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Fui ali dar uma volta na infância, antes da infância, e voltei com medo de morrer

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A morte deve ser como este detalhe borrado de uma foto antiga. A morte é não existir mais como o cenário desfeito desta foto antiga.
Eu me peguei com medo da morte nestes dias, incutido com o o passado, incutido com fotos do passado. E incutido é pior do que doido.

Mas doido é pior do que tudo. Pior até que a morte. Mas é outro assunto.

Voltando à vaca fria, resolvi ficar fora do facebook por 30 dias chateado com a censura à página da Dilma Bolada, ao bloqueio da página do Prefeito Netinho, duas das minhas preferidas. Ambas voltaram e eu fiquei com a  cara de tacho, auto- excluído da brincadeira.

Mentira minha.

Saí e não saí. Eu me refugiei na construção da  página de fotos antigas de Vitória da Conquista e de lá assistia a tudo, como naqueles filmes em que a pessoa morre e fica de fora acompanhando.

Pois bem. Na penúltima vez em que tentei sair do facebook só eu notei minha ausência. Como desta vez Kátia Borges notou e outras  pessoas se manifestaram, encontrei o motivo para voltar com a sofreguidão de amante que perdoa, de quem volta a fumar, a cheirar, a tomar coca-cola 600ml.

Voltei, portanto, de onde na verdade não tinha saído. E nestes dias sem me manifestar no perfil  foram muitos os posts imaginários.

Quanto a gente trabalha em jornal, tudo na rua é pauta. Quando a gente é viciado em facebook, tudo é post.

Vamos ao primeiro deles.

Luísa estuda para o vestibular estas  coisas inúteis de quem estuda para o vestibular. Mas da poltrona comenta comigo, envolvida com um assunto interessante misturado aos temas maçantes de vestibular.

Do ponto de vista da matéria, meu corpo e o seu tem a mesma idade, disse ela.

Pronto, deu um belo nó na minha cabeça. Não é maravilhoso isso, ter a mesma idade de filho, neto, pai e avô?

Portanto, temos todos a mesma idade desta foto de coisas que não existem mais mas estão por aí espalhadas com a mesma idade da gente.

Estas pessoas na rua da foto por onde passei muitas vezes, rua que já era outra, as lâmpadas destes postes, o calçamento hoje por debaixo do asfalto, as crianças no primeiro passo antes de atravessar a rua sem carros. Ruas sem carros. Repito pra você, rua sem carros. Tudo isso, ruas sem carro e engarrafamentos, tem a minha e a sua idade.

Temos todos a mesma idade da eternidade.
Mas continuo com medo da morte.

Foto: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=379780902127263&set=a.379777018794318.1073741838.276638065774881&type=1&theater

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O mundo já é mau o bastante, não precisa esfregar na nossa cara

Sou sensível à imagem, como a maioria. Uma bela foto me pega mesmo, me comove, muda meu humor, muitas vezes me devolve a confiança perdida na raça humana.

Infelizmente, por conta do mesmo modelo de fabricação ou formação, também sou sensível, e muito, a uma foto macabra. A imagem fica na minha cabeça por horas, às vezes dias. Talvez por isso não goste de filme de terror.

E não tem coisa que mais me incomode no facebook do que uma imagem macabra, principalmente porque, normalmente, é real. E, muitas vezes, postada com a intenção de ajudar ou mostrar aos demais como o mundo é mau. O mundo já é mau o bastante, não precisa esfregar na nossa cara.

Gosto de assistir facebook, coloco na página inicial e fico vendo a banda passar. Mais aí, de vez em quando, ela surge de repente, levo um tempo pra entender, e, bingo, adeus paz. O diabo é que macabro pra mim não é para outros e aí fica difícil.

Gosto de ter muitos “amigos” aqui, e estes amigos dão o tom do que vejo. Adiciono quem solicita e não hesito em solicitar a “amizade” de alguém quando vejo algo bacana postado por ou um comentário interessante, justamente para tornar melhor este meu filme.

Portanto, sem solução para o problema, fica só o apelo no ar: menas, por favor, menas…

https://www.facebook.com/gusmaomarcus/posts/366621010033961

Imagem daqui.

Até você????

Fiquei rosa chiclete no Facebook por conta de um babado envolvendo parada gay e a procissão de São Cosme e São Damião, ambas acontecidas nas ruas da cidade histórica de Cachoeira, tema de um post no 416destinos, onde  também publico este texto.
O  relato aqui vai ser longo porque envolve ética, comércio, diretos autorais e trauma de infância.

Tinha eu 9 anos de idade quando disputava empolgado com um colega de sala da Escola Eugênio Araújo, em Castro Alves, unas figurinhas na base do abafa (quem lembra?). Sentados no chão, ignoramos a entrada da professora. Ao ouvir meu nome gritado, fui imediatamente para a cadeira. Aí veio a frase pior: Até você Marcus? Doeu duplamente. Pelo pito público e pela incômada fama de CDF e comportado, reforçada pelo até você.

Assim eu me senti ao ler a seguinte cobrança  da fotógrafa Fátima Pombo no Facebook: “Quero creditos nas minhas imagens fotograficas…¨.
Logou eu, que me acho o certinho em matéria de créditos devidos, ser cobrado desta maneira, em público diante dos meus mais de quatrocentos  “amigos” do facebook?
A motivação da queixa, suspeitei inicialmente,  talvez tenha sido porque  ao anunciar no Facebook o post sobre a parada gay e a procissão, aparece uma miniatura da foto e apenas o título do post.

Pode ter sido também pela forma de colocar o crédito. Em vez de colocar o tradiconal foto de…   escrevi 3 linhas assim: Fátima Pombo, do blog Olho de Pombo, registrou hoje dois momentos do domingo em Cachoeira, quando se pode ouvir tanto  olha lá vai passando a procissão como olha lá vai passando a parada gay. Veja mais.

Aí entram outras pequenas grande questões. Ao contrário do Licuri,  o 416destinos é um blog comercial, embora em quase um mês de anúncios eu tenha amealhado a fortuna de US$1,44. Mas não importa, dinheiro é dinheiro. Pra colmplicar, a  boa educação sugere o pedido de permissão para publicar a imagem feita por outra pessoa.

Mas eu me defendo com o mesmo argumento de um vendedor de CD no Feiraguai, quando eu reclamei dele piratear o disco de Nengo, o ex-baixista do reggae men Edson Gomes, por sinal, cachoeirano.O cara disse na maior cara de pau: Eu tou é divulgando o trabalho dele.

E assim penso, embora não me sinta um pirata da perna de pau.  A ideia do 416 destinos é reunir num blog todos os demais do interior da Bahia E destacar posts interessantes como fiz com o de Fátima.

Errei?