri do Uol para cá. O PS acima revela a repetição do encontro familiar deste final de semana comentada no post sobre André,o que comprova que a vida não vem em ondas, vem em círculos).

Lulúthica que um dia foi Lego-lego

02/09/2008

(ai, ai caramba, dois anos não são dois dias, principalmente na vida de uma adolescente. Este post foi publicado no dia 29 de agosto de dois anos passados e sua releitura  e reedição revista só comprova que de fato elas envelhecem numa velocidade assustadora. Hoje Lulu já é uma adolescente típica e eu sou o ridículo que a expõe ao mico de ficar fazendo post sobre… esqueci que estou proibido)

Até outro dia era Lego-lego do papai. Hoje já usa Mall-Estar cor-de-rosa, prenúncio do vermelho dos primeiros raios de mulher. Luluthca vive atracada com um tal de Artemis Fowl, que descobriu sozinha. Nem a mãe sabe tudo, a indicadora oficial de livros, sabia quem era o tal. Entrou na fase de mãe que não faz a menor idéia.

Ela era tão bonitinha devorando todos de Pipi Meia Longa, todas as Crônicas de Nárnia, o Lobatão em edição completa comprado no sebo…

O google me conta que este tal Artemis é um garoto de 12 anos, dois a mais do que ela, e que tem o maior QI da Europa. [ Xiiiiiii, e se ela se encanta, se pica com ele e deixa o papai aqui a ver blogs, como fizeram com seus papais a Maria, o Cido e a Pururuca aí do lado?]

O jeito é ir se acostumando e ficar com Rubem Alves, que altera Gibran: “Ser pai é alegrar-se com o vôo do pássaro, livre, para longe, numa direção não sonhada”. Minha Luluthica ainda continua aqui no ninho. Não cabe mais no meu colo, já se incomoda com os hábitos toscos do pai (melhor não descrever aqui): ôôô meu pai… protesta. Mas continua carinhosa e doce. E procupada com meu peso. Virou fiscal de balança. Com sucesso.

Mas Lu ainda é capaz de passar o dia inteiro lá embaixo brincando de boneca com a meninada. Ganhamos uma prorrogação. E ainda conta (alguns) segredos. Normalmente depois de algum longo silêncio no trânsito, quando se queixa de algum menino chato [graças a Deus eles ainda são chatos]. E ela vai crescendo, crescendo – já é maior que a avó. E segredando cada vez menos. Não somos amigos, somos pais. É assim e está certo.  Saudades do tempo em que ela chegou pra mãe com toda a confiança do mundo e propôs:

_ Mãe, vou lhe contar um segredo tão segredo, mas tão segredo, que você não pode contar pra ninguém, nem pra mim.

O guerreiro magricela

01/09/2008

André, de bermuda preta, no Campo Grande em 2006

 (mesma estrada, mesmo carro, mesmas pessoas com o acréscimo da sogra, viajei hoje segunda-feira desde Feira de Santana e o fim-de-semana lá me tirou o show de Tom Zé aqui, disseram que foi muito bom. Mas como dizia a Cecília, é isto ou aquilo. Lá teve aniversário da vó Conceição dos meninos, os primos, os tios, o bisavô e cachorros, muitos cachorros. E neste ritmo família, inicio aqui a republicação de três posts sobre os miúdos, redigidos em seqüência há  dois anos. Abaixo, o primeiro, numa segunda-feira, Feira de Santana, 26 de agosto de 2006)

 

Dia amanhece nesta segunda-feira, Feira de Santana-Salvador. Os cincos viajantes balançam as cabeças na cadência das ondulações e buracos da BR 324. Uns sonham acordados, outros dormem. O silêncio trafega sobre o ruído contínuo do motor. De repente, um grito:

-Atacaaaar!

Algumas ordens ininteligíveis são dadas e o guerreiro magricela vira a cabeça para o lado e continua sua batalha em silêncio.

Quem ainda estava dormindo acorda com as gargalhadas. Só não o guerreiro magricela que continua em sonho profundo. Naves? Cavaleiros? Ninjas?

Este Budegão vive a guerrear desde que nasceu. Primeiro nos seus primeiros cinco dias de apitos e picadas da UTI neonatal. Depois no semi-abandono após os quatro meses da licença maternidade com mãe e pai trabalhando o dia todo. E depois a eterna busca de espaço, sanduichado entre duas mulheres.

Vive imprensado nos seus menos de cinco anos entre a cabeça cheia de palavras e argumentos da 10 anos Lego-Lego e os olhos azuis ainda mais cintilantes na idade engraçada da Pachuluca de ano e meio.

E o guerreiro navega em busca de atenção. Sofre porque não deu a sorte de herdar a memória da mãe. Herdou a vaga lembrança do pai. E como o pai busca em frases recuperar as palavras esquecidas ou ainda não aprendidas. Esmalte vira aquela tinta que pinta unha de menina.

Como o pai, das músicas só sabe o refrão.
Viajo segunda-feira, Feira de Santana, viajo segunda-feira, Feira de Santana, repete ao infinito, repetindo o pai que também avança muito pouco no refrão da canção de Tom Zé.

Do pai quer herdar a barriga. A mãe não cansa de elogiar os seus olhos amendoados cor de mel, sua cabeça de muitas fantasias. Já domina os plurais mas ainda se aperta nas pronúncias: álgum de sigurinha, caneta de hidropon. Uma coisa grande vira digantesca. Sabe tudo sobre seus super-heróis e como eles quase não anda, vive pela casa aos saltos.

Quando tinha três anos, Lego-lego quis saber o seu signo:
– Sou Libra e você?
– Sou Homem-Aranha, respondeu com convicção.
Foi por esta época que a mãe um dia explodiu e clamou aos céus:
– Eu não aguento mais. Minha vida é cuidar de menino.

Budegão, que até então estava invisível na cena, murmurou em protesto:
– E de menina também!

(Sobre os comentários de então: mudei de idéia sobre a inveja e ainda devo o livro a Nilson)

Minuto de paz

07/07/2008

Fim de férias das crianças, renca novamente reunida e recolhida em Iaçu. Na viagem de volta, uma pausa rara na guerra contínua de tapas, cotoveladas, socos, cusparadas, gritos, puxões de cabelos.
Pááááára André, páááááara Mária, foi ele que começou, ela me bateu na cara,  ai meu olho, foi ela que começou, ela está me pirraçando, ele está empurrando minha cadeirinha, ajuda aí Luísa, Marcus tome uma providência. Vou parar o carro…

Mas, como visto acima, há também pequenos intervalos de harmonia, papos non sense e gargalhadas, devidamente registrados por Lulu.

Dragão

31/10/2007

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André, que se chama Dragão, cumpre seis voltas hoje. Parabéns meu filho!

Minha Legolego está aprendendo a brincar com fogo

14/06/2007

 Poema de Luísa.

Atualizado em 26/07/2008

Post de 14/06/2007 no Licuri Uol. Os comentários estão aqui.