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O lugar

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Aos 15 anos, vindo do interior de Conquista, pisei pela primeira vez no carpete do teatro meu chinelo de couro. Muitos shows do projeto Pixinguinha com a camisa azul e os colegas da ETFBa, fui me acostumando, me viciando nas suas escadarias, um dos lugares mais mágicos desta cidade. Naqueles dias vi e ouvi Cartola. Só por isso valeu. Depois vi nascer a OSBA. Um belo dia me vi trabalhando nas entranhas daquele gigante, em todos os sentidos. E cresci. Vi Gil cantar pela primeira vez sua recente A linha e o Linho. Outro dia vi nascer o Neojiba e me emocionei. Vi o teatro lotado, no Domingo no TCA, de gente de todas as partes da cidade ocupando aquele lugar especial antes restrito.
Domingo será mais um dia especial. Tomara que lote mais uma vez.

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Arco ou espada?

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Ao final de cada música o arco levantado lembra um espada  oriental. No início de cada música o arco espera, não se sabe o quê, mas espera, ali, como calculando o golpe,  e desce em direção às cordas para de lá arrancar sons que de alguma maneira atingem a alma da gente, não me pergunte como. Não sei explicar, não leio música, não toco nada, não tenho ouvido musical, mas recomendo a mim mesmo sempre ouvir um som assim, faz muito bem, move a alma da gente pra algum lugar melhor.

E a surpresa da noite de ontem foi a piano de Kathryn Stotta, essa moça da foto. A gente que é leigo e influenciado por estas coisas de melhor do mundo  vai focado no violoncelo, vai pensando no violoncelo de Yo-Yo Ma e recebe de surpresa um piano ali colado nos melhores momentos. A sintonia entre os dois também salta aos olhos e ouvidos  leigos.

E a surpresa mais agradável da noite foi o público. Desde a criação do Neojibá o público de música de concerto no TCA tem ganhado em juventude e em  qualidade. A gente reconhece eles espalhados pela plateia, as caras novas e ligadas, de gente que está ali por prazer e por conhecer. E não tocou celular, não ouvi conversas, nem aplausos  entre um movimento e outro. Teatro lotado, sobraram “apenas” umas 20 poltronas vazias no camarote do governo e nas filas contínuas ao camarote,  cujos convites dormiram nas gavetas de alguma repartição pública.

Claro, cochilei um pouco lá pelo meio da apresentação, este é o preço da insônia, mas Soraya, que não dorme nestas horas, tratou de evitar o sono profundo. Mas esta vida vem em fragmentos mesmo, como os quatro, eu disse quatro, retornos para o  bis sem aquela demora pra voltar de outras estrelas. Voltou, agradeceu no seu estilo oriental, especialmente à parceira. Será que ele é sempre assim ou recebeu recomendações de Rosa Passos para sobrar conosco?

Falar em Rosa Passos, olha os dois aqui.

 

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O melhor faz você mellhor?

Até onde vai a fama, até onde vai a sensibilidade, até onde vai a tiração de onda?
O TCA vai ficar diante de Yo-Yo Ma neste sábado. Lotado, possivelmente. Celulares vão tocar, balas de menta farfalhar vagarosamente em mãos cuidadosas por quase um movimento inteiro, e conversas vão soar nos momentos em que o solo estiver gritando silêncio, enfim, é assim sempre, amanhã assim será. Com perdão do trocadalho, não tem conserto.

Aqui uma prévia silenciosa ao fone de ouvido do que vai amanhã, quando muita gente sairá feliz, outras nem tanto, outras melhores do que entraram. Outras quase no mesmo. Mas ninguém indiferente, é impossível.

O programa, segundo o TCA, começa com a Suite Italienne, de Stravinsky, aqui executada por Ana Topalovic ao violoncelo e Mihaela Ursuleasa ao piano (Serenata e Aria)

Em seguida, Villa-Lobos, com Choros Nº 5 ou Alma Brasileira

Depois Camargo Guarnieri com a Dança Negra – criada em 1946, depois da visita do compositor à Bahia

Tem mais. O argentino Astor Piazzolla, com o tango Oblivion, aqui executado por Julian Lloyd Webber

e Siete Canciones Populares Españolas, de Manuel de Falla, aqui por Richard Lester, Marianna Shirinyan

Em seguida, Louange à l’Éternité de Jésus, de Olivier Messiaen, por por Julian Lloyd Webber, violoncelo e John Lenehan, piano.

e a transcrição para violoncelo desta Sonata para violino Nº 3 em Ré menor, de johannes Brahms

Bom Concerto.