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7 pecados capitais, 7 virtudes, 7 planetas, uma lua nova, 7 dias. Acontece é coisa em uma semana. Aqui na minha varanda, um milagre. Destes que estão aí em todos os lugares, a todo o tempo, banais até. Mas basta prestar atenção pra gente se espantar. Era só um toco o jasmim manga. De repente, começa a jorrar vida, numa quase explosão. Registrei em intervalos de 7 dias: https://www.facebook.com/gusmaomarcus/posts/10207175790369858?pnref=story

 

 

 

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O umbuzeiro

Semílo

Não se avexe não, dezembro/janeiro teremos umbu.

(…) É a árvore sagrada do sertão. Sócia fiel das rápidas horas felizes e longos dias amargos dos vaqueiros. Representa o mais frisante exemplo de adaptação da flora sertaneja. Foi, talvez, de talhe mais vigoroso e alto – e veio descaindo, ¬pouco a pouco, numa intercadência de estios flamívomos e invernos torrenciais, modificando-se à feição do meio, desinvoluindo, até se preparar para a resistência e reagindo, por fim, desafiando as secas duradouras, sustentando-se nas quadras miseráveis mercê da energia vital que economiza nas estações benéficas, das reservas guardadas em grande cópia nas raízes.
E reparte-se com o homem. Se não existisse o umbuzeiro aquele trato de sertão, tão estéril que nele escasseiam os carnaubais tão providencialmente dispersos nos que o convizinham até ao Ceará, estaria despovoado. O umbu é para o infeliz matuto que ali vive o mesmo que a “mauritia” para os garaúnos dos “llanos”.
Alimenta-o e mitiga-lhe a sede. Abre-lhe o seio acariciador e amigo, onde os ramos recurvos e entrelaçados parecem de propósito feitos para a armação das redes bamboantes. E ao chegarem os tempos felizes dá-lhes os frutos de sabor esquisito para o preparo da umbuzada tradicional.
O gado, mesmo nos dias de abastança, cobiça o sumo acidulado das suas folhas. Realça-se-lhe, então, o porte, levantada, em recorte firme, a copa arredondada, num plano perfeito sobre o chão, à altura atingida pelos bois mais altos, ao modo de plantas ornamentais entregues à solicitude de práticos jardineiros. Assim decotadas semelham grande calotas esféricas. Dominam a flora sertaneja nos tempos felizes, como os cereus melancólicos nos paroxismos estivais.(…)

Euclides da Cunha, “Os Sertões”, 1902.Pág 28.http://bit.ly/RZkh4X

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