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Falta da máquina

07/09/2013

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Vejo salto com mais de vinte e short com com menos de vinte centímetros. Soraya me vê com mais de 20 olhos. Mas, juro, estou mais interessado no destino daqueles saltos em direção a um dos mais de 30 ônibus estacionados na orla nesta manhã.

Vão para a Vaquejada de Serrinha, ao preço de R$188 a passagem light e R$280 a Premium, com direito a cerveja. Lamento ter esquecido a máquina.

Mais na frente, no Jardim de Alah, um sujeito no ponto segura cartolina com os braços erguidos, de frente para os coletivos. Será o início das manifestações?
“Jesus é a esperança”, está escrito.

Deus é mais.

Mais na frente, o lixo toma conta da areia na praia marrom chamada de Costa Azul. Sinto mais uma vez a falta da máquina.

Foto do dia em que levei a máquina num dia seguinte à chuva: Aqui. 

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10200475975038662&set=a.1137311949744.2020128.1135737937&type=1&theater

Flores de Outono

21/04/2013

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R$ 208 mil reais em flores, gastos pela presidência da república neste ano, informa Luísa. É isso mesmo, tem muita cerimônia, morre muita gente importante, tento argumentar. Mas os argumentos não se encaixam no começo do dia, quando vou a pé comprar pão.

O céu, as nuvens, o vento, a temperatura, tudo colabora para tornar bonança a manhã de Outono depois das tempestades. Na padaria, dona Maria de Lurdes, com um sorriso permanente por trás dos óculos, dá bronca numa colega de trabalho:

– Quebrado não, homossexual, diz ao pronunciar bem pausadamente homossexual.

A conversa na área interna da padaria é sobre um sujeito de comportamento estranho, não sei se desencubado recentemente ou assumido desde sempre. Tentei apurar em vão, ao fazer de conta que olho uns quitutes pra ficar mais perto da conversa.

Em seguida, no caixa, Maria de Lurdes explica:

– Como quebrado, se a pessoa é inteira?

Saio rindo da padaria. Do outro lado da rua vem um bando de menino. Três adolescentes, mais dois quase de colo, enganchados na cintura das meninas maiores. Lembro de Maria no dia da tempestade, quando compartilhou com a mãe o medo e a preocupação com quem estava na rua naquela hora.

Avisto então a calçada da doceria Doces Sonhos coberta de lixo. Saco a máquina para registrar, para me queixar à prefeitura, afinal são 8 da manhã de domingo. Já estou próximo ao lixo quando o grupo pára também. Peço para seguirem, não os quero na foto. Mas eles empacam. Só então entendo, o lixo é o destino do grupo.

Sim, vão catar lixo às 8 horas da manhã de uma manhã amena de outono, sem chuva.

Faço a foto do lixo, sigo adiante adiante e não resisto. Viro pra trás, faço outra foto, mas uma das meninas se esconde atrás do grupo. Sinto vergonha, constrangimento.

Lá na frente encontro uma mulher com cara de evangélica. Emparelho com ela, comento, na ânsia de compartilhar. Ou ela não me ouve, ou tem a mesma ânsia e fala sobre um sujeito que está apanhando da polícia na outra esquina nesta manhã de domingo.

Eu desabafo, ela desabafa, seguimos em frente, as nuvens continuam no céu, venta um pouco, a temperatura é de 28 graus e Brasília gasta 208 mil reais em flores.

Foto: Rua de Salvador no dia 20 de março, dia da chegada do outono que se foi embora naquele mesmo dia mas já voltou.

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=4716691912006&set=a.1137311949744.2020128.1135737937&type=1

É bonito, é bonito

22/01/2013

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A acima  é de hoje pela manhã, mas o texto e a foto abaixo  e o primeiro vídeo são de  2008. O segundo video é de 2009. Entra ano, sai ano, é este o cenário do Costa Azul depois de uma chuva:

Águas Claras, Mata Escura,  Mata dos Oitis, Barra, Boca da Mata, Rio Vermelho, Boca do Rio. Nomes de bairros de Salvador inspirados na natureza, como o Costa Azul, na margem esquerda até a foz do Rio Camurugipe (foto).
Mas como nos avisou o velho Heráclito e os cabelos já brancos de Nelson Motta, tudo muda o tempo todo no mundo, como uma onda no mar, como o rio que corre para o mar.
A costa tem hoje um azul tingido de marrom e o Camurugipe já não é mais nem rio. Basta uma chuvinha para o lixo avançar pelo canal, descer às toneladas para o mar e ficar mais visível na praia, numa manifestação  intensa e  malcheirosa  do que acontece cotidianamente de forma mais imperceptível.
Resta apenas o otimismo do meu seis anos André ao ver outro dia um garoto catando lixo, como na foto abaixo.
– Ele tá reciclando, né pai?

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Licuri : https://licuri.wordpress.com/2008/07/23/o-mar-quando-quebra-na-praia-e-bonito-e-bonito/

Cadeiras na porta

25/05/2010

Rua Território do Rio Branco, ao lado do Bar ao Léo

Havia um tempo das cadeiras na porta.
Havia também um poeta destes alternativos da década de 80 autor da expressão classe mérdia. Combina com este passeio, com estas grades, com este jeito de lidar com o lado de fora, com o lado público da nossa convivência, nesta noite de segunda para terça.

Quero  mudar de assunto, mas no momento estou incutido com este lado bizarro de Salvador.
Embora bizarro, bizarro mesmo, tenha sido o fim de semana com dezenas de mortes violentas.
Tá foda.
Fiquemos então com o lixo e a inundação que me cercam: http://bizarroterritorio.wordpress.com/

Difícil entender, difícil acostumar

18/05/2010

Moro num prédio popular, destes antigos,  de três andares com escadas de marmorite  e telhado de Eternit, no bairro da Pituba, em Salvador. O prédio e o morador são pobres, mas o bairro tem Índice de Desenvolivmento Humano (IDH ) quivalente ao dos paises nórdicos. O IDH é medido pela educação, renda e longevidade.

Saio pra buscar Luísa na aula de circo e dou de cara com passeios entupidos de lixo. Quero na verdade escrever um post sobre o que vi na aula de circo, mas antes registro aqui o que vi em menos de 50 metros de passeio de minha vizinhança com IDH nórdico. 

É dificil entender, é difícil acostumar. As fotos foram tiradas numa sequência, no mesmo passeio de uma rua que costuma ficar alagada nos dias de chuva. Vou aproveitar e enviar estas fotos como sugestão de pauta  para os jornais e as emissoras de rádio e TVs. Pauta é a decisão de um meio de comunicação em abordar um assunto. Ela vai para as mãos do repórter e do foógrafo, que se encarregam de tranformá-la em notícia. E este assunto cabe na editoria de cidade, na editoria de cultura, na editoria de saúde. Tomara que vire notícia, embora a cidade já esteja acostumada. 

Fim do inferno astral

08/03/2010

Clique para ver a imagem ampliada

Fim?
Saí para caminhar hoje cedo no último dia do tal inferno astral para ver o sol nascer, espairecer as idéias,  enfim recomeçar.
Topei pela frente nuvens e o mar turvo, a praia coberta de lixo.
Deste ontem, a chuva, os relâmpagos, os trovões trouxeram  finalmente as águas de março.
É pau, é pedra… é tetra pak, é isopor é pet, é coca, é Q-boa, é Qualy é o escambau, é o fim da picada.
E o pior é que o plástico é apenas o lixo visível, o que o mar devolve. O pesado, o contaminado, o que emporcalha o mar já tá lá, misturado às águas. Fiz uns vídeos há dois anos com o mesmo cenário. Tá tudo como dantes. Veja aqui.

O jeito é ouvir:

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07/05/2009

Salvador chove todo ano há quase meio milênio. E a cidade ainda encara a chuva como uma grande novidade. Mas daqui a alguns dias o sol, o grande culpado, volta a brilhar e todos esqueceremos.

Ano que vem a surpresa: Oh! Chuva. Novamente lamentar a tragédia, contar as vítimas. E elas voltaram a ser contadas ultimamente depois de mais ou menos uma década de trégua, por conta de algumas obras de contenção de encostas.

A chuva cai sbre todos, embora mate os pobres. No Itaigara, com IDH superior ao de  países nórdicos, carros submergem. Nas encostas e pirambeiras, gente é soterrada ou carregada pelas águas de maio.

E a cidade segue crescendo desordenadamente, sem controle algum, tanto nos bairros pobres como nos ricos (não à toa que uma das fotos de alagamento mostra o novo caixote -shopping da cidade, na Paralela).

E  Como as chuvas se repetem com regularidade, meus textos e vídeos sobre elas também.

Acima, o terceiro vídeo da série “O mar quando quebra na praia”, gravado ontem e hoje. E abaixo, alguns textos meus sobre a mesma  chuva de sempre:  2006 e 2008.

E aqui vou colecionar outros sobre o mesmo assunto.

Atualizado em 07/05

Franciel  ( o texto apareceu, achado pelo próprio. Valeu!)
Bernardo
Maria

Aeronauta

Atualizado em 7 e 8 ; 05

E aqui a trilha sonora da chuva… porque a chuva continua

P.S importante. Esta não é  uma lista das  minhas músicas preferidas. Ou não era. Porque conhecer, conhecer mesmo, de gostar e de  poder cantar [alguns (poucos)  trechos] só  Águas de Março e Chove Chuva.  E já ouvi algumas vezes I’m singing in the rain, sempre na tela. Outras posso ter ouvido uma vez na vida, mas não me lembrava. A maioria nunca ouvi mais gorda. O bacana do google e do youtube é isso: desde hoje gosto de todas. Ou como disse mais ou menos o outro, a cultura é indispensável  à ignorância.











O mar quando quebra na praia

23/07/2008

Para ouvir também o barulhinho das ondas e do vento clique na foto

Águas Claras, Mata Escura,  Mata dos Oitis, Barra, Boca da Mata, Rio Vermelho, Boca do Rio. Nomes de bairros de Salvador inspirados na natureza, como o Costa Azul, na margem esquerda até a foz do Rio Camurugipe (foto).
Mas como nos avisou o velho Heráclito e os cabelos já brancos de Nelson Motta, tudo muda o tempo todo no mundo, como uma onda no mar, como o rio que corre para o mar.
A costa tem hoje um azul tingido de marrom e o Camurugipe já não é mais nem rio. Basta uma chuvinha para o lixo avançar pelo canal, descer às toneladas para o mar e ficar mais visível na praia, numa manifestação  intensa e  malcheirosa  do que acontece cotidianamente de forma mais imperceptível.
Resta apenas o otimismo do meu seis anos André ao ver outro dia um garoto catando lixo, como na foto acima.
– Ele tá reciclando, né pai?