Posts Tagged ‘Fotografia’

Fui ali dar uma volta na infância, antes da infância, e voltei com medo de morrer

03/06/2013

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A morte deve ser como este detalhe borrado de uma foto antiga. A morte é não existir mais como o cenário desfeito desta foto antiga.
Eu me peguei com medo da morte nestes dias, incutido com o o passado, incutido com fotos do passado. E incutido é pior do que doido, lembrou bem Soraya,

Mas doido é pior do que tudo. Pior até que a morte. Mas é outro assunto.

Voltando à vaca fria, resolvi ficar fora do facebook por 30 dias chateado com a censura à página da Dilma Bolada, ao bloqueio da página do Prefeito Netinho, duas das minhas preferidas. Ambas voltaram e eu fiquei com a  cara de tacho, auto- excluído da brincadeira.

Mentira minha.

Saí e não saí. Eu me refugiei na construção da  página de fotos antigas de Vitória da Conquista e de lá assistia a tudo, como naqueles filmes em que a pessoa morre e fica de fora acompanhando, Ghost é o nome do filme.

Pois bem. Na penúltima vez em que tentei sair do facebook só eu notei minha ausência. Como desta vez Kátia Borges notou e outras  pessoas se manifestaram, encontrei o motivo para voltar com a sofreguidão de amante que perdoa, de quem volta a fumar, a cheirar, a tomar coca-cola 600ml.

Voltei, portanto, de onde na verdade não tinha saído. E nestes dias sem me manifestar no perfil  foram muitos os posts imaginários.

Quanto a gente trabalha em jornal, tudo na rua é pauta. Quando a gente é viciado em facebook, tudo é post.

Vamos ao primeiro deles.

Luísa estuda para o vestibular estas  coisas inúteis de quem estuda para o vestibular. Mas da poltrona comenta comigo, envolvida com um assunto interessante misturado aos temas maçantes de vestibular.

Do ponto de vista da matéria, meu corpo e o seu tem a mesma idade, disse ela.

Pronto, deu um belo nó na minha cabeça. Não é maravilhoso isso, ter a mesma idade de filho, neto, pai e avô?

Portanto, temos todos a mesma idade desta foto de coisas que não existem mais mas estão por aí espalhadas com a mesma idade da gente.

Estas pessoas na rua da foto por onde passei muitas vezes, rua que já era outra, as lâmpadas destes postes, o calçamento hoje por debaixo do asfalto, as crianças no primeiro passo antes de atravessar a rua sem carros. Ruas sem carros. Repito pra você, rua sem carros. Tudo isso, ruas sem carro e engarrafamentos, tem a minha e a sua idade.

Temos todos a mesma idade da eternidade.
Mas continuo com medo da morte.

Foto: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=379780902127263&set=a.379777018794318.1073741838.276638065774881&type=1&theater

O mundo já é mau o bastante, não precisa esfregar na nossa cara

09/02/2012

Sou sensível à imagem, como a maioria. Uma bela foto me pega mesmo, me comove, muda meu humor, muitas vezes me devolve a confiança perdida na raça humana.

Infelizmente, por conta do mesmo modelo de fabricação ou formação, também sou sensível, e muito, a uma foto macabra. A imagem fica na minha cabeça por horas, às vezes dias. Talvez por isso não goste de filme de terror.

E não tem coisa que mais me incomode no facebook do que uma imagem macabra, principalmente porque, normalmente, é real. E, muitas vezes, postada com a intenção de ajudar ou mostrar aos demais como o mundo é mau. O mundo já é mau o bastante, não precisa esfregar na nossa cara.

Gosto de assistir facebook, coloco na página inicial e fico vendo a banda passar. Mais aí, de vez em quando, ela surge de repente, levo um tempo pra entender, e, bingo, adeus paz. O diabo é que macabro pra mim não é para outros e aí fica difícil.

Gosto de ter muitos “amigos” aqui, e estes amigos dão o tom do que vejo. Adiciono quem solicita e não hesito em solicitar a “amizade” de alguém quando vejo algo bacana postado por ou um comentário interessante, justamente para tornar melhor este meu filme.

Portanto, sem solução para o problema, fica só o apelo no ar: menas, por favor, menas…

https://www.facebook.com/gusmaomarcus/posts/366621010033961

Imagem daqui.

Até você????

27/09/2010

Fiquei rosa chiclete no Facebook por conta de um babado envolvendo parada gay e a procissão de São Cosme e São Damião, ambas acontecidas nas ruas da cidade histórica de Cachoeira, tema de um post no 416destinos, onde  também publico este texto.
O  relato aqui vai ser longo porque envolve ética, comércio, diretos autorais e trauma de infância.

Tinha eu 9 anos de idade quando disputava empolgado com um colega de sala da Escola Eugênio Araújo, em Castro Alves, unas figurinhas na base do abafa (quem lembra?). Sentados no chão, ignoramos a entrada da professora. Ao ouvir meu nome gritado, fui imediatamente para a cadeira. Aí veio a frase pior: Até você Marcus? Doeu duplamente. Pelo pito público e pela incômada fama de CDF e comportado, reforçada pelo até você.

Assim eu me senti ao ler a seguinte cobrança  da fotógrafa Fátima Pombo no Facebook: “Quero creditos nas minhas imagens fotograficas…¨.
Logou eu, que me acho o certinho em matéria de créditos devidos, ser cobrado desta maneira, em público diante dos meus mais de quatrocentos  “amigos” do facebook?
A motivação da queixa, suspeitei inicialmente,  talvez tenha sido porque  ao anunciar no Facebook o post sobre a parada gay e a procissão, aparece uma miniatura da foto e apenas o título do post.

Pode ter sido também pela forma de colocar o crédito. Em vez de colocar o tradiconal foto de…   escrevi 3 linhas assim: Fátima Pombo, do blog Olho de Pombo, registrou hoje dois momentos do domingo em Cachoeira, quando se pode ouvir tanto  olha lá vai passando a procissão como olha lá vai passando a parada gay. Veja mais.

Aí entram outras pequenas grande questões. Ao contrário do Licuri,  o 416destinos é um blog comercial, embora em quase um mês de anúncios eu tenha amealhado a fortuna de US$1,44. Mas não importa, dinheiro é dinheiro. Pra colmplicar, a  boa educação sugere o pedido de permissão para publicar a imagem feita por outra pessoa.

Mas eu me defendo com o mesmo argumento de um vendedor de CD no Feiraguai, quando eu reclamei dele piratear o disco de Nengo, o ex-baixista do reggae men Edson Gomes, por sinal, cachoeirano.O cara disse na maior cara de pau: Eu tou é divulgando o trabalho dele.

E assim penso, embora não me sinta um pirata da perna de pau.  A ideia do 416 destinos é reunir num blog todos os demais do interior da Bahia E destacar posts interessantes como fiz com o de Fátima.

Errei?

29/08/2010

Sobre a Fonte Nova já falei há muito  aqui e aqui.
Passo hoje então a palavra a Paulo Munhoz, a Oxalá – curioso se curvou sobre seu opaxorô pra ver melhor – e a Oxum (?). Os três viram de perto.
Oxalá não superfaturem  minha nostalgia.

Presente de Shirley

02/06/2009

242 - Ser Infinito

Foto: Shirley Stolze

Um presente de Shirley e o meu desejo futuro.
Navegar.
Uma canoa serve. Miro Salinas das Margaridas.

Estampas Eucalol

27/05/2009

Luiza Meira

Alegria grande. Vi há pouco um comentário num post recente, um poema de Nilson Pedro. Era de Luiza Meira, que embarcou conosco no passeio de trem, como convidada de Franciel, um cara cujo sucesso do blog gerou até uma legião de francietes. Cliquei no link com o nome e shazam… é esta imagem que você vê acima.  Ouça também. Hoje a tarde estive a ouvir idéias interessantes de quatro escritoras, ao lado de uma escritora e fotógrafa, Maria Sampaio.

Poetas, escritores, musicistas, fotógrafa. Continuo platéia do mesmo jeito, mas estas pessoas estão ao alcance num clique e também acessíveis na vida real. Eu os conheço e eles me conhecem. Somos contemporâneos, eu os vejo também pessoalmente e isto me torna uma pessoa importante, isto me alegra.

Tudo isso para falar sobre blog e esta atividade de escrever coisas diárias nesta tela que você lê. Este negócio aqui me conecta ao mundo, a pessoas bacanas, pessoas especiais. Como naquela propaganda da loja de sanduíche, amo muito tudo isso.

Tempo virou

20/05/2009

228 - Chegando a ChuvaPraia de Itapema, Santo Amaro da Purificação.  Foto: Shirley Stolze.

Fernando Vivas não perde a viagem

18/04/2009

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A sugestão de pauta estava marcada para 9 da manhã. Do jornal A Tarde vieram Meire Oliveira para o texto e Fernando Vivas para as fotos. Só que o caminhão com as 7 lonas do edital da Funarte destinadas aos circos baianos quebrou em Conquista e só chegaria no final da tarde. Meire se virou, entrevistou os donos de circo e membros da Cooperativa de Circenses da Bahia que ali estavam, entrevistou Anselmo, foi na casa de Jailton, o artista que começou na Picolino e hoje é um dos integrantes do espetáculo Quidam, que o Soleil vai trazer a Salvador. E o texto ficou bem bacana, saiu hoje na página 7 do jornal, alto de página, colorida, enfim, uma senhora matéria. Infelizmente A Tarde não coloca muitos dos seus textos no on line e somente assinantes podem ler (aqui).

E a foto?  Um  fotógrafo normal xingaria, reclamaria da vida, diria que sem lona não há fotos, voltaria mal humorado pro jornal – conheci muitos destes. Vivas não é nem uma pessoa normal, nem um fotógrafo normal. Não só fez a foto da matéria, numa bela composição com donos de circo e artistas em ação no fundo, como  emplacou também a foto do dia na página 2 do jornal (acima). O jornal pediu pra avisar quando as lonas chegassem para mandar outro fotógrafo. Não precisou. Sempre fui macaco de auditório de Vivas. Confira com vagar seu trabalho no Olho da Rua.

E eu estou de volta mais intensamente à Picolino, participando da equipe que prepara uma publicação para os 25 anos da escola, divulgando os cursos.

Conheça mais a Picolino no blog da Escola, no fotolog e neste novo blog específico criado por mim ontem para divulgar os cursos e que ainda está em (argh!) em construção.

O correio também deu duas páginas de seriviço hoje no caderno vida  sobre as vantagens das aulas de circo sobre as academias para manter a forma de maneira mais lúdica, com destaque para os cursos da  Picolino. A matéria é assinada por Dóris Miranda, as fotos por Angeluce Figueiredo, mas já está fora do ar no site, onde não há a opção edições anteriores. Vou pedir um pdf ao pessoal da redação para colocar lá no blog.

Para completar o dia, encontrei por acaso o recém-criado  Picadeiro – A magia do Circo, das jornalistas  Cassandra Barteló, Giovanna Castro e Paula Pitta, do curso de pós-graduação em Jornalismo e Convergência Midiática da Faculdade Social da Bahia (FSBA).  Muito bacana! Tem vídeos do Quidam postado lá, tem histórias de circo. Vale uma conferida.

Abrigo para a chuva, bilhetes para a catanica

17/04/2009

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A viagem real e gráfica de Taiane Oliveira, a garota  do quartoamarelo e das Indagações Perenes.

Como contiua chovendo foto do passeio, resolvi criar um abrigo permanente numa página especial, cujo link está aqui do lado direito da página, mas você pode entrar por aqui .

E mesmo com toda a fama, com toda a lama, com todo  o drama da violência a gente vai levando adiante a idéia do passeio de catanica, de buzu. E como  já temos também passageiros com  bilhetes reservados, abrimos também uma página, que recebe a partir de agora as novas inscrições e também informará sobre data, horário e percurso, assim que forem decidos. Veja a página ao lado também ou por aqui.

Atualizado em 19/04/2009

E a chuva continua. Toda  Plataforma é a viagem de Regina de Sá e Glória Venceslau. Clique na imagem a abaixo e veja as demais fotos.

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Choveu mais fotos

15/04/2009

Continua chovendo fotos do passeio pelo subúrbio ferroviario. Clique nas imagens e nos links para viajar mais uma vez.

caze-jpgWladimir Cazé, no Silva Horrida – Guia de Cidades.

marceloMarcelo de Trói, no Gregos & Baianos,  no Flickr e no Orkut.

Já registradas  nos posts anteriores: 

Haroldo Abrantes, no blog Maria Muadiê

Giuseppe Fiorentino, no Flickr

Shirley Stolze, no Flickr

Fátima Caires, no Orkut

Mariana Carneiro, no Picasa

Talita Nunes, no Picasa

Gilberto Lyrio, no Orkut e no Flickr

E vem aí o passeio de catanica… Aqui.

Choveu fotos

08/04/2009

Continuam chegando as fotos.

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Que trem é esse? Clique para ver a viagem de Talita Nunes

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Clique para ver a viagem de Gilberto Lyrio

Veja as demais fotos desta chuva:

Haroldo Abrantes, no blog Maria Muadiê

Giuseppe Fiorentino, no Flickr

Shirley Stolze, no Flickr

Fátima Caires, no Orkut

Mariana Carneiro, no Picasa

vem aí ainda as viagens  de Trói, Dalize, Luísa, Marcus…

Catanica

07/04/2009

Esbarrei  com esta e outras 57 fotos antigas ao buscar no google informações sobre  a história dos buzus de Salvador para ilustrar este texto sobre um possível  próximo passeio, já que muitos pediram bis.

Praça da Sé na década de 70. Foto: Arquivo A Tarde.

Praça da Sé na década de 70. Foto: Arquivo A Tarde.

A idéia é simples:

Escolher uma linha circular que passe pela orla e percorra variados bairros da cidade. Marcar uma data, num feriado ou domingo. (1º , 3 ou 10 de maio).

Estabelecer o horário de circulação nos ônibus, num intervalo de mais ou menos quatro horas, pela manhã.

Cada pessoa ou grupo embarca no ponto e horário mais convenientes, da mesma linha, e todos se encontram  num piquenique, no final da manhã, em um lugar por onde passe a  linha escolhida (Pituaçu, Passeio Público, Parque da Cidade).

A idéia veio com a experiência recente como fotógrafo de janela de buzu, eu que ando neste troço desde o tempo em que existia Vibensa, eu que sou fascinado por este bonde de rodas, desde o tempo em que ele se chamava catanica, em Conquista.

O ônibus se  revela um eficiente praticável móvel sobre o cotidiano da cidade.

Vamos nessa de renca, de novo? Nilson já se “inscreveu”,   Maria e Pepe já demonstraram interesse e Mariana avisou que Regina e Madame Kátia também querem.

Choveu gente

06/04/2009

Acima, os 360º de Haroldo Abrantes

E gente das mais preciosas fontes. Cinquenta almas, contadas em casa por mim e Soraya, na lembrança de cada uma delas. Vivi um dia de pinto no lixo. Feliz com minha renca, com uma renca de gente bonita, astral, divertida. Enfim, sem palavras, começo a receber as imagens. As primeiras vieram de Haroldo/Martha. Depois as de Giuseppe Fiorentino (Pepe), Gilberto, Shirley, Fátima, Mariana…
O post continua em construção, com a adição as fotos que chegam. Última atualização, 06/04 às 22:48.

haroldo

A viagem, por Haroldo Abrantes. Clique na imagem para ver as demais fotos.

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A viagem, por Giuseppe Fiorentino (Pepe). Clique.

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A viagem, por Shirley Stolze. Clique.

A viagem, por Fátima Caires

A viagem, por Fátima Caires. Clique.

A viagem, por Mariana Carneiro. Clique.

A viagem, por Mariana Carneiro. Clique.

Um trem de fuxico

29/03/2009

O trem

MariaSampaio_Miro_Edu_ShirleySolze_
ShirleyPinheiro_Pepe_
_Marcus_Soraya_
Luísa_André_MariaGusmão_Eliene_
Eliomar_
_Nilson_Emília_Caio__Marcelo
_Cazé_Bárbara_Dalise_Lucas_Vida_

Fátima_Iuri_Sami__Taiane_Mariana_
Fernando_Guilherme_Sérgio_Franciel_
_Gilberto_Regina_Glória__Nana_
Danilo_Liz_Flávio_Talita_Lívia_Davi_
Neto_
_Neuza_Rodrigo_AnaLívia_Izabel_
Thiago_YuriAlmeida_Berna_
_Márcia_
MarcosSenghor_Aspri_Umbelina_Val_Zezão_Diego_
Mônica_Luiza_
Martha_Beatriz
_Haroldo
_Anselmo_Jana

O fuxico

@Blag@
@MonólogosnaMadrugada
@
@Etc.etal..
@
@ContinhosparaCãoDormir@
@FórmulaCarango@

@Pequenópolis,criançasàsolta…@
@BU
@
@Gregos&Baianos
@
@Comocoxico@
@
HerdeirodoCaos@
@
UMBEMCOMUM@
@
SilvahorridaGuiadecidades
@
@IndagaçõesPerenes@
@Licuri@
@BEABA@
@Ingresia@
@MariaMuadiê@
@Olhares@

 

Atualizado em 03/04  às 9 horas

Resolvemos fazer neste domingo uma prévia do passeio. Afinal depois de convidar tanta gente era preciso ter uma idéia de como seria.

Tudo mais simples do que eu pensava.

E não teve preço ouvir de Soraya todo o tempo: que domingo maravilhoso. Frase raríssima, porque assim como a Aeronauta e a metade do mundo, Soraya odeia os domingos. Que lugar maravilhoso, repetia também outro mantra, ouvido pela última vez em Barra do Serinhaém.

Concordo. Lugar e dia maravilhosos. As crianças também viajaram. Fizemos fotos, da estação, do cotidiano domingueiro na margem da ferrovia, da ponte, do mar, mas não teria a menor graça me antecipar aqui.

A partir da experiência de hoje sugiro o seguinte roteiro, flexível e aberto, para o próximo domingo.

Embarque na estação da Calçada: 10h20. Quem perder esse, pega o trem às 11. Novo horário: aqui.

Aos domingos são gratuitos e partem em intervalos de 40 minutos a partir das 7 horas. Seria interessante ter o registro em foto dos grupos no embarque.

O Boca de Galinha fica na terceira estação, a Almeida Brandão. Quem for almoçar ali pode ir até a estação final e voltar no mesmo trem. O importante é chegar antes das 12 horas, porque domingo é o dia mais lotado. Quem pegar o trem das 11 deve descer logo na ida.

O preço é bastante em conta e a comida boa. Uma moqueca de camarão (R$45) ou de peixe (R$28) dá pra três, a cerveja é tamanho normal, o refrigerante de litro e a sobremesa R$ 2,00. Pagamento em dinheiro ou cheque.

Sugiro um novo reencontro no embarque para a Ribeira por volta das 14 horas, no cais que fica ao lado da estação Almeida Brandão. Há barcos em pequenos intervalos e a travessia dura cerca de oito minutos. A estação de desembarque fica em frente à Sorveteria da Ribeira.

A partir daí o programa pode prosseguir em função do pique de cada um e das crianças. Para quem deixou o carro na Estação da Calçada há ônibus à vontade e vazios para o retorno.

Se você desembarcou agora por aqui, leia então os posts anteriores Vê, ói que céu e No clima.

Vê, ói que céu

27/03/2009


Se a gente vai de trem e traz fotos de balaio, a culpa só pode ser de  Maria Sampaio. Ela, que fez recentemente a mesma viagem,  me passou pessoalmente a missão, ontem, após o  show de Jussara. Escrever um post organizativo para o passeio fotográfico Calçada-Plataforma-Ribeira, com possível pit stop no Boca de Galinha, no dia 05 de abril, um domingo, com partida da estação da Calçada prevista para entre 8:30 e 9:00 horas, a depender do horário do trem. De corpo presente, já confirmaram Maria, Miro, Edu e Shirley Stolze. Havia comentado no meu trabalho sobre a idéia e Marcelo e Cazé toparam na hora. A partir de agora este post vai listar os interessados. Deixe um comentário confirmando presença ou mande e-mail para gusmaomarcus@gmail.com

Roteiro incompleto e provisório:

Domingo (não é esse, é o próximo, viu Maria?), dia 05 de abril:
Estação da Calçada – 8:30 veja novo roteiro e horários aqui.
Estação Almeida Brandão – Boca de Galinha (a confirmar)
estação Plataforma
Travessia de barco até a Ribeira
Sorveteria da Ribeira

Presenças confirmadas:

  1. André (de Soraya e Marcus)
  2. Bárbara Maia 
  3. Caio Valente – Fórmula Carango (de Emília e Nilson)
  4. Dalise Figueirêdo
  5. Edu O. – Monólogos na Madrugada
  6. Emília Valente
  7. Fátima Caires
  8. Fernando
  9. Franciel – Ingresia
  10. George Sami – UMBEMCOMUM
  11. Guilherme (de Mariana e Fernando)
  12. Lucas Barbosa
  13. Luísa – BU (de Soraya e Marcus)
  14. Marcus – Licuri
  15. Maria – Continhos para Cão Dormir (a culpada)
  16. Maria (de Soraya e Marcus)
  17. Mariana – Pequenópolis, crianças à solta na Soterópolis
  18. Miro Paternostro – BE-A-BA
  19. Nilson Galvão – Blag
  20. Pepe
  21. Sérgio Berbert
  22. Shirley Stolze
  23. Soraya Gusmão
  24. Taiane – Indagações Perenes
  25. Tró – Gregos & Baianos
  26. Vida (de Lucas)
  27. Wladimir Cazé – Silva horrida – Guia de cidades

Aguardo confirmações e sugestões. Atualizado em 27/03, às 19:58.  Última confirmação: Pepe.

Olhos que nos olham

26/03/2009
1

mãos

23

mãos, pés

3

olhos, laços, bico

Como na maioria das fotos antigas, estes olhos da foto abaixo nos olham com uma expressão rara, especial. As mãos se escondem, buscam refúgio. Os pés revelam um tempo também. Tempo de pé no chão ou calçado para ocasião. Máquina fotográfica era cousa rara, acontecimento. Todos estão vestidos para a foto. Possivelmente flagrante de  algum acontecimento social ou religioso. Mas o momento da fotografia era único, especial, diferente. Mais um fragmento de memória precioso, garimpado pelo projeto Iaçu Cultural, de Déborah.

9-copia

olhos, mãos, pés, laços, bico, suspensórios, gravata

Pleonasmo

05/03/2009

Escrota, malvada, vil, torpe, criminosa, que age de má-fé, mentirosa, enganadora, maquiavélica. Origem no latim abjetu. Mais: degradante, desprezível, indigna, imunda, baixa. Pois é, encontrei todos estes significados para abjeta, todos iguaiszinhos à morte. Portanto, chego à conclusão, sem ter concluído a leitura, de que o título do livro de Bernardo Guimarães e Maria Judith, Morte abjeta é um redondo, completo e definitivo pleonasmo.

Não, ainda não é sobre o livro de Bernardo e Maria que eu escrevo. Estou é puto com esta velha abjeta da foice. Anteontem ela me levou Fafá, a colisa lalia sobreviente do aquário dos meninos, logo ela que foi bem cuidada, foi medicada com antibióticos [nunca entendi este prefixo exterminador antes da bio, já que é remédio]. Fafá estava ótima, pra cima e pra baixo, serelepe, até desconfiei que a malvada vivia mais feliz com a viuvez.

Chega hoje e recebo a notícia da morte do retratista Aurelino Costa [veja sua foto no post Haletos de Ouro], pessoa com quem sequer eu havia trocado uma palavra mas imaginava simpática, daquelas do tipo não vi e  gostei. Planejava conhecer pessoalmente Aurelino Costa agora na semana santa [olha ela aí de novo, desta vez disfarçada de santificada].

Não deu. Recebo o recado de Déborah  dando a notícia. Ontem mesmo ela esteve com ele, estavam se falando sempre, ela entusiasmada com o encontro, ele generoso, forneceu todo o seu acervo para o projeto Iaçu Cultural, projeto de memória visual,  cultura digital e o escambau, meu atual incutimento.

Sou inconformado sim, talvez por não crer em mais nada a não ser nos vermes e no calor do fogo, escolha um ou outro. Melhor para quem acredita que o baba continua. Pra mim é fim de jogo.

Comecei a ler um livro fantástico [já comecei a ler talvez mais de uma centena de livros fantásticos na vida] Breve história de quase tudo que  Ana Lívia levou emprestado com a promessa de devolução breve e a mim só resta sugerir como opção de presente para os meus  48 anos, na segunda. [Falar em piscianos, além de minha irmã Stael, Caio de Nilson, Bernardo e Renata Belmonte, Trasmonte fez uma pequena lista aqui].

Pois bem, neste livro se confirma algo que eu já havia pensado. Somos combinações, acidente matemático programado para se desintegrar e voltar a se integrar de novo à massa cósmica. Sob este prisma, somos imortais.

Mas o euzinho aqui, esta combinação impar de gosmas, terminações nervosas, ossos, dentes maltratados e muita dúvida existencial, tudo ensacado em tamanho GG, assim que o game for over, babau. 

Portanto,  essa identidade, esse pronome pessoal da primeira pessoa, tão caro a cada um de nós, dos mais humildes aos mais assumidos na vaidade,  vai pro espaço, literalmente.

Dá licença então poetas e crédulos, aproveito minha inconformidade e minha pouca poesia para deixar um joguinho vagabundo de rimas desta primeira pessoa que é singular e finita,  revelador  da minha birra com ela, a abjeta:

Eu?
morreu,
fudeu.

Haletos de ouro

01/03/2009
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1928. Foto mais antiga que se tem registro em Iaçu e uma das 889 reunidas no perfil do Orkut do projeto Iaçu Cultural. É da famíla do retratista Aurelino Costa, que emprestou seu acervo ao projeto.
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Aurelino Costa em seu laboratório. Pelas suas lentes passaram praticamente todos os habitantes de Iaçu nas últimas décadas.

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Avós de Déborah Dias, a biológa e professora que teve a ideia de garimpar e compartilhar a memória fotográfica da cidade

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Este pai é um dos quatro meninos da imagem anterior. Aqui, com mulher e cinco filhos (o quinto está na barriga da mãe, segundo um dos sete comentários da foto no álbum coletivo no Orkut)

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Rubem Reis, bisavô da minha renca, enviou esta foto a parentes enquanto estava aquartelado em Feira. A guerra acabou antes do embarque. A foto foi recuperada na pesquisa de Déborah.

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Dispensado no dia 9 de maio de 1945, o soldado casou com dona Ludu, voltou para Iaçu e se tornou um dos crques da cidade. Foto do histórico 4x4 contra o Independente, de Itaberaba, na casa do adversário, no dia 18 de setembro de 1949. Rubem reis. o quinto em pé, não se lembrava da exstência desta foto, também trazida à luz com a pesquisa.

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Aniversário na casa de amigas. A tia Conceição dos meninos é a maior maior da frente. Mônica, mãe de Soraya, está logo atrás, à direitaa.

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Álbum´"Último dia".

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Buraco doce, uma das casas da rua do Crefe, o brega da cidade.

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Ponte sobre o Paraguaçu.

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Uma vez Flamengo...

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Soraya com quase um ano, no São João de 1970. Foto: Aurelino Costa.

Este coco estava meio travadão, de recaída. O  efeito paralisante do elogio voltou, agravado pelo traço de   TOC,  bem retratado naquele filme com Jack Nicholson, na cena em que ele só pisa nas partes pretas da calçada.

Pra completar veio o incutimento.

Repito aqui mais uma vez a máxima sertaneja: incutido é pior do que doido. Aqui em casa, em toda a Iaçu e em todas as minhas conversas, o assunto da hora são as fotos antigas colocadas no Orkut por Déborah Dias. Já expliquei a história aqui e  numa variação sobre o mesmo tema no 416 destinos .

Como cinco dos seis leitores deste coco são adultos e não têm o Orkut, resolvi trazer algumas das imagens para cá .

O incutimento é um dos responsáveis para o engarrafamento de posts na minha cabeça. Só penso nas fotos de Iaçu e não sobra tempo sequer para o texto sobre o trágico fim  de Marilene, uma das retratadas.

A viagem, que aqui ia pelo do meio do caminho, parou antes de chegar a Moreré,  Bainema, Cova da Onça.

Quem passava pela praça em Iaçu na terça de Carnaval, sem Carnaval, pensava ver um doido pipocando de rir com um livro na mão. Rindo e angustiado a se perguntar por que rir de uma cabeça humana detonada por bombas juninas. Não conseguia parar de rir e a culpa era do sádico Dr. Bernardo e da sua cúmplice Maria Judith. As primeiras páginas de Morte Abjeta seriam também retratadas aqui.

Duas mortes abjetas acontecidas este fim de semana em Iaçu – eta cidadezinha trágica – também ficaram na fila.

Uma geral na produção carnavalesca dos meus e-vizinhos aí do lado também mas deixo isto pra Nilson Pedro, que viu o carnaval passar pelas teclas alheias.

A cova violada de Cova da Onça, que deu nome ao vilarejo de Boipeba, e as imangens de gesso da Igreja de João Amaro, provas do saque geral de imagens sacras das igrejas baianas nas décadas de sessenta e setenta também estão na fila.

Falta mostrar também as fachadas em azul e branco das igrejas do baixo-sul.

Faço aqui a promessa vã de transformar em palavras e imagens todas estes projetos de post relatados acima. Por enquanto fiquem com as fotos do Iaçu Cultural.

Vamos então ao elogio. Goli Guerreiro disse que minha leitura do filme Os Negativos é brilhante. Lenhou. Não consegui responder. Fiquei travadão e não adiantou nada a alta da terapia  de aceitação irrestrita do elogio.

Vou rever o filme e fica aqui mais uma promessa de novo texto. O curioso é que o post estava ali zerado, sem nenhum comentário há muito tempo, no rol daqueles  suspeitos de interessar a ninguém . E com a polêmica sobre Verger, fiquei em dúvida se estava certo. Cheguei a pedir a Maria para para ela conseguir uma cópia do documentário. Está na mão dela há um tempão e já fui informado disso. Vou alimentar os meninos bem alimentados qualquer hora dessa e partir para uma visita a Maria em busca da cópia.

Aqui entra o  filme de Nicholson e o TOC aplicado aos comentários. Como gosto que respondam os meus mas fico dias, meses sem responder os alheios, resolvi tomar a decisão de responder a todos, como no combinado de só pisar nas pedras pretas.

O problema é quando fica um sem responder, como foi o caso do elogio. O resto não sai. E ainda tem o agravante de que certos comentários dispensam respostas, eles se encerra ali mesmo, mas como o combinado é só pisar nas pretas…

Termino este breve relato do que deveria fazer com a promessa de ano novo – sim o ano começa nesta segunda-feira – de responder a todos os comentários.

Conseguirei caso não haja recidiva de TOC e não apareça outro assunto bom de se incutir.

P.S. O título seria haletos de prata. Mas achei pouco.

João Amaro, quarta de cinzas

27/02/2009

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Não sei o motivo, só sei que cometi um ato falho fotográfico. Nãoregistrei a fachada da Igreja. Mas ela está lá no projeto Iaçu Cultural, em foto de Deborah Dias (?). Veja:

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Música, maestro!

23/02/2009

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Campo Grande, 1952. Onde estaria Dalila, Dodô e Osmar a esta hora?
 
Tento ver as coisas da “perspectiva da eternidade”, mas isso é tarefa para Nilson Pedro e sua poesia.  Só vejo detalhe, só vejo os segundos e modifico minha opinião em função deles. Minha máquina fotográfica de enxergar o mundo emperrou no close. Quando tento fazer um zoom  ela desfoca e aí eu não entendo mais nada. Tudo fica embaralhado.

Mudei de universo nos últimos dois dias, passei a ver o Carnaval de um praticável do Campo Grande, de perto e de longe da festa. Os tios passam quase colados, a estrutura treme com a percussão. Mas ao contrário da Barra, o Campo Grande tem um entorno diferente, é uma espécie de centro Histórico do Carnaval, tem o cheiro dos antigos carnavais. Ali eu enxerguei a farra e a importãncia que o Carnaval tem para milhares de pessoas, vi a força dos blocos afros, vi a galera caindo no reggae, como desde antigamente.

Escapuli e tentei ir até a Praça Castro Alves ontem a tarde, encontrar o Gandhy, mas esbarrei  no espreme-gato  da casa D`Itália, o povo todo  buscando por Dalila –  uns dizem que Dalila é branca, outros dizem que é cor de mato – mas eu estava de água mineral.

 Sem Dalila na cabeça tentei voltar pelo relógio de São Pedro e me lasquei. Encontrei o Parangolé pelos peitos e ao som de piriri-pam-pam / piriri-pam-pam  estiquei o pescoço, a única coisa que eu conseguia mover com facilidade e fui navegando na maré contrária até escapar pela lateral do TCA. Aí o milagre aconteceu. Os cinco reais que havia esquecido no bolso da frente da bermuda ainda estavam lá.

Já de volta à minha bolha , alguém grita, lá vem o Fantasmão. Acabara de ver as imagens da pancadaria provocada pela passagem de Eddye pela Barra no dia anterior. Não conhecia o Fantasmão, só de ouvir falar e de um texto fantástico do maestro  Fred Dantas na Muito, em dezembro, em entrevista a Marcos Dias.

Meninos, eu vi. Ali estava a única novidade deste Carnaval. Novidade musical, novidade de performance , sangue novo na avenida. O garotão Edyye, com pinta de pop star, pegada hip hop,  rocker, kuduro, quebração, tudo junto, dialogava com a turba embaixo do trio, com intimidade, revolta e sinceridade.

Ao contrário dos comandos café-com-leite do prá esquerda, pra direita, todo mundo beijando, senta, levanta, deita, das estralas do axé, Eddye  falava com a turba com a intimidade de uma relaidade de exclusão, musical e social.

O maestro Fred Dantas nos explica melhor, quando fala da  “elaboração crítica e musical de um grupo Fantasmão”, que para ele tem reflexão social e contemporaneidade, “mais potencial de vitalidade” do que todo o resto da música hoje feita  na Bahia.

E dá uma explicação técnica, que não sei bem o que é mas entendo: “Se no axé isso não está acontecendo, no pagode está. Porque incorporaram o 6/8, os ritmos ternários do candomblé, em cima da base do samba. Aquilo ali representa mais o que o jovem baiano está pensando”.

Marcos Dias lembra então das músicas que reproduzem cantos do candomblé. Aí o cacete, digo a batuta, do maestro bate na cabeça do queridinho Brown:
“Mas há uma diferença entre uma letra como Balança Coqueiro, que fala do candomblé criticamente, de uma Maimbê Dandá, por exemplo, de Carlinhos Brown, que simplesmente é um refrão tomado do candomblé. Não há reflexão nenhuma nem deixa conseqüências nenhuma, a não ser aquela alegria de discoteca, com aquela expressão em iorubá, que vira uma expressão exótica para ser reproduzida, como Jorge Benjor faz em tetê tetêretê…. Você bota os gringos para ficar dizendo maimbê maimbê e não acontece nada, a não ser um desvirtuamento do sentido original.
E no pagode, não. Você faz uma citação e uma reflexão. As pessoas precisam escutar o que esses jovens pagodeiros estão dizendo. Vamos escutar o que Marcio Vitor tem a dizer. Vamos saber o que é o contra-egun que eles estão falando”.
 
Bravo, bravo!
Obrigado, Mestro!

PS – Duas cenas dignas de nota.  No sábado, mãe e filho pequeno cadeirante brincavam a valer na esquina do Campo Grande. A cadeira ia ao ritmo das gargalhadas e da felicidade do menino. Mesma cena ontem. Pai filho de Gandhy, menino idem, de turbante e colar, todo paramentado e feliz n ritmo do reggae, junto com outro irmão andante. Felizes da vida.

PS2 – Clique na imagem para ver mais fotos de antigos Carnavais e aqui para saber um pouco da história delas.
 
PS3 – Deixei os comentários sem resposta. Estou na correria pra pegar a estrada e de lá de Iaçu respondo. Levo a tiracolo Morte Abjeta, do vingativo Dr. Guimarães, Grão Vizir  das saúde do Baixo-Sul, que por aqui passou e não me deu o prazer da visita.

Álbum de famílias

11/02/2009

atyaaac7iyaffefzq_lxw6cloeqpj5kkwzxhghptug4t9j4ocw-bbww45ljeeiqn9fe9myofwa3ruywsezqksy3nbkz9ajtu9vczter2ah0qdfayu0k5dbm4ew3yzq1Teatro de ruaatgaaadvyojeibhrueeteivbshrvouf2dis5-myfdvf0ljh71h8qiaamto0gslbgoupdwmof-djgw3n8cg5qfrcopknwajtu9vdjckfai0cnxswo1vi1bzvvjioa-qEscola bíblica de férias,  igreja Presbiteriana, na rua do Telégrafo.atgaaad24cfslecnvcvxs9ipf_ttff8ishecnlcvqssi9g7gbjsky5s7ebew1h_tjjfttix7arsuihx7q8kulrjczyysajtu9vdvy4qhpwnpxxeojbrpoelmb9swuq1Fila do cinema…atyaaaa_ige9cpxwwmjehhjcteokt3cqnqsnqw0mhf7sligeg9htwmhmttdnsxoubk39e4_62zerupsdsp3vlj6aky0dajtu9vbps_dwas6livvzhckzizbmorjzew11…continuação da fila.atcaaa1Desfile. O menino atrás do volante é tio de Soraya.atgaaabnrlh7elwlquyxxnvyapecfzctq9evqhj-dvor-aeoiociw6mjlra1og0wbvc_5cafrn4upfd9ssnd8gtfscj1ajtu9vbsc7qvqx9ld5qowvie-e4ouirclw1Família de seu Francisquinho (?).  Eliseu Borges , regente de corais da Igreja Presbiteriana. À direita, sua esposa D. Francisquinha.

atgaaad8uuv6znluvetmhmgotkjyyv_bqonzr9x_nv7nx_nkzqth62i6qd0zfsij3n9e2pyuwjldxqbrftnwgr1parv2ajtu9vc3w-wsxu58s4y0wn1bnbqu2gng8a1Marilene, miss Iaçu.atgaaadehvmgfttxq8vbhfikvnrxofkcqa6sa9x8cutyi0esscw0rkpz1-c_6dxfkgkbzjofj-0bo5uwavpd0bsckvqiajtu9van-hbjtztfp8s5qvxovd38t_lfzq1123 de dezembro de 1983. O acidente que gerou a não ponte:  mais aqui.

A bióloga Deborah Dias, professora de ciências e artes do ensino fundamental em Iaçu,  está envolvendo a cidade num trabalho  de memória coletivo. E usa apenas como ferramenta um perfil no Orkut. Enquanto  tenta viabilizar o projeto de um livro sobre a  história da cidade,   recolhe e publica imagens de álbuns particulares. O resultado impressiona.

Deborah já reuniu  461  fotos  e  623 “amigos” no perfil Iaçu Cultural. O mais interessante é que quase todas as imagens  provocam comentários, seja pela emoção de rever e se rever num outro tempo, pela alegria do reencontro com velhos amigos ou simplesmente para se divertir. É como se todo mundo fosse junto para a praça da cidade compartilhar a memória.

 A maioria das fotos ainda está sem data, sem crédito e sem a identificação integral dos personagens. Mas no ritmo que a coisa vai, não demora muito para que estas informações apareçam.

Voltaire, Maria e Verger

28/01/2009

Interrompo aqui, extraordinariamente, esta série sobre as férias para registrar um comentário enviado  hoje ao post Sapatadas por  Alex Baradel:

Prezada Maria Sampaio,
li artigo sobre Voltaire Fraga no “Muito” e confesso que gostaria de conhecer melhor a obra dele. Onde é possivel ver mais fotos desse fotógrafo? (além da exposição em São Paulo?)Estou muito interessado por Pierre Verger e sua obra, e não entendo que mal Pierre Verger fez em relação a Voltaire Fraga para a senhora parecer tão amarga contro Verger (é apénas porque Verger é mais conhecido que o Voltaire Fraga? E porque Verger é francês de nascimento? Ele se comportou mal por alguma coisa?).
Li no Muito que Verger teria copiado a obra do Voltaire Fraga. Me interesse muito em saber se os dois fotógrafos se conheceram, fotografaram junto, como o Verger tomou conhecimento da obra fotográfica do Voltaire Fraga, etc…
Agradecendo.”

Repassei o comentário para Maria, mas resolvi dizer o seguinte:

Monsieur Alex Baradel,

Enviei seu questionamento e perguntas a Maria Sampaio. Como foram dirigidos a ela, cabe a ela responder. Mas como eu também sou fã de Verger, de Maria e de Voltaire, me autorizo a responder a algumas de suas questões.

Li a matéria da Muito, um ótimo trabalho do repórter Vitor Pamplona, e não me recordo da afirmação de que Verger teria copiado Voltaire. Também é injusta a atribuição de amargura a Maria. Tai, quem conhece um pouco Maria sabe que amargura é um sentimento distante, muito distante dela.

Não conheço nada desabonador em Verger. Ao contrário. A única pessoa de quem ouvi falar mal de Verger foi eu mesmo. E explico: vi numa exposição sobre sua obra uma linha do tempo em que na primeira foto ele aparece garotinho, de paletó, com a família, na França. E na última, com uma bata africana, já sarcedote. Ou seja, Verger nasceu francês e morreu afro-baiano. Pensei.

Tempos depois assisti a um documentário (aqui relatado) com depoimentos de Arlete Soares sobre sua relação com Verger,  de amiga e produtora.

Acontece o seguinte. A última atitude de Verger foi passar em vida a sua obra para o controle de franceses. Minha nova dedução: o cara na verdade nasceu e morreu europeu. Pensando em proteger seu trabalho, confiou apenas nos seus iguais.

Diante da morte, não confiou seu trabalho aos neguinhos que tanto retratou e amou. Acabou se repetindo a velha história do branco que vem, se locupleta (não é só de bens que a gente se locupleta) e depois dá uma banana para os selvagens, que são, na maioria das vezes,  objetos.

Falo tudo isso com nenhuma amargura ou rancor contra Verger, um grande artista. Continuo fã deste artista europeu.

Sapatadas

17/12/2008

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Ao folhear o livro A Fotografia na Bahia (1839-1936), presente duplo de Maria Sampaio, eu me dei conta de que a recente sapatada de Tom Zé em Caetano tem um valor simbólico e universal muito maior do que a mágoa e o ressentimento do enterrado vivo e ressuscitado, graças a David. A sapatada de Tom Zé traz a mágoa daqueles que são preteridos, que não alcançam o reconhecimento, embora mereçam muitas vezes  até mais do que os glorificados.  Talvez Voltaire Fraga também lançasse seus sapatos sobre Verger. Eu lançaria os sapatos de  Lazzo  sobre Carlinhos Brown. Os de Claude Santos sobre o júri do salão do MAM. Os de Zé Dantas sobre Luiz Gonzaga.

Será que só há lugar para poucos no reconhecimento e na fama? Será que nossas manias de classificações nos tornam cegos diante da pluralidade?

Até 20  dias atrás, eu era completamente ignorante sobre Voltaire Fraga, que morreu em 2006 mendigando apoio ao governo, que lhe foi negado.

Ainda sou. Mas por que o mesmo ignorante aqui sabe bem mais e já viu bem mais imagens de Verger?  Verger sempre esteve “na mídia”, como diria o amigo gay de Marcinha.

Vejo Verger em Voltaire. Vi quando Ana Beatriz me mostrou o catálogo da exposição que está em cartaz na Pinacoteca de São Paulo, vi quando Maria Sampaio me mostrou o livro que traz cinco fotos obras-primas dele e no texto dela sobre ele, que está também no seu outro blog, “alguém escreveu” .  Espero poder conhecer mais para ver também Voltaire em Verger.

E você caro e raro leitor, em quem atiraria seus sapatos e os sapatos alheios? Não vale dizer que não atiraria em ninguém. Este post é dedicado aos xiitas e aos ressentidos e não aos bonzinhos.

Mais fotos aqui.

Continhos?

14/12/2008

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Não, você não está no Continhos para cão dormir. Mas poderia, já que estão aí numa mesma imagem dois temas de Maria. A foto foi publicada no site do Centro de Cultura de Ibiassucê.

Computador bala

21/11/2008
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Acima, alguns dos objetos expostos no museu. E na última imagem o museu vivo a bordo de um computador bala (Redação de A Tarde, 16/08/91. Foto: Geraldo Ataíde).

Como já contei aqui, faço um jornalzinho de uma página semanal (às vezes quinzenal,  mensal…) para o Crear, a escola dos meninos. E toda edição traz uma ou mais historinhas das crianças, como essa:

 

Ao ver um disco de vinil reunido com os outros objetos para a exposição da Alfa sobre coisas antigas, João, do grupo 05, não se conteve:

 

_ Pô! Que cedezão!

 

Não é que eu também me espantei com o cedezão ao ver a exposição?

 

Reunido com outros objetos do século passado, o cedezão sobre um prato de um som Gradiente me jogou no meu tempo. Quem não teve um som Gradiente? Ou um disco da coleção Grandes Compositores?

 

Os objetos foram  levados pelas crianças alunas de Kátia Borges (não a Madame K, mas a madame educadora do Crear – este coco pequeno tem a honra de as vezes ser lido por duas KB) depois de pesquisa nos acervos de casa.  

 

Parece que foi ontem para nós, mas para as crianças são trecos estranhos e o museu fez o maior sucesso: fita cassete, disco de vinil e toca-disco de vinil, máquina de escrever, monóculos, máquina fotográfica analógica, telefone com disco, notas de cruzeiro e cruzado, selos, coisas que não existem mais.

 

Isso me lembrou uma história de uma criança que definiu carta a pedido da professora:

_ É um e-mail escrito a mão.

 

Ou de uma outra, ao ver uma máquina de datilografia:

_ Que computador bala, a gente escreve e imprime na mesma hora!

 

Enfim, parece que foi ontem. Mas meu cotidiano de outro dia  virou um completo museu de coisas estranhas e exóticas.

 

Note na foto da redação detalhes como cola tenaz  e caixinha de filme. Quem nunca utilizou esta caixinha para outros fins?

 

Atualizado em 25/11

 

E Marcelo, meu cunhado, me manda este registro de laaaaaá do início da década de 1960, quando ele já era um iniciado nas artes de computar num computador bala de contar e já treinava para trabalhar na Caixa:

 

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Chorik, Brasília, Picolino, as professoras da Chapada e o prefeito de Palmeiras

07/11/2008

pagina_15_fotoContinuo sem conseguir escrever sobre uma coisa só, focar num assunto, a vida insiste em vir em ondas e aqui estou a comentar picotes desta rotina que compartilho com pessoas raras que aqui transitam.

 

Uma destas pessoas é um japa chamado Celso Chorik, que tive o prazer de descobrir por acaso em andanças www. Já falei dele aqui mas vou repetir e ampliar a história.  Fui ao blog dele outro dia e bati com o clik na parede. Havia sido removido. Sinceramente, pensei que o cara batera as botas, já que o blog era sobre hipertensão e depressão, embora com humor. Senti como se sentisse por um amigo. Internet tem destas coisas.

 

Eis que um belo dia, outro dia, encontro o blog de Chorik renascido, cheio do astral de sempre, e ele convalescente de uma obra de engenharia no coração,  que hoje tem  mais pontes do que  este Licuri. Minha alegria maior, além dos textos divertidos, foi encontrar por lá Maria e Aeronauta nos maiores papos com o japa. Como eu gosto de costurar nesta rede de fuxico, como gosto de ver gente do bem, sangue bom, se encontrando. E melhor, ter contribuído para isso.

 

A novidade é que embarco terça-feira para Brasília, a trabalho, a numa caravana de três ônibus que vai partir daqui da Bahia para participar da TEIA, o encontro nacional dos pontos de cultura. Vou tentar narrar a viagem aqui e no 416destinos. Antes, vou aproveitar e tentar republicar aqui os posts que fiz  na minha primeira viagem à capital federal para um pseudo blog, que criei na época para criar coragem de colocar o licuri na rede. Lá se vão quatro anos.

 

 

E sobre os mistérios da divulgação, vou fazer um laboratório prático com a Picolino, para quem presto serviços esporádicos de comunicação, remunerado as vezes sim, as vezes não.

Desta vez vai ser voluntário e vou encarar o desafio de lotar o circo no Projeto Viva o Circo ano XXIII, com a participação de todos os alunos da escola, da companhia Picolino Mirim e da Turma do Curso de Formação de Instrutores de Circo, que apresentarão nos dias 13 e 14 de dezembro espetáculos baseados na obra de Monteiro Lobato.

A abertura será no dia 12 com apresentação de vídeo sobre o 3º Encontro de Artistas de Circo da Bahia, trechos do vídeo “Insurreição Rítmica” de Bem Watkins, clips sobre o trabalho da Picolino em 2008 e uma performance da Companhia Picolino de Artes do Circo

 

 

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E para fechar este big póst  picotado não posso deixar aqui de falar da viagem de Otto Billian, que está esquentando e que no capítulo desta semana traz a história curiosa do seu encontro com quatro professoras contratadas no Rio para dar aulas na Chapada Diamantina, em 1933. Que destino tomou estas criaturas? Tenho esperança ainda de descobrir.

 

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As placas, os carros e o edifício Aliança

30/10/2008

O blog do  Anderson  trouxe a Vitória da Conquista da minha infância nesta imagem. Morava um pouco antes desta praça da foto, na Praça da Bandeira. Esta era a rota de ida para a escola, rota das placas que ensinavam a ler: Os Gonçalves, Farmácia Lia, Confeitaria Aracy, Magazine Aracy, Chez Nice Modas (o chez soava estranho), Bazar Cairo.

Os carros também são os carros da infância. Numa Rural parecida com esta viajei com tio Descartes para Minas Gerais aos cinco anos. Com um DKV semelhante a este, meu cunhado Mimi foi ao  hospital buscar Dine, o terceiro irmão.  Num caminhão como este  ia e voltava para a roça de tio De Assis, na estrada para Anagé,  e num Jippe como o que está na porta da Farmácia Lia também ia para Minas e passeava pela cidade com meu primo e ídolo Inamar, que namorava Elaine, que dirigia também um Jippe.

No alto à direita subia o maior prédio da cidade, o Hotel Aliança (clique na imagem para vê-la inteira). A foto deve ter sido tirada em  meados da década de 60, por volta de 2 da tarde, num dia de Verão, revelam os  modelos dos carros, a posição das sombras  e a ausência de agasalhos. 

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=2511614586451&set=a.1137311949744.2020128.1135737937&type=1

Rio

29/10/2008

 

 

Águas paradas não nos movem. Portanto, invoco o Paraguaçu em duas imagens para retomar o curso da vida. Acima, o rio em Cacahoeira, por Adenor Gondim. Abaixo, a caminho de Cachoeira, por Otto Billian, em 1933.

 

Volver a los 17

16/10/2008

Igreja em Senhor do Bomfim, 1978.

Inspirado na garotada do 4/tema, lembrei dos meus 17 anos. Clique na foto para lembrar também.

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15/10/2008

 

Bruno foi estagiário onde trabalho e é autor desta minha foto (não, não é a do post, é a da minha cara que aparece aí nos créditos do Licuri). Lincoln trabalhou conosco e agora está em São Paulo. Duas figuraças. João é filho do chefe, a cara do pai, e conheci rapidamente numa sessão de fotos para o frila da matéria com Lelé. E Mariana não conheço. Os quatro se juntaram e lançaram 4 sobre tema, uma revista eletrônica de fotografia.

Eu queria ser fotógrafo. Agora quero também que o tempo volte para eu começar a experimentar como eles. Confira aqui a viagem da garotada.