Posts Tagged ‘Memória’

Música

27/05/2014

Playlist

00:00 – 01:00 – Infância
01:01 – 01:31 – No meio do caminho
01:32 – 02:46 – Confidência do Itabirano
02:47 – 03:17 – Quadrilha
03:18 – 04:45 – Os ombros suportam o mundo
04:46 – 05:46 – Mãos dadas
05:47 – 08:28 – Mundo grande

08:29 – 10:18 – José

10:19 – 14:10 – Viagem na família
14:11 – 17:32 – Procura da poesia
17:33 – 24:54 –  O mito
24:55 -27:35 –   O lutador
27:36 – 28:04 –  Memória
28:05 – 31:15 –  Morte do leiteiro
31:16 – 32:13 –  Confissão
32:14 – 33:27 –  Consolo na praia
33:28 – 34:18 – Oficina irritada
34:19 – 35:04 – Fazenda
35:05 – 41:19  Caso do vestido
41:20 –  Estrambote melancólico

 

http://drummond.memoriaviva.com.br/alguma-poesia/

http://drummond.memoriaviva.com.br/alguma-poesia/infancia/

http://letras.mus.br/carlos-drummond-de-andrade

 

Memória quente

08/12/2013

Tirando as crônicas hipertensão e obesidade branda caminhando para severa, quase não adoeço pra cair de cama. Mas o bicho pegou neste últimos dois dias, começou com tosse seca, evoluiu para febre, espirros, sudorese e prostração. Ainda bem que o notebook vai pra cama comigo e eu fico de lá acompanhando a felicidade alheia no facebook.

Tem um lado bom, acredite, vem junto com a prostração. No dorme/acorda febril bate a memória de infância. Lembro da maçã comprada como remédio por minha mãe na esquina da Monsenhor Olympio, em Conquista. Era vendida em caixas empilhadas, embaladas com o papel azul. Quem sabe daí meu primeiro contato com o espanhol. Manzanas argentinas.

Mas da manzana não lembro o gosto.

O gosto mesmo lembrado com nostalgia é o de bolacha e guaraná, liberados nas épocas de minhas crises de asma.

Se tiver ânimo, vou ver meu Bahia ali na TV do Bar do Tonho daqui a pouco. E em vez da caipirosca de sempre, vou pedir um guaraná. A bolacha levo clandestina.

https://www.facebook.com/gusmaomarcus/posts/10201002238034908

Vaga memória

02/06/2013

montagem

Era uma vez um cemitério, uma  igreja, uma escola, fontes luminosas, cinemas, sobrados.
Não quero bancar o nostálgico, acho bonito o atual Jardim das Borboletas de árvores e palmeiras crescidas, mostrado pelo google maps. Mas nele colo minha fonte da infância, numa montagem grotesca, só para perguntar.
Custava o quê preservar a fonte, o parque infantil, a biblioteca?

m título

52 anos, muito para um velho e gordo corpo, nada para um cemitério.
Em outros lugares, cemitérios guardam séculos, milênios. Mas na cidade onde nasci desapareceu em 1949 e  virou hoje  ponto de chaveiros.
A casa onde vivi, o cinema das minhas tardes de domingo, 
a escola onde estudei, deles quase  nada foi guardado, afora imagens, quando há. 

SobradoBanco

Era uma vez este sobrado e no quintal ao lado dele havia galinhas d’angola, eu me  lembro.
Este sobrado nasceu em 1906 e morreu em 1973, aos 67 anos, uma criança no mundo dos sobrados.
Minha Vitória da Conquista, a cidade de nome redundante, é assim. Não gosta de pedra sobre pedra. 

Sem título (2)

E não sobrou pedra do Colégio Barão de Macaúbas, onde frequentei catecismo e não entendia e até hoje tento entender por que Deus não pode ser visível, diante do desenho da invisibilidade de Deus feito pelo catequista.
Ali havia pés de manga e campos de futebol. Hoje há uma caixa com ar condicionado no lugar das amplas janelas.

Sem título

Era uma vez um Cine Glória, ô Glória.  Ali assisti a um show de Fagner e a duas, talvez três,  sessões contínuas de Amor Estranho Amor, com Xuxa.
Ao lado do cinema era uma vez um elefante no jardim.
E era uma vez, na casa ao lado do cinema, um elefante e anões de jardim, habitantes da memória de quem circulou com olhos de criança pela Rua Francisco Santos até outro dia e logo adiante passava por debaixo da marquise em curva da Tebasa.
Era uma vez Tebasa e sua marquise.

título

Era uma vez um Colégio Batista Conquistense, escola de Bau, primo, de Fernando Eleodoro,  professor. E até meu, quando já fechado  abrigou o Complexo Escolar Polivalente de Vitória da Conquista.
Custava preservar as janelas agora cegas?

Sem título

Era uma vez outro cinema, foi Conquista, foi  Riviera mas virou point de eletrodomésticos em prestação.

Sem título

Era uma vez uma infância, uma cidade  com suas fachadas e seu passado hoje quase totalmente  escondidos sob placas.
Valei-me Santa Verônica, padroeira dos fotógrafos e por extensão da nossa vaga memória.
Porque a  única salvação está nas imagens.
Amém.

Fotos publicadas na página  https://www.facebook.com/pages/Fotos-antigas-de-Vit%C3%B3ria-da-Conquista/276638065774881

1 – Fonte Luminosa: http://bit.ly/13dTqHl
Jardim hoje: http://bit.ly/11Kh682

2- Sobrado: http://bit.ly/OhBFTC
Banco do Brasil: http://goo.gl/maps/P8nsu

3-  Cemitério: http://bit.ly/15toqTY
Chaveiros: http://bit.ly/1aMvKLG

4 – Colégio Barão de Macaúbas: http://bit.ly/12oAZD6
Forum: http://bit.ly/12VN1Pm

5 – Cine Glória:http://bit.ly/10EeBTm
Igreja Universal: http://bit.ly/19sJ61J

6 – Colégio Batista: http://bit.ly/12oB2Ps
Prédio hoje:  http://bit.ly/18ET9lA

7 – Cine Riviera: http://bit.ly/11g8O6f
Insinuante: http://bit.ly/Zyf0b9

8 –  Praça 9 de novembro: http://bit.ly/11xtHWa
Praça hoje: http://goo.gl/maps/t6oyz

 

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=4904824615206&set=a.1137311949744.2020128.1135737937&type=1

Toda foto é antiga

31/05/2013

conquista

O que é uma foto antiga?
Uma imagem que contém algo que não existe mais? Então toda foto é antiga. Talvez por isso fascinem.
Todas, até aquelas tiradas há alguns segundos, são memória. Todas são algo que não existe mais ou permanece de outra maneira.
Ao googlar centenas de imagens mais antigas da cidade de Vitória da Conquista escolho as que mais me tocam e reúno aqui. A maioria não tem data, cada uma fala por si. Encaro o desafio de fazer esta datação ao comparar umas com as outras, buscar mais informações nos sites onde estão publicadas.
Neste mosaico, tento separar por episódios que marcaram a vida da vila e da cidade. A demolição da primeira igreja matriz e a construção da atual, a mudança da feira da Rua Grande para a Lauro de Freitas e Praça da Bandeira, a construção do quarteirão central na Rua Grande, a inauguração da Rio-Bahia, a construção do mercadão e por aí vai.

Outras informações subentendidas nas imagens são as rotinas daquele momento, feito presente em nossas mãos. E no presente, sugerem  perguntas.
De onde vêm de que maneira chegam às casas a água, a comida, as roupas, a iluminação? Quais são as festas, como nascem as pessoas, de que morrem, o que comem? Tropeiros, vaqueiros, lavradores, empregados, comerciantes, coronéis, funcionários públicos, professores. O que fazem nesta tarde estampada numa foto?

Se quiser viajar também, o caminho inicial é esse:
https://www.facebook.com/media/set/?set=a.3623062331950.2135461.1135737937&type=1

Trapiá

21/02/2012

Hoje eu quero visitar meu pai, disse seu Rubem.

Ontem à noite ele lembrou do pai, lembrou da infância no Trapiá. O filtro do tempo se encarregou de decantar possíveis sofrimentos, possíveis tropeços. E e o pai, a mãe, a infância ressurgiram felizes.

E fomos hoje, com a filha Conceição, em direção à felicidade do passado  mais que perfeito, a cada dia mais perfeito.

Tivemos sorte de peregrinos. De Iaçu a João Amaro foi fácil,  pela margem esquerda do rio, menos usada e mais habitada, por uma estrada vicinal. Um vaqueiro  indicou o caminho certo em duas bifurcações e o motorista de um caminhão carregado de lenha (foram três na curta viagem e isto é outro assunto,  o resto de caatinga  queimando nos fornos de cerâmica) resolveu a dúvida em outra encruzilhada.

Na estrada a memória voltava forte como na noite de ontem, e de outros dias recentes, quando lembrou do jogo de bola de meia, da brincadeira no quintal, no dia em que presenteou o pai com um rádio de ondas curtas e do espanto do velho  ao escutar o locutor solenemente anunciar: –  Aqui fala a BBC de Londres, em transmissão para o Brasil.

– É verdade, disse João Reis,  onde o homem chegou. Um fala na Inglaterra e a gente escuta aqui!

Uma placa do progama luz para todos nos informa que estamos no município de Boa Vista do Tupim. Sempre ouvi  seu Rubem dizer que nasceu em João Amaro. A memória não respeita as novas divisões geográficas.

No caminho, lembranças do mix total de minha renca, com ancestralidade Africana, Européia e Árabe há apenas quatro gerações. E de novo a sorte de peregrino nos colocou diante de um jovem que informou não mais existir a casa da fazenda e nos  indicou três porteiras adiante. Na primeira encontramos Jurandir, filho do vaqueiro do Trapiá. Desmontou e se juntou a nós como guia.

Graças a Jurandir chegamos ao lugar exato da casa, onde em 9 de abril de 1921 nasceu o filho único de João dos Reis Almeida e Maria dos Santos Almeida, onde “sentiam-se felizes; densa caatinga, grande fauna, muita paz e muito amor”, como escreveu seu Rubem no dia dos 90 anos, no ano passado, numa caligrafia segura, sem erros e correções, de um sujeito que teve educação formal apenas até a quarta série primária.

Seu Rubem reconheceu os pés de amargoso, o poço hoje seco, que abrigava peixes e sanguessugas, as pedras dos morros onde caçava tatu, cotia, mocós e outros bichos. Não saiu do carro. Ficou observando, em silêncio.

Passei pela cerca, fui no ponto exato da antiga casa,  de frente para um pé de amargoso ainda em pé e dois no chão, como esqueletos do tempo. Vivo ainda estava também  o pé de umbu da sua época. A mangueira ao lado de um dos poços da casa é também esqueleto. O poço maior, também seco, reviveu a memória de Conceição,  que sente o  sabor de uma paçoca feita com as piabas pescadas com um cesto na lagoa.

Seu Rubem ficou silencioso a maior parte do tempo. Repetia agradecido, na volta,  a oportuidade de realizar um sonho, de retornar  ao lugar onde foi feliz e não havia voltado em mais de 50 anos. Mas Conceição disse a Soraya que ele não desceu porque ficou triste. Talvez esperasse encontrar a casa, mesmo diferente. Mais uma vez se confirma o conselho antigo, de que não devemos  retornar ao lugar onde fomos felizes.

Enquanto fazia as fotos imaginava o menino correndo, o barulho das galinhas, ovelhas e outros bichos que fazem a trilha sonora de quem vive no mato, a fumaça subindo da chaminé, o som chiado do  rádio de ondas curtas.

Se pela minha cabeça passou um filme,  imagine na do seu Rubem.

Em dez folhas de caderno, seu Rubem agradeceu um a um filhos e netos pelo aniversário de 90 anos, em abril do ano passado.

Em frente da antiga casa, o pé de amargoso remanescente dos três.

O umbuzeiro da porta da casa.

A mangueira do poço do fundo

Um dos pés de amargoso da porta da casa

A lagoa,o poço principal, que fornecia água para a casa. Hoje seco.

 

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=2762510738698&set=a.1137311949744.2020128.1135737937&type=1

Álbum de famílias

11/02/2009

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atgaaad8uuv6znluvetmhmgotkjyyv_bqonzr9x_nv7nx_nkzqth62i6qd0zfsij3n9e2pyuwjldxqbrftnwgr1parv2ajtu9vc3w-wsxu58s4y0wn1bnbqu2gng8a1Marilene, miss Iaçu.atgaaadehvmgfttxq8vbhfikvnrxofkcqa6sa9x8cutyi0esscw0rkpz1-c_6dxfkgkbzjofj-0bo5uwavpd0bsckvqiajtu9van-hbjtztfp8s5qvxovd38t_lfzq1123 de dezembro de 1983. O acidente que gerou a não ponte:  mais aqui.

A bióloga Deborah Dias, professora de ciências e artes do ensino fundamental em Iaçu,  está envolvendo a cidade num trabalho  de memória coletivo. E usa apenas como ferramenta um perfil no Orkut. Enquanto  tenta viabilizar o projeto de um livro sobre a  história da cidade,   recolhe e publica imagens de álbuns particulares. O resultado impressiona.

Deborah já reuniu  461  fotos  e  623 “amigos” no perfil Iaçu Cultural. O mais interessante é que quase todas as imagens  provocam comentários, seja pela emoção de rever e se rever num outro tempo, pela alegria do reencontro com velhos amigos ou simplesmente para se divertir. É como se todo mundo fosse junto para a praça da cidade compartilhar a memória.

 A maioria das fotos ainda está sem data, sem crédito e sem a identificação integral dos personagens. Mas no ritmo que a coisa vai, não demora muito para que estas informações apareçam.

João

14/09/2007

joao.jpg

Não tenho a menor idéia de quem seja João. Mas este anúncio, publicado anteontem no jornal A Tarde, me comoveu. Sem sobrenome, sem referência, sem nenhuma pista de quem terá sido este João além de um cara que usava boina, era amado e morreu em 1987. Descanse em paz, João.