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Palavra de poeta

De uns tempos pra cá a magra estante daqui de casa ostenta  livros bem bacanas autografados por Kátia Borges, Maria Sampaio, Renata Belmonte, Janaína Amado, Nilson Galvão. Eu considero um privilégio ter conhecido pessoalmente estas pessoas.

E ontem, ao participar de uma espécie de recital/conversa com Nilson, na Tom Saber, tive também o privilégio de compartilhar com Soraya e amigos a primeira audição de poemas desconcertantes.

Sim, é esta a qualificação mais próxima dos poemas de Nilson: desconcertantes. A diversão do cara é dar drible e nó no juízo da gente.

É interessante a idéia de colocar o autor diante dos seus leitores. Deixa a gente como  testemunha de um tempo ao compartilhar esta criação tão recente.

Lembro de duas experiências também interessantes,  de ouvir os poemas de Kátia Borges, Mônica Menezes e Martha Galrão, lidos por elas, na Bienal do Livro.

E vivá a poesia.

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Maria, por tantos

Para Maria Sampaio com saudade e carinho…. um Varal


APENAS BAHIA , APENAS FOTOGRAFIA Adenor Gondim

As muitas Maria(s) de Maria Sampaio 

ANINHA FRANCO Dramaturga e poeta
Chega um tempo em que o tempo é impreciso porque muitas coisas boas e más, agradáveis e desagradáveis aconteceram, se embaralham, e a separação delas dá trabalho e é dolorosa.
Mas conhecer Maria Sampaio na casa dos Velloso, nos idosdos anos 1970, foi bom e agradável todo o tempo. Maria era uma humana das melhores qualidades, de pouquíssimos defeitos e os defeitos eram muito engraçados.

Livre, libertária, passional, colorida, personalidade típica dos anos 1970, filha de personalidades típicas dos anos 1950, tão interessantes quanto ela, Dona Norma e Mirabeau Sampaio, Maria era uma companhia que eu não vou descrever inteiramente aqui porque vocês sentirão inveja daqueles que tiverama honra do seu convívio, como eu, porque agora ela se foi com suas meias coloridas, seu óculos, e pertence apenas aos que a tiveram.

Das muitas histórias que descrevem o seu inacreditável humor, algumas são impagáveis, como a surra desfechada no marido infiel no restaurante Casa da Madeira, na Pituba, a mesa atirada pela janela num acesso de ira contra os prestadores de serviços que continuam merecedores de acessos semelhantes, e de outras que  eu registrei em As receitas de Mme. Castro, além das anotadas em diários de viagens que fizemos juntas, e que estão em textos inéditos.

Viagens Em Marrakesh, Marrocos, na Praça do Juízo Final, eu e Celina Souza assistimos Sampa (um dos seus nomes) quase ser estrangulada por uma cobra do deserto porque ela, ingênua, entregou sua máquina de todas as capacidades a um encantador de najas para que ele a fotografasse.

Lembro, também, das duas, cantando “pedra que muito se muda não cria limo jamais” na Acrópole, em Atenas, às gargalhadas, diante de um marinheiro que mostrava uma mão cheia de dracmas que, à época, já não valiam nada, pensando levar uma das duas para cama, ou subindo o estonteante Teatro de Epidauro, para 10 mil pessoas, com acústica perfeita, perguntando em portuguêsque só nós duas entendíamos: já pensou na repercussão de um peido com essa acústica?

Amiga, companheira de todas as horas dos amigos, inimiga dos inimigos de seus amigos, Sampovska foi minha cobaia quando resolvi aprender a cozinhar, muito mais difícil que escrever, e engolia os horrores das minhas produções sem queixas. Com ela, aprendi a riscar com um X implacável os restaurantes e as coisas de mau gosto ou de péssimo trato.

Domingo, ela nos disse, a mim e a Doia Ribeiro, que estava cansada de resistir, e quando nós insistimos na resistência ela advertiu que pimenta no c. dos outros é refresco. Passou na minha casa na madrugada da passagem, uma luz se deslocando de lugar, avisou a Jussara Silveira que ia sentir saudade quando fosse e se foi… Saudade vamos sentir nós, todos os dias dos restos de nossas vidas.

(texto publicado em A Tarde, Caderno 2+, de 05/06/2010.)

Renata Belmonte

Procurei, procurei, procurei e nem vestígios daquela história curta, um tiro certeiro  lido  quando conheci o senhorita B. Mandei um e-mail para a autora e soube então que ele havia sido retirado do blog. Autocensura. Mas, gentilmente, a senhorita liberou o post bacana, agora exclusividade do coco pequeno:

Semana passada, no elevador de um desses prédios comerciais, me deparei com um homem de mais ou menos cinquenta anos. Calvo e mal-educado, a única coisa de brilhante que ele parecia possuir era a aliança que ostentava no dedo. Pois bem. Alguns segundos se passaram e ele, sem qualquer pudor, começou a me olhar de forma quase agressiva. Sentindo-me constrangida com a situação, passei, em silêncio, a medir o chão. Mesmo assim, ao perceber que estávamos indo para o mesmo andar, ele disparou:
– Sabe? Acho que temos muito em comum.
Não, caros amigos, eu não ando a melhor pessoa do mundo nesses últimos tempos. Portanto, respondi sorrindo:
– Sim, é verdade. Como você eu também gosto de garotas muito mais novas.
Completamente desconcertado, o homem encerrou o assunto na mesma hora.
Isso mesmo: 1×0, meninas!