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Porra é essa minha Bahia?

31/07/2014

Incutido com o caderno especial do Jornal do Commercio  A história de mim, concebido pela jornalista Fabiana Moraes, futuco mais sobre Pernambuco. E fica  claro. Nossos vizinhos estão mandando muito bem e bem melhor não só em  jornalismo como em cinema, em tecnologia da informação, na economia e na posição na tabela do Brasileirão para ficar nas coisas mais evidentes. Dizem as boas línguas, esta canção foi inspirada por um par de chifres aplicado em Petrolina, observado desde Juazeiro.

Antônio

18/05/2009

Mônica tem uma língua de sogra. Não pise no calo da mãe de Soraya porque você ouve, e ouve muito. Mas ao mesmo tempo, quando se apaixona por uma pessoa, é um problema, um grude. Deus no céu e a dita cuja ou dito cujo na terra. Ela diz que me adora. Às vezes, somente às vezes, acredito. Diz também que adora seu médico, Dr. Renato, aí eu acredito.

Minha sogra me inferniza todo aniversário de Dr. Renato para escolher um livro de presente. Traz molho de pimenta do interior para Dr. Renato, sabe da vida de Dr. Renato, de suas não-férias, de suas viagens, seus congressos, e não toma nenhuma decisão sem telefonar antes, pro celular, é claro, de Dr. Renato.

Este amor é antigo. André já vai completar oito anos em outubro e ele tinha três meses quando Mônica descobriu um câncer de mama. Desde então conhece todas as rotinas de hospitais e clínicas, viveu dias difíceis, vem a cada 21 dias do interior para o encontro com seu “amado”,  e com novas drogas que lhe têm permitido encarar de cabeça erguida as longas viagens e outras brabezas da vida. Os netos adoram suas visitas.

Lembrei de Dr. Renato ao ler em Chorik a matéria da folha “SUS terá tratamento integral de câncer”,  que merece um estudo de caso e um e-mail para o ombudsman. Lá pelas tantas, a oncologista Nise Yamagushi diz que a integração dos serviços oncológicos é “uma ótima notícia” e terá impacto positivo nas chances de cura de pacientes do SUS, já que a fila de espera é de 1.200 pessoas e a demora para o tratamento chega a 120 dias, no hospital de Barretos, referência nacional em atendimento no SUS.

Na Bahia, a dona de casa Márcia de Jesus Campos informa à repórter Marilena Neco  em matéria do jornal A Tarde, que quando tentou tratamento no Hospital Aristides Maltez, o prazo para a consulta, repare bem, para a consulta, era de oito meses.

 Tenho a nítida impressão de que o jornal paulistano, tão cioso e crítico em outros assuntos, comeu bola direitinho neste caso. E parece ser um problema do caderno Ciência, de quem já me queixei por conta de uma matéria/release sobre o viagra.

Vale então a pena alertar o jornal  para o que repórter e editor não viram, mas que não passou despercebido por Maria e foi bem anotado por Chorik. A estratégia do SUS me lembrou aquele caso clássico de licitação dirigida. Para se livrar de possíveis candidatos a um serviço, o edital impõe condições impossíveis de serem cumpridas por alguns. Parece que este foi o caminho encontrado pelo SUS para se livrar das clínicas credenciadas. O e-mail do ombusman da folha é ombudsman@uol.com.br.

E se a cada dia o tratamento do câncer é feito em sua maior parte em atendimento ambulatorial, por que a gente não deixa o hospital para as horas mais necessárias?  Será que a solução não seria juntar os dois? Já que há carência de leitos, carência de pessoal, há filas enormes, por que não somar os recursos? Claro, o tratamento contra o câncer é caro, não tem pouco dinheiro envolvido nesta história. Cabe também transparência na aplicação dos recursos, saber quanto é destinado aos hospitais pelo SUS, quanto é destinado às clínicas particulares. Por isso a discussão do assunto via jornais, rádios e tvs, iniciada por Maria, é fundamental.

Mas voltando à história  de amor  de Renato e Mônica, que não é atendida pelo SUS mas pelo seu primo também pobre embora mais limpinho e mais digno, o Planserv, a matéria da Folha indica também uma solução que pode ser uma das chaves do sucesso do tratamento de minha sogra e já é colocada em prática aqui na Bahia pelas clínicas particulares.

Os  bem intencionados do Ministério da Saúde têm razão quando falam que o tratamento descontinuado em várias clínicas gera o paciente ioiô, que fica pra baixo e pra cima para completar o atendimento. E Alberto Betrame explica que em São Paulo serviços com habilitação provisória continuam responsáveis pelo paciente, mesmo que eles sejam encaminhados a outras unidades  para tratamentos complementares.

É justamente isso que Dr. Renato já faz aqui na prática com os pacientes de sua clínica. Ele tem todo o histórico da minha sogra, quando ela precisa ser internada ele é quem indica o hospital, entra em contato com os médicos, dá informações preciosas, enfim participa integralmente do tratamento. E este não é um privilégio de minha sogra, mas procedimento com todos os pacientes da clínica.

Volto então agora mais de quatro décadas no tempo e constato que não me lembro da voz do meu avô Antônio. Lembro do quarto na casa da minha tia Dalva, lembro do silêncio, da luz, da limpeza, de uma das filhas dando água de colherinha, lembro do seu rosto magro e olhos azuis. Não lembro de dor, não havia dor, ou melhor, sua dor ele não deixava chegar ao menino de cinco, seis anos. Só anos depois soube que a água na colherinha era por conta de um câncer no estômago.

Lembrei também de meu avô quando estive num início de tarde ao lado de Marcinha, sentada na poltrona de frente para a vidraça, de frente para o mar de Ondina, quando ela recebia o tratamento quimioterápico  ambulatorial. Em quase  nada aquilo ali  parecia o quarto na casa da minha tia onde Antônio fazia seu “tratamento” a doses de água na colherinha. Mas a luz, a tranqüilidade do lugar, o aconchego, me trouxeram de volta a lembrança de Antônio, este sujeito que a vida não me deu o tempo e o prazer de conhecer direito e  que você pode ver aqui, rodeado de sua renca, em 1937.

Sei que estou embaralhando as idéias, mas fui até meu avô para chegar a uma palavra que pode ser fundamental nesta discussão sobre assistência x desassistência no tratamento contra o câncer, levantada por Maria. Sei que é bem subjetivo, mas se conseguirmos juntar eficiência médica com aconchego, estaremos bem mais perto de uma situação ideal.

De volta

08/02/2008

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Depois de um mês e um dia, incentivado por um ultimato ao vivo de Madame K , volto a este coco para… ler.  E constato que todos os meus vizinhos colocados aí do lado direito, na minha rota de navegação,  continuam vivos e bem.

E que o blog tem uma frequência de seres estranhos, com buscas mais estranhas ainda.

Não resisto e faço como Galinho, ilustro este tempo de cinzas com uma bela foto de Vivas, ainda na folia.

E um mês e um dia depois continuo a serviço da rotativa por mais um mês, nesta minha experiência de foca quase cinquentenária, nesta profissão que exige a memória que não tenho, a rapidez que não tenho, a firmeza que muitas vezes me falta. Mas estou satisfeito e acho até que findo este mês vou sentir falta de ter voltado a ser foca.

O cheiro da rotativa

07/01/2008
  • Os rolos de papel prontos, uma campainha anunciando o tempo todo o começo do giro tronitoante da máquina o cheiro de tinta no ar. E eu arremessado aos meus vinte e poucos anos, ao cheiro e ao barulho que marcaram minhas madrugadas como revisor, aos dias em que saíram minhas primeiras matérias, quando eu esperava ansioso na boca da  grande máquina o resultado do trabalho.

    Senti ontem a sensação de um foca, ao entrar na redação do jornal para o primeiro dos trinta dias de trabalho previstos. No burburinho da grande sala enxergava muitas caras conhecidas dos breves períodos em que passei pela redação quando ela ainda era movida a máquinas de escrever. Ali estavam pelo menos três dos nomes da lista dos aprovados no vestibular de 1981, lá se vão 27 anos.

    Mãos frias e suadas,  coração disparado, rosto quente. Como um adolescente que chega ao primeiro encontro eu me apresentei ontem ao reencontro da rotina básica da profissão, para passar uma chuva de Verão.

    Tudo está diferente. Só permaneceram iguais a velha rotativa e o seu cheiro característico na minha memória.

O Grande Funeral

22/07/2007

Baianos assistem ao “Grande Funeral” de ACM
21/07 – 22:31 – Marcus Gusmão, especial para o Último Segundo

Desde quando o senador Antonio Carlos Magalhães teve o primeiro revés em sua saúde em 1989, que resultou no implante de duas pontes de safena, duas mamárias e correções de um aneurisma, que se especula na Bahia como seria o “Grande Funeral”.

Seria feriado, hordas de funcionários públicos liberados do trabalho, prefeitos do interior às centenas, artistas da axé music, grandes empresários se juntariam a uma multidão que teria todas as facilidades de meios de transporte para participar da despedida. E faixas, muitas faixas.

Passados 16 anos, ACM foi enterrado neste sábado como senador da República. Mas em vez do poder, exercia a oposição ao prefeito de Salvador, ao Governador da Bahia e ao governo federal.

Além dos políticos, quem foi se despedir do chamado Cabeça Branca? “O povo, a nata dos que gostavam dele”, diz o professor de cultura africana e presidente do Afoxé Filhos do Congo, Nadinho do Congo, do Bairro da Fazenda Grande, enquanto se despedia dos amigos na porta do Campo Santo, onde no final da tarde se concentram centenas de pessoas para aplaudir a chegada do corpo de ACM, sem direito de entrar no cemitério.

Poucos prefeitos do interior. Com exceção de Durval Lelis, da banda Asa de Águia, nenhuma estrela da chamada Axé Music apareceu. De artistas, os populares Chocolate da Bahia, Riachão e Marinês. As faixas também revelavam o lado anônimo das homenagens. Assinadas por Tapioca, Geni, Dinho, ilustres desconhecidos que faziam questão de levar seu recado.

Para o publicitário Fernando Barros, que comandou as principais campanhas de ACM, a presença maciça do povo, de baianas caracterizadas, de camisetas com a foto do senador comprova a autenticidade destas manifestações comuns no contato de ACM com o povo.

“A presença de muitos adversários demonstrou que ACM já havia virado uma entidade, uma marca”, avalia Barros, que recomenda como estratégia tirar dividendos desta marca para manter a unidade do grupo.

No quesito autoridades, o funeral teve prensenças significativas. Aliados como José Sarney, Marco Maciel, Tasso Jereissati e Paulo Souto fizeram coro de elogios a opositores como Arlindo Chinaglia, Jaques Wagner e Lídice da Mata.

E o povo apareceu. Colou na porta do Palácio da Aclamação para esperar horas e passar por dois segundos na frente do caixão, esteve em grupos cantando nas escadas do palácio, bateu palmas, gritou e desmaiou. Fez o coro para a missa de corpo presente com hinos religiosos. Barrada na hora da missa de corpo presente, a multidão gritou uma frase estranha para quem estava dentro de um caixão.

“ACM cadê você, eu vim aqui só pra te ver”, dizia. Para definir os sentimentos da multidão dos “carlistas”, o motorista de táxi José Bispo Sena resumiu: “Foi uma grande perda para a Bahia”.

Riachão na fila
Faxinaço no Campo Santo
Atualizado em 22/07 às 21h22 – Domingão no cemitério
Atualizado em 23/07 às 3h30 – Morte não cria novo cenário

A Tarde reina sozinha. Até quando?

27/06/2007

Está cada dia mais complicado trabalhar com assessoria de imprensa num estado em que um jornal detém praticamente toda a circulação impressa. Pernambuco tem dois, Ceará tem três. Existe saída possível para a Tribuna da Bahia e para O Correio da Bahia? Sinceramente, só vejo saída na internet.

Repito aqui a histroinha contada no ano passado e aproveito para levantar o assunto também na lista do Sindicato dos Jornalistas, que está em pleno debateboca por conta da eleição de diretoria, privista para julho.

Eis a histórinha que vale a pena ler de novo:

Quando trabalhava na assessoria de comunicação da Secretaria da Fazenda do Estado quis levar um Agente de Tributos, por acaso formado em jornalismo pela Facom, para a Assessoria de Comunicação da Sefaz. Nada mais lógico. O cara estava de saco cheio de carimbar notas, fazer trabalho burocrático.

Fui ao então superintendente da sua área solicitar a transferência:

“Mas como????? Eu sou maluco de tirar um cara que ganha R$ 5, 6 mil por mês (valores não atualizados) para fazer um trabalho de um jornalista que eu posso contratar por R$ 1 mil????? (não preciso atualizar, continuam topando por este valor mesmo)!

Observe que eu não solicitei um auditor fiscal. O cara é um agente de tributos, atividade de quem ingressou no estado em concurso de nível médio.

Que nota?