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Onde está mesmo a tecla enter?

“(…) teu destino está constantemente sob teu controle. Você escolhe, recolhe, elege, atrai, busca, expulsa, modifica tudo aquilo que te rodeia a existência. Teus pensamentos e vontades são a chave de teus atos e atitudes. (…)

Não reclame, nem se faça de vítima. Antes de tudo, analisa e observa. A mudança está em tuas mãos. Reprograma tua meta (..)

Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.”

Trechos de um texto de Chico Xavier, que circula na internet e  está na minha cabeça há alguns dias.

Apois. Gosto de tudo isso, concordo com tudo isso.

O problema é encontrar a tecla enter.

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São Sebastião de Cairu

Os homens até hoje gostam de se achar os primeiros, antes deles só donzelice. Talvez venha daí essa história de dizer que as praias são virgens. Mas as praias que circulam as terras da Ilha de Boipeba guardam muitas marcas de amor e dor e o povoado de São Sebastião, mais conhecido como Cova da Onça, a história de marujos que esbarraram nos seus corais e ali ficaram, não se sabe se por encantamento ou necessidade. E deixaram seus descendentes.

As tripulações grega e espanhola de pelo menos dois naufrágios ali por perto [um deles deu nome à ponta dos Castelhanos e se relaciona à lenda que explica a origem da Igreja da Graça, contada por Câmara Cascudo]  podem explicar a presença maior da população branca no povoado, incomum no litoral da Bahia, muito mais no Baixo-Sul.

Impossível visitar este passado e não esbarrar também nas marcas e histórias deixadas pelos missionários religiosos. A Cova da Onça, onde não tivemos  tempo de ir, é uma espécie de caverna ou gruta ocupada  pelos Jesuítas. A partir daí a história carece de exatidão. Uns dizem que ali se guardavam  ouro e pedras preciosas, outros que o túnel ia dar em Boipeba Velha, lenda semelhante às que existem em Salvador sobre ligações subterrâneas entre igrejas.

O certo é que na cova havia algo de valor. Suspeito terem sido sacras, deixadas lá quando empombaram com os Jesuítas e eles foram convidados a se retirar, por conta de querelas ultramarinas.

O marujo desmemoriado aqui perdeu o bloco de anotações, sobrou apenas o endereço do site de Jonas Nascimento  http://www.covadaonca.i-ssa.com/ morador do povoado, onde há um relato da histdória de ocudpação da Ilha.

Mas me impressionou  uma história  ouvida de pelo menos dois moradores, e que não vi em site algum, sobre um suposto desembarque noturno, na década de 1960, de pessoas que se diziam militares. Foram até à cova, dinamitaram uma das passagens e de  lá voltaram carregados, ninguém sabe de quê.

Se os Jesuítas esconderam o ouro ou se  levaram as imagens, até hoje ninguém pode até hoje afirmar, o certo é que deixaram a devoção a São Sebastião de Cairu.

Estávamos almoçando com o grupo de turistas que veio no barco com a gente, quando os fogos pipocaram, avisando que lá no cais vai chegando a procissão marítima. Larguei Soraya, meninos e prato na mesa e fui fotografar. Clique na primeira imagem pra ver um filmete curto com o som da bandinha.

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Em Moreré, gigolô de renca se dá bem

Sabe aqueles meninos engraçadinhos na sinaleira a desafiar o nosso racional? Às vezes a gente não resiste. Descobri na viagem que também  uso esta técnica, de seduzir pela graça das crianças.
Inicialmente era inconsciente, mas depois de constatar o sucesso da presença deles nas situações de necessidades como atolamento, negociação dos pacotes de refeições e diárias, comecei a manipular os cenários. Assim foi em Moreré.
Chegamos à noite e sem tempo nem energia para procurar um lugar. Seguimos então a indicação de Rubem, artesão que vive no Capão e conhece o lugar (é interessante este fluxo bicho-grilo Chapada/Moreré). Fomos  então para a Pousada Moreré, a mais antiga do lugar, cujos donos são nativos. Desconto conseguido, dormimos todos num quarto que daria bem para um casal, mas não para uma renca de cinco.
Fabiana, filha do dono, ao ver nosso desconforto, fez uma proposta decente. O cunhado dela tinha a solução no fundo do restaurante da pousada. Conversa vai, conversa vem e nos instalamos numa casa de dois quartos, mobiliada do cortinado ao pano de prato, incluindo também gás, sal, detergente, além de gatos e  mangas no quintal. Tudo isso por R$ 60 a diária, com direito também  a companhia de crianças para brincar com  meninos. O que se assucedeu nestes dias  você acompanha neste resumo fotográfico abaixo:


É bom chegar a lugares desconhecidos à noite. Ao amanhecer a gente se vê como numa peça de teatro, quando a luz se acende num ambiente absolutamente novo. Vi esta mudança de cenário a bordo de uma das canoas ancoradas na praia.

Maré vazante

Pousada Moreré

Já em companhia de Luísa, caminhamos em direção à direita e por este caminho da foto e chegamos a Bainema, lugar sonhado por Soraya e que valeu a insistência dela em conhecer.

Por todo canto os Guaiamuns. Pela manhã bem cedo, a gente se encontra com estas figuras assustadas e ariscas, a alegria dos meninos.

Chegamos fnalmente a Bainema

Novo amanhecer no cenário presente em 9 de 10 fotos de quem vai a Moreré.A performance deste estrangeiro entoando mantras provocava muitos risos e brincadeiras entre nativos e turistas. Era uma espécie de sino a saudar o nascer e o pôr-do-sol. Figura bonita e de paz. Doido manso, na visão dos nativos.A performance deste estrangeiro entoando mantras provocava muitos risos e brincadeiras entre nativos e turistas. Era uma espécie de sino a saudar o nascer e o pôr-do-sol. Figura bonita e de paz. Doido manso, na visão dos nativos.
Aportada no mangue, uma das caravelas exibe sua cauda fatal, protagonista de uma cena digna de filme iraniano. Gritos lancinantes, garoto sai da água desesperado e logo uma roda de crianças e adultos se forma ao seu redor. Gritos e mais gritos. Quem já foi queimado por caravela sabe o tamanho da dor, que não passa. Mas logo aparece o avô. Para acalentar? Que nada, chinelo na mão, aplica uma sova no coitado pela desobediência de ter ido ao mar mesmo com o alerta de vento e da presença da frota lilás. Detalhe: a avó, desavisada, havia autorizado o banho.

Só na tarde do segundo dia tomamos o rumo da esquerda, onde ficam as famosas piscinas naturais de Moreré.Só na tarde do segundo dia tomamos o rumo da esquerda, onde ficam as famosas piscinas naturais de Moreré.
No terceiro dia partimos num passeio para Cova da Onça, povoado secular da outra ponta da ilha e aí novamente a sedução dos meninos ajudou nas negociações. R$ 50 para cada casal de turistas. Com mais R$ 20, incluímos os nossos três passageiros extras e seguimos a bordo do Ilha de Moreré para nossa aventura de um dia. Inicialmente os meninos super animados na proa, com a cara nos respingos e o corpo pra cima e pra baixo no balanço do mar. O que aconteceu minutos depois você acompanha no próximo capítulo porque a fita em série que se preza tem que acabar no melhor pedaço.