Posts Tagged ‘Iaçu’

Adeus, meu prezado!

10/08/2015

Ele se vai aos poucos, sem alarde, sem angústia, sem dor. O coração desacelera, o pulso cai devagar até o corpo ficar completamente em silêncio e frio.  Talvez as palavras mais sinônimas de morte sejam silêncio e frio.

Em volta a vida pulsa. No choro, na dor, no corre-corre para as providências dos adultos. As crianças, o cachorro, o papagaio também participam de alguma maneira do redemoinho, é um momento de quase transe para todos.

Uma morte à moda antiga, em casa, de uma forma a cada dia mais rara. Seu Rubem, meu querido amigo de 94 anos, que me chamava de meu prezado, muitas vezes de meu filho, avô de Soraya, bisavô da minha renca,  foi embora cercado de cuidado, de carinho, dos filhos, netos e bisnetos.

Enterrado ontem em João Amaro, ao lado de sua Ludu. Também numa tarde ensolarada de domingo.
Não casualmente Dia dos Pais.

___

Aqui umas histórias desta convivência: https://licuri.wordpress.com/?s=Rubem+Reis

A maldição da coruja

24/04/2014

Sou agnóstico mas busco Deus em tanta bala, tanta morte matada, mais de cem neste abril. Escuto pipocos, mais de cem. Conto as mães, mais de cem. Mais de cem é a  metade de mortes da boate incendiada no Rio Grande do Sul. E menos de um milésimo da atenção minha, sua, de todo o mundo.

Afora aqui e ali, os jornais silenciam, as pessoas silenciam. São todos “malas sujas”, gente que não presta, aprendi esta nova definição em Feira de Santana. E mala suja não é gente, não merece a minha e a sua empatia,  não é notícia. A não ser nos programas e sites e blogs  do chamado jornalismo abutre. É só dar um google  pra sua tela sangrar.

Mas acredito piamente na reverberação de toda esta dor. Ela volta pra gente, mais cedo ou mais tarde. Ela também nos cabe.

Também não acredito nos maus presságios das corujas. Mas Iaçu, cidade de menos de 30 mil habitantes, uma das muitas Macondos da Chapada Diamantina,  teve ontem mais um assassinato e duas crianças baleadas.

Mas os maus presságios de uma coruja  e uma piada do cantor de trio Bell sobre Iaçu repercutiram muito mais do que o assassinato e duas crianças atingidas por balas na Portelinha, conjunto habitacional com nome de bairro de novela, na  margem direita do Paraguaçu, perto da coruja.

E repercutiu muito menos ainda uma acusação de estupro, também na Portelinha, no início do mês. Acusação seguida de julgamento e morte do acusado dentro de uma cela da delegacia da cidade, rito sumário. Detalhe: o exame de corpo de delito, soube de fonte confiável, não confirmou o estupro, mas o trapo humano executado teve as pernas amarradas para caber no caixão.

E o  que eu e você temos a ver com isso?

Pressinto, creio que vai sobrar pra gente. Já sobrou. Sobrou conviver com a reverberação de toda essa dor, com a reverberação deste ritual praticado na delegacia por gente de 18, 20 anos. Ou pelo menos com a tal banalização, talvez mais grave ainda.

Estamos todos no mesmo barco. Eu, você, os moradores acusadores da Portelinha, o delegado de Iaçu, os jovens carrascos, as crianças baleadas. O barco é um só e muita gente não entendeu ainda.

Não disseram que estamos todos juntos nesta linda passarela de uma aquarela que um dia enfim descolorirá?

Tá acelerado este processo.

Circo Uga Uga

30/03/2013

Sem título

 

O espetáculo vai começar…
Nesta hora todo circo se iguala. Picolino, Soleil, Tihany, Circo de Moscou, Uga Uga. Ou melhor, eu me igualo.

De bendita a maldita chuva

23/01/2013

iacu09

Não consigo entender esta enchente de Iaçu.
Sem querer ser leviano, e correndo forte risco de ser neste momento em que as pessoas estão empenhadas em ajudar os desabrigados, arrisco a dizer que esta enchente é uma grande obra da prefeitura, tramada por anos de construções sem o devido planejamento do escoamento, aterramentos de lagoas, calçamento de ruas sem bocas de lobo – nunca vi uma boca de lobo em Iaçu.
Quando soube da enchente pensei que o rio Paraguaçu tivesse subido. Nada, ele estava lá tranquilo no seu leito.

A cidade de Iaçu naturalmente seria a prova de enchentes porque o rio corre lá embaixo e a cidade tem uma leve inclinação que facilita o escoamento das águas para o rio.

Abusaram das construções mal planejadas, dos aterramentos. Pavimentaram, ao longo dos anos, uma grande bica de concreto sobre as regiões mais baixas da cidade.

Soube que o estrago maior foi provocado pelo queda do muro do estádio, transformado pela chuva em uma represa cheia. E se rompeu levando tudo pela frente.
A chuva  sempre foi bem vinda no sertão mas  se transforma de repente na grande vilã. Injustamente.
Os grandes vilões desta história somos nós, por incompetência ou omissão. Mas enfim, como bem diz Nicanor Ramos, o momento é de reconstrução. Vamos ajudar.
Foto: Junior Carneiro / Iaçu Notícias

Fulora, mandacaru

18/11/2012

Sem título

 

Veja as fotos: https://www.facebook.com/gusmaomarcus/media_set?set=a.3963018510642.2143332.1135737937&type=1

O umbuzeiro

15/10/2012

Semílo

Não se avexe não, dezembro/janeiro teremos umbu.

(…) É a árvore sagrada do sertão. Sócia fiel das rápidas horas felizes e longos dias amargos dos vaqueiros. Representa o mais frisante exemplo de adaptação da flora sertaneja. Foi, talvez, de talhe mais vigoroso e alto – e veio descaindo, ¬pouco a pouco, numa intercadência de estios flamívomos e invernos torrenciais, modificando-se à feição do meio, desinvoluindo, até se preparar para a resistência e reagindo, por fim, desafiando as secas duradouras, sustentando-se nas quadras miseráveis mercê da energia vital que economiza nas estações benéficas, das reservas guardadas em grande cópia nas raízes.
E reparte-se com o homem. Se não existisse o umbuzeiro aquele trato de sertão, tão estéril que nele escasseiam os carnaubais tão providencialmente dispersos nos que o convizinham até ao Ceará, estaria despovoado. O umbu é para o infeliz matuto que ali vive o mesmo que a “mauritia” para os garaúnos dos “llanos”.
Alimenta-o e mitiga-lhe a sede. Abre-lhe o seio acariciador e amigo, onde os ramos recurvos e entrelaçados parecem de propósito feitos para a armação das redes bamboantes. E ao chegarem os tempos felizes dá-lhes os frutos de sabor esquisito para o preparo da umbuzada tradicional.
O gado, mesmo nos dias de abastança, cobiça o sumo acidulado das suas folhas. Realça-se-lhe, então, o porte, levantada, em recorte firme, a copa arredondada, num plano perfeito sobre o chão, à altura atingida pelos bois mais altos, ao modo de plantas ornamentais entregues à solicitude de práticos jardineiros. Assim decotadas semelham grande calotas esféricas. Dominam a flora sertaneja nos tempos felizes, como os cereus melancólicos nos paroxismos estivais.(…)

Euclides da Cunha, “Os Sertões”, 1902.Pág 28.http://bit.ly/RZkh4X

Para ver as fotos

https://www.facebook.com/gusmaomarcus/media_set?set=a.3818409615510.2140429.1135737937&type=1

Olhos amestrados

12/10/2012
46547_3808995620166_253142937_nSempre quis parara para fotografar esta casa na beira da estrada Milagres Iacu. Hoje deu. E me dei conta mais uma vez do entorno. E dos nossos amestrados olhos turísticos. Estes olhos turísticos só se abrem diante dos destinos já carimbados, autorizados para a admiração geral. O que falta para Milagres, Itatim, Santa Terezinha, Iaçu entrarem no mapa turístico? Falta amestrar os olhos?
https://www.facebook.com/gusmaomarcus/media_set?set=a.3808995060152.2140176.1135737937&type=1

Alegria de pobre

29/07/2012

Rubem Reis Almeida, bisavô da renca, lê no Correio de hoje sobre o empate  Vasco X Internacional e responde sobre o que achou:
– Queria que o inter batesse.
Teria outro desejo um sempre Flamengo e craque da seleção de Iaçu desde antes da 2ª grande guerra?

Aos 91, seu Rubem está afiadíssimo.

A fofoca corre solta na cozinha na “pensão” da Conceição, em Feira. A conversa vai sobre uma pessoa outrora má, mas que havia mudado, arrisquei eu.
– De casa, emendou seu Rubem.

A conversa virou da moça má ao senhor pai de muitos filhos, cuja preferência também pelos rapazes era debatida.

– Boa menina, disse seu Rubem.

Pouco depois apontou às gargalhadas para a foto do ator Jeremy Renner, que teria tomado Viagra por engano durante um vôo.

– Dureza hein seu Rubem, a aeromoça deve ter sofrido, provoquei.
– “Mal” olhada ela foi, riu.

Recentemente seu Rubem foi ao rio, em Iaçu, cheio de banhistas. E relembrou com seus botões:

– Alegria de pobre é mulher.

 

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=3538140328953&set=a.1137311949744.2020128.1135737937&type=1

Véspera

20/06/2012

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23 de junho de 2009, em Iaçu

A cidade se enfeita, na cozinha o movimento é grande, no quintal o forno está aceso. É véspera, manhã/tarde da noite de São João. E eu torço para que isso fique nos meninos como ficou em mim. Hoje já não sinto nada, só lembranças. Da fogueira, dos fogos, dos balões, da música. Hoje sou apenas memória, que tento reaver em caminhadas pelas ruas decoradas da cidade. São João passou por aqui. Pelas minhas lembranças.

Descrição da imagem: Em primeiro plano vaso de cerâmica pendurado, decorado com bandeirolas coloridas. Ao fundo, fogueira armada em rua enfeitada com fileiras de bandeirolas azuis e vermelhas. Céu azul.
Descrição sugerida por www.facebook.com/pracegover

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=3389607975737&set=a.1137311949744.2020128.1135737937&type=1

Ilhas de pedras

19/02/2012


Sou doido por pedras. E estas, na região de Itatim-Milagres-Castro Alves sempre me encheram os olhos, desde criança. Um dia ainda largo o carro  e sigo andando. Ontem deu vontade de fazer isso. Ainda não foi desta vez.


Havia fotografado com Soraya da janela do carro em movimento na viagem para Iaçu mas as fotos não prestaram. Além do movimento, nosso sentido era de contraluz, no fim da tarde.


Por sorte, precisei ir ontem a Feira de Santana e fui sozinho, parando. Deu pra fazer estas imagens. Nao estão 50%  mas pelo menos permitem compartilhar a grandiosidade deste lugar.


Estas formações são chamadas pelos geológos de ilhas de pedras ou inselbergs. Achei um trabalho de três geógrafos formandos da UEFS sobre a gênese deste lugar. Veja aqui. E  quando eu for a pé, vai ser ver de perto a vegetação, descrita neste trabalho,


De repente as pedras surgem isoladas, exibindo  as mais variadas formas, esculpidas em pacientes quase 140 milhões de anos.  Para se ter uma idéia deste tempo, se você, como eu, tem 50 anos, isto seria algo como vivermos dois milhões e 800 mil vezes para testemunhar  este processo. Ou 70 mil vezes a era cristã. Santíssimas pedras.


Quem nunca teve a atenção chamada para esta boca? Está desdentada e merece ser tombada e recuperada por pertencer a memória afetiva de milhões de nordestinos e seu vai-e-vem em direção a sumpalo.


A grandiosidade das esculturas e a tentativa de imaginar isso se formando no tempo ajuda pensar o quanto tudo é tão maior do que a gente é quanto é curta nossa estadia nestes tempos corridos.

 

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=2748143979538&set=a.1137311949744.2020128.1135737937&type=1

Os pais da ponte

16/01/2012

O fracasso é órfão e o sucesso é filho de mulher-dama, ensina a sabedoria popular. O abandono da estação ferroviária de João Amaro, por exemplo, é órfão. Já a ponte que liga os municípios de Itaberaba e Iaçu sobre o Paraguaçu e a estrada Iaçu-Milagres estão com fila pra teste de DNA. Tem ex-prefeito, prefeito, ex-ministro e governador disputando paternidade.

É uma peleja intrincada. O ex-prefeito, que fez dois mandatos coligado com o PFL/DEM, hoje é PT desde criancinha e amarga geladeira nos direitos políticos por conta de contas não aprovadas. O atual prefeito é PMDB, aliado nacional mas inimigo local do PT. Será que Wagner vai conseguir reunir este saco de gatos sobre o palanque no próximo sábado, em nova data prevista para a inauguração oficial?

Mas o verdadeiro pai da ponte é o contribuinte, que de cada 10 reais gastos, tem 4 recolhidos como impostos. Os barnabés que assinaram a ordem de serviço, seja prefeito, ministro ou governador, não fizeram mais que obrigação. E demoraram.

Disputas políticas à parte, a ponte é bonita  e deságua de forma elegante sobre a cidade. Mas no conjunto fica meio esquisita, apertada entre a velha ponte de ferro e madeira, inaugurada em 1904, e a ponte ferroviária caída, da metade do século passado.


Ao observar a imagem do Google, ainda desatualizada, dá pra ver que a decisão foi prática. A locação da velha ponte é precisa, num ponto de  menor distância entre as duas margens. Acima e abaixo o rio se abre em ilhas e exigira obra bem maior e mais cara. Acima um pouco, pela imagem,  parece até que daria, mas exigiria desvio da estrada.

A ponte e a estrada também são filhas do momento econômico que vive a região. Em breve será asfaltada a estrada Iaçu-Itaetê, que servirá de escoamento para o ferro que vem de Marcionílio Souza e Piatã e será embarcado na ferrovia num ponto próximo a João Amaro, distrito de Iaçu.

Então, como já explicaram em outro contexto,  “é a economia, idiota!”

Que Beatles, que nada!

02/11/2010

Popular mesmo é Cristo e Carla Perez.  Pelo menos no Bar do Bodeiro, em Iaçu, Jesus Cristo crucificado e Carla Perez apoiada na parede, de costas, são os únicos quadros na parede. E olha que o bar não é pequeno.

Por que eles estão ali coladinhos, sem pudor?  Só faltou o escudo do Flamengo ou do meu Baêa..

Não sou entendido em sociologias, nem em quase nada nesta vida, mas arrisco a dizer que a falta de entendimento da cabeça deste sujeito fez com que Serra e sua turma de marketeiros de batina dessem  murro em ponta de faca ao apostar no discurso religioso moralista.

Fica então a lição político-sociológica e semiótica: Deus é Deus, bunda é bunda e Dilma é presidente.

Desconectado

19/06/2010

Sport Clube Ideal – O beque central é  Rubem Reis Almeida,  avô de Soraya. Neste jogo o time de Iaçu empatou em 4 x 4 com o S.C. Independente, de Itaberaba, na casa do adversário, no dia 18 de setembro de 1949. Foto do  Projeto Iaçu Cultural

Como a humilde Inglaterra, quando  partiu um cabo de comuicação entre a ilha e o continente, declaro que o  mundo está isolado. Não quero nem ver teclas na minha frente até o dia 4 de julho.

Tomo o rumo de Iaçu para encarar nos próximos dias atividades estafantes como  comer, dormir, vadiar com a renca e assistir aos babas africanos na companhia  de Rubem Reis, craque da era de ouro da seleção da cidade,  quando o Brasil nem sonhava em ganhar a copa da Suécia.

Mas vou deixar uma fogueira virtual para ser acesa dia 23, às 20 horas. Vivá São João.

 

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=3389580415048&set=a.1137311949744.2020128.1135737937&type=1

Proibido?

12/11/2009

Sem título

Diversão garantida checar como as pessoas chegam ao seu blog. Observe a tela de 00:20 de hoje deste coco pequeno.

Será que este  primeiro curioso da madrugada ficou satisfeito com o que encontrou? Será que ele leu a charge? Será que entendeu? Será que gostou do comentário  de que de vez em quando bate um vento frio, feito por Madame K

Possivelmente tenha se picado no primeiro segundo.

Portanto estas estatísticas não medem muita coisa. Servem apenas como fonte para posts como esse. E quase nada mais, embora certamente muita busca tenha sentido e resulte em leitura mesmo.

Futucando mais, pincei 10 palavras ou grupos de palavras que resultaram em mais de cem acessos desde que me mudei aqui pro wordpress. Não informam qual buscador foi usado, mas fui ao google e tentei fazer o mesmo caminho usando as mesmas palavras, acrescentadas de + licuri.  

Possivelmente eles chegaram a um destes  resultados, que vão registrar também a partir de agora este post de hoje. Confira nos links:
proibido – 1.975
licuri – 1.376
iaçu – 1170
cachoeira dos prazeres – 495
cloridrato de metilfenidato – 460
voyer – 368
zero – 139
pó Royal – 128
Henfil – 124
índias nuas – 106

Iaçu, década de 70

30/10/2009

projeto-iacu-cultural-no-orkutUma das 2.843 fotos do Iaçu Cultural, projeto de memória criado por Deborah em um perfil  no Orkut e que agora está também no Facebook.

Busquei a imagem para ilustrar este post sobre uma minissaia, motivo  de rebelião num presídio, digo, numa universidade  de São Paulo. 
Soube deste assunto via twitter, há uma eternidade em tempo de internet, mas não consegui ver o vídeo postado no Boteco Sujo porque a Uniban colocou funiconários para enxugar gelo, ou seja, ficam de plantão vasculhando a rede para pedir a retirada dos vídeos ao You Tube.

E hoje finalmente vi um video completo. Veio num e-mail indignado  de Bárbara Jolie, do Vinte e Cinco Inquietações, com o link para uma matéria de tv postada no Bahia em Pauta.  Resolvo entar  na roda porque a história me impressionou.

E pela primeira vez vejo  unanimidade nos comentários no You Tube. O nível é baixo, como sempre, mas a pontaria é certeira. Ou chamam os homens de viadinhos ou as mulheres de invejosas, ou a universidade de Unibambi, ou até aceitam o coro absurdo de puta, mas defendem o direito das putas  frequentarem uma faculdade.

O anúncio no portal da Uniban oferece cursos de até R199,00 por mês. Ou seja, tá mais pra mercadinho. A arquitetura circular do prédio lembra grandes bibliotecas do mundo mas no vídeo mais parece pátio de presidio em motim de filme americano.

Os gritos têm a força dos gritos do movimento estudantil, movido a saias tão ou mais curtas como a da moça. Saias como estas da foto,  usadas à vontade em Iaçu, na Chapada diamantina, pssivelmente por volta de 1968, o ano portador da  ilusão de que o mundo mudaria pra melhor.

Atualizado em 09/11: a decisão da uniban é mais absurda ainda do que tudo o que aconteceu. É inacreditável. Episódio gera  vídeo  hilário.
Atualizado em 10/10: uniban volta atrás. Distribuída pela AP, notícia ganhou o mundo:  The Guardian.

Olhos que nos olham

26/03/2009
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mãos

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mãos, pés

3

olhos, laços, bico

Como na maioria das fotos antigas, estes olhos da foto abaixo nos olham com uma expressão rara, especial. As mãos se escondem, buscam refúgio. Os pés revelam um tempo também. Tempo de pé no chão ou calçado para ocasião. Máquina fotográfica era cousa rara, acontecimento. Todos estão vestidos para a foto. Possivelmente flagrante de  algum acontecimento social ou religioso. Mas o momento da fotografia era único, especial, diferente. Mais um fragmento de memória precioso, garimpado pelo projeto Iaçu Cultural, de Déborah.

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olhos, mãos, pés, laços, bico, suspensórios, gravata

Pleonasmo

05/03/2009

Escrota, malvada, vil, torpe, criminosa, que age de má-fé, mentirosa, enganadora, maquiavélica. Origem no latim abjetu. Mais: degradante, desprezível, indigna, imunda, baixa. Pois é, encontrei todos estes significados para abjeta, todos iguaiszinhos à morte. Portanto, chego à conclusão, sem ter concluído a leitura, de que o título do livro de Bernardo Guimarães e Maria Judith, Morte abjeta é um redondo, completo e definitivo pleonasmo.

Não, ainda não é sobre o livro de Bernardo e Maria que eu escrevo. Estou é puto com esta velha abjeta da foice. Anteontem ela me levou Fafá, a colisa lalia sobreviente do aquário dos meninos, logo ela que foi bem cuidada, foi medicada com antibióticos [nunca entendi este prefixo exterminador antes da bio, já que é remédio]. Fafá estava ótima, pra cima e pra baixo, serelepe, até desconfiei que a malvada vivia mais feliz com a viuvez.

Chega hoje e recebo a notícia da morte do retratista Aurelino Costa [veja sua foto no post Haletos de Ouro], pessoa com quem sequer eu havia trocado uma palavra mas imaginava simpática, daquelas do tipo não vi e  gostei. Planejava conhecer pessoalmente Aurelino Costa agora na semana santa [olha ela aí de novo, desta vez disfarçada de santificada].

Não deu. Recebo o recado de Déborah  dando a notícia. Ontem mesmo ela esteve com ele, estavam se falando sempre, ela entusiasmada com o encontro, ele generoso, forneceu todo o seu acervo para o projeto Iaçu Cultural, projeto de memória visual,  cultura digital e o escambau, meu atual incutimento.

Sou inconformado sim, talvez por não crer em mais nada a não ser nos vermes e no calor do fogo, escolha um ou outro. Melhor para quem acredita que o baba continua. Pra mim é fim de jogo.

Comecei a ler um livro fantástico [já comecei a ler talvez mais de uma centena de livros fantásticos na vida] Breve história de quase tudo que  Ana Lívia levou emprestado com a promessa de devolução breve e a mim só resta sugerir como opção de presente para os meus  48 anos, na segunda. [Falar em piscianos, além de minha irmã Stael, Caio de Nilson, Bernardo e Renata Belmonte, Trasmonte fez uma pequena lista aqui].

Pois bem, neste livro se confirma algo que eu já havia pensado. Somos combinações, acidente matemático programado para se desintegrar e voltar a se integrar de novo à massa cósmica. Sob este prisma, somos imortais.

Mas o euzinho aqui, esta combinação impar de gosmas, terminações nervosas, ossos, dentes maltratados e muita dúvida existencial, tudo ensacado em tamanho GG, assim que o game for over, babau. 

Portanto,  essa identidade, esse pronome pessoal da primeira pessoa, tão caro a cada um de nós, dos mais humildes aos mais assumidos na vaidade,  vai pro espaço, literalmente.

Dá licença então poetas e crédulos, aproveito minha inconformidade e minha pouca poesia para deixar um joguinho vagabundo de rimas desta primeira pessoa que é singular e finita,  revelador  da minha birra com ela, a abjeta:

Eu?
morreu,
fudeu.

O trágico destino de Marilene

03/03/2009

Já revelei aqui temas sobre os quais não tenho opinião formada e acrescento agora outros três que já passaram por minha cabeça: drogas, depressão e suicídio.

Hoje fico com a história  de Marilene, miss Iaçu, de quem sei muito pouco. Aos 19 anos, recém-formada, Marilene saltou grávida da janela do primeiro andar depois de ter tomado comprimidos vencidos do pai e cortado os pulsos. Ainda sobreviveu mais uns dias, levando consigo a pergunta sem resposta: por quê?

Fico irritado quando alguém define a causa de um suicídio. Prefiro a Legião Urbana: nada é fácil de entender.  A opinião corrente na cidade é que ela não aguentou o tranco do namorado não ter assumido a criança. Mas a própria Iaçu tem exemplos de situações semelhantes na mesma época e que resultaram em vida.

Ninguém sabe o que vai na cabeça de um suicida. Ninguém nunca vai conseguir medir a dor motivadora. A dor é um sentimento absolutamente solitário, só o doído tem a dimensão. O condoído tenta.

Mas  o estrago provocado no próprio corpo pelo  suicida é multiplicado nas pessoas próximas. A pancada, a bala, a corda, o gás, a roda, a água, o fogo, o veneno, a lâmina  que tira a vida pega de jeito também pai, mãe, filhos, namorados, amigos. A dor da perda de quem fica é amplificada pelo sentimento de culpa, o pior dos sentimentos. Neste aspecto os suicidas são bem sacanas.

Os bilhetes dão apenas pistas da dimensão do desespero, como o de Torquato Neto, resumo de todos os demais:
Pra mim, chega!

P.S – Veja mais aqui sobre este assunto, num  texto de  de Juan Trasmonte, coincidentemente lido na mesma época em que eu soube desta história.

Haletos de ouro

01/03/2009
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1928. Foto mais antiga que se tem registro em Iaçu e uma das 889 reunidas no perfil do Orkut do projeto Iaçu Cultural. É da famíla do retratista Aurelino Costa, que emprestou seu acervo ao projeto.
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Aurelino Costa em seu laboratório. Pelas suas lentes passaram praticamente todos os habitantes de Iaçu nas últimas décadas.

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Avós de Déborah Dias, a biológa e professora que teve a ideia de garimpar e compartilhar a memória fotográfica da cidade

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Este pai é um dos quatro meninos da imagem anterior. Aqui, com mulher e cinco filhos (o quinto está na barriga da mãe, segundo um dos sete comentários da foto no álbum coletivo no Orkut)

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Rubem Reis, bisavô da minha renca, enviou esta foto a parentes enquanto estava aquartelado em Feira. A guerra acabou antes do embarque. A foto foi recuperada na pesquisa de Déborah.

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Dispensado no dia 9 de maio de 1945, o soldado casou com dona Ludu, voltou para Iaçu e se tornou um dos crques da cidade. Foto do histórico 4x4 contra o Independente, de Itaberaba, na casa do adversário, no dia 18 de setembro de 1949. Rubem reis. o quinto em pé, não se lembrava da exstência desta foto, também trazida à luz com a pesquisa.

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Aniversário na casa de amigas. A tia Conceição dos meninos é a maior maior da frente. Mônica, mãe de Soraya, está logo atrás, à direitaa.

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Álbum´"Último dia".

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Buraco doce, uma das casas da rua do Crefe, o brega da cidade.

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Ponte sobre o Paraguaçu.

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Uma vez Flamengo...

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Soraya com quase um ano, no São João de 1970. Foto: Aurelino Costa.

Este coco estava meio travadão, de recaída. O  efeito paralisante do elogio voltou, agravado pelo traço de   TOC,  bem retratado naquele filme com Jack Nicholson, na cena em que ele só pisa nas partes pretas da calçada.

Pra completar veio o incutimento.

Repito aqui mais uma vez a máxima sertaneja: incutido é pior do que doido. Aqui em casa, em toda a Iaçu e em todas as minhas conversas, o assunto da hora são as fotos antigas colocadas no Orkut por Déborah Dias. Já expliquei a história aqui e  numa variação sobre o mesmo tema no 416 destinos .

Como cinco dos seis leitores deste coco são adultos e não têm o Orkut, resolvi trazer algumas das imagens para cá .

O incutimento é um dos responsáveis para o engarrafamento de posts na minha cabeça. Só penso nas fotos de Iaçu e não sobra tempo sequer para o texto sobre o trágico fim  de Marilene, uma das retratadas.

A viagem, que aqui ia pelo do meio do caminho, parou antes de chegar a Moreré,  Bainema, Cova da Onça.

Quem passava pela praça em Iaçu na terça de Carnaval, sem Carnaval, pensava ver um doido pipocando de rir com um livro na mão. Rindo e angustiado a se perguntar por que rir de uma cabeça humana detonada por bombas juninas. Não conseguia parar de rir e a culpa era do sádico Dr. Bernardo e da sua cúmplice Maria Judith. As primeiras páginas de Morte Abjeta seriam também retratadas aqui.

Duas mortes abjetas acontecidas este fim de semana em Iaçu – eta cidadezinha trágica – também ficaram na fila.

Uma geral na produção carnavalesca dos meus e-vizinhos aí do lado também mas deixo isto pra Nilson Pedro, que viu o carnaval passar pelas teclas alheias.

A cova violada de Cova da Onça, que deu nome ao vilarejo de Boipeba, e as imangens de gesso da Igreja de João Amaro, provas do saque geral de imagens sacras das igrejas baianas nas décadas de sessenta e setenta também estão na fila.

Falta mostrar também as fachadas em azul e branco das igrejas do baixo-sul.

Faço aqui a promessa vã de transformar em palavras e imagens todas estes projetos de post relatados acima. Por enquanto fiquem com as fotos do Iaçu Cultural.

Vamos então ao elogio. Goli Guerreiro disse que minha leitura do filme Os Negativos é brilhante. Lenhou. Não consegui responder. Fiquei travadão e não adiantou nada a alta da terapia  de aceitação irrestrita do elogio.

Vou rever o filme e fica aqui mais uma promessa de novo texto. O curioso é que o post estava ali zerado, sem nenhum comentário há muito tempo, no rol daqueles  suspeitos de interessar a ninguém . E com a polêmica sobre Verger, fiquei em dúvida se estava certo. Cheguei a pedir a Maria para para ela conseguir uma cópia do documentário. Está na mão dela há um tempão e já fui informado disso. Vou alimentar os meninos bem alimentados qualquer hora dessa e partir para uma visita a Maria em busca da cópia.

Aqui entra o  filme de Nicholson e o TOC aplicado aos comentários. Como gosto que respondam os meus mas fico dias, meses sem responder os alheios, resolvi tomar a decisão de responder a todos, como no combinado de só pisar nas pedras pretas.

O problema é quando fica um sem responder, como foi o caso do elogio. O resto não sai. E ainda tem o agravante de que certos comentários dispensam respostas, eles se encerra ali mesmo, mas como o combinado é só pisar nas pretas…

Termino este breve relato do que deveria fazer com a promessa de ano novo – sim o ano começa nesta segunda-feira – de responder a todos os comentários.

Conseguirei caso não haja recidiva de TOC e não apareça outro assunto bom de se incutir.

P.S. O título seria haletos de prata. Mas achei pouco.

João Amaro, quarta de cinzas

27/02/2009

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Não sei o motivo, só sei que cometi um ato falho fotográfico. Nãoregistrei a fachada da Igreja. Mas ela está lá no projeto Iaçu Cultural, em foto de Deborah Dias (?). Veja:

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Álbum de famílias

11/02/2009

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atgaaad8uuv6znluvetmhmgotkjyyv_bqonzr9x_nv7nx_nkzqth62i6qd0zfsij3n9e2pyuwjldxqbrftnwgr1parv2ajtu9vc3w-wsxu58s4y0wn1bnbqu2gng8a1Marilene, miss Iaçu.atgaaadehvmgfttxq8vbhfikvnrxofkcqa6sa9x8cutyi0esscw0rkpz1-c_6dxfkgkbzjofj-0bo5uwavpd0bsckvqiajtu9van-hbjtztfp8s5qvxovd38t_lfzq1123 de dezembro de 1983. O acidente que gerou a não ponte:  mais aqui.

A bióloga Deborah Dias, professora de ciências e artes do ensino fundamental em Iaçu,  está envolvendo a cidade num trabalho  de memória coletivo. E usa apenas como ferramenta um perfil no Orkut. Enquanto  tenta viabilizar o projeto de um livro sobre a  história da cidade,   recolhe e publica imagens de álbuns particulares. O resultado impressiona.

Deborah já reuniu  461  fotos  e  623 “amigos” no perfil Iaçu Cultural. O mais interessante é que quase todas as imagens  provocam comentários, seja pela emoção de rever e se rever num outro tempo, pela alegria do reencontro com velhos amigos ou simplesmente para se divertir. É como se todo mundo fosse junto para a praça da cidade compartilhar a memória.

 A maioria das fotos ainda está sem data, sem crédito e sem a identificação integral dos personagens. Mas no ritmo que a coisa vai, não demora muito para que estas informações apareçam.

santo reis

06/01/2009

dsc02993-copiahoje é dia de santos reis últimos minutos do dia de santo reis em iaçu não enxergo nada no teclado luzes apagadas apenas muriçocas na pele e outros insetos na tela iluminada do portátil enquanto leio os blogues alheios e vejo chegar a meia noite limite para postar na véspera de pegar novamente a estrada vicinal desta vez rumo ao litoral mas antes da viagem quero falar da ponte asfaltada sobre a madeira em vez de reforma e da morte de crianças pelo estado judeu informadas pelo jornal da globo e de mortes inesperadas  e não noticiadas acontecidas antes de se completaram os seis primeiros dias do ano antes de se desarrumarem os presépios morreu a garota de 10 anos cabeça na pedra do rio depois professor de 28 anos de avc mais um operário tragado pela máquina de moer argila para fazer blocos de cerâmica numa cidade de poucos habitantes e muitas mortes mas hoje é dia de festa da festa de santo reisdsc02958

Água grande, dor maior

04/01/2009

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Paraguaçu é água grande em Tupi. Em português contém também água no nome. Rio cheio, risco grande. Mãe em São Paulo, passeio na casa da avó, férias. Foi ontem ao rio com o irmão e não voltou. A notícia, recorrente em épocas de rio cheio, correu de boca em boca. Não sei o seu nome. Sei que tinha oito dez anos e bateu a cabeça numa pedra rasa do rio cheio.

Há seis meses fiz fotos em pé na base desta última coluna da ponte instalação, a não ponte de Iaçu. Dava para ir andando até lá sem molhar os pés. No último dia de 2008 fiz esta foto do rio cheio.

Agora chove no telhado, troveja e relampeja. Soraya tenta colocar os nossos pra dormir. São 23 horas. imagino o tamanho da dor da mãe, lá em São Paulo.

Let’s travel

20/12/2008

Nunca consegui aprender inglês. Tinha 17 anos, o sonho era cair na estrada, pegar o Trem da Morte, ir a Cochabamba, depois Machu Picchu. Como era menor, segurei minha onda e resolvi ir à Minas antiga. Passei por Cordisburgo e Itabira, Ouro Preto, Congonhas. Subi pela Belém-Brasília, desci costeando o Nordeste até Conquista novamente. Numas dessas quebradas, encontrei um casal europeu perdido num entroncamento.Abri um sorriso e perguntei:

– Do you speak english?
– Yeh, Yeh responderam em coro e alegres também! Finalmente uma conversa.
– I don’t, disse eu, já meio sem graça.
Silêncio. Que situação. Este sou eu desde os 17.

Mas então vamos falar deta outra viagem solitária, em janeiro de 2007. Nuns diazinhos de folga, fui a Xerém, digo Macondo, digo Iaçu, para encontrar a minha renca e mais ou menos assim contei a viagem no Licuri no uol:

Saí de casa ainda escuro. Meia hora depois, Parei para fazer a foto.

 A gente vai ficando velho e a infância vai retornando, se aproximando. E uma das melhores lembranças é a barra do dia aparecendo na estrada Anagé – Conquista. Eu na boléia do caminhão de tio De Assis, espantado com o vermelho que ia tomando o céu num crescendo até aparecer o disco no horizonte limpo do céu sem nuvens do sertão.

 

Resolvo então perseguir minhas lembranças e sigo pela  BR116 em direção a Milagres em vez de pegar o caminho mais calmo via Ipirá. Passa Santo Estevão e então de repente se descortina lá embaixo o vale do Paraguaçu. É uma
imagem fantástica. São formações que parecem  ilhas de pedras, que os geológos chamam de inselbergs, quando numa quase planície de repente desponta uma grande rocha aqui, outra ali.  Ali perto está Castro Alves, onde vivi dos 9 aos 13 anos.

 
Um dia  íamos com minha mãe para Conquista e o ônibus quebrou exatamente neste local. Fiquei impressionado com a pedra e com a palavra Tyresoles.  Ela deve pertencer também ao imaginário de milhões de sertanejos. Neste ponto eles já viajaram mais de 1.200 km desde São Paulo, já entraram na Bahia há umas seis horas ou 400 km. Só aqui finalmente recebem as boas vindas de verdade, na placa, no clima, na vegetação. Enfim, eis o sertão. 

Surge então Milagres  das pedras. Glauber era fixado neste cenário. Aqui ele recriou o clima de
western de O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro .
A cidade também foi cenário de Os Fuzis, de Ruy Guerra, e mais recentemente, voltou para as telas em uma das cenas de Central do Brasil. Este lugar bate na alma dos sertanejos. É um dos destinos de romarias mas fortes do sertão.


E eis que surge Macondo, à 10h30. A outra entrada, via Itaberaba, é mais bonita porque você encontra logo o rio e as pontes. Nesta aqui o primeiro  impacto são as chaminés da cerâmica, que geram polêmica na cidade:
quem  está no poder diz que gera emprego. Quem esta na oposição diz que é fonte  de destruição do rio e de poluição. Todos têm razão e ninguém faz nada.
Lá no alto esquerdo da foto você vê uma pedra de onde se tem das melhores vistas da cidade com o rio e seus meandros e a vastidão do vale.
E então, tchibummm no Paraguaçu, com renca e tudountitled3

Por Zeus! Por Júpiter! Por Nhanderuvuçu!

15/07/2008

500 AC. Paternon, Atenas.

490 AC. Templo de Saturno, Roma.

2008 DC. Portal de Iaçu.

 

 

 

Atualizado em 19/07/2007

Disseram que eu fui sutil demais. Serei  explícito então: bizarro este portal!

 

E este licuri bem que podia se chamar Blog de Iaçu. Os posts mais lidos falam da cidade, as fotos das pontes são as mais acessadas. Por isso, o coco pequeno se alia aos que querem ver a ponte Severino Vieira novinha em folha como este negócio bizarro daí de cima. Você pode notar na segunda foto que o  motorista nem suspeita do risco que corre seu valioso automóvel. Clique na primeira foto para ver o emocionante momento em que  sobrevivemos à travessia e na segunda para ver a situação da parte de baixo da ponte. Veja mais informações no tópico A ponte cai-não-cai do fórum desta comunidade de Iaçu no orkut.

 

A ponte é de 1904. Clique para ver o vídeo da travessia

Rachaduras num dos pilares. Clique para ver mais.

São João sabor uva ou menta?

06/07/2008

Tudo que precisa de resgate me lembra aquele padre dos balões, que não quis esperar o terceiro dia para subir aos céus. Ou seja, já foi, Banda Mel. Não me chame para resgatar nada que eu não vou. Se você observar os patrocínios no palco acima e o super trio elétrico Mega Love estacionado ao fundo vai ver que este negócio de Forró Pé de Serra também precisa de resgate. Pior para ele.

Ano de eleição, este foi o cenário que se viu Bahia adentro, Bahia afora. É só clicar duas vezes no vídeo e ver os similares lá no Tubo. Eu não sou saudosista, se tem que ser assim, que seja.

E as crianças, que não estão nem aí,  gostaram e pelo menos se divertiram  ao som dos Bárbaros do Morro, bloco afro de Iaçu. Maria, a menorzinha, mandou ver devidamente incentivada pela prima Lívia, que tem  talento. E André também caiu no reggae. Mas os três foram devidamente recolhidas ao pé da fogueira antes dos  subcovers das calcinhas pretas e dos cavalos  não sei das quantas  se revezassem noite adentro com seus cantos de amores em falsetes esganiçados: Eu vou fazer um leilão…

O arrastão dos Candangues

06/06/2008

Quem digita  São João em Iaçu no google tem como primeira resposta Iaçu/Macondo « Licuri, ou seja, um post que fiz na véspera do São João do ano passado quando embarquei com toda minha ascendência e descendência no velho Corsa Sedam 99/2000 debaixo de chuva em direção à hospitalidade de seu Rubem Reis. Como boa parte das parcas visitas a este blog é resultado desta busca, resolvi atender à demanda indicando o endereço mais apropriado para informar as atrações juninas deste ano.
Clique aqui.
Recomendo o Arrastão dos Candangues, a reencarnação dos passageiros do trem Mochilão, que desfila no ritmo de São João na tarde do dia 23. O vídeo mostra parte dos candangues ao som do Trio Nogueira, no São João do ano passado.

As pontes para Iaçu

14/05/2008

 

Desde 1993, quando conheci Soraya, vou a Iaçu pelo menos duas vezes por ano. Lá encontrei um pouco de minha infância, conheço  suas ruas e suas margens do Paraguaçu.

***** 

A foto que ilustra (já ilustrou) este Licuri é desta segunda não-ponte vista aí de cima pelo googlemap. Posts  1, 2, 3 , 4 que citam a cidade atraem muitas das visitas ao blog resultantes  de busca no google. O curioso é que ao digitar Iaçu Bahia no googlemap você vai parar em um ponto distante, a sudoeste, entre as cidades de Camacã e Itororó. 

 

(Comentários no post original)

 

Quase todos os dias leio o seu Blog !! conteúdos bastantes interessante, mais interessante quando você coloca fotos e mensagens de minha cidade Iaçu … Conheço seu Rubens e alguns netos dele. O Flávio principalmente, pois quando ele comandou a companhia dos portos na cidada de Juazeiro da Bahia. Por várias vezes fui almoçar na residência da capitania com ele, João, Erotildes e deliciar o tempero e a Maniçoba que Conceição prepara com muito sabor. O João ainda continua aqui estudando na Uneb no curso de direito, sempre encontro ele, mas com mais frequencia em Iaçu … Moro em Petrolina, vizinha a Juazeiro. Grande abraço. Luciano Araujo Costa –  24 de Outubro de  2007 – luciannocosta@bol.com.br

 

Tenho interesse em informações sobre IAÇU. Acho que minha mãe nasceu nesta cidade (de onde saiu com 9 anos), e ainda não voltou lá. TenhoEla me fala que nasceu em Sítio Novo Paraguaçu, uma Cidade as margens do Rio Paraguaçu há 80 anos atrás. Será que é esta Iaçu?Por favor me manda alguma informação ou fonte de consulta sobre esta cidade. Elias – 25 de Dezembro de, 2007

 

Assim como Luciano estou adorando futucar esse blog. Interessante demais!!! Tu consegue captar uma energia de Iaçu que nós aqui muitas vezes não conseguimos. Parabéns!!!!! Deborah  – 4 de abril de  2008

 

Sou filho da cidade maravilhosa Iaçu, sempre morei nessa cidade faço tudo que for para tornar essa terra conhecida. Trabalho na rádio comunitária da cidade e estou a disposição para informações sobre minha amada Iaçu…Ronaldo Ramos –  29 de abril de 2008

Pontes

16/11/2007

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Iaçu tem uma ponte singular, que a  partir de agora ilustra o Licuri. É uma ponte monumento, uma instalação, um cartão postal  sobre o leito do Paraguaçu. Se eu fosse poeta, como Nilson e Kátia, faria um poema para esta não-ponte, que não liga, não une, não leva de um lado para outro, apenas mexe com a nossa imaginação.  O interessante é que esta foto e a  história da sua queda contada neste Licuri  foram solicitadas por Ralph Giesbrecht, um sujeito apaixonado por estações e que está se dando ao trabalho de catalogar uma a uma Brasil afora,  para o  site   Estações Ferroviárias do Brasil. No e-mail em que pediu autorização para usar as informações, ele disse que há tempos buscava confirmar esta versão da queda. E ela bateu com uma outra que ele tinha. 

Sempre gostei de pontes, como esta aí acima sobre o Rio Neva (aquela segunda, ao fundo). Nos poucos dias de inverno que passei na então Leningrado, ela não me deu a ousadia de se levantar, como na cena abaixo, de Outubro. Também tenho esta frustração com a ponte sobre o São Francisco, em Juazeiro, que também nunca mais se levantou. Pena que Salvador seja pobre de pontes. Prova disso é que a gente leva tempo pra dizer quais as duas que antecedem a tal Terceira Ponte, na orla.

 

Renca que anda na linha o trem não pega

06/09/2007