Posts Tagged ‘Procrastinação’

Bateu

05/05/2012

Não se deve esperar muito das promessas de prazo dos que têm um hipocampo alterado, como é o meu caso. É ali, no nosso cavalo marinho do juízo que o TDAH  torna singular as nossas  procrastinações.

Falta descobrir onde se dá a euforia quando finalmente uma tarefa relativamente banal, adiada por dias e dias a fio, com uma dose extra de sofrimento, finalmente é cumprida.

É assim que eu me sinto agora. Como se tivesse dado um tapa num THC de qualidade, como se tivesse sorvido um gole de absinto. Feliz, em paz e eufórico. Tudo ao mesmo tempo agora.

Às vezes desconfio que toda esta procrastinação torturante seja um mecanismo do organismo pra depois sorver a curtir a euforia do finalmente feito.

Vá entender.

Foto daqui.

 

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=4008376564565&set=a.1137311949744.2020128.1135737937&type=1

Procrastinação

26/02/2010

Terça notei o pneu dianteiro esquerdo meio baixo. Vou calibrar pra não arriar de vez. Pensei.
Quarta tornei a notar. Passo no posto Namorados na volta. Pensei.
O posto está em reforma.
Quinta estava um pouco mais baixo. No engarrafamento na volta do trabalho, calibro na Paralela, pensei. Não teve engarrafamento.
Hoje no final da  manhã, ao buscar André na escola, não notei nada. Tive que trocar o pneu no meio da rua com o sol a pino.
Pneu arriado no porta-malas, segui para o trabalho.
Tenho que ir a uma borracharia para fazer a força, pensei…

Como o Chorik, estou aguardando um recall para meu DNA.

Resmungador eletrônico

14/05/2009

Descobri a  utilidade do Twitter. É um excelente resmungador eletrônico em 140 caracteres. Já deixei lá o meu resmungo de hoje:

Desafio alguém a provar a existência da continuidade, da linha reta e dos 100% na natureza. Por isso vou caminhar na orla e foda-se o resto.

Atualizado uma hora depois:

A brisa marinha me devolveu um pouco de lucidez: não alcanço nem 30% do que me proponho a fazer, vivo em círculos há anos e um sismograma perde em descontinuidade para o meu gráfico existencial. Portanto, pé no chão e tratar de fazer uma agendazinha, um planozinho de metas porque uma burocratizadinha e canja de galinha não fazem mal à vida torta de ninguém.

Ofícios semelhantes

13/05/2009

De olho no exemplo do Dr. Bernardo, que deu um basta bem dado, gostaria muito, muito mesmo, de entregar  muitos ofícios semelhantes vida afora, a partir de agora. Principalmente porque descubro  na coragem do outro que já tenho redigido muitos deles, que dormem nos escaninhos da falta de iniciativa e da procrastinação. Apenas redijo, muitas vezes inconscientemente,  numa decisão silenciosa, irredutível. Mas não entrego o bendito a quem de direito. Aí o ofício redigido e não entregue faz os seus estragos. Aí fico devedor daquilo que não concordo, que não quero pra mim. Aí então deduzo que preciso, urgentemente, entregar muitos ofícios. O mais fácil,  ou difícil, é que  a maioria não é para ser entregue a outra pessoa. A maioria dos meus ofícios urgentes,  necessários, redigidos e não entregues é endereçada a mim mesmo. Valei-me Santo Expedito.

Procrastinação

22/11/2007

O que é TDAH? Veja aqui. Você leva jeito? aqui e aqui. 

Eis o meu resumo, ou melhor, a cópia com  distorções adaptadas para as minhas necessidades do texto de Nuno Conceição sobre a tal da Procrastinação, ou este meu velho hábito de atrasar ou adiar sistematicamente a realização de atividades relevantes. Não há resumo ainda, apenas alguns cortes e alterações. Mas resolvi postar. Foi isso que consegui depois de muito postergar, já que coloquei como limite o dia de hoje. É uma vitória parcial. Coloco o prazo novamente para a próxima segunda. Eis a parte já alterada: Procrastinação de manutenção é aquela enrolação de pequenos atos do cotidiano: deixar chegar o quarto, a mesa, o armário a um estado de desorganização incontrolável, deixar empilhar os pratos na pia, entregar aquele texto sempre no limite ou depois do prazo… Procrastinação de desenvolvimento emperra iniciativas ou ações de desenvolvimento pessoal que poderiam levar a uma melhoria das condições de saúde, das condições psicológicas ou outras formas de proveito pessoal. A dieta, o parar de fumar, a caminhada matinal, a leitura necessária.O procrastinador ou enrolado passa a ter dificuldades em encontrar maneiras de tornar a vida mais agradável, melhorar a aceitação pessoal, a auto-estima, a sensação de auto-eficácia e as competências sociais ou profissionais.Nos casos mais graves as pessoas sentem-se deprimidas, imobilizadas ou frustradas. Procrastinar implica deixar que as tarefas menos importantes antecipem as mais importantes. Fazer qualquer coisa menos aquilo que tem prazo.Toda procrastinação envolve a decisão de adiar. Esta decisão pode levar a um alívio temporário imediato, mas a médio ou longo prazos pode conduzir a uma baixa sensação de auto-eficácia, a sentimentos de culpa. A procrastinação torna-se num problema mais sério quando afeta a auto-estima, os sentimentos de valor e de controle pessoal e de auto-eficácia, quando a qualidade do trabalho é significativamente mais baixa do que as capacidades do indivíduo, quando os outros já não podem confiar ao indivíduo a responsabilidade de completar o seu trabalho, quando coloca obstáculos que interferem com a persecução de metas e objetivos pessoais e profissionais, quando provoca sentimentos negativos no indivíduo ou provoca resultados inesperados e leva a problemas de saúde ou a relações desgastantes.A procrastinação encontra-se ligada ao conceito físico de inércia – uma massa em repouso tende a permanecer em repouso. Como tal, são necessárias mais forças para iniciar a mudança do que para a manter, o que convida ao adiamento do início das tarefas. Por sua vez, este adiamento ou evitamento, ao proporcionar uma sensação de conforto temporário, reforça a própria procrastinação, o que torna ainda mais difícil começar a agir no sentido inverso. Estamos, portanto, perante um ciclo de funcionamento que se alimenta a si próprio e que tende a perpetuar e a alastrar cada vez a mais áreas ou a assumir cada vez uma maior intensidade. Uma vez que se trata de um comportamento aprendido, pode ser desaprendido ainda que por vezes não seja muito fácil. O primeiro passo para a mudança consiste na conscientização dos nossos processos de procrastinação. Perguntinhas incômodas:Adia sistematicamente as tarefas sempre que é possível e, quando não é, diz que está pressionado pelos prazos apertados? Estabelece objetivos perfeccionistas e irrealistas? Receia não conseguir desempenhar tão bem quanto sonhava? Tem dificuldades em passar da fantasia à ação? Está consciente dos seus limites e ainda assim acha que “deve” e “tem” de conseguir aqueles objetivos?Persiste de forma sistemática em apenas uma parte ínfima da tarefa? Escreve e volta a escrever o parágrafo introdutório de um texto, descurando o corpo e a conclusão?Engana a si  próprio substituindo uma tarefa importante por outra aparentemente relevante?Procura constantemente agradar os outros? Sente que precisa da aprovação dos outros para ter confiança em si? Tem dificuldade em estabelecer limites e em tomar decisões próprias? É facilmente persuadido? Acaba por sentir-se sobrecarregado e excessivamente comprometido? Deixa de fazer as suas tarefas para ir ao encontro das expectativas ou necessidades dos outros?Imagina que leva os livros para ler nas férias e nunca os abre?Recusa convites para acontecimentos sociais com a desculpa que precisa trabalhar mas não fica em casa sem fazer nada?Quando pensa em adiar a realização dos trabalhos para ver 5 minutos de televisão ou para checar o correio eletrônico, será que não fica na televisão ou na Internet o resto do tempo sem fazer o mínimo trabalho?Vê a si próprio como irresponsável, indisciplinado e preguiçoso?Sobrestima as capacidades dos outros e subestima as suas acabando por sentir que não tem grande valor nesta ou naquela área (ou em todas) e que jamais conseguirá alterar o rumo dos acontecimentos?Engana a si próprio afirmando que um desempenho ou uns objetivos medíocres são aceitáveis para si? Subestimas o trabalho envolvido na tarefa ou sobrestimas as suas capacidades e recursos? Procrastina relativamente às tentativas para mudar os seus comportamentos de procrastinação e simplesmente gozas do estatuto social que essa atitude lhe confere? 
Pensamentos que passam pela cabeça do procrastinador: 

Vou esperar que tenha vontade para começar.
Mereço celebrar hoje. Começo amanhã.O meu problema de saúde não é muito grave. O tempo acabará por curar…Tenho muitas outras coisas para fazer antes desta Trabalho melhor sob pressãoParo por aqui: procrastinei a elaboração deste texto até o limite da postagem estabelecido por mim. Portanto, perdi (parcialmente) mais uma vez. A vitória parcial é que postei mesmo inacabado. A idéia agora é me dar mais um prazo para concluir tudo até a próxima segunda, dia 10 de dezembro.

Vá trabalhar, vagabundo!

22/11/2007

urso.jpg

Procrastinar é o verbo metido a besta para substituir enrolar no diagnóstico de TDAH (se você não sabe ainda direito o que é isso, vá ao dia-adia).
Pago caro na vida por ser um procrastinador ou um cara enrolado. Boto o verbo no presente, porque mesmo com a intenção de mudar, mesmo com esta pauta na terapia, mesmo indo fundo na tentativa de diminuir tal traço de personalidade, continuo na mesma. Escrever este post, por exemplo, não é a minha prioridade neste momento e portanto fruto da minha procrastinação.
Outro dia vi no programa da Ana Maria Braga, numas daquelas pílulas de auto-ajuda que ela ministra pela manhã, uma historinha que casou bem com meu momento – é da essência da auto-ajuda e do horóscopo combinar com o nosso momento. E como você não assiste Ana Maria Braga, vou contar aqui a historinha/charada, levemente alterada:
Tem três sapinhos numa folha. Um decide pular na água, outro diz que vai pular em cinco segundos  e o terceiro vai esperar a sessão de terapia pra decidir. Quantos sapinhos restaram na folha? Acertou você que respondeu… três.
Decidir, marcar para daqui a pouco ou esperar a ajuda alheia, do ponto de vista prático, é absolutamente a mesma coisa. Nada ainda aconteceu. Portanto, entre minhas decisões e minhas ações estão minhas procrastinações, num longo, tortuoso, sofrido e engordante processo. Sim, porque procrastinar envolve ansiedade crescente e  muita geladeira até o prazo final, que será estourado, é claro. 
Mas, como estou melhorando, vou parar por aqui e convidar você para o post que escreverei  no dia-adia, uma tradução didática pra mim mesmo deste texto do psicólogo portuga Nuno Conceição. Se eu não estivesse melhorando, estaria agora a resumir o tal texto, pois, pois.

Onde achei este urso do meu time? aqui.