Arquivo da tag: filhos

João-de-barro

– Ele dá quanto para ajudar a criar o menino?
– Duzentos reais. Mas eu não ligo porque ele tá construindo a casa.
– Epa, o amor está no ar.
– Que nada, eu quero é sair do aluguel.

(Leitura feminina: – Mentira, ela ainda é a finzona dele.)

 

Anúncios

Bônus

Reclamo, reclamo muito do sobe e desce como motorista escolar. Agora na reta final do 3º ano piorou. Levo dois às 7, a menor às 7h30, pego dois 12h30, devolvo uma 13h30, pego a outra já liberada desde 13h20 às segundas e quartas, pego novamente a maior 7 da noite.
Reclamo, reclamo muito mas vai bater saudade. Deixei a maior pela última vez na escola do segundo grau hoje, parei e acompanhei com os olhos o andar da moça, quase(?) adulta, sandália rasteira, saia balançante, blusa de alça, classificador apoiado no braço direito e na cintura, desfilando toda lindinha em direção às escadas, de bebê bochechuda a moça esguia num piscar de olhos, até que um carro me assusta com sua buzina estridente e longa, onde já se viu este idiota parado no meio da pista lambendo a cria com os olhos. Ligo para a mãe marejado, conto tudo e recebo a boa notícia. Ainda tem amanhã, hoje é quinta e não sexta como acordei convencido.

https://www.facebook.com/gusmaomarcus/posts/10200723277141060

Era pra ser de um jeito. Hera.

1150412_10200309647360574_1331152723_n

Eu e minha boca de elástico folgado de calçola velha, como dizia minha amiga Marcinha.

Mas vou ter que contar aqui porque é uma história bonita, porque envolve pessoas belas, porque é semana do dia dos pais, porque está perto do aniversário de Luis, porque conheço Josias desde os 15 anos de idade, porque essa vida é foda. Meu amigo que me desculpe por publicar suas intimidades.

Ligo pra Josias pra conversar sobre o lançamento de Cuíca e ele cai no choro no meio da conversa. Havia acabado de levar Luis ao aeroporto. O menino voou, foi fazer mestrado no Rio de Janeiro, o menino que outro dia lambia a vela do bolo do aniversário de 2 ou 3 anos, aniversário que hoje coincide com o de 20 anos da minha história com Soraya, iniciada naqueles dias do aniversário de Luis em Feira de Santana.

O choro de Josias é um choro contraditório, choro de quem perde um filho pro mundo, pro filho ganhar o mundo, estas contradições desta vida fuleira, difícil de explicar.

Josias chora, Luis voa.

Luís, que hoje é físico e vai fazer mestrado numa área que mistura física e biologia, estava montado em meu cangote numa rua em Feira de Santana quando viu um muro coberto de hera.

– Eu sei por que esta planta se chama hera, disse o menino. É porque era pra nascer no chão mas nasceu na parede.

Foto da página de Luis.

PS importante: histórias verdadeiras. Uma correção na última, contada no último parágrafo: troquei as crianças quase na maternidade. Esta frase da hera foi dita por  Victor Freire, outro garoto muito especial, filho de outros amigos especiais Alberto Freire e Luiza Cardoso. Mas como bem explicou Odorico Paraguaçu a Dirceu Borboleta sobre uma frase atribuída por ele a Ruy Barbosa: “Se ele não disse, deveria ter dito”

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10200309647360574&set=a.1137311949744.2020128.1135737937&type=1