Posts Tagged ‘Música’

Véspera

20/06/2012

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23 de junho de 2009, em Iaçu

A cidade se enfeita, na cozinha o movimento é grande, no quintal o forno está aceso. É véspera, manhã/tarde da noite de São João. E eu torço para que isso fique nos meninos como ficou em mim. Hoje já não sinto nada, só lembranças. Da fogueira, dos fogos, dos balões, da música. Hoje sou apenas memória, que tento reaver em caminhadas pelas ruas decoradas da cidade. São João passou por aqui. Pelas minhas lembranças.

Descrição da imagem: Em primeiro plano vaso de cerâmica pendurado, decorado com bandeirolas coloridas. Ao fundo, fogueira armada em rua enfeitada com fileiras de bandeirolas azuis e vermelhas. Céu azul.
Descrição sugerida por www.facebook.com/pracegover

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=3389607975737&set=a.1137311949744.2020128.1135737937&type=1

Zé Dantas

13/06/2009

Ao fazer uma matéria sobre médicos artistas para a Revista da ABM, no ano passado, o ignorante aqui descobriu que  Zé Dantas, autor de um dos mais belos poemas sobre a explosão dos hormônios femininos na adolescência, era obstetra. O próprio dotô que  chama o pai de lado  e diz que pra tal menina não há um só remédio em toda a medicina.

O parágrafo acima era pra apresentar mais um post bacana, do nosso médico e artista Bernardo Guimarães. Como ficou grande e ia tirar o foco da idéia principal, resolvi adiar o post e dar uma pausa rápida na sequência para falar de Zé Dantas.

Prestei atenção então, com a ajuda do Google, e descobri que  Zé Dantas é também autor de outras minhas preferidas, reunidas neste CD. Pode ser até injustiça afirmar, mas desconfio que Gonzagão entrava mais com a fama e com a estrela nestas parcerias. Faço esta injustiça com nosso rei do baião, mais por vingança, só para compensar outra injustiça da nossa cultura, mestra em relegar ao segundo plano os parceiros, os letristas.

Segue então uma sequência Zé Dantas. E porque hoje é 13, porque hoje é junho, Viva Zé Dantas, Santo Antônio, São Pedro e São João!

Zabumba bumba esquisito

30/05/2009

Morreu do coração. Tem expressão mais injusta? O pobre bate, bate, bate, bate a vida inteirinha e vem o outro e diz que um morreu do coração.
Sofre do coração. Esta já não é injusta, é dúbia.
Coração apertado.  De onde vem esta mão invisível?
Enfim, acordei hoje pensando no coração. No meu coração que anda batendo descompassado. Literalmente.

Um sabor de vidro e corte

Resignado e mudo no compasso da desilusão

Quer guardar o mundo em mim

Não sei por que

Durango Kid

28/05/2009

Durango Kid é a polícia e um quilo mais daquilo é maconha.

Eu tinha uns 12 anos e o meu primo de 19, sabido e maconheiro, foi quem me decifrou a música Eu quero é Botar meu Bloco na Rua, de Sérgio Sampaio. Tirei onda um bom tempo por “entender” aquela mensagem cifrada.

Um corte aí de uns  30 anos e outro dia incuti com uma música cantada por Zeca Baleiro, Tem que Acontecer.

Mais um corte de uns sete anos anos e hoje dando uma geral na atualização dos blogs, antes de tentar botar a vida em ordem nesta manhã, vejo o último post de Franciel, do Ingresia, sobre Sérgio Sampaio, com dois vídeos do cara.

No segundo vídeo postado por Fanciel, a música que o distraído e ignorante aqui julgava ser de Zeca Baleiro.

Foi a conta. Os dois  foram a janela para outros e outros e outros e outros e outros  e a minha manhã para colocar as coisas em dia foi pelo ralo. Mas ganhei uma bela viagem. Deixo então parte dela com você, nestes três vídeos de entrevistas abaixo e mais o link do blog Tributo a Sérgio Sampaio  ( http://sergiobenditosampaio.blogspot.com ), com o caminho das pedras para quem quiser ver mais na internet  e baixar músicas.




Estampas Eucalol

27/05/2009

Luiza Meira

Alegria grande. Vi há pouco um comentário num post recente, um poema de Nilson Pedro. Era de Luiza Meira, que embarcou conosco no passeio de trem, como convidada de Franciel, um cara cujo sucesso do blog gerou até uma legião de francietes. Cliquei no link com o nome e shazam… é esta imagem que você vê acima.  Ouça também. Hoje a tarde estive a ouvir idéias interessantes de quatro escritoras, ao lado de uma escritora e fotógrafa, Maria Sampaio.

Poetas, escritores, musicistas, fotógrafa. Continuo platéia do mesmo jeito, mas estas pessoas estão ao alcance num clique e também acessíveis na vida real. Eu os conheço e eles me conhecem. Somos contemporâneos, eu os vejo também pessoalmente e isto me torna uma pessoa importante, isto me alegra.

Tudo isso para falar sobre blog e esta atividade de escrever coisas diárias nesta tela que você lê. Este negócio aqui me conecta ao mundo, a pessoas bacanas, pessoas especiais. Como naquela propaganda da loja de sanduíche, amo muito tudo isso.

Música, maestro!

23/02/2009

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Campo Grande, 1952. Onde estaria Dalila, Dodô e Osmar a esta hora?
 
Tento ver as coisas da “perspectiva da eternidade”, mas isso é tarefa para Nilson Pedro e sua poesia.  Só vejo detalhe, só vejo os segundos e modifico minha opinião em função deles. Minha máquina fotográfica de enxergar o mundo emperrou no close. Quando tento fazer um zoom  ela desfoca e aí eu não entendo mais nada. Tudo fica embaralhado.

Mudei de universo nos últimos dois dias, passei a ver o Carnaval de um praticável do Campo Grande, de perto e de longe da festa. Os tios passam quase colados, a estrutura treme com a percussão. Mas ao contrário da Barra, o Campo Grande tem um entorno diferente, é uma espécie de centro Histórico do Carnaval, tem o cheiro dos antigos carnavais. Ali eu enxerguei a farra e a importãncia que o Carnaval tem para milhares de pessoas, vi a força dos blocos afros, vi a galera caindo no reggae, como desde antigamente.

Escapuli e tentei ir até a Praça Castro Alves ontem a tarde, encontrar o Gandhy, mas esbarrei  no espreme-gato  da casa D`Itália, o povo todo  buscando por Dalila –  uns dizem que Dalila é branca, outros dizem que é cor de mato – mas eu estava de água mineral.

 Sem Dalila na cabeça tentei voltar pelo relógio de São Pedro e me lasquei. Encontrei o Parangolé pelos peitos e ao som de piriri-pam-pam / piriri-pam-pam  estiquei o pescoço, a única coisa que eu conseguia mover com facilidade e fui navegando na maré contrária até escapar pela lateral do TCA. Aí o milagre aconteceu. Os cinco reais que havia esquecido no bolso da frente da bermuda ainda estavam lá.

Já de volta à minha bolha , alguém grita, lá vem o Fantasmão. Acabara de ver as imagens da pancadaria provocada pela passagem de Eddye pela Barra no dia anterior. Não conhecia o Fantasmão, só de ouvir falar e de um texto fantástico do maestro  Fred Dantas na Muito, em dezembro, em entrevista a Marcos Dias.

Meninos, eu vi. Ali estava a única novidade deste Carnaval. Novidade musical, novidade de performance , sangue novo na avenida. O garotão Edyye, com pinta de pop star, pegada hip hop,  rocker, kuduro, quebração, tudo junto, dialogava com a turba embaixo do trio, com intimidade, revolta e sinceridade.

Ao contrário dos comandos café-com-leite do prá esquerda, pra direita, todo mundo beijando, senta, levanta, deita, das estralas do axé, Eddye  falava com a turba com a intimidade de uma relaidade de exclusão, musical e social.

O maestro Fred Dantas nos explica melhor, quando fala da  “elaboração crítica e musical de um grupo Fantasmão”, que para ele tem reflexão social e contemporaneidade, “mais potencial de vitalidade” do que todo o resto da música hoje feita  na Bahia.

E dá uma explicação técnica, que não sei bem o que é mas entendo: “Se no axé isso não está acontecendo, no pagode está. Porque incorporaram o 6/8, os ritmos ternários do candomblé, em cima da base do samba. Aquilo ali representa mais o que o jovem baiano está pensando”.

Marcos Dias lembra então das músicas que reproduzem cantos do candomblé. Aí o cacete, digo a batuta, do maestro bate na cabeça do queridinho Brown:
“Mas há uma diferença entre uma letra como Balança Coqueiro, que fala do candomblé criticamente, de uma Maimbê Dandá, por exemplo, de Carlinhos Brown, que simplesmente é um refrão tomado do candomblé. Não há reflexão nenhuma nem deixa conseqüências nenhuma, a não ser aquela alegria de discoteca, com aquela expressão em iorubá, que vira uma expressão exótica para ser reproduzida, como Jorge Benjor faz em tetê tetêretê…. Você bota os gringos para ficar dizendo maimbê maimbê e não acontece nada, a não ser um desvirtuamento do sentido original.
E no pagode, não. Você faz uma citação e uma reflexão. As pessoas precisam escutar o que esses jovens pagodeiros estão dizendo. Vamos escutar o que Marcio Vitor tem a dizer. Vamos saber o que é o contra-egun que eles estão falando”.
 
Bravo, bravo!
Obrigado, Mestro!

PS – Duas cenas dignas de nota.  No sábado, mãe e filho pequeno cadeirante brincavam a valer na esquina do Campo Grande. A cadeira ia ao ritmo das gargalhadas e da felicidade do menino. Mesma cena ontem. Pai filho de Gandhy, menino idem, de turbante e colar, todo paramentado e feliz n ritmo do reggae, junto com outro irmão andante. Felizes da vida.

PS2 – Clique na imagem para ver mais fotos de antigos Carnavais e aqui para saber um pouco da história delas.
 
PS3 – Deixei os comentários sem resposta. Estou na correria pra pegar a estrada e de lá de Iaçu respondo. Levo a tiracolo Morte Abjeta, do vingativo Dr. Guimarães, Grão Vizir  das saúde do Baixo-Sul, que por aqui passou e não me deu o prazer da visita.

Sobrou para a donzela, ou não.

19/12/2008

“Venho d’um reino distante, errante e menestrel
Inda esta noite e eu tenho esta donzela”
(O rapto da Senhora do Tarugo – Elomar)

Sobrou para a donzela de A Tarde. Li e reli a matéria de Cláudia Lessa e não vi nada que justificasse o pito do patrício e filho da Tia Maricota do meu pai Gedeão deu na moça ontem no TCA.
Falo assim com essa intimidade de parente, e de quem já viu shows do bardo no Clube Social Conquista e num Rinha de galo, no século passado, quando João Omar ainda era um dos três filhos pequenos que tocavam flauta com o pai, pra dizer que os justos pagam pelos pecadores. Elomar é a mais perfeita tradução do que a gente chama no interior de pessoa sistemática.

A matéria da donzela é quase uma matéria de fã. Talvez a palavra enaltece, no trecho […enaltece sua produção orquestral se colocando como um dos compositores que “o Brasil deveria conhecer se, para tanto, Brasília fosse uma senhora de pudor”] tenha sido o estopim da ira. Elomar fez um longo discurso contra a imprensa (nisso ele tem razão, não aguento mais tanto lixo nas chamadas páginas de cultura).
Deu a entender que a jornalista teria escrito que ele buscava a fama em outros países. Não vi também isso em nenhum lugar das matérias.
Enfim, pra quem ouviu foi divertido, mas não queria estar na pele de Cláudia (não consigo ligar o nome à pessoa). Minha solidariedade então à donzela, assim chamada pelo menestrel.
No mais, o show, como diz o chavão, foi antológico. Elomar tem o seu lugar na história da nossa música. Com a palavra o Ingresia e o Blag, que lá estavam também e entendem mais de Elomar do que eu e você.

P.S – postei este texto hoje cedo  no Falando na Lata, o blogue dos jornalistas, e Nilson, como prova de que não foi preso ontem nem pela PM nem pela  CET, já respondeu. E colocou também um vídeo do You Tube, seguramente à revelia de Elomar. Aproveito a dica e coloco outro,  nesta farra elomariana.

Contem comigo. Ou não.

11/12/2008

Caros amigos e e-amigos: contem comigo nos felizes e infelizes ano e mundo velhos e nos novos também.

 Mais aqui: http://www.playingforchange.com/pop.html.

Desde ontem encafifado com o vídeo acima, gravado ao redor do mundo em 1o países com   músicos de rua, ou na rua, cada qual na  sua rua (veja mais sobre o músico brasileiro César Pope), fui em busca então do original, de 1961, e descobri onde Renato Russo se inspirou para suas coregrafias com os braços:

Mas  a versão mais divertida (e talvez mais verdadeira no cotidiano) das que vi foi esta.

Timoneiro

08/12/2008

Computador bala

21/11/2008
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Acima, alguns dos objetos expostos no museu. E na última imagem o museu vivo a bordo de um computador bala (Redação de A Tarde, 16/08/91. Foto: Geraldo Ataíde).

Como já contei aqui, faço um jornalzinho de uma página semanal (às vezes quinzenal,  mensal…) para o Crear, a escola dos meninos. E toda edição traz uma ou mais historinhas das crianças, como essa:

 

Ao ver um disco de vinil reunido com os outros objetos para a exposição da Alfa sobre coisas antigas, João, do grupo 05, não se conteve:

 

_ Pô! Que cedezão!

 

Não é que eu também me espantei com o cedezão ao ver a exposição?

 

Reunido com outros objetos do século passado, o cedezão sobre um prato de um som Gradiente me jogou no meu tempo. Quem não teve um som Gradiente? Ou um disco da coleção Grandes Compositores?

 

Os objetos foram  levados pelas crianças alunas de Kátia Borges (não a Madame K, mas a madame educadora do Crear – este coco pequeno tem a honra de as vezes ser lido por duas KB) depois de pesquisa nos acervos de casa.  

 

Parece que foi ontem para nós, mas para as crianças são trecos estranhos e o museu fez o maior sucesso: fita cassete, disco de vinil e toca-disco de vinil, máquina de escrever, monóculos, máquina fotográfica analógica, telefone com disco, notas de cruzeiro e cruzado, selos, coisas que não existem mais.

 

Isso me lembrou uma história de uma criança que definiu carta a pedido da professora:

_ É um e-mail escrito a mão.

 

Ou de uma outra, ao ver uma máquina de datilografia:

_ Que computador bala, a gente escreve e imprime na mesma hora!

 

Enfim, parece que foi ontem. Mas meu cotidiano de outro dia  virou um completo museu de coisas estranhas e exóticas.

 

Note na foto da redação detalhes como cola tenaz  e caixinha de filme. Quem nunca utilizou esta caixinha para outros fins?

 

Atualizado em 25/11

 

E Marcelo, meu cunhado, me manda este registro de laaaaaá do início da década de 1960, quando ele já era um iniciado nas artes de computar num computador bala de contar e já treinava para trabalhar na Caixa:

 

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Em busca de incertezas

14/10/2008

Ernst Widmer, em foto de Isabel Gouveia

Fiz três ou quatro entrevistas na vida que me impressionaram muito. A última foi há poucos dias, com Lelé, o arquiteto do Sarah, das passarelas e das utopias, e que vai ser publicada em breve. Esta reproduzida abaixo, com Ernst Widmer, foi uma das primeiras,  feita em 1987, para o programa do concerto em comemoração aos sessenta anos do compositor e maestro, um suíço-baiano que disse ter nascido no país errado, que se encontrou no calor da Bahia.


 

E eis que na semana passada, o maestro baiano Eduardo Torres descobriu e me mandou um link deste projeto de pesquisa da UFBa com o arquivo da entrevista bruta, de uma hora.  Há uns 10 anos eu passei a fita cassete para ele, um apaixonado por Widmer, que passou para mp3 e deve ter mandado para uns amigos, que mandou para uns amigos… (Na verdade Eduardo esclarece por e-mail que passou o arquivo apenas para Ilza Nogueira, coordenadora do projeto de pesquisa “a maior (junto com Paulo Costa Lima) pesquisadora sobre Widmer, com dezenas de trabalhos acadêmicos sobre o assunto.”)


O bom é que a entrevista caiu na rede e está aí preservada, para pesquisa, como um dos documentos deixados pelo maestro, um sujeito do bem, de alma  iluminada e um jeitão magro, alto e desengonçado bem semelhante ao de Lelé, outro do time dos fora-de-série.

Ouça a íntegra da intevista, em mp3: Clique aqui e depois no link Entrevistas.
Ou leia abaixo (clique em cada uma das imagens para ampliar):

   

Coincidências

10/09/2008

 

Os mais místicos que me perdoem, mas para mim coincidência é apenas o ar comprimido das probabilidades. E elas me impressionam. Estava na feira de Feira de Santana e gravei com minha Sony de criança as imagens e os sons que saiam de um carrinho de tranqueiras. Era o autêntico samba da Quixabeira, que você certamente já ouviu no lamento do abandonado que suplica ao outro pra não agir como o passarinho, que fez o ninho e avuô, vuô, vuô, vuô… e que ficou sozinho sem seu carinho e sem seu amor no adeus a  Santo Amaro. Era a chamada cultura popular pirateada na feira. Isto gerou um post neste coco pequeno com o título pomposo de Roberto, quixabeira, schopenhauer, Contardo….e o meu maior hit no You Tube.
Eis que me vejo desde o início deste mês envolvido profissionalmente na divulgação de uma campanha contra a pirataria e eis que esbarro novamente na feira de Feira de Santana na semana passada com Cícero com a mesma camiseta azul de mais de um ano atrás e seu mesmo carrinho de tranqueiras mais incrementado, desta vez ao som de Zé Ramalho, conforme você pode ver no vídeo postado acima..
E aí abro a Estrela de Ana Brasila e na segunda página me deparo com uma das citações na abertura do livro: “Amigos são parentes que pude escolher”, que só então soube que era de J. Velloso. O verso, que eu conhecia na voz de Jussara Silveira, é a trilha sonora que melhor traduz a amizade. E eis que ontem estava eu diante de J. Velloso, o mesmo cara de Santo Amaro que escreveu outra obra prima – Santo Antônio –  que mesmo sem fé, canto sempre com louvor o refrão: Que seria de mim de meu Deus, sem a fé em Antônio.
Na conversa fiada da sala de espera da Rádio Metrópole antes da participação dele no programa Roda Baiana para falar sobre a campanha, tive então a oportunidade de confirmar a história que eu já conhecia de outras fontes, da sua recusa em ceder a música para utilização como trilha sonora de outro Antônio, que de santo não tinha nada. O interessante é que a avó, Dona Canõ, ao ouvir a música pressentiu que ela poderia conter esta leitura, digamos, terrena. E eis que quando chego na Metrópole, advinha qual é a primeira pessoa que vejo? Sim, ela, Juliana Cunha, a moça que já matou por muito menos. Quase que me apresento: Olá, sou seu fã. Este aqui é meu irmão Dine Ricardo e este aqui é J.Velloso. E aí já, encontrou o segundo cachorro? Mas eu não sou doido o suficiente. Sei que meu irmão é muito mais gato do que Saulo Fernandes  e J. Velloso é compositor. Mas não quis correr o risco dela fazer com um dos dois o mesmo que fez com o pobre rapaz.
E por falar em campanha, veja  também  o artigo Pirata da cara-de-pau, de J. Velloso,   publicado hoje em A Tarde. Assinantes podem ler aqui. Não assinantes podem me pedir por e-mail porque afinal esta é uma campanha contra a pirataria e o jornal não libera.
E por falar em leite das crianças, veja aqui o release de lançamento da campanha. Repasse para seus amigos formadores de opinião, nome científico para fofoqueiros.

Amigo, por favor leve esta carta

06/09/2008

Demorei de abrir a e-carta de Neto e este coco foi furado por Márcia do Sarapatel, aquela ingrata – perco a amiga mas não perco a citação. Na carta, Neto fala das suas lembranças de Waldick, seu compatriota. (Correção, a pedido: Neto é quase de Caetité. É de CACULÉ. Errei porque pensava que fosse mais ou menos a mesma coisa. Erro grave). 

Caetité não é apenas mais um município da Bahia, Caetité é uma nação. E quando este povo se junta, dana a roer pequi e falar de suas lembranças. Roer pequi é um esporte radical praticado pelos caetiteenses. Consiste em roçar perigosamente língua, dentes e lábios sobre uma superfície que está a menos de um milímetro de um feixe de minúsculos espinhos que se atingido leva o cidadão para o hospital com a boca escancarada gritando por mamãe. Eles adoram desafiar os incautos e se amostrar neste esporte, praticado com maestria por Shirley Pinheiro, Rose Guanaes e Nilson Pedro, um sub-caetiteense de Brumado, mesma origem de Ana Lívia, que não honra as tradições do seu povo e detesta pequi.

É um povo meio metido. Além do romantismo de Waldick eles têm a sapiência de Anísio Teixeira e a tradição de uma cidade escola que formava as normalistas de toda a região. De uns tempos pra cá, virou uma espécie de Montes Urais da Bahia, a terra dos minérios.

São tão esnobes que ouvi dizer que planejam transportar o ferro, sua riqueza mais recente, em forma de polpa, utilizando água, a preciosa água do sertão, numa tubulação até Ilhéus. Espero que abandonem esta idéia e utilizem a velha e boa ferrovia para o bem e a paz entre os povos.

De alguma maneira sou caetiteense também, já que até 1840 o reino de Caetité alcançava as terras de Minas Gerais e incluía até minha Conquista. Não tive a sorte de Neto, que acompanhou a carreira de Waldick desde a infância, no cine teatro Engenheiro Dórea, até os cabelos brancos, no último show em Salvador. Nunca vi um show de Waldick. Mas como Patrícia Pillar, somos todos uma geração fã do cara. Como Neto bem disse, Waldick não é o Frank Sinatra do Nordeste. Frank Sinatra é que é o Waldick dos states.

 

 

Amigos e-amigos sobre  Waldick:

 

Márcia Rodrigues (aquela ingrata que furou o coco com a e-carta de Neto)

Nilson Pedro   (foi coincidência?)  

Christiana Fausto (esta também é compatriota e não gostou nada do filme da Pilar)

Franciel (irado)

Madame Kátia (Relembra a boa  matéria da muito, assnada por Zezão Castro)

Chico Muniz (outro que conhece Waldick desde a infância e entra hoje na minha lista ao lado)

 

Veja e ouça mais Waldick neste coco pequeno aqui.

 

E não poderia deixar de citar a capa do Correio da Bahia, que brilhou, mais uma vez. Fui então lá nos blogs do Marrom e do Hagamenon para comentar mas bati com o coco na tela. Eles inventaram uma inovação muito nova e muito inovadora: blog sem caixa de comentários. Aí fica difícil posar de muderno… Tentei também encontrar a capa de Waldick mas eles oferecem só a edição de hoje.

Buda Nagô

16/08/2008

Por Alberto Freire*

Durante anos sempre imaginei que Caymmi nasceu e se criou à beira-mar de Itapuã. A relação da sua obra com aquele local, que ficava “distante e a muitas horas da cidade” nos anos 30 e 40, foi tão intensa que parecia Drummond falando de Itabira, ou Manoel Bandeira da sua Passárgada. Puro engano. Caymmi foi um menino e um jovem do centro da cidade, nos arredores dos bairros da Saúde e Nazaré.

Nessa Bahia revelada e reinventada por Caymmi encontramos lugares, personagens e culinária  que se inseriram definitivamente na nossa história e memória. Exemplos como Itapuã, Abaeté, Festa da Conceição, do Bom Jesus dos Navegantes,  divindades  como Yemanjá, a baiana e a bunda da baiana como patrimônio, disfarçada de “balaio grande”,  o acarajé, o vatapá e em especial os pescadores. Esses e muitos outros exemplos fazem desse microcosmo chamado de Bahia,  terrinha hoje tão maltratadinha, uma geografia que se deve olhar em dois momentos: aC e dC, antes e depois de Caymmi.

Registro a minha profunda admiração pelo que chamo de síntese caymmiana. Algo que pertence ao domínio da sua capacidade de dizer muito em poucas palavras, que tem vários momentos na sua obra. O exemplo mais significativo vem de canção que diz “A jangada saiu, com Chico Ferreira e Bento, a jangada voltou só”. Pronto e acabado, dito e feito. Não é preciso dizer mais nada. Um perfeito exercício de fazer o máximo com o mínimo.

A importância de Dorival Caymmi na música e na cultura brasileira tem várias formas de ser medida. Uma delas segue uma ordem de grandeza e de importância que coloca Caymmi nas alturas da escala máxima de significados. Caetano e Gil reafirmam a todo instante a importância, referência e reverência de João Gilberto para o Tropicalismo e para suas trajetórias na música brasileira. Por sua vez, João Gilberto, quando ainda dava entrevistas,  dizia algo como “Caymmi foi e é fundamental para mim”. Num exercício de lógica, sem muito esforço, o resumo possível leva à seguinte conclusão: “Caymmi é tudo”.

A Tropicália inseriu uma inquietação estética na música, João reinventou a forma de tocar violão, e Caymmi o que fez? A enorme contribuição caymmiana foi trazer para frente da cena o homem comum, dentro de um cenário, até então desconhecido, que ele chamou de Bahia, embora fosse  um recorte litorâneo de Salvador e do Recôncavo.

Caymmi fez isso com o olhar sensível de quem fotografa ou pinta um quadro. Escolheu locais, datas, festas, praias, e enquadrou a sua Bahia de uma  forma pessoal. O resultado já é conhecido. Basta ouvir uma música sua, de olhos fechados, para vermos essa porção de Bahia que ele narra e descreve. Uma espécie de viagem musical. “Abaeté tem uma lagoa escura, arrodeada de areia branca”, ou “Cem barquinhos brancos, nas ondas mar, uma galeota, a Jesus levar” ou ainda “Coqueiro de Itapuã, coqueiro, areia de Itapuã, areia…”

Vi Dorival Caymmi pela última vez em agosto de  2006, quando esteve em Salvador para receber das mãos de Zélia Gattai o Prêmio Nacional Jorge Amado de Literatura e Arte, no Teatro Castro Alves. O seu estado de saúde, em uma cadeira de rodas e falando com dificuldade, insinuava um certo ar de despedida. A platéia que lotou o teatro parece que percebeu o clima e, emocionada, aplaudiu de pé durante 15 minutos a entrada do nosso “Buda Nagô”, como o definiu com extrema precisão, Gilberto Gil. Desde há muito tempo e agora, com sua partida, mais do que nunca, vale a prescrição de Chico: contra fel, moléstia, crime, use Dorival Caymmi.    

* Alberto Freire, ou Betão, é meu amigo que entende  mais de MPB e de Caymmi desde os tempos da Escola Técnica e dos shows do projeto Pixinguinha no TCA. Fez este texto agora no final da tarde, por encomenda minha,  no corre-corre de pegar menino em gincana de escola e ir ao show de Rosa Passos, no velho TCA, onde seguramente haverá  uma bela homenagem ao nosso buda.   Fotografia retirada daqui.

Quem da lista aí do lado fala sobre ou reverencia em silêncio:

Amigos, e-amigos

Ari Coelho
Nilson Pedro
Christiana Fausto
Maria Sampaio
Luciano Matos 
Troi
Márcia Rodrigues/Ana Lívia
Kátia Borges

Outros sites e blogs:

Caetano Veloso

Falar em Caetano, veja ele aqui com Caymmi em 1983

Muito bom também este vídeo da Globo News no final desta página.

Quem despreza um grande amor não merece ser feliz

22/07/2008

Clique no sonzão acima e volte no tempo

Marcelão, meu cunhado atleta, gatão de meia idade e recém-tatuado,  manda de Conquista e-mail com link para esta coletânea de músicas do meu, do dele e do seu tempo, um tempo maaaassa.
Compartilho aqui.
Equivocadamente carimbadas de trash 80’s e de brega  por quem reuniu, tem no repertório as inesquecíveis Eu não sou Cachorro Não, de 1974, Sorria meu Bem, de 1972, I Will Survive, do final dos 70, Você não soube me amar, Entre Tapas e Beijos, Garçom, Fogo e Paixão  e outras tantas que eu classificaria como clássicos.

E por falar nele,

 

O amor fala mais alto às 7 da manhã, no Dia da Criação

19/07/2008

Não fale nada agora pra mim / Deixa assim, dê mais um tempo / Espere o coração decidir / O que vai ser depois desse momento / Será que é pra sempre?,..  de Eduardo Costa, que pode ser visto hoje em Goiatuba, GO.

Porque hoje é sábado.

Lá fora

17/07/2008

É ridículo quando no meio de uma conversa uma pessoa que a gente mal conhece busca desculpas esfarrapadas para informar viagens ou experiências lá fora. Começam invariavelmente assim: porque lá fora é diferente. Ou: eu ficava impressionado com… . Tem a variação sobre o mesmo tema que começa com o baiano é isso, o brasileiro é aquilo, para em seguida, a pretexto de protesto, encaixar sua viagem, sua experiência lá fora.

 

Pode falar, pode rir de mim, mas hoje eu vou protestar também.

 

O baiano é foda. O baiano que frequenta o TCA é mais foda ainda. E o baiano que frequenta a Série TCA, de concertos pré-pagos com atrações internacionais, piorou. Quando eu freqüentava a sala Tchaikovsky, em Moscou, ficava impressionado com o silêncio durante os concertos. No intervalo era um sinfonia de pigarros, coça-coça, tosse-tosse, remelexo na poltrona, cochicho com o vizinho. As pessoas faziam todos os pequenos barulhos aprisionados durante a música e ainda se antecipavam e tossiam o que teriam vontade de tossir e coçavam o que sentiriam vontade de coçar quando a música recomeçasse.

 

Pois bem. Realizei ontem um antigo desejo. O de ouvir pessoalmente o violoncelista cabra da peste pernambucano Antônio Menezes. Pela fama e pela qualidade. Dizem que ele é o nosso melhor violoncelista de todos os tempos. Veja o sujeito em ação aí em cima, regido por Karajan, em 1986.

 

Gosto muito do som do violoncelo, o caminho do meio das cordas. Não é tão pequeno quanto o violino nem tão grande quanto o contrabaixo. Consegue reunir as qualidades de um e de outro. Ri e chora pesado, vai aos dois extremos com sonoridade, principalmente quando o tocador é uma fera, como neste caso.

 

E ainda tem outra qualidade extramusical. É o instrumento muito sensual em mãos femininas. Na época em que eu ainda desejava outras mulheres, e isto já vai fazer  15 anos agora em agosto, ficava nervoso na platéia ao ver uma violoncelista que havia na Osba, que ainda maltratava o público, de safadinha, ao  puxar levemente o vestido preto até um pouco acima do joelho quando cravava a ponta do instrumento entre os pés afastados e se ajeitava na cadeira antes começar a tocar.

 

Mas voltando ao que interessa, ontem chegou o grande dia. E pra completar a quase felicidade, o cabra ainda tocou um concerto de Dvorak que a gente tem aqui em casa. Que sensação boa. É como ir para um show de lançamento de disco e lá pelo meio nosso ídolo tasca aquela música que a gente conhece.

 

Mas a felicidade terminou aí.

 

Sabe todos aqueles barulhos descritos acima, no intervalo dos movimentos de um concerto na sala  Tchaikovsky? É puro silêncio se comparado ao comportamento da platéia de ontem no TCA durante o concerto. O cara lá arrancando aquele último som, do último milímetro da corda, no último milímetro do arco do violoncelo e atrás de você um casal cochicha, como se estivesse ouvindo um cover de Oswaldo Montenegro no extinto Casquinha de Siri. Outra dupla resolve sair no meio do concerto e uma senhora toda empeterecada insiste em tirar algo de uma embalagem de plástico de dentro da bolsa. Pára e começa, pára e começa, num scrisch-scrisch-scrisch-scrisch-scrisch só interrompido com o psssssiiiiiiiu! de um neurótico como eu sentado do outro lado. No intervalo do primeiro para o segundo movimento, que para azar nosso tinha ares  de gran finale, o teatro veio abaixo em aplausos, enquanto o maestro mexicano permanecia com a batuta em riste, talvez na tentativa de segurar a concentração do grupo para seguir em frente. Nada contra aplaudir entre os movimentos de uma música ou até em cena aberta. Se a emoção bateu, bater palmas é saudável. Não vou censurar a emoção de ninguém.  O problema é que estas palmas, tenho quase certeza, foram motivadas apenas pelo sentimento de rebanho dos meus queridos conterrâneos. Baiano é foda.

 

Mas ontem aconteceu algo louvável. Não ouvi tocar nenhum celular.

Oxalá

14/07/2008
Ao acompanhar a notícia da semana, me vieram à cabeça duas coisas: a música de Tom Zé:
…Sei que quem rouba um, é moleque
Aos dez, promovido a ladrão
Se rouba 100 já passou de doutor
E 10 mil, é figura nacional
E se rouba 80 milhões…
É a diplomacia internacional
A “Boa Vizinhança” e outras tranças

 

É que na profissão de ladrão
Injustiça e preconceito
Dá chuva pra inundação
Para alguns fama e respeito
Pra outros a maldição
Pois o tamanho do roubo
Faz a honra do ladrão

 

E é por isso que eu só vou para o xadrez
Seu delegado
Se o senhor trouxer primeiro
Toda a classe para o meu lado
Mas neste dia de aflição
Não vai ter prisão no mundo
Pra caber a multidão…

Veja a música toda aqui

 … e a história da doméstica  Angélica Aparecida Souza Teodoro, 19 anos, já citada aqui  neste Licuri, que passou 128 dias na cadeia por tentar roubar um pote de 200 g de manteiga em São Paulo.

E por falar em nossa honestidade brasileira, o CQC fez uma pesquisa bem bacaninha. Confira.

Mas o que o Oxalá do título e da imagem abaixo, uma das esculturas de Mário Cravo nos jardins da sede dos Correios, tem a ver com tudo isso? Quase nada. É só para colocar uma palavra com boas energias  neste post e mostrar esta foto que fiz no sábado. 

 

 

 

São João sabor uva ou menta?

06/07/2008

Tudo que precisa de resgate me lembra aquele padre dos balões, que não quis esperar o terceiro dia para subir aos céus. Ou seja, já foi, Banda Mel. Não me chame para resgatar nada que eu não vou. Se você observar os patrocínios no palco acima e o super trio elétrico Mega Love estacionado ao fundo vai ver que este negócio de Forró Pé de Serra também precisa de resgate. Pior para ele.

Ano de eleição, este foi o cenário que se viu Bahia adentro, Bahia afora. É só clicar duas vezes no vídeo e ver os similares lá no Tubo. Eu não sou saudosista, se tem que ser assim, que seja.

E as crianças, que não estão nem aí,  gostaram e pelo menos se divertiram  ao som dos Bárbaros do Morro, bloco afro de Iaçu. Maria, a menorzinha, mandou ver devidamente incentivada pela prima Lívia, que tem  talento. E André também caiu no reggae. Mas os três foram devidamente recolhidas ao pé da fogueira antes dos  subcovers das calcinhas pretas e dos cavalos  não sei das quantas  se revezassem noite adentro com seus cantos de amores em falsetes esganiçados: Eu vou fazer um leilão…

Rebento

14/06/2008

Tigres, violões e bailarina

12/06/2008

Tinha muitos meninos e muitas meninas. Tinha um tigre e uma bailarina. E muitos violões. Assim Maria contou pra mãe o que viu no TCA ontem. Maria viu tudo o que não vi. Que bom. O espetáculo é concebido para ela,  para formação de platéia, e o mais importante é o que ela vê.

E aqui vai uma digressão. É sobre a passagem do tempo na fala das crianças. Elas de repente abandonam determinada palavra ou expressão e babau, nunca mais.  Até sábado, Maria falava tem três barcos para dizer que havia muitos barcos na baía. Ontem já incorporou o muitos, numa overdose de muitos. É como se agora tivesse prazer em usar o que aprendeu. Até outro dia trocava as letras no nome dos colegas, que chamava de Antonio Peleila, Frô e Sala. Sinto uma certa nostalgia quando eles mudam. Adorava ouvir Luísa falar galatixa em vez de lagartixa. André falava digantesco. Maria ainda fala Vom  Preço e Bela Vomecida.

Voltando ao concerto, não havia muitas crianças nem muitos pais. Apenas a parte de baixo ocupada com menos da metade. Pilhas de programas, impressos com qualidade, foram pro lixo. Um cenário bem cuidado, com folhas secas sobre o palco para simular o ambiente da floresta. Duas árvores cenográficas penduradas e com um belo efeito de iluminação sobre elas, chuva de bolas de soprar no final, figurino que incluía asas de passarinho para a flautista, roupas de época para a apresentadora sem falar no belo texto concebido especialmente para o espetáculo. Tudo combinaria com o teatro lotado. Mas como lotar mil quinhentos e cinquenta e quatro lugares numa tarde de quarta-feira? Quem levaria estas crianças ao teatro? Quem seriam estas crianças? As ricas têm mais o que fazer, as de classe média estão com as agendas entupidas e pais ocupados. As pobres não têm quem levar. Talvez a saída fosse o domingo pela manhã. Ou levar as escolas. 

Onde havia leão Maria viu tigre, no lugar de violoncelos, violinos e violas, viu violões. Nos movimentos da apresentadora, viu a bailarina. Tudo a  ver. André não viajou muito e gostou mais da parte do programa em que a gente deu uma parada no Porto da Barra para a colocar na água do mar os barcos de papel feitos por ele durante o concerto. Fizeram uma farra na areia num fim de tarde chuvoso de quase inverno.

Bem, e eu?

Não gostei do solo do violoncelo, o cisne.  Não bateu. A impressão era de que a violoncelista queria se livrar do serviço logo e deixou de visitar aquela ultima sonoridade, aquela última vibração arrancada do instrumento no limite de cada seqüência de notas. Não tenho ouvido musical, não sei quando alguém desafinou, não noto erros. Mas antes de postar aquele garoto fazendo o cisne, ouvi outras versões. Será que eu esperava ao vivo o que havia ouvido pelo som digital a toda altura do fone de ouvido? Será que já estou preferindo o som eletrônico ao acústico?

Mas esta falta de tesão já havia sentido na OSBA, em comparação com a vontade dos meninos do Neojibá. E havia poucos deles ontem no concerto. Talvez  o clarinetista, que faz o cuco. Coincidentemente, uma das partes bacanas do concerto para mim. E ele fazia apenas cu-co. Duas notas. Mas duas notas com vontade, com garra, com prazer.

Titirrane

11/06/2008

Das centenas de vídeos com RC no tubo  este é o mais brasa. Mora?

O cisne aqui e acolá

09/06/2008

Que figura.

É só pra lembrar que quarta-feira tenho que levar a minha renca para ver o Carnaval inteiro no TCA, com os garotos de cá, do Neojibá.

Mais Carnaval.

Tem dias que a gente se sente…

17/05/2008

…e continua sentindo muitos dias depois.

 

Chovendo no molhado

08/05/2008

 

Valha-me meu senhor do Bomfim. Poderia dizer que a culpa é de São Pedro, do João Pode Acreditar é prefeito, do José analfabeto e do Mané classe média. Mas a responsabilidade é de todos nós.
Por que as ruas transbordam? porque o João Pode Acreditar é prefeito, eleito pelo José e pelo Mané, não faz a mínima manutenção dos canais de escoamento da chuva que chove desde sempre, todos os anos. E o José e o Mané jogam lixo na rua, que entopem as bocas de lobo. E para a agravar o Mane preso  no engarrafamento, na pressa de andar dez metros avança sobre o cruzamento e  vira mais um exu tranca rua.

Resultado. Estou em prisão domiciliar,  às dez da manhã, depois de passar duas horas engarrafado a 200 metros de casa.

 

 

 

Lá na Casa dos Carneiros

03/05/2008

Encontrei,  por motivo profissional, João Omar, o filho de Elomar. Neste encontro, vi um vídeo sobre o concerto de junho, lá na Casa dos Carneiros, e acabei lembrando a João Omar que o Bode, como ele chama o pai, é filho neto da  Tia Maricota do meu pai Gedeão.

 

Lembro bem que seu Gedeão, ou seu Dedé, ainda convalescente de um AVC recebeu Elomar lá em casa, na Praça da Bandeira,  e ao ouvir as referências sobre os parentes vivos e mortos, começou a chorar. É um hábito de todo Giboeiro falar e falar e falar dos parentes. Gosto dos  nomes dos meus parentes. Meu avô, por exemplo, é Quinca de Dodô. Não é um simples Joaquim, é Quinca, e é de Dodô, e que é irmão do Tio Maneca, ou Maneca de Dodô.

Soube que na Casa dos Carneiros tem um telescópio de espelho de 20cm de diâmentro, três vezes mais potente do que meu velho russo,  enferrujado e fora de combate  Alkor. E  que de lá da Casa dos Carneiros se mira o céu da minha infância, onde a via láctea era estonteante. E que Vinícius de Moraes falou deste céu na apresentação do disco “Das Barrancas do Rio Gavião”. Veja o que disse ele: 

“A mim parece um disparate que exista mar em seu nome, porque um nada tem a ver com o outro…

…compondo ao violão suas lindas baladas mirando sua plantação particular de estrelas que, no ar enxuto e rigoroso, vão se desdobrando à medida que o olhar se acomoda ao céu, até penetrar novas fazendas celestes além, sempre além, no infinito latifúndio… 

É… Quem sabe não vai ser lá, no barato das galáxias e da música de Elomar, que eu vou acabar amarrando um bode definitivo e ficar curtindo uma de pastor de estrelas…

Veja íntegra do texto aqui.

Vida longa ao Bode e a sua sertaneja Casa dos Carneiros.

Esquecer a data, perder a conta

24/12/2007
Ouço uma música zilhões de vezes e a sensação é que ela me chega aos pedaços, como uma cápsula de efeito retardado que detona pequenos fragmentos de sentimentos a depender das novas (e velhas) circunstâncias.
De repente, assim do nada, um trecho que entrava por um ouvido e saia pelo outro fica retido, faz mais sentido e me diz mais.
Aconteceu estes dias  com Se eu quiser falar com Deus, de Gil. Há quase 30  anos ouço os mesmíssimos conselhos mas de repente no trânsito calorento e engarrafado eles vieram assim do nada e me tocaram de novo, ao lembrar  da necessidade de folgar os nós dos sapatos, da gravata, de esquecer a data e de perder a conta.
E hoje, ao ouvir muitas vezes no na voz de Elis, Gil, ou num solo de guitarra de um desconhecido,  a música bate novamente quando fala desta estrada que ao findar vai dar em nada…
feliz presente para nós todos.

Choveu no Sertão

20/10/2007

Teatro Castro Alves. Programa gratuito.

Eu, Soraya e nossa  renca  ocupamos cinco poltronas na parte de baixo.

No palco, o primeiro concerto do Neojiba. E as lágrimas desceram nos primeiros acordes da música que encheu a sala.

Senti a mesma coisa num Carnaval em 1985 ou 86, quando me vi em meio ao som dos tambores do Olodum,  na descida da Castro Alves. É a musica que bate forte na alma.

Do palco do TCA  vinham trechos carimbados de obras conhecidas de Beethoven, Wagner, Dvorak, Brahms, Rossini que todos ali  – parentes, amigos, colegas, o governador e o distinto público em geral  –  ouviram em algum momento da vida, nem que seja num comercial.

E os meninos mandaram bem. Não tenho como avaliar o concerto, não tenho ouvido, mas minha intuição ignorante diz que aquilo era música das boas. Verdadeira e vital como deve ser qualquer arte.O som saía vigoroso de cada naipe. Muito claro, decidido, seguro.

E a platéia respondia. Aplaudia de pé e demoradamente a cada finalização. E os meninos agradeciam meio encabulados, meio que não acreditando no impacto da sua música.

E teve o bis divertido cancã que incluiu as palmas da platéia regidas pelo venezuelano Manuel Lopéz Gomes, de  24 anos. Uma figura a parte.

Deveria ter levado a câmara pra registrar. Este concerto já está na história do TCA, na história da música na Bahia.

Villa-Lobos, Widmer e Smetak aplaudiriam também hoje, de pé, o nascimento de uma nova geração de músicos na Bahia.

Choveu no Sertão da nossa música. E brotou.

https://www.facebook.com/gusmaomarcus

Coprofagia existencial

31/07/2007


Em pouco mais de 15 dias, a programação da Walter da Silveira a mais tradicional sala do circuito de arte da Bahia, ganhou três capas e mais um tiquinho e mais outras tantas páginas internas com destaque e elogios nos cadernos de cultura dos jornais A Tarde e Correio da Bahia. Sem contar as matérias de TV e notas no rádio. E duas notinhas desabonadoras, por conta de acidentes de percurso. Ganha um doce quem descobrir o que repercutiu mais. Ganha dois doces quem adivinhar o que despertou mais o seu interesse, caro leitor, nestas primeiras linhas: o sucesso da programação ou os fatos que renderam as duas notinhas. O mundo é assim, adora uma coisinha no ventilador.
Seríamos nosotros humanos chegados a uma coprofagia existencial? Por que coisas no ventilador dão mais Ibope?
Quer outro exemplo?
Passei anos tendo que agüentar zilhões de matérias sobre o abandono da obra de Anton Walter Smetak,um suiço genial que andou por estas bandas e deixou um trabalho instigante de investigação musical. Muito justo. Mas ninguém ainda gastou verbo na intensidade necessária e justa para repercutir o projeto que levou seu neto, Ícaro Smetac, meu “amigo” de orkut à Venezuela, junto com outros 12 jovens baianos, para dar continuidade a um trabalho que será uma das coisas mais importantes que surgiram no ramo desde a década de 50, com a criação dos Seminários de Música da Bahia. Trata-se do Neojibá,uma sigla com sotaque baiano e que significa Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia. Comandado por Ricardo Castro,um músico internacional, vindo lá de Vitória da Conquista como Elomar, Glauber e euzinho aqui.

O título ideal para este post seria: A Walter da Silveira está arrebentando e o Neojibá vai revolucionar a música na Bahia. Preferi cocô para garantir a leitura.

Listas

16/07/2007

Gosto de listas de nomes de aprovados em alguma coisa. Lembro da felicidade de ter visto meu nome pela primeira vez em um jornal, aos 15 anos, na lista da Escola Técnica. Depois no Vestibular. Sempre quando vejo uma lista de aprovados fico a imaginar quem serão aquelas pessoas, imagino a alegria dos pais, a felicidade de começar uma nova etapa de vida. Entrei na comunidade do Neojiba no Orkut e vi esta lista abaixo. São os primeiros nomes de um projeto que tem tudo para entrar para a história. Leio os nomes e encontro aqui e ali um sobrenome musical. Nesta lista tem um Smetak, um Ícaro Smetak. Belo nome, mais belo sobrenome. Lembro de Smetak a bordo de sua moto, chegando para almoçar na cantina da Berê, na Escola de Biblioteconomia e Comunicação, que ficava próxima à Escola de Música. Nutria uma admiração a distancia pelo velho músico, sempre na dele. Anos depois conheci seu filho, o violinsita Uibitu, uma figuraça. Um cara divertido e com uma facilidade para idiomas assombrosa. Fala várias línguas e, apenas por divertimento, aprendeu russo. E domina melhor do que o travado aqui depois de quase dois anos de imersão.
Mas voltando à lista, parabéns a todos estes jovens que não sei quem são mas que serão muito importante para a música em nossa terra. E muito boa sorte para todos!
Em tempo, suponho que o vovô aí da foto acima aprovaria a idéia e estaria feliz com o neto envolvido neste projeto.


VIOLINO
Adriele de Souza Leite
Ainoã Santos Cruz
Alan Deivis Uchoa de Bem
Ana Carla Alves Bonfim
Ana Carla Duarte Monteiro
Danilo Álvaro da Silva
Francisco Mattos Bittencurt
Frederico Mesquita Martins Filho
Helena Luísa Oliveira Ibarra
Hosana Oliveira Ibarra
Ícaro Smetak
Isabele dos Santos Santana
Juliana Florêncio Costa
Karen Silva Santos
Kívia Silva Santos
Liz Pereira Costa
Marco Antonio Marchesini D´Araujo
Marcos Felipe Harder Annunziato
Max Maciel
Paulo Alves de Brito Filho
Priscilla Figueiredo Souza
Rebecca Kohler Baratto
Reinaldo Santos Silva
Rosane Barbosa Vilaça Marques de Carvalho


VIOLA
Geisa da Silva dos Santos
Samuel Feitosa Maciel
Tarsis Araújo Cruz


CELLO
David Matos Andrade
Maiana Abdon
Maria Soledad M. Soares F. Acevedo
Mirian Sales dos Santos


BAIXO
Marcelo Henrique dos Santos Ferreira


FLAUTA
Abner Santana Bueno
Ane Morgana da França Moreno
Celso de Santana Andrade
Elizane Priscila Silva Santana
Giancarlo Conceição de Jesus
Gregório dos S. Oliveira
Leilane Araújo dos Santos
Lucivaldo de Lima Capistrano
Mariane Santos do Carmo
Martha Ribeiro Barros
Raphael Costa Conceição


OBOÉ
Guilherme Dourado Gentil
Shai Sato


CLARINETE
Alan Alisson da França Moreno
Clelvis Trindade de Araújo
Indira D. Monteiro da Costa
Ivan Medeiros Sacerdote
Marcos Roberto Silva Rios
Neilton Santos da Costa
Paulo Vitor de Souza Santos
Vanessa da Silva


Fagote
Alexandre Mota
Saxofone
Marcos Leandro Cerqueira Lelis


TROMPA
Paula Graziele Guimarães Santos
Paulo Oliveira Rios Filho
Washington Nascimento Pereira

Foto googlada: jazzitalia