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Sobreviventes

Tem umas notícias que me pegam. Fujo delas mas elas grudam em mim. Tenho que fazer um clipping pela manhã e a busca pela palavra Salvador me leva a todas as notícias da cidade. Desde o momento em que vi só o título pensei nos irmãos, penseinos pais, pensei na motorista. Agora vi fotos dos jovens, vi foto da motorista e a tragédia foi bem maior do que eu pensei. Não foi um acidente, foi um duplo assassinato. Com cinco vítimas. Sim, considero a motorista também vítima desta loucura em que todos estamos metidos. Os  pais destes garotos são vítimas sobreviventes. Consigo me colocar no lugar dos cinco. Li agora um bom texto numa caixa de comentários. Compartilho aqui

 

https://www.facebook.com/gusmaomarcus/posts/10200652607814371

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Mas

Na terapia cognitiva tem uma palavrinha mágica, a conjunção adversativa mas. Ela é utilizada para contrapor certas crenças nucleares como o fracasso, por exemplo. Sou um fracasso mas tenho amigos. Sou um pai não provedor o suficiente mas dou boas escolas a meus filhos. E por aí vai.

Há alguns dias não vou à sessão de terapia mas ando utilizando esta palavrinha mágica. Nos últimos dias postei no facebook fotos do fundo do baú, como a dizer: minha vida está difícil mas tive um passado bacana, mas fiz entrevistas bacanas, mas tenho uma família linda.

E todo mundo ajuda nisso ao curtir, comentar e até compartilhar este sucesso derivado do mas.

E hoje, de surpresa e supetão, ganhei pela caixa dos peitos um senhor mas, que levarei pelo resto da vida.

Fui convidado com a renca para almoçar na casa de minha irmã com irmão e sobrinhos. Fizeram questão que fôssemos a renca toda. E lá, depois de um belo discurso, minha irmã Rita me entregou um pequenoo baú.

Houve muita gozação porque um ano em Morro de São Paulo demos de amigo secreto para minha irmã Rita uma caixa da Imaginarium. Era uma caixa de metal transada e cara, mas era uma caixa vazia. Ao abrir o presente ela virou a caixa para baixo e nada lá dentro. Foi a gozação de todos os anos, jamais esqueceram esta caixa vazia de presente.

Pois bem, tentei advinhar o presente. Talvez dinheiro já que graças a… deixa pra lá, estamos com o orçamento mais combalido nestes meses sem o salário de Soraya. Mas dentro tinha uma coisa que fazia barulho.

Sim, como você já deve ter desconfiado por conta da imagem,  era a chave de um carro zero, completo, ar, trava, vidro elétrico, som, tanque cheio, IPVA e seguro pagos. Sim, era o presente de uma família, irmãos e mãe, que não é rica.

E aí então entra o lado que me pega de cum força. Na brincadeira, fiquei falando uma frase feita para mãe e irmão ao telefone: ganhei na loteria. Mas não ganhei um carro na loteria, ganhei esta família na loteria.

E aí vem a memória dos tempos difíceis, quando esta família segurou minha onda. Segurou uma barra pesada mesmo.

E o carro aqui fica absolutamente secundário. Num pensamento mais amargo que porventura eu pudesse ter, poderia achar que nesta idade eu deveria era me envergonhar de não comprar as minhas coisas, ter que contar com a generosidade dos irmãos, quase todos mais novos que eu, e de uma mãe que vive de aposentadoria.

Mas não prevalece meu lado amargo. Vence, de sobra, meu lado espiritual. E neste aspecto eu me sinto um ser agraciado pela sorte. Não são muitos no mundo que têm o privilégio de ter ao seu redor, no seu sangue, pessoas que armam este tipo de alegria.

Enfim, só tenho mesmo é que agradecer de coração apertado de alegria a Edith, minha mãe, aos irmãos Rita, Dine, Stael, Márcio, Mônica, ao cunhado Marcelo e às sobrinhas Babelle, Marcela e Marina, que armaram a festa.

 

https://www.facebook.com/soraya.almeida.587/posts/433171793383726